Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Filho de peixes, peixes é
14-janeiro-2011, 1:55
Filed under: Abobrinhas, Perfil

Estou perdido. Não consigo mais entender minha vida. Me sinto deslocado da vida, de tudo aquilo que sempre entendi como verdadeiro e certo na minha existência. É uma sensação de perda e um vazio incrível.

Não sou mais Áries. Sou Peixes.

Eu me achava aventureiro, energético, pioneiro e valente. Poxa, era dinâmico, seguro de mim mesmo e costumava demonstrar entusiasmo para as coisas – apesar de impulsivo e sem muita paciência, claro. Tudo o que se espera de um ariano!

Agora vou ter de ser imaginativo e sensível! Amável e cheio de compaixão! Intuitivo e pensar nos demais! Não assumir a realidade,  ser idealista, manter segredos e ter uma vontade débil! DÉBIL! Além de, vejam só!, me deixar levar pelos outros! Tudo o que define alguém de Peixes!

Meu irmão, coitado, virou Serpentina! Mó Carnaval isso! Como pode uma ciência tão perfeita e redonda como a Astrologia ter espaço para esse tipo de revisão? E agora, José? Como fica meu Mapa Astral de vinte e poucas páginas que paguei centenas de reais para ser feito pela fantástica e totalmente confiável vidente daqui do lado de casa?

Me sinto traído. Por tudo o que me definiu e sempre me definiu agora ser algo que não mais me define. Por eu ter seguido VERBATIM tudo o que se espera de um ariano e agora, pasmem!, ter de mudar tudo o que sempre fiz porque estavam todos errados! Minha vida foi uma mentira todos esses anos! O que fazer agora?!

Ainda bem que meu pai também é Peixes agora. Filho de Peixes, peixes é. Me conforta isso.



Debate RedeTV!
18-outubro-2010, 6:53
Filed under: Politicalidades

Odiei o debate ontem. Dilma estava péssima, Serra ainda mais nojento fazendo caras e gestos de bonzinho. Dilma precisa focar nos dados mesmo, e colocar o idealismo e as propostas ao invés de insistir em se defender de frases como ‘Dilma acredita na inflação’. Foi tudo horroroso.

Não há nervosismo na Dilma. Poderia até haver, e acho que isso seria melhor. Mas não há. Ela tem controle administrativo de tudo o que aconteceu nos seus anos de Casa Civil. Porém vejo que não anda acontecendo o óbvio: transformar os dados em frases coerentes, em propostas com base no que já foi construído e no que pode ser feito a partir de agora.

Serra continua sendo o Drácula. Incrível como anda seboso e bizarro. Tenho total repulsão quando olho pra ele. Pena que a Marina não está lá para termos um segundo turno decente. Mais 15 dias e teríamos esse embate. Teria sido lindo.

Agora o que vemos é o ódio, a falta de coerência, falta de espaço para propostas e sobra de tempo para ataques e babaquices. Estou com nojo desse segundo turno.



Marina morena
7-outubro-2010, 4:06
Filed under: Politicalidades

Marina morena, Marina você se pintou. Se pintou de verde. E um pouco de amarelo. E pescou votos de tudo quanto é lado. Deu uma surra no Serra (felizmente) no Rio. Ganhou a disputa em várias cidades importantes como BH e Niterói. Impressionante.

Marina, você faça tudo mas faça o favor. Não pinte seu rosto que gosto, que gosto e que não é de tucano. Marina você já é bonita com que seu deus lhe deu.

Me aborreci, me zanguei, já não posso falar. E quando eu me zango, Marina, não sei perdoar. Eu já disculpei tanta coisa. Mas tirar a vitória da Dilma no primeiro turno é imperdoável.

Desculpa, Marina morena, mas eu estou de mal. De mal com você. De mal com você.



Meu voto na Dilma
2-outubro-2010, 11:41
Filed under: Politicalidades

Eu me achava politizado for all the wrong reasons. Cresci sob a tutela de uma idéia de sociedade totalmente escrota, errada. Tinha um pai que lutou contra a Ditadura, não a ponto de ser preso e torturado, muito pela inteligência e cagaço (por ser inteligente) dele. Nasci na Zona Norte do Rio de Janeiro e vivi uma vida, até hoje, de berço esplêndido. Os esforços do meu pai de subir na vida por suor, lágrimas e hard compromises me deixaram em posição invejável nesse país, especialmente nesse país na década de transição econômica, social e política.

Tenho 28 anos e somos um país de constituição democrática há 22. Durante os anos Collor e Itamar, e ainda metade do FHC, estava fora do país. Vivendo num mundo a parte, numa realidade diferente. Não sofri como muitos amigos com os problemas do congelamento, não senti na pele junto à minha família a beleza de um Plano Real. Não brinquei com UFIRs, por mais que, nas férias, me deliciei com as mudanças. Achava sensacional termos uma moeda forte, que se assemelhava ao que conhecia lá fora.

Pressupus ser politizado ao me tornar um ingênuo homenzinho de 16 anos votando no FHC em 98. Dois anos vivendo num país que tinha moeda forte foi algo muito interessante. Fiz questão de votar aos 16. Me enxergar como membro atuante e transformador da nossa república federativa. Os próximos quatro anos foram uma lição de economia e política.

Entrei na faculdade de administração no segundo semestre de 99, num prestigioso e influente instituto de mercado de capitais. Trabalharia na bolsa, num banco de investimento. Seria pós-doutor como meu progenitor. Haveria de seguir o caminho traçado pelo meu pai e ganhar dinheiro me esforçando muito, trabalhando 20 horas por dia e estudando sem parar. Diante das doideiras dos últimos anos do FHC, diante das babaquices e loucuras feitas na outra metade do seu governo, ainda mantinha uma cartilha pessoal focada naquilo que permeava meus arredores.

2002 veio. Não queria votar no Serra. Não conseguia. Nunca vi nele um presidente. Nunca quis vê-lo como tal. Sua postura, seu sorriso horripilantemente falso e enganador. Lembro que teria votado no Garotinho antes de me ver votando nele. Isso não mudou. O que mudou foi que, na época, não acreditava no ‘Lula Paz e Amor’.

A distorção daquilo que via do Lula pelos PIGs era de um guerrilheiro maluco que tornaria nosso país num regime socialista e ia fazer reforma agrária dentro dos apartamentos da Lagoa onde eu morava, enfiando pobres para dividir os metros quadrados a mais dos abastados… e vendiam isso como se tudo fosse realmente ruim! Não tive cabeça para entender a real democratização do poder que o Lula era capaz de trazer ao Brasil. Felizmente, 46% e depois 62% do povo brasileiro soube, e meu voto no Ciro Gomes, que achava um maverick interessante, ficou como voto de ideal – se é que eu realmente o tinha. Para minha vergonha até hoje, deixei de votar em alguém no segundo turno. Anulei meu voto.

2006 veio e não pude conter meu espanto. Conheci algumas pessoas interessantes (serão mencionadas em breve), abri um tantinho meus horizontes. Quatro anos antes ainda estava voltado prum pensamento distorcido do que significava o movimento de real democratização do poder e do voto nacional. Fiz pós em teorias econômicas pra fazer mestrado em economia como o papai e felizmente (hoje vejo isso), por causa de uma nota ruim em História não tive chance de entrar nos programas que queria. Tive câncer, mudei de posição com relação às minhas escolhas profissionais, montei empresa em entretenimento, fiz cursos de produção e música. Minha jornada de reconhecimento me levou a entender melhor o país que vivo. Vi o PT se tornar o beacon de representatividade da sócio-democracia nacional. Li demais, vi movimentos distintos de política serem ridículos, instigantes e enfadonhos. Tudo, porém, era mais interessante. De todas as formas. Tentar entender a política nacional virou maravilhosamente educativo. Votei no Cristovão. Não curti o Lula na campanha. 2005 tinha sido o ano do Mensalão, e a ferida tinha doído. Não tinha enxergado que a eclosão do escândalo era parte da uma real característica dos anos petistas: total e irrevogável liberdade de imprensa para explorar e divulgar o que acontece no planalto. Dessa vez, por mais que achasse o Alckmin um cara de sorriso engraçado e kind of a good guy, não dava pra negar os avanços do país, e entendi o recado dos anos anteriores, por maiores que os problemas fossem eu vivia uma mudança boa na minha cabeça. Lulalá no segundo turno.

Os últimos quatro anos. MBA em Marketing e também mestrado pela Ohio University. Mais algumas viagens internacionais. Três outras empresas agora. Segui me desafiando e tentando emular meu pai, mas da maneira correta – sendo eu mesmo. Difícil ver o dinheiro entrar como sonhava, mas estou me divertindo. Meu país anda se divertindo também, e é esse o final desse depoimento longo e chato que hoje faço.

Descobri um país mais justo, mais amigo, mais próspero e bonito nesses últimos anos. Somos bem vistos lá fora, temos uma economia melhor, um povo mais feliz e rico. Enquanto todos caem, nós melhoramos. Como sempre deveria ter sido. Agora somos.

E é isso que mais me abala hoje. Estou CONTENTE com o meu país. Estou ALEGRE ao ver meu país como ele está. Estou ESPERANÇOSO com tudo o que o meu país representará nos próximos quatro, oito, doze anos.

A Dilma é a próxima fase desse crescimento. Ela representa a continuidade de algo que mudou por completo o meu país. Ela é o resultado de anos de boa governança, em várias áreas do Governo. A imagem do país que quero carregar no meu peito como nunca antes carreguei. Hoje, eu só consigo votar no PT. Quem me viu, quem me vê.

Agradeço ao Idelber, ao Rafa, ao Alex. Grandes amigos que abriram meus olhos, que com sua inteligência, experiência e retórica, coletivamente, me tornaram alguém mais aware, mais dedicado ao meu país, ao povo que aqui divide seu espaço comigo. A enxergar o país longe da minha metrópole, ao povo que tanto amo e por quem nutro tanto carinho. E por quem posso, e DEVO, representar no meu voto. O Celso, recente aquisição da minha lista diárias de blogs, veio a acrescentar as peças finais de uma cabeça transformada.

Sou alguém melhor. O Brasil também. Mudamos junto. E seguiremos nos transformando para melhor. Seremos melhor a cada dia que passar. Que venha a Dilma, a continuar nossa transformação. Estamos a caminho de algo fantástico. Não podemos parar nem retroceder.



Tá chegando a hora
26-setembro-2010, 4:32
Filed under: Perfil, Politicalidades

O meu voto na Dilma, o meu voto no Lindberg e no Crivella. Tanta coisa pra explicar. Para alguém que aprendeu a ver ‘South of the Border’ do Oliver Stone e rir, se emocionar e entender, no coração, com calafrios, a beleza das mudanças desse continente, pra melhor, e a lição que estamos dando ao mundo, é incrível reconhecer as diferenças de quem eu era politicamente em 2002 e, depois de ler e aprender, de deixar as PIGs me influenciarem, de ver o quão patética é a Veja, a Folha, a Fox News Brazuca, todo mundo fazendo de tudo, mentindo, corrompendo informação, editando e distorcendo dados, notícias, frases e entrevistas… uma vergonha.

Sendo leitor ávido (blogs e tweets) do Idelba, do Rafa, do Alex e do Celso, me sinto bem amparado, acompanhado de perto por mentes ducarai, que sabem o que dizem, e me reforçam nessas idéias e ideais.



Fica, Maradona!
5-julho-2010, 9:49
Filed under: Esportividades

Incrível como fiquei surpreso com a minha completa e irrestrita simpatia com o Dieguito e seus súditos quando foram eliminados.

Seu jeito de liderar, sua atitude e sua postura são um contraste tão dicotômico ao do nosso rabugento que me pus a torcer pela permanência do Maradona no cargo de técnico da seleção Argentina.

E digo mais: não torci por eles na Copa do Mundo, mas começo a torcer se El Pibe ficar. Fica, Maradona!!



Eu quero…
29-junho-2010, 5:27
Filed under: Diatribes, Perfil

…ser grande.




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