Arquivado em: Literaturalidades

Há tempos recebi, numa tarde quase noite na Cinelândia, envolto a pessoas queridas e conhecidas, uns livros interessantes. Faltou resenhas dos mesmos. Nas próximas semanas, entregá-las-ei.
Bia é um guei lindo. Talvez o guei mais lindo. Daria meu cu a ele se tivesse um extra. E como esse puto sabe escrever.
Vírginia Berlim é uma mulher comum. Ordinária. Presente na vida de qualquer um de nós. Ela está lá, na tangente, esperando o momento de entrar na sua vida e botá-la completamente ao avesso em instantes.
Todas as vezes que li o livro (foram quatro até agora), me passa a impressão, cada vez mais clara, que a Vírginia é bem mais que uma mulher. Ela é A mulher, a mulher de todos nós, machos os fêmeas. Ela é a mulher que queremos ter. Ou não.
Na cadência incrível desse livro, na prosa excelente já vista em ‘Sexo Anal - Uma Novela Marrom’, resenhado por mim nesse post, Bia consegue nos deixar atônitos, acompanhando, a lá ‘Janela Indiscreta’ mesmo, como bem disse a Lúcia Malla, os acontecimentos em torno do fim de ano de um alguém qualquer. Muito claramente, esse alguém representa nós mesmos. É só procurar que achamos uma faceta nossa, um fósforo esperando ser ignado.
‘Vírginia Berlim’ é uma história de momento. Uma história de situação. Mas é também um reflexo de angústias, de tédio, de monotonia e de puro êxtase. Consegue ser chata e intoxicantemente interessante.
Lê-la com o cd a tira-colo muda a experiência. Na primeira vez, não quis saber das músicas. Na segunda, fiz questão de ouvir o cd enquanto lia. Na terceira, li de novo sem som. Na quarta, acompanhei a história junto com o livro. Li o livro de acordo com o cd. E a quarta vez foi a melhor. Olha, o cd não tem músicas que posso dizer que adoro, mas ele encaixa sublimemente no decorrer da história - provém o certo na hora certa. Explica sem explicar e ajuda o caminhar daquele de pé cortado, morrendo de calor e entediado - um retrato fiel de todos nós, vivendo no nosso mundinho, do nosso jeitinho, perdidamente desesperados sem demonstrarmos isso.
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