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Sexta-feira, 28 de Março de 2008
11h - Envolto com as obras do meu apartamento novo, em Copacabana, me ponho a pensar num programa de Mestrado em Administração que a FGV montou com a Ohio University há um tempo. Programa maravilhoso, que inclui aulas aqui, em inglês, e dois períodos de internato lá em Athens, Ohio. Lembro de ligar para a coordenadora do curso, mas logo me esqueço. Tenho que passar pra comprar tinta pro piso e ver se as maçanetas estão boas. Não estão, então preciso de novas. E ainda falta a papaiz multipontosuperlockplus que vi.
12h - Ainda fico a espera da Tok & Stok entregar os móveis que encomendei no começo da semana. Cama, rack para o televisor e dvd, além da mesinha de jantar, duas cadeiras, criado-mudo e adereços, comprados e a serem entregues no sábado também.
14h - Chego em casa pra almoçar e ver meus tios, que chegaram de Minas na noite anterior para conseguirem visto para a filha ir aos EUA com meus pais e minha afilhadinha. Meu pai conseguiu quatro viagens com as milhas que tinha. Disney, pelo menos no avião, sairá de grátis. Nada mal. Conversa vai, conversa vem, meu pai menciona o mestrado. Finalmente lembro de ligar para a coordenadora do curso.
14h e quebrados - Me é prometida uma ligação do entrevistador para as 16h e tantos. Já estou de volta ao apartamento, lá pelas 15h e pouco, depois de ser deixado pela minha mãe, atrasadíssima para sua visita à minha avó no hospital, com tudo devidamente comprado e jogado nas mãos habilidosas do pintos, chaveiro e eletricista. Nunca pensei que reformar um apartamento de quarto e sala fosse chegar a isso. Um trabalhão da porra - cujo resultado está sendo simplesmente fantástico.
16h02 - Estou sentado no Cafeína da Constante Ramos, esperando ansiosamente o celular tocar. E ele toca dois minutos depois das 16h. A conversa dura uma hora. Simpatissíssimo, o entrevistador declama os horrores do mestrado. Muito puxado, diz ele. Só tem CEOs e diretores de empresa, diz ele. A média de idade é entre 35 e 45 anos, diz ele. Só executivos de ponta fazer esse curso, diz ele. Você está preparado?, diz ele. Sem a menor sombra de dúvida, digo eu. E entro. Sigo feliz e jubilante por Cocabana, meu novo velho bairro, e ligo para minha tia, visto que minha mãe esquecera o celular em casa.
17h05 - Minha avó faleceu às 14h de Brasília.
17h35 - Chego ao Hospital Espanhol e abraço, muito, muito, muito a minha mãe. Vovó Aurora foi o pilar que estruturou minha mãe. Quem a fez viver uma vida até então de completa adversidade. Uma mulher de fibra, de garra e de imenso coração, que acolheu minha mãe, mesmo não sendo de seu útero, e a trouxe à vida.
18h30 - Preciso comprar passagens para Campinas, onde a primeira aula do mestrado é lecionada. ‘Economic Analysis’. Chique demais. Comprei a passagem do ônibus leito, às 23h45, esperando chegar em Campinas por volta das 7h. Como as aulas começam às 8h, é uma combinação perfeita.
19h40 - Minha priminha linda, recém-entrada na Universidade de Viçosa em Engenharia de Produção, chega no Terminal Rodoviário Novo Rio e seguimos até minha futura ex-casa, na Lagoa. Me preocupo sem razão com o horário. Enquanto isso, meu pai está com a minha mãe, resolvendo aquelas pendências chatíssimas de fim de existência. Quisera eu poder estar ao lado dos meus parentes, ao invés de correndo feito louco para conseguir começar meu mestrado. Mas a vida nos apresenta curvas e nós tomamos as melhores tangentes.
20h - Amorzinho, chuchuzinho, pudim de leite chega para me afagar antes d’eu partir. Engraçado que estou completamente anestesiado do meu sentimento de perda da minha querida e linda avó. Há anos tenho assistido o pobre corpinho dela perdendo seu sentido, seus movimentos, enquando de alguma forma ainda via, lá dentro de seus lindos olhos, cada vez mais perdidos, fragmentos da vida outrora contida em um sorriso, em algumas palavras não mais ouvidas. Aproveito o tempinho que ainda tenho pra pedir cafuné.
23h15 - Meu pai chega, depois de resolver tudo e, claro, ainda se dispõe (faz questão, até) de me levar, junto com a coisa ruiva mais linda do mundo e meu tio, para a rodoviária. Parto com coração dividido entre a angústia da perda e o êxtase da conquista pessoal, profissional e acadêmica.








