Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Stood up, down, left and right
30-Março-2006, 11:33
Arquivado em: Contos

Pedro e Fernanda. Trabalhavam juntos. Se olhavam como quem não quer nada, assim que passavam um pelo outro nas baias do escritório.

Pedro quis sair com ela. A chamou, e foi prontamente respondido. Há um bom tempinho se viam com certa frequência fora do escritório. Havia uma química no ar.

Pedro já saíra com ela cinco vezes. Se achou no dever de propor algo mais bonito, mais cavalheiro. Dar o golpe final no relacionamento que se desenvolvera nas últimas semanas.

Pedro ligou para o Zazá Bistrô. Marcou reserva. Queria que essa noite fosse a espcial. A noite que definiria tudo.

Pedro ligou para Fernanda. Combinou o encontro. Esperava ansiosmente a dia de ir pegá-la, de poder prover o jantar romântico e especial que tanto planejou e investiu.

Pedro, no tão esperado dia, se preparou e ligou para Fernanda. Queria poder pegá-la em casa, tratá-la como um completo cavalheiro. Fernanda, depois de diversos toque, atendeu.

‘Fernanda? Pedro’, disse ele, ‘estou ligando para confirmar a hora que posso passar aí para te buscar.’

‘Ah, oi Pedro…’ A voz de Fernanda parecia distante, perdida.

‘Então, a reserva do Zazá é às nove. Passo aí que horas? Oito e meia tá bom?’

‘Sabe o que é Pedro. É que hoje tem micareta. Desculpa, mas não vou no jantar. Tá?’

Pedro suspirou… e riu.



Fim-ême-í
29-Março-2006, 10:45
Arquivado em: Politicalidades

O plano para deixar o FMI, ou seja, o plano econômico, nem de perto foi criado pelo PT, e sim foi totalmente baseado na cartilha deixada pelo FHC para o governo Serra caso ele fosse eleito. Não tiro o mérito do Palocci em implementar um plano decente para seguir o caminho certo depois da eleição do Lula. Aliás, acho que a esperança que todos tinham, inclusive eu, era que o Palocci cuidaria para manter a sólida base econômica criada pelos governos anteriores e o Lula seria o responsável pela revolução social tão necessitada nesse país. O que se viu foi um completo descaso com o social, a não ser por assentamentos aqui (e a total falta de preocupação e de medidas para impedir os assentamentos clandestinos em terras produtivas), meia dúzia de bolsas escola aqui, meia dúzia de bolsas família ali.

Infraestrutura e educação? Nah… Saúde? Pra que? Melhor jogar tudo no pagamento dos juros, cada vez mais altos para segurar a inflação… e quando se viu uma balança comercial cada vez melhor, batendo recordes após recordes, pra que baixar os juros e incentivar um crescimento ainda maior do país, aumentando o poder de compra do povo, reduzindo o custo do pagamento de juros do país, albeit com o revés de uma maior inflação?

Agora, em uma coisa não tenho como duvidar de você, Tuco: por mais que se espere corrupção de tudo e todos nesse país, acho sim que votar no PT depois dele ter sido exatamente o oposto que ele propôs é o que há de mais latente nisso tudo. Não digo que o PT seria o pior governo do mundo de novo, mas que ele foi sim o mais desonesto com seus eleitores não há dúvida.

Eu sei que é bizarro ter que votar no Chuchu. O Chuchu consegue parecer um peixe morto maior que o Serra. Mas fazer o que? Votar no completo marionete ou no insano e estúpido religioso? O voto nulo de nada acrescenta.

Por mais que Steven Levitt tenha levantado o fato de que o voto é economicamente desinteressante, lá o voto não é compulsório. Aqui é. E já que somos obrigados a votar (ok, pagar menos de quatro reais não é punição pra ninguém, mas relevemos esse fato), porque não tentar votar em quem você acha que vai roubar menos e fazer mais?

Vocês realmente acreditam que outro governo Lula, dessa vez, será o governo social, engajado, progressista e participativo que tanto pregou quatro anos atrás? Eu não. E é por isso que o Chuchu, pra mim, é beleza.



Toninho
28-Março-2006, 8:41
Arquivado em: Politicalidades

Mais um falando do tópico da hora: sai Palocci. O indiscutível. O inabalável. O seguro. O coeso. O correto.

Cai porque também se envolveu, como todos de seu partido, em eventos dúbios com pessoas ainda mais dúbias. Não estava livre da lama. Fazia parte dela.

Agora, eis que vem a pergunta mais pulsante disso tudo: quando todos… TODOS… estão envolvidos em falcatruas, o que sobra desse governo para creditá-lo para um novo mandato?? Pergunto isso para amigos que dizem ainda votar em Lula nessa eleição, alegando falta de opção, que (pasmem) esse governo foi bom para o país, que não se vêem não votando para o PT. Não consigo acreditar…

O PT provou ser um partido bagunçado, sem liderança, corrupto, sujo. Nefasto. Cuspiu na cara de todos os eleitores que confiaram nele, depositando todas suas esperanças no partido que, liderado por aquele operário que cresceu na vida, iria dar ao Brasil o incentivo social que ele precisava.

Fizeram uma imagem tão limpinha, tão honesta que dá raiva deles agora. Como bem disse o Alex: “eu sinto nojo por causa de tanta hipocrisia desse partido que até ontem se vendia como o mais santo, o mais puro, o que se arrolava no direito de dar lição de moral em todo mundo”. Bando de filhos da puta.

Nunca houve on Brasil tamanha corrupção. Muito podem dizer que nunca houve no Brasil tanta gente que foi PEGA, mas não é bem assim. Nunca se viu tanta sujeira no governo, tantas tramóias, falsidades e esquemas obscuros. A cada dia vê-se mais um problema, mas uma descoberta de algo errado.

Esse país nunca se viu diante de tanta lama, e ainda tem gente que acha que manter os que estão mais enlamaçados lá é melhor. Não sei não. Eu, pra ser completamente sincero, voto no Enéas antes que qualquer um de lá, mas pelo menos existe menor sujeira por trás do Chuchu Beleza. Votar no Chuchu, que é um bucha ímpar é, pra mim, a menor merda que o povo pode fazer.

Só não dá pra votar no Lula ou no Garotinho.



Meio doador, meio não
24-Março-2006, 8:05
Arquivado em: Hospitalidades

Olha que merda… acharam que célucas do testículo podem ser tão boas quanto células tronco. Acabaria, então, com o problema ético imbecil que os babacas religiosos tanto criam para esse problema. Virei um péssimo doador de células-tronco.

Que saco.



Novidades
22-Março-2006, 11:09
Arquivado em: Hospitalidades

 

Hoje passei o dia todo morrendo de dor de cabeça. Pelo menos sei porque. Ontem fui no médico.

Na consulta constatamos que estava tudo bem. Minha aparência está ótima, meu tratamento foi feito sem problemas, de acordo com o instituto fodaço de Indiana, nos EUA, de onde todos os papas de câncer germinativo testicular vêm - aparentemente. Não tive quase efeito algum durante as semanas de quimio, então, by and by, tive muita sorte e correu tudo mais que bem.

Aí disse pra ele que minha pressão tinha subido aquele dia. Ele vai checar minha pressão, e inicialmente estava em 14 por 10. Estramente alta, mais uma vez. Testa de novo, porque achou que estava nervoso - tinha também chegado atrasado para a consulta e corri antes de chegar lá. Poderia muito bem ser do esforço feito. Novo teste, 12 por 9. Esse 9 continua alto. Exame de sei-lá-o-que para ver meu coração e saber se agora terei problemas de pressão arterial. Isso é o que muito provavelmente me dá dores de cabeça hoje em dia.

Enquanto ele tirava minha pressão, usando seu infalível estetoscópio, único instrumento que realmente define um médico, pediu para eu respirar normalmente. Além de ter constatado a taquicardia, viu que poderia ter mais um efeito colateral da quimio: problemas respiratórios. O que é mais bacana é que sou asmático, então ter esse efeito colateral é bem supimpa - vou ter problemas respiratórios sendo um asmático com bronquite. Vai Murphy, vai.

Olha só o que vou ter que fazer nos próximos dias…

Pet-Scan: Exame tomográfico mais completo e detalhado possível. Nenhum plano cobra, e só tem em três lugares no Rio. Vou no Samaritano e ai da Sul América não cobrir com o plano super-duper-hiper-liper do meu pai.

Beta-HCG, alfafetoproteína, LDH, hemograma completo, creatinina, lipidograma e glicograma: tudo isso exame de sangue. Os que não são normais, são para detectar os hormônios cancerígenos através da quimioluminescência - nada mais do que botarem um isótopo que faz as célucar cancerígenas brilharem.

Prova de difusão de oxigênio: testar minha capacidade de difusão de oxigênio. Simples assim. Sopro num tubinho especial e medem como trabalho o oxigênio no corpo. Agora não deve dar nada, mas será algo a ser visto nos próximos anos, pois muito provavelmente terei essa merda.

E ainda tenho que procurar um cardiologista, um nutricionista e um pneumologista. Coração, alimentação e pulmão. Rimou, então.

Bem, é isso. Só depois de todos esses exames prontos vou conseguir ter alguma idéia mais precisa de tudo. E mesmo se o câncer estiver temporáriamente curado (ah, sim, tenho ainda 10% de chance desse câncer voltar. Pra quem tinha 10% de ter o câncer se desenvolver depois da cirurgia, estatísticas são para serem vistas com realismo), tenho que me preocupar em acompanhar os efeitos colaterais do tratamento.

E olha que fui muito sortudo e um dentre poucos que não passou mal durante o processo quimioterápico. Tem tanta gente pior. Pra vocês todos verem que eu, sortudo, ainda estou cheio de problemas. Coitados dos piores que eu.

Ah, e começo meu período de voluntariado no Inca em breve. Preciso só ver todos os detalhes para que eu possa prover às pessoas com câncer minha traquilidade, minha segurança e meu apoio. A partir de agora será uma faceta da minha vida conviver com o câncer, da maneira que for.



Pequena baiana
20-Março-2006, 9:13
Arquivado em: Música

Fui ao show da Pitty sábado. Fez parte de um projeto da Jovem Pan FM chamado HipRock Festival. Em tese, é a máxima de toda rádio comercial dessa cidade: misture tudo possível, atinga qualquer público e tenha um repertório ridículo no fim do dia, onde em trinta minutos pode-se escutar hip-rock, rock anos 90, rock anos 70, reggae, jazz, pop e dance. Argh.

Bom, o festival tinha quatro bandas abrindo. Emo., Algo 77 e DiBob no palco paralelo e Scracho abrindo pra baiana. Só banda de emocore, estilo na moda, onde todas as bandas são rigorosamente iguais e não existe uma que sobresaia pela qualidade e competência. De todas essas bandinhas, só acho que o Emo. vale a pena. E mesmo assim com severas restrições.

A Pitty, impressionantemente, tem estudado canto. E muito. Está cantando muito, mas muito bem. Tem cada vez mais controle de sua voz, a força com que projeta a mesma está supimpa. Estava bem morno o show, mas só pela voz dela e pela melhora substancial do bateirista, que dessa vez quase não saiu do tempo e tocou com uma vontade a lá Dave Grohl, o show valeu a pena.

A Pitty consegue produzir hoje, no país, o melhor rock. Simples assim. Não existe outra banda com a mesma proposta de um rock mais alternativo e raivoso. A outra banda de rock mais pesado, que sempre sobresaiu por causa da técnica de seus membros, o Charlie Brown Jr., é um saco. O Los Hermanos, banda que começou com uma proposta ‘properopunk’, como dizia Rodrigo Amarante, agora é uma banda que provém ao público um mpb bobo e a melhor música, na minha opinião, já feita em português: Horizonte Distante.

Ou seja, depois do Los Hermanos, Pitty é a melhor coisa que existe no cenário musical nacional, em português. Sem discussão. A banda dela poderia ser bem melhor, mas fazer o que… no Brasil não se pode esperar que a técnica seja acompanhada pela criatividade e a boa proposta. A técnica do CBJr., a proposta da Pitty e as letras e a criatividade do Los Hermanos formariam a banda perfeita para o rock nacional. Com uma pitada de RPM, claro.



Free of cycles
18-Março-2006, 8:16
Arquivado em: Hospitalidades

 

Meu terceiro, e último, ciclo terminou ontem. Foram semanas de um processo danoso, mas que administrei, felizmente, com muita tranquilidade e saúde. Semana que vem começam os exames para verem se tudo está em ordem.

São tomografias, pet scans, testes de contraste e exames de sangue. Ver se sobrou algo e definir o tipo de tratamento necessário caso algo seja detectado. Se nada for detectado, inicia-se o processo de acompanhamento, que dura de cinco a dez anos.

Assim que todos os exames forem feitos, e sairem os resultados, digo a vocês. É isso. Beijos no coração de todos.



The Gathering - Via Funchal, São Paulo
16-Março-2006, 6:18
Arquivado em: Música

Onze da noite, dia 2 de Março de 2006. Converso com o Mano no telefone. Deixamos tudo marcado. Amanhã tenho quimio, de depois tenho que correr para o aeroporto. Marquei um vôo às seis da noite pela TAM. Vou chegar na hora lá. O show é às oito.

Acabo chegando cedo no aeroporto. Não tem ninguém no Terminal 2 do Galeão. Check-in mais do que tranquilo, sento no saguão dos restaurantes para comer algo e ler. Compro o Lance!, The Economist e a Super Mentirora-mas-Interessante. O tempo passa, e sigo para o portão.

Estranho de cara que tem três vôos para o portão 29 em questão de 15 mins entre eles. Penso até que é um sinal de organização do aeroporto - afinal, se conseguem isso a coisa tá muito boa. Mas óbviamente não era o caso, e no último minuto avisam que mudou o portão e aquela penca de pessoas sai andando. Ô, Brasil.

Acho que nunca vou conseguir entender a aglomeração das pessoas na hora de embarcar. Principalmente visto que os assentos são marcados. Pra que a pressa? O avião não decola sem os passageiros, então ficar disputando lugar na fila com idosos, crianças e executivos estressados realmente é algo deveras estúpido.

Vôo tranquilo, apesar de ter atrasado um pouco pela troca de portões. Chego exatamente às 19:03. Ligo o celular. ‘Mano, cheguei. Fudeu cara, não vai dar pra passar no hotel. Vou direto. Como foi de viagem?’

Mano tinha chegado mais cedo, pois pretendia passar o dia com a prima em Sampa, pegar os ingressos com o pessoal da produção e curtir um pouco o dia. Não pude acompanhá-lo por causa da quimio. E nem a prima dele, que teve que cancelar na última hora. Acabou que ele pode descansar tranquilo no Fórmula-1 da 9 de Julho. Aliás, é 70 pratas pra três pessoas, meu povo. Preço sensacional por um lugar bacana, limpinho e muito bem localizado.

Saio do aeroporto e pergunto a um segurança qual o melhor ônibus até o Via Funchal. ‘Taxi?’ pergunta ele. ‘Não rapaz, quero um ônibus. As coisas não são assim’ tento eu, no auge da minha simpatia. ‘Mas o senhor veio de avião…’ tenta em vão o segurança, enquanto já me dirigo para outra pessoa para fazer a mesma pergunta.

Eventualmente chego no maluquinho do isopor perto do ponto de ônibus na frente do aeroporto. Ele me dá todas as direções e chego sem problemas até o ponto, ao lado de uma grande torre de transmissão e de um quartel. Enquanto espero pelo meu ônibus, vejo uns três com ‘9 de Julho’ escrito. Só pra dizer que não vou poder passar no hotel para tomar um banho. Murphy. Sempre ele.

Como os ônibus em São Paulo são piores que os do Rio. Incrível. Parecem todos de trinta anos atrás, e sem manutenção. Não vi sombra de um moderninho como alguns dos daqui, com ar, letreiro eletrônico, bancos acolchoados e tal. Mas tá 2 reáu lá. Aqui já chegou a 2,20 no com ar-condicionado. Pelo conforto, já que está um absurdo o preço, sou mais os daqui.

Com a ajuda de um paulista bacana, pego o ônibus e peço pro cobrador me dizer quando saltar. São Paulo é realmente uma cidade de encruzilhadas infinitas. Um mar infinito de concreto, cortado por algumas avenidas maiores. Depois de pouco tempo, passo por uma padaria que lembro. Pelamordedeus, consigo passar por uma esquina que lembro perfeitamente quando viajava pra lá em outubro passado. Cidade gigante, mas lá estava a padaria pé sujo. Achei sensacional.

Salto e acho a casa da shows tranquilamente. Ligo para o Mano e o encontro na bilheteria. São 19:58. Dois minutos antes da hora prevista para começar o show. Isso é que é planejamento.

Estava com uma mochila. Quando fomos entrar, o segurança da casa pediu para que abrisse. Disse a ele que só tinha roupa, que tivera chegado naquele instante do aeroporto e o chefe do local olhou pra mim e me liberou sem qualquer revista. Poderia estar carregando uma uzi. Pena.

Consigo entrar no banheiro e trocar de camisa. Mascaro a nhaca com desodorante e tasco um novo pano pelo corpo. Lavô tá novo, né?

O show começa com a banda Ashtar. Banda essa cuja vocalista foi responsável por trazer o The Gathering para o Brasil. Devo muito à essa menina. A prima do Mano a conhece, e conseguimos os ingressos sem fila por causa disso. A banda é muito profissa, toda um metal progressivo com muitas influências de música celta, a lá Tuatha de Danann. Tinha uma equipe maior que a banda principal da noite! Dinheiro gera resultado.

Depois de uma hora de show, esperávamos a grande atração da noite. Eu, pessoalmente, não sabia o que esperar. Gosto muito de The Gathering. Aprendi a gostar de verdade no inverno de 2004, quando viajei para o Chile e levei o álbum ‘Souvenirs’. Desde então sou fã. E também estava louco para ver Anneke van Giersbergen ao vivo. Minha angústia foi devidamente recompensada.

Quando entra no palco, ela domina todas as atenções. A banda é muito simpática e se espanta com o calor do público, muito diferente do da Europa que é bem mais frio e parado. Mas ela é um caso à parte.

Anneke é meiga. Anneke é linda. Anneke tem uma voz surrealmente poderosa e bela.

Não dá pra chegar a explicar o quanto ela é cativante. Seu sorriso, eternamente estampado, faz seu rosto brilhar. Seus trejeitos são cativantes. Seu jeitinho de cantar é de deixar qualquer um louco. Sua voz entra em seus ouvidos e não tem como você fechar os olhos e viajar. Depois, quando os abre de novo, ela o abençoa com uma imagem perfeita. Assisti-la cantar foi realmente uma benção.

Show sensacional aquele. Simplesmente sensacional. Todos cantando todas as músicas, os músicos claramente espantados e felizes pela recepção mais que calorosa do país e o desejo fulfilled de conseguir ver uma banda que tanto gosto, numa hora que tanto precisava.

Voltamos cedo, bem cedinho, para o Rio para que eu pudesse fazer minha quimio. A carona demora, chego tardão à clínica, mas pouco me importo. Tenho desculpa boa e a uso. ‘Estava em São Paulo. Me atrasei. Desculpa.’

Obrigado Sulli, pela força. Obrigado Mano, pela companhia. Obrigado pai, pela grana. Vocês me deram umas horas muito especiais. Valeu mesmo.



Milosemorto
13-Março-2006, 8:21
Arquivado em: Politicalidades

Slobodan Milosevic morreu. Quer dizer, ao que tudo indica, se matou. E começaram várias teorias conspiratórias, e vários ‘especialistas’ tentando entender, explicar e desenvolver a história.

Gente, o assassino de matou. Pronto. Que nem Hitler. Filho da puta, enquanto no poder, matou milhões, perseguiu outros milhões, cometeu as maiores atrocidades e agora, preso, tadinho, resolveu anular o efeito das suas drogas contra a pressão alta e teve um enfarto. Se matou covardemente, do mesmo jeito que matou covardemente tantos civis inocentes.

Agora ficam discutindo que nunca verão o julgamento dele, que nunca o verão receber a pena por ter feito tantos atos macabros. Bom, ele morreu. Taí a justiça.

Não entendo porque ainda tentam manter o Saddam no tribunal. Mata logo o desgraçado. Pronto. Menos um. Que justiça é essa botá-lo para ficar numa prisão especial por mil, quatrocentos e quinze anos? Genocidas merecem a morte. Pronto.

Imagina que beleza:

‘Slobo? Contra a parede…’
BAM!
‘Saddam? Contra a parede… cuidado com o corpo do Slobo…’
BAM! BAM!



Funny tummy
13-Março-2006, 11:26
Arquivado em: Hospitalidades

Esse fim de samana passei com um mal estar muito estranho. Tal enjôo foi sentido também por quem dividiu pizza comigo no sábado, mas mesmo assim, essa sensação não sai até hoje. Estou com um embrulho absurdo. Fico pensando se pode ser da quimio, visto que fui completamente desplicente na hora de tomar os remédios anti-enjôo dessa vez. Demoraram dias para chegar da farmácia, e depois simplesmente não tomei mais. Acho que tomei, de dez comprimidos, uns dois, três. E depois passou a semana e realmente não vou ficar tomando remédio a esmo depois do período recomendado.

Ainda sim fico com esse enjôo, everpresent, me deixando jururu e, francamente, um pouco chateado. Tento dormir para tentar resolver isso, mas não funciona. Afinal, como forçar o sono quando estás passando mal? Passei a noite assim, entre sonhos mais bizarros, todos lúcidos (já contei que só tenho sonhos lúcidos?), tentando passar o tempo.

Meus ouvidos também estão entupidos. E é isso. Não adianta tentar descompressar.

Efeitos colaterais estranhos que, para alguém que não tem nada pra fazer, são razões suficientes para dominar seu dia e deixá-lo ocupado com essas besteiras.