Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Los Hermanos - 4
30-Julho-2005, 4:38
Arquivado em: Música

É verdade. Eles se tornaram, sim, mais mpb. O que pode ser péssimo é amenizado pelo simples fato de que eles são muito, muito competentes no que se propõem a fazer.

‘4′ é um cd introspectivo, triste, melancólico… em muitas faixas muito belo. Essa tristeza é muito bem escrita e composta por Camelo, que a cada álbum torna-se melhor.

‘Horizonte Distante’ é a melhor música da história do rock nacional.

Quando achava que o Amarante era quem tinha os lampejos de brilhantia (’Sentimental’ e ‘O Último Romance’ são, respectivamente, a segunda e terceira melhor música da história do rock nacional), Camelo, que era o mais coeso, mostra-se simplesmente genial. Depois de ‘Do Lado de Dentro’, do Ventura, com sua melodia linda e harmonia sensacional, ele aparece com ‘Dois Barcos’, ‘É de Lágrima’ e a antológica ‘Horizonte Distante’…

A opção por tirar os metais, tão presentes nos outros álbums, foi uma ótima escolha. Tornou o álbum mais difícil, mais sombrio, mais pesado. Ed Morelembaum, por mais que seja um cara totalmente mpb/bossa nova, deu uns toques geniais aos arranjos das músicas.

No geral, ‘4′ é excelente. Os Hermanos evoluem a passos largos. Barba deve estar cada vez mais deprimido, por não mais poder ser o roqueiro de outrora. Mas que o Camelo e o Amarante são geniais, são.



Meliantes donos da rua
28-Julho-2005, 4:45
Arquivado em: Diatribes

O que há com os flanelinhas que acham que não só são donos das ruas, mas também se acham no direito de nos ameaçar para receber seu dinheiro antecipadamente?
Hoje em Ipanema, depois de estacionar, veio um rapaz pequeno, magricelo, me pedindo cinco - sim, CINCO - reais para que eu tivesse o prazer de parar o carro ao lado dele, sentado na grade da praça com seu *sotaque do Romário* ‘partheiro’. E se acham que o prelo abusivo foi o pior, não foi. Óbviamente.

O meliante desfarçado de flanelinha vem e me diz que só cobra tanto porque a Rocinha desce para quebrar os carros de Ipanema à noite, e pagar a mais pelo estacionamento é a única alternativa para se conseguir algum tipo de segurança, visto que o flanelinha, em tese, teria que pagar os bandidos para não quebrarem nada. Ora vejam só. Quanta coragem. O pequeno imbecil teve a audácia de me chantagear com a possibilidade de ter meu carro quebrado se não o pagasse.

Como podemos viver numa cidade assim? Onde qualquer um que se intale numa rua se sente no direito de estorquir e chantagear quem parar lá. E não existe o menor controle de qualquer tipo de autoridade para evitar tal abuso. É um total abuso.

Pior de tudo: paguei, claro, porque qualquer dano ao meu carro seria maior. Paguei três reais e saí com uma sensação de vitória. Patético.



Terrorista tupiniquim
25-Julho-2005, 4:48
Arquivado em: Diatribes

Jean Menezes. Cinco tiros. No chão. Dominado por policiais londrinos em vestimentas civis. Morto por usar casaco no verão e por parecer levemente asiático. Ah, e por correr. Ordens da polícia local. Shoot to kill. E já avisaram que isso não vai mudar.

A que ponto chegou o terror e o pânico instaurados pelo terrorismo. O ministro inglês louva a ação dos policiais. Atire antes, pergunte depois.

Nos vemos num mundo onde qualquer um é suspeito. Qualquer pessoa pode ser um detonador. Cada um pode ser um assassino. Ter o acessório errado, ter o cabelo errado, ter a barba errada, ter a etnia errada. Se quiserem, você vira uma ameaça.

Viveremos contantemente apavorados? É isso que significa vencer o terrorismo? É isso que significa não dar a vitória a eles? Não ceder é reprimir? Em que se torna uma sociedade enraizada no medo? Como há de se conviver com seu próximo quando ele pode ser o próximo a matar setenta no metrô? Como andar de metrô quando o seu vagão pode ser o próximo?

Para que viver num mundo de medo e pânico? Para que sucumbir ao terror, à desconfiança, à repreensão? Não podemos louvar ataques gratuitos contra civis, pois são esses ataques gratuitos que são tão abomináveis. São esses ataques gratuitos que geram o pânico e o terror que assolam a sociedade ocidental. Não podemos deixar de ser humanos, de dar espaço ao outro, de dar liberdade a qualquer um. O mundo não é assim. Não pode ser assim.



Haroldo e o suicídio
17-Julho-2005, 4:51
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De acordo com o Alex, é muito bom.

As histórias do Haroldo (Ari para os íntimos italianos) parecem realmente dominar o mundo. Ainda não li nem o primeiro da saga, e francamente me vejo em desvantagem. Já deveria ter começado a ler os livros há muito, muito tempo. É indiscutível que existe algo de especial nas linhas escritas pela J.K. Rowling. Não é possível que um personagem valha tanto para tantas pessoas. É realmente um fenômeno.

Se o Alex a considera a melhor contadora de histórias da atualidade, quem sou eu para discutir. Tenho que ler os livros em inglês, pois nunca consigo gostar das traduções feitas (perdoem-me os tradutores que lerem isso). Sempre acho que na língua original o autor realmente expõe tudo o que quer, da maneira como quer. Digo isso porque preferi, e muito, ler Gabriel Garcia Márquez em espanhol, tendo lido ele em português. E visto que considero inglês minha primeira língua mesmo, ler em inglês pra mim é muito mais prazeroso e fácil.

Agora, tem gente que se suicidou ao saber do final. Isso é algo que só reforça a força desse personagem no mundo literário e na cultura pop do mundo. Como pode alguém se envolver tanto com esse livros a ponto de viver por eles, de pensar como se estivesse preso à eles? Penso na minha total fascinação pelo mundo do J.R.R. Tolkien (Terra Média) e do Terry Pratchett (Discworld). De certa forma, pelos mundos de Dragonlance e Forgotten Realms, da WotC. Gosto de RPG, de criar personagens e enterpretá-los. Não me vejo, no entanto, me vestindo de hobbit, de drow ou igual ao “wizzard” Rincewind ao sair de casa para, na estréia, comprar os livros recém-lançados desses mundos. E muito menos no meu dia-a-dia. Tenho coisa melhor pra fazer.

Sinto que existe uma falta de crença minha e uma falta de aceitação minha em ver pessoas tão envolvidas em realidades tão fantasiosas. Por mais que ache nosso mundo uma boa merda, não sinto a vontade de fugir tão completamente dessa realidade e viver uma que acho em páginas, bem escritas, de autores que respeito. Seria o mesmo que ler James Patterson e sair por aí ou investigando assassinatos ou sendo o assassino.



Guerreiros de Marte
16-Julho-2005, 4:57
Arquivado em: Abobrinhas

Quando morava em São Paulo, no Portal do Morumbi, lembro claramente do dia em que, sentado ao lado das quadras de futsal, já de madrugada, avistei pontos brilhantes no céu. Brilhavam de forma estranha; pareciam holofotes poligonais. Dançavam entre si (eram três) randomicamente. Não conseguia tirar meus olhos daquele espetáculo. De repente um ponto se vai e dois seguem, paralelos, a cruzar meu campo de visão. Vagarosamente vasculhavam meu condomínio, eu sabia, e tinham que ter me visto. Pensei que seria escolhido. Que teria a oportunidade de conhecer seres de outro planeta.

Ainda era católico, como todo menino de 9 anos é quando vai todos os Domingos à missa com os pais, e mesmo assim sabia, SABIA, que existia vida lá fora. Não éramos seres tão superiores. Não estávamos só. Aqueles pontos eram óvnis, e se desse sorte eles iriam me levar.

Os dois pontos pararam de cruzar o céu. Ficaram mais fortes; achava que estavam descendo para me buscar. Num piscar de olhos sumiram, e fui tomado pela imensidão azul escura de um céu de outono do Morumbi. Nunca mais vi tal espetáculo. Mas sempre sonhei no dia em que meus amigos brilhantes voltassem pra me buscar. Tinham me esquecido e não sabiam.



O chorão
14-Julho-2005, 4:59
Arquivado em: Abobrinhas

Do Smart tiro a carta do Olavo para seus ‘fãs’ em todo mundo:

“Dear Friends

Bad news from Brazil. The Brazilian newspaper O Globo fired me last Monday. This is not just a personal bad luck, but a political fact. For years I had been denouncing by my weekly column the activities of the São Paulo Forum, while the remaining pages of the newspaper (and of all other Brazilian newspapers) kept complete silence on the subject or denied overtly the existence of the Forum or at least its political importance, so that many readers were induced to see me as a kind of lunatic conspiracy theorist. Denial became increasingly difficult during the last weeks, inasmuch as the 12th Assembly of the Forum was gathered in São Paulo from 1st to 4th July. While it was running in Bogota or Havana, it was easy to hide it from Brazilian eyes, but São Paulo is the largest Brazilian city. Moreover, one of the main topics of the discussions was the urgent need for the Latin-American left to give public support to Lula and the Workers Party (PT) against the rising tide of criminal charges, including not only the endemic corruption inside government but even murder accusations (Celso Daniel, the socialist-PT mayor of the industrial town of Santo Andre, was murdered some years ago and his brother told Daniel was killed by people from his own party whose involvement in corruption he was investigating; later, SIX witnesses of the trial were also murdered by unknown shooters).

Well, last week Mr. Merval Pereira, a member of O Globo Board of Directors, wrote himself an article where for the first time after fifteen years of silence O Globo admitted frankly the existence and the political relevance of the São Paulo Forum. Four days later I was fired.

According to representative Roberto Jefferson (the main witness in present investigations about PT corruption), Mr. Jose Dirceu, the former number one man in Lula government and now a very important leader in the House of Representatives, boasted often of having complete hold over O Globo board of directors, owing to the huge debt the company had to state banks.

Hundreds of letters protesting against my dismissal are been sending to O Globo (I have copies of many of them), but none of them was or will be published and this is evidence enough of the deliberated occultation of the facts.

With my dismissal, Brazilian big media becomes at last the conservative-free ambience it aimed to be.

Best wishes,

Olavo”

Legal é ver não só os erros de gramática, mas a idéia ridícula de caçar agora o O Globo, o chamando de extremista quando o jornal é talvez o mais tucano/pefelista do Brasil.



Ele sabia?
12-Julho-2005, 5:06
Arquivado em: Politicalidades

 

Essa pergunta está sendo discutida a torto e direito ultimamente. A Veja veio e botou na capa, junto com o fato de 55% dos entrevistados acharem que o Lula sabia da corrupção e 48% que acham que o PT é um partido desonesto. Vamos lá então…

O ensaio de Roberto Toledo, na mesma Veja, descreveu a situação de uma maneira muito pertinente: “Primeiro, a boa notícia: pelo que até agora aflorou do mar de denúncias que cerca o governo, o presidente Lula parece realmente não ter tomado conhecimento das embrulhadas e falcatruas praticadas em seu entorno, ou, se tomou, foi por notícia vaga a inconsistente. Agora a má notícia: pelo que até agora aflorou do mar de denúncias que cerca o governo, o presidente Lula parece realmente não ter tomado conhecimento das embrulhadas e falcatruas praticadas em seu entorno, ou, se tomou, foi por notícia vaga a inconsistente.”

Isso só relata o que, para mim, parece ser totalmente claro: Lula nunca governou nada neste país. Se ele não sabia da corrupção, mas mesmo assim ela tomou as proporções descritas, isso só pode dizer que ele não tinha controle algum do governo. Se ele soube, mesmo que por vagas e inconclusas informações, não teve poder pra mudar algo no partido antes da bomba estourar. E ainda existe o papo do impeachment.

Será que o PT terá a mesma imagem? Será que o brasileiro, tão acostumado a esquecer o que lhe causou sofrimento se tiver um bom sambinha tocando, vai também esquecer essa do PT e voltar a votar com afinco porque esse partido representa o trabalhador, o sofrido, o escravo do capitalismo? Será que sempre seremos tão cegos e tão ridículos?

E esse Jefferson aí. Dá pra acreditar nele? O que ele esconde? Tido como salvador da corrupção nacional, não consegue explicar os U$4.000.000,00 que entraram no seu partido e nunca mais se viu a grana.

E esse impeachment… o que isso fará com o país? Vamos jogar o Alencar lá, perdidinho, sem apoio e com os partidos da base completamente abalados. Vamos assitir à um país completamente apático até as próximas eleições, não importa se o Lula sofrer impeachment ou não.

Olha, eu sinceramente acho que impeachment não é tão problemático assim como andam descrevendo-o. Se um presidente é visto como corrupto, conivente com a corrupção, etc., e a partir destas denúncias o tiram do poder, o país só tem a ganhar. O que há de tão preocupante em ter mais um presidente sendo jogado pra fora do poder? É porque agora ele era a clara demonstração da ralé brasileira chegando no mais alto topo de prestígio do país? É porque não é visto como deshonroso ter, de três presidentes eleitos desde a renovação da democracia nacional dois corruptos, salafrarios imbecis que só souberam nos fuder ainda mais? Será que é isso?

Dois burgueses, um corrupto. Um operário, um corrupto.



You will fail
8-Julho-2005, 5:10
Arquivado em: Politicalidades

“I want to say one thing, specifically to the world today.

This was not a terrorist attack against the mighty and the powerful. It was not aimed at presidents or prime ministers. It was aimed at ordinary working-class Londoners, black and white, Muslim and Christian, Hindu and Jew, young and old. Indiscriminate attempt at slaughter irrespective of any consideration for age, class, religion, whatever. That isn’t an ideology. It isn’t even a perverted faith. It is just an indiscriminate attempt at mass murder.

And we know what the objective is: they seek to divide Londoners, they seek to turn Londoners against each other. I said yesterday to the International Olympic Commitee, this city of London is the greatest in the world because everybody lives side by side in harmony. And Londoners will not be divided by this cowardly attack. They will stand together in solidarity alongside those who have been injured and those who have been bereaved and that is why I’m proud to be the Mayor of this city.

Finally, I wish to speak through you directly, to those who came to London to claim lives, I know that you personally do not fear giving up your own life in exchange to taking others, that is why you are so dangerous. But I know you fear that you may fail in your long-term objective to destroy our free society, and I can show you why you will fail. In the days that follow, look at our airports, look at our seaports and look at our railway stations and, even after your cowardly attack, you will see that people from the rest of Britain, people from around the world will arrive in London to become Londoners and to fulfil their dreams and achieve their potential.

They choose to come to London, as so many have come before because they come to be free. They come to live the life they choose, they come to be able to be themselves. They flee you because you tell them how they should live. They don’t want that and nothing you do, however many of us you kill, will stop that flight to our city where freedom is strong and where people can live in harmony with one another. Whatever you do, however many you kill, you will fail.”

Ken Livingstone, prefeito de Londres.



Inimigo de todos
8-Julho-2005, 5:07
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Inspirado no post do Rafa

Não haverá paz enquanto existirem seres humanos. Descubiram a fórmula do terror. Acharam a caixa de Pandora que soltou o medo no coração de todos.

O mundo hoje vive à mercê de barbudinhos esquisitos, que quando falam parecem cuspir; que quando brandam suas armas mostram seu caráter maníaco e assassino. Vivemos num mundo de extremos: o lado de lá odeia o lado de cá — e o lado de cá, que tanto atacou o lado de lá, agora tem medo e ataca ainda mais. O conflito de culturas gera o ódio, a discórdia cega e vil. Tomam-se lados, pessoas usam o nome de deus para invocar a fúria em inocentes que cometeram o pecado de estarem indo para o trabalho; de estarem sustentando suas famílias.

Vemos hoje um combate que não terá fim. São os mortos de lá sendo empilhados junto com os mortos daqui. Nenhum lugar é seguro. Nenhum país é soberano. Nenhuma fronteira é inabalável. A globalização passou para o terror. Todos temem, todos sofrem.

Os mortos de lá têm menos valor que os daqui porque lá se tornou comum perder parentes, filhos, netos, primos em ataques terroristas. De ambos os lados. A cultura do ódia está disseminada desde os anos 50. Novas gerações estão se desenvolvendo sem compaixão, sem civilidade. Homens, mulheres e crianças estão sendo treinados para viver para morrer. Viver para matar.

Quando achávamos que viviamos numa época de paz, onde não havia mais nenhuma possibilidade de guerras mundiais, o terrorismo chegou para encher a lacuna que tanto faltava à nossa sociedade. Agora temos um inimigo. Temos contra quem lutar.

O inimigo de lá é o inimigo daqui.



Not in my town!
7-Julho-2005, 11:16
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Londres não! Filhos da puta! Atacaram minha querida cidade! Desgraçados!

Quando é que isso vai parar? Quando vamos conseguir viver num mundo onde ataques à pessoas comuns, trabalhadores caminhando para o trabalho será coisa do passado? Quando é que esses criminosos vão parar de atacar os que não merecem ser atacados. Quando é que vamos ver essa onda de terror, de ambos os lados, no seu fim?

Deram ainda mais munição para Bush agora. Blair está uma pilha de nervos, voltando à Inglaterra para lidar com essa situação. O que sairá disso saberemos logo. A campanha de Bush ganhou um forte aliado. Al-Qaeda, mais uma vez assumindo a resposabilidade pelos ataques, ganhou mais 15 minutos de fama, e o ódio de mais alguns milhões.

O mundo vive sob o manto negro do medo agora. Não mais saímos sem temer o que pode nos acontecer na próxima esquina. Estamos num perpétuo estado de atenção, de temor, de desespero.

O terrorismo é um câncer que o mundo não consegue extinguir.