
Fui ver o super-hiper-duper-oncologista. Conversei bastante com ele. Escutei tudo o que ele disse, pensei em tudo que ele me contou, ponderei os pontos positivos e negativos apresentados.
Vejam só… todo o processo de quimio é destinado a matar as célulcas cancerígenas ainda (se existirem) presentes no meu corpo. É veneno injetado na minha corrente sanguínea para eliminar - ao máximo - a possibilidade de metastase em algum lugar. Aí vem a decisão. Existem três tipos de tratamento a se pensar.
O primeiro é a cirurgia no retroperitônio, glândulas minúscula localizadas no cólon e para onde o câncer de testículo irá se ocorrer metastase. Sem sombra de dúvida. As glândulas são tão pequenas que não dá para ver na tomografia nem no pet scan.
Problemas da operação: impotência e ejaculação retrógrada. Mas o que é isso Dr. Freitas? Meus caros leitores, ejaculação retrógrada é quando, durante a operação, a ligação entre o testículo pode ficar comprometida, e toda ejaculação a partir da operação pode seguir para a bexiga ao invés da uretra. Significa que pouquíssimos espermatozóides seguirão seu caminho natural. Infertilidade assegurada. Então é a possibilidade de impotência ou infertilidade. No thanks.
O segundo é quimio. Quimio, bem, é quimio. Veneno no sangue. Possibilidade de redução quase total da fabricação de esperma, problemas cardiovasculares e respiratórios, complicações renais e, tãrarã, leucemia. Sim, curando câncer ganha-se outro, pior e devastador.
Mas se consegue a certeza de tratar com a quase total cura. 95% de chance. Melhor do que menos.
Ah, um adendo: meu câncer, de acordo com o nível de beta-HCG, quase seis mil, é considerado intermediário. os 16% já passaram para uns 20-25% de ter de novo. No retroperitônio, com total certeza. Sempre começa lá.
O terceiro é a observação. Controle a base de testes de sangue, tomografias, pet scans. Um exame por mês no primeiro ano, um a cada dois meses no segundo, um a cada três meses no terceiro e um a cada semestre no quarto e quinto. Esse câncer só cria metástase nos primeiros dois a três anos, but you never know.
Reduz a necessidade de fazer a quimio, que, de novo, é veneno no corpo, e, se descoberto algo no retroperitônio, é tão curável quanto tratar agora. É isso que o super-hiper-duper-oncologista me disse ontem. Tenho que acreditar nele, né?
O que faço? Cirurgia is out of the picture… quimio ou tratamento por obsevação?
(updeite importante)
Esse super-hiper-super médico foi o terceiro oncologista que vi. Além dele vi dois diretores do Inca que tiveram quase a mesma opinião, mas não foram tão incisivos quanto ao não-tratamento inicial de quimio. Os outros dois, também excelentes médicos, deixaram a meu critério fazer ou não a quimio, mas também disseram que não seria ‘errado’ ficar em observação…