Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Sábio Orkut (I)
8-Julho-2009, 4:33
Arquivado em: Abobrinhas

“A ausência total de humor deixa a vida impossível.”

A ausência de humor deixa você catatônico. Sem vida. Preso numa muralha de solidão e mórbida placidez.

Além, claro, do fato de terem charisma zero. Nem dá pra jogar D&D com um pc assim.



Matéria da Plus TV sobre o lançamento do clipe de ‘Daquilo eu que eu chamo de Amor’
6-Julho-2009, 2:46
Arquivado em: Música


Daquilo que eu chamo de Amor
1-Julho-2009, 3:48
Arquivado em: Música

Foi lançado ontem o clipe de ‘Daquilo que eu chamo de Amor’, single do novo álbum ‘Sempre Mais’ da banda que empresario – o Catch Side.

Foi um processo tortuoso, cansativo, mas o resultado é algo incrível. A fotografia é perfeita. Os meninos estão demais. Tudo o que o João e eu lutamos para conquistar, além de toda a equipe CS, agora está finalmente mostrando seus frutos mais suculentos.

Que este seja o primeiro de muitos clipes. Salve Kaká, pelo roteiro. Salve Dante Belluti e Philip Moss, pela direção. Salve a Chá das 5, pela finalização e edição. E salve a N Filmes do Gabriel, que produziu tudo.



Jacko
26-Junho-2009, 1:14
Arquivado em: Abobrinhas

Então morreu o rei do Pop que era o rei da falta de privacidade que era o rei que diziam molestar de crianças mas nunca se mostrou mais que uma criança ele mesmo. Uma pobre criança que montou sua Terra do Nunca para escapar de um mundo que não o conhecia e nem queria. Só queria vilipendiar sua vida, exaltar sua carreira e talento e não se preocupar com sua cabeça e, claro, com seus inúmeros problemas.

Foi uma pena ele ter ido. Sempre gostei dele, inclusive a fase final da carreira. Queria muito saber como estava sendo montado o show da turnê de Londres. Queria vê-lo onde ele sempre brilhou: no palco. Num palco que exaltava alegria, movimento, competência, talento e emoção.

Vão dizer que morreu de overdose. Vão dizer que nasceu preto, virou branco e vai acabar cinza. Vão brincar, vão lembrar. Poucos vão chorar, muitos vão esquecer.

Eu não. Michael era o cara. O único músico que consigo e conseguirei chamar de ‘rei’.



Mundofox
22-Junho-2009, 4:29
Arquivado em: Abobrinhas

Pronto, achei no Brasil o site que representa o Hulu, meu vício nos EUA. Passava praticamente todas as noites vendo o Daily Show with Jon Stewart, The Colbert Report, Family Guy, American Dad e 30 Rock nessa tv online americana. Quase morri quando vi que só era liberado nos EUA.

Mas agora a Fox trouxe a estrutura do Hulu para o www.mundofox.com.br, site fantástico com a mesma proposta – mostrar capítulos inteiros de séries, teasers de um, dois minutos para quem não tem paciência e, claro, deixar para um fanático como eu muito, muito feliz.

Ganhei um novo velho vício. Eba.



Essa decisão sobre o diploma de jornalista
18-Junho-2009, 1:20
Arquivado em: Politicalidades

Nostradamus aí acima e outros ministros decidiram que não é preciso o diploma de jornalista para exercer funções jornalísticas. Eu, como bom blogueiro, comemoro de certa forma essa decisão. Mesmo porque me sinto parte de uma movimentação a favor da liberdade completa de possibilidade de expressão. Não é questão de discutir que ‘qualquer um pode ser jornalista’.

O que fica claro decidir é se uma pessoa que divulga notícias, críticas, opiniões, crônicas, resenhas pode ser alguém sem diploma. Eu acho que sim. Muita gente já trabalha assim com liminares. É um músico que escreve sobre música. Um ator que fala sobre teatro e cinema. Uma estilista que escreve à um jornal sobre moda.

Por que é alguém precisa de diploma para reportar notícias? Entendo o esforço e o mérito de quem estuda por anos a arte do jornalismo, e acho válido que sejam reconhecidos como profissionais mais aptos e, portanto, imensamente mais competentes para exercer seus cargos que pessoas sem tamanha experiência acadêmica. Porém não acho que seja primordial ter mencionado diploma para ser contratado como provedor de opinião, resenha ou notícia.

Muitos atores não fizeram CAL nem anos de Tablado. Muitos músicos não são formados em música ou adjacentes disciplinas como harmonia, composição e regência. Muitos administradores são economistas, engenheiros, publicitários, médicos e – vejam só! – jornalistas.

Vamos parar de imaginar que profissões precisam ser exercidas somente por graduados em suas específicas áreas, salvo, claro, as disciplinas médicas. E vamos parar de imaginar que a partir de agora ninguém vai contratar administradores para administrar, economistas para estudos econômicos, informatas para desenvolvimento de softwares e, porra, jornalistas para cargos de repórter e editor de jornais e revistas.

Updeite: Como sabia que isso ia repercutir em vários blogs de responsa, sigo o Cabra em listar as considerações do Leandro Demori com relação à decisão do STF:

. Agora que caiu exigência do diploma, todo mundo vai querer ser jornalista pra ganhar milhões.

. As empresas, claro, irão contratar semi-analfabetos para escrever nos jornais (ops, isso algumas já fazem).

. “Agora um padeiro pode roubar o meu emprego?” Se depois de 4 anos na faculdade tu escreve pior do que o padeiro, sim.

. “Mas o padeiro VAI querer roubar o meu emprego?”. Não.

. “Sem diploma nossos salários serão horríveis!”. Claro! O diploma é que garantia o teu salário de marajá, agora fodel!

. Fim da vida mágica nas redações, dos altos salários, da baixa carga horária e da proteção da classe.

. “E agora, a faculdade de jornalismo não serve pra nada?”. Minha filha, é AGORA que serve (ou não, depende dela).

. “E o sindicato dos jornalistas, se tornou obsoleto?”. Pergunta com 30 anos de atraso (mas talvez agora se torne útil).



Galáticos
13-Junho-2009, 6:37
Arquivado em: Esportividades

Não sou muito de falar de times que não são os meus. Tenho o Vasco da Gama e o West Ham United no coração, e comentar demais sobre clubes diferentes me soa estranho. Ainda sim, não pude deixar de falar sobre uns acontecimentos da semana.

Segunda-feira o Real Madrid anuncia o Kaká. No meio da semana, o Cristiano Ronaldo. Ontem, anunciam o David Villa.

Olha, sem brincadeira, foi talvez a mais impressionante demonstração de força financeira e de status que vi um clube demonstrar em toda a minha vida. Fora as centenas de milhões de euros, a força do nome e da história do Real Madrid transformam esse time num time que, pelo nome dos jogadores, não tem como não ser considerado o mais brilhante do mundo.

O mundo do futebol está despirocado. Isso é claro. Dinheiro de mais, noção de menos. Cuidado zero com os jovens talentos a surgir. Uma globalização vilipendiosa.

Mas que estou desesperadamente interessado em ver esse time em campo, ah estou…



Dieto, logo existo
8-Junho-2009, 5:07
Arquivado em: Dietalidades

Terça-feira, pra variar um pouco, começo minha nova dieta. Dietar faz parte da minha vida desde que tenho 17 anos. Naquela época, se já não disse nesse blog e esqueci, pesava singelos 78kg. Para um rapazóide de 1,77m é o peso considerado ‘ideal’. Pois bem, namorei, engordei, pra caráleo, e desde então, aos trancos e barrancos, continuo gordo. Bem gordo.

Venci a necessidade do Rafa de beber coca até explodir. Passei Maio inteiro sem tomar refrigerante. Digamos que foi um teste, pequeno e singelo, para garantir minha entrada nessa nova empreitada rumo à um peso decente. Minha meta é voltar aos meus singelos 17.

Dez anos atrás. Santos deuses. Parece uma vida.

Vou até criar uma categoria pra essa joça. Pra vocês verem qual é minha real intenção – criar material pro blog. Porque sei que vai ser um saco, mas o resultado, imagino, será tão safisfatório que começarei a escrever as maravilhas de uma vida sem tanto peso. Não que minha atual rolicitude seja um impecílio. Mesmo gordo mantive, e mantenho, uma vida emocional bastante interessante. Até demais para quem, como eu, tem ossos de irídio.

Nesse longo e tortuoso caminho a se seguir, presto aqui uma declaração: vou ismagreiscer. De verdade. Me aguardem.



Densas conversa
3-Junho-2009, 2:13
Arquivado em: Abobrinhas | Tags:

- Dindo, aminal tem alma?
- Não, claro que não tem.
- Então você acha que animal não tem céu?
- Não, claro que não. Agora me pergunta a próxima pergunta necessária.
- Como assim?
- A pergunta que você deveria me fazer agora.
- Não entendi.
- Me pergunta se humanos têm alma.
- Humanos não têm alma?
- Claro que não.
- Então você é desalmado.
- Claro.
- Mas assim você não vai pro céu!



Rafael, Rafael…
24-Maio-2009, 3:51
Arquivado em: Estrada, Perfil

Ô Cabra, que bonito você ter tirado tempo da sua agenda tão cheia de compromissos de eleição de políticos para escrever uma defesa sobre a minha cidade européia. Gostei de muita coisa que você disse, e sinto também uma necessidade grande em discorrer um pouco mais das coisas que foram ditas.

“…seria bobagem tentar comparar as francesas, com sua elegância e seu talhe esbelto, às inglesas — que pobre gente feia aqueles ingleses, não é?”

No primeiro momento, para o leigo e míope, as londrinas podem sim parecer feias comparadas às parisienses. Mas se você esperasse a espessa fumaça do seu cigarro se esvair, e fizesse a correção cirúrgica para sua visão desprivilegiada veria que há muita beleza nas inglesas – seu attire mais moderno, seu pioneirismo na moda, seu olhar cool e simpático, convidativo. Se fosse Paris ficariamos sempre nas esguias fumantes, cuja tosse, do único alimento que elas julgam ter fora a nouvelle cousine, se ouve aos milhares pelas ruas da Cidade Luz.

“Eu, no entanto, teria preferido falar de uma das pequenas delícias de Londres que você deixou passar: o costume de deitar e comer nos parques, como o Green ou o Hyde.”

Se não fosse pelo restante do seu post, imaginaria que, de fato, você estivesse falando bem dos parques londrinos – tão majestosos, acolhedores e bem cuidados. Achava que você fosse comentar o quão mais históricos eles são, pelos movimentos seculares que transcorreram neles, pela incrível história que todos carregam e pela maravilhosa abertura que eles provém, dando espaço a todos que desejam curtir um momento de paz e tranqüilidade numa cidade tão sensacionalmente ocupada e viva.

“Acho que os ingleses fazem isso porque, ao contrário dos parisienses, não têm uma cidade bonita pela qual flanar, mas cada um se vira com o que tem — e que povo melhor para suportar as adversidades do que o inglês? Vamos então deitar nos parques, olhar para as flores em volta e esquecer que além de suas grades está uma cidadezinha feia, mas simpática.”

Engraçado usar a simpatia dos parques, tão democráticos e convidativos, como fugas da feiura da cidade londrina é esquecer que os lindos parques londrinos são fonte de paz para muitos numa cidade ocupada demais. Afinal, Londres não é chamada do coração do mundo por nada, né Cabra… mas legal mesmo é Paris, com sua arquitetura igual, sem espaço para o moderno, onde o Balzac poderia existir hoje e escrever exatamente o mesmo sobre o povo e a cidade.

“Não há deles nenhuma declaração de amor à capital inglesa, nenhuma vontade de passear por seus becos e suas ruelas, nenhuma percepção da cidade como criatura e criadora de um povo, como Balzac percebe em Paris. Sim, eles também eram gênios — e por serem gênios sabiam que Londres não valia a pena.”

Não é que não valia a pena. Eles nunca precisaram é descrever sua linda cidade o tempo todo. Não precisavam exaltar toda a sua magia e encanto. Ao contrário do seu querido Balzac, que o tempo todo precisava colocar Paris no centro de tudo. Sinto uma certa falta de confiança do Balzac na beleza e importância da sua cidade. Afinal, quem faz questão de, o tempo todo, exaltar algo ou está escondendo muita coisa ou precisa se assegurar se que, de fato, ele realmente acredita isso. Sinto uma imensa dúvida… talvez seja só eu.

“Então eu falaria de outras coisas. Falaria de Jack, o Estripador, por exemplo. Falaria da polícia que mata brasileiros no metrô. Ou lembraria de Drácula, de Mr. Hyde, de Frankenstein — Londres é um cenário perfeito para esse tipo de história.”

Por ser cosmopolita e abrangente, por aceitar todos os credos, cores e nacionalidades, Londres é palco de todos os tipos de história mesmo – afinal, não cedemos ao Nazismo, não fomos tomados por um baixinho num egotrip tremendo. Sempre lutamos contra o que há de errado, e fomos palco de muitas histórias, boas e ruins. Isso é o que acontece com uma cidade aberta e acolhedora. Onde pessoas se conhecem e são conhecidas.

“…eu falaria da forma como Londres se apega pouco ao passado, como os prédios modernos se misturam com predinhos atarracados cor de cocô. Londres parece tanto com São Paulo em alguns aspectos. Principalmente na feiúra tão absoluta que a gente pode até confundir com beleza. Londres não tem motivos para preservar sua arquitetura horrorosa, e seria essa qualidade que eu exploraria.”

Comparar Londres à São Paulo é de uma trememenda má vontade. A Cidade de Westminster é de uma beleza que transpõe qualquer dúvida. O centro financeiro conseguiu se modernizar com o tempo, auxiliando os lindos prédios vitorianos com movimentos modernos de incrível arquitetura – o London Eye, O2 Arena, The Gerkin… nós evoluimos, não deixando com que a modernidade e a tecnologia fossem escondidas das nossas vidas cotidianas.

“Quanto a Trafalgar Square, além de uma questão de gosto, sua única qualidade mesmo é que dali você consegue ver a sua bela “Abbey” — ao contrário do Arco de Napoleão, que embeleza a Champs Elysées com a sua visão.”

Champs Elysées só é bela porque é anca. De resto, não tem nada a oferecer além de cinemas antigos e McDonald’s e Burger Kings. É a falácia parisiense de manter a arquitetura intacta enquanto toda e qualquer influência contemporânea é tomada e usada.

“Ah, Bruno, meus tempos de boemia se foram com meus verdes anos. Mas confesso que, entre um cabaré e um teatro, é no cabaré que meus devaneios recaem primeiro. Mas não é esse o caso. O problema aqui está no fato de que, quando uma cidade precisa recorrer a um teatro demolido há séculos para encontrar uma razão que justifique a sua existência, ela tem problemas sérios. Como você pode preferir um teatro inexistente a um cabaré que ainda hoje pode lhe oferecer o paraíso?”

Se pra você o paraíso são meretrizes trajadas de roupas que deixaram de ser excitantes há dois séculos. Eu prefiroa arte eterna do Bill, até o feliz do Webber me satisfaz mais que velhas que não sabem mais seu lugar no mundo jogando suas pernas e plumas ao ar como se estivessem nos anos 20 e abafando. De fato, entre as plumas e meias de rede de pescador eu sou muito mais o que você chamou de ‘fleuma britânica’, um bom terno ou brincos, espetos e botas dos punks.

“Mas acho que entendi o que você quis dizer com seus punks degenerados. O problema é que esse foi outro equívoco, porque pelo visto você não conhece os imigrantes que dançam street music no Boulevard Rochechouart nas tardes de sábado, ou as multidões de esquisitinhos que se aglomeram na porta do Elysée Montmartre, ou ainda os patinadores em frente ao Palais Royal.”

Seus imigrantes são tunisianos, costadomerfinenses, nigerianos… pessoas que falam a língua da cidade. Raros são aqueles que se aventuram por essa cidade que não aceita ninguém direito. E enquanto meus performers de rua estão ali para conquistarem seu espaço, os seus estão ali pra sobreviver nuam cidade que não os aceita por terem pele e religião diferente da de Luis VIII.

“E, embora eu esteja aqui tentando te ajudar na defesa dessa cidade agradabilíssima que é Londres, eu preciso repetir o que já disseram o Idelber, o Wilson e a Lolla: citar a Starbucks como vantagem londrina é se ajoelhar no chão e pedir perdão pelas bobagens que acabou dizer. Em vez disso, nós poderíamos defender Londres dizendo que café não presta, que bom mesmo é chá, e melhor ainda é o chá das cinco. Mas pobre de uma cidade que não pode ter orgulho do seu café.”

Minha comparação com o Starbucks significava a veia cosmopolita e aberta da minha cidade. O fato de saber que posso confiar no moderno e não sentir vergonha disso. Mas para vocês que fogem do que é moderno e, caráleo, até gostoso!, falar dos pubs seria demais.

Porque os pubs são justamente o que Paris nunca será. Um lugar de confraternização de pessoas distintas, todas a fim de um momento alegre e jovial, uma música legal, uma cerveja gostosa (podemos não ter café, mas de cerveja vocês não podem se gabar, né Cabra?) e, porra, convivência com pessoas simpáticas! E o final dos dias de um pubs são motivos de alegria, com pedidos mil de jarras de cerveja, que mesmo quentes são motivo de regojizo, ao invés dos cafés parisienses que já expulsaram meu pai à força durante um gole ou outro do café ruim que eles servem porque passara das 23h.

Um dia a nojentisse de Paris se entranhará em ti. O dia que você viver por mais de uma semana em Londres você verá o quão melhor a cidade é. Waterloo não foi por acaso. Um dia você aprende.