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Enquanto as buscas pelo padre doido são intensificadas (o que me faz pensar que tem muita gente precisando dos serviços dos bombeiros e das pessoas de resgate, mas não estão recebendo porque a cobertura da mídia pra esse imbecil é maior), lá vou eu, sábado, a uma festa a fantasia na Vila Olimpia, em Sampa.
Tudo muito bom, tudo muito bem. Eu, claro, vindo do mestrado, não tinha fantasia. Comecei então com um óculos de plástico azul, chapéu de marinheiro e gravata feita a partir de uma echarpe do Juventus de Turim. No final, graças a uma sacola trazida, estava de pirata-mais-gay-que-o-Jack-Sparrow, com direito a plumas e adereços mil.
Me chega um man of the cloth na festa. Vestido a caráter, uma fantasia bem legal de padre. Não aguentamos e enfiamos todos os balões disponíveis da festa em sua mão. Pronto, melhor fantasia impossível. Mil fotos, cara de espanto na varanda olhando pro chão lá longe.
Acho que é por isso que as pessoas fazem essas coisas pra chamar atenção. É pra serem lembradas. Esse idiota vai estar em nossas cabeças sempre que olharmos prum padre agora. Vou imaginar cada um deles decolando do altar de suas respectivas paróquias, indo ao encontro do Amon-Ra no espaço.
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É fácil demais começar a descobrir as verdades absolutas sobre morar sozinho. Elas aparecem do nada, sempre estão ali, na sua cara, só que você faz questão de não querer ver direito. Mas, devagarzinho, tomam conta do ambiente e se instalam no seu subconsciente.
#1 – Poeira é onipresente.
#2 – Roupas não se lavam sozinhas.
#3 – A vassoura e o perfex são, na verdade, seus dois melhores amigos do mundo. Você só não os conhecia antes.
#4 – A papaiz da porta de casa é um inimigo em potencial. Vira e mexe você vai se ver fora de casa por alguns minutos a mais que deveria – enquanto tenta futilmente mexer na chave até a papaiz resolver te deixar entrar de novo em casa.
#5 – Sim, aquele cheiro de meia usada não é do vizinho nem é vazamento de gás. É da sua meia usada que está ao lado da cama.
#6 – Acorda-se mais cedo quando se mora sozinho. O café, o almoço e o jantar não se fazem.
#7 – O interfone sempre toca quando você está no sono mais profundo e gostoso.
#8.1 – Não adianta pedir pra quem entrar tirar o sapato, chinelo, tênis, calçado em geral porque seu chão é sensível à qualquer merda – eles vão entrar de qualquer jeito e é isso aí.
#8.2 – Seu chão, recém-pintado e reformado, vai ser trincado, sujo, manchado e arranhado. Por mais que você não queira.
#9 – Jornal não serve de cortina. Compre uma cortina, vagabundo.
#10 – As noites são mais longas e tristes quando não há companhia. Especialmente a sua companhia, que tanto quero.
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De ontem pra hoje dormi minha primeira noite na nova morada. No meu próprio canto. Na minha própria cama.
E chorei.
Chorei pela descoberta da liberdade. Chorei pelo começo de uma era. Pela felicidade de estar em meu próprio domínio, completamente dominante e livre.
Chorei pelo que não foi, pelo que não será.
Caminho em vão, buscando fragmentos do meu coração jogados por aí. E assim vou recriando esse músculo que perdeu sua utilidade, o seu sentido. Um dia ele se recupera, mas não sem as cicatrizes nele deixadas.
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A mais que maravilhosa Luica Malla fez uma singela entrevista com quem vos escreve aqui. Lucia é uma bióloga marinha com viagens incríveis pelos cinco cantos do mundo. Seu blog é uma aula de ecologia.
Divirtam-se!
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Minha nova paixão é essa coisa aí de cima. Alison Sudol. Frontwoman do A Fine Frenzy.
Seu álbum de estréia, ‘One Cell in the Sea’ é brilhante. Lindo, denso, emotivo, catastroficamente perfeito para esse momento que vivo. A voz da Alison é de uma força e ao mesmo tempo uma sutileza incrível. Sua beleza, que conheci a muito pouco tempo, uma benção para olhos cansados.
Nem sei ao certo como cheguei ao ‘A Fine Frenzy. Simplesmente ele existe aqui no iPod e eu, há poucos dias, resolvi escutar melhor. Sabia que se tratava de uma mulher de Seattle, mas era só. As ligações dela com o meu mundo de rock alternativo / indie só vieram à tona depois.
Em março de 2007 ela participou do South by Southwest (SXSW), maior festival de música independente dos EUA – e consequentemente um projeto de vida meu. O festival é fantástico, e sempre saem de lá artistas do caráleo que ninguém conhece. A Fine Frenzy abriu pro The Stooges na ocasião. Em pouco tempo o ‘One Cell in the Sea’ foi lançado, angariando críticas positivas pelo caminho.
‘Almost Lover’, primeiro single do álbum (e a música que não sai de jeito nenhum da minha cabeça e que tenho no repeat eterno no iTunes) chegou ao 25° lugar da Hot Adult Contemporary Tracks da Billboard. No meio do ano passado ela passou a escurcionar com o Rufus Wainwright (que o Simon da Quizumba tá trazendo pra cá… aguardem!) e esse ano está fazendo uma turnê como headliner… como queria poder trazê-la pra cá.
A graça, a tristeza, a alegria e a melancolia de suas músicas me deixaram mais calmo, sereno, tranquilo. Ando nas nuvens quando escuto as músicas mais alegres, na fossa total nas mais tristes, temeroso nas melancólicas e esperançoso nas bonitinhas. ‘Almost Lover’ é, de longe, a música que mais me define no momento.
Várias mudanças na vida desse viking nos próximos dias. Aguardem inúmeros inéditos posts sobre essa que é a fase mais importante e determinante da minha vida.
American Idol, pra mim, sempre foi o programa mais interessante da televisão de reality shows. É disparado o mais bem filmado, editado, produzido e programado. A fase de intrevistas é incrivelmente interessante, os juízes são uma bela mistura de estupidez e sapiência de mercado com acidez e ternura (pouco conhecimento de verdade, claro, mas o que importa é e sempre será o valor do entretenimento que eles produzem) e a fase dos top24 é MUITO bem feita.
David Cook, esse ano, é de longe quem mais se destaca. Esqueça a fantástica Carly Smithson e sua voz fenomenal (sem contar a linda, LINDA manga de tatuagem dela no braço direito). O resto é só aquela média americana (daonde vem tanta gente que canta pra caráleo??).
David é um astro. Maluco tem o cabelinho ‘emo’, mas as escolhas musicais dele são invejáveis. O vídeo acima é do último (acho) show do American Idol, onde todo mundo tinha de cantar uma música da Mariah Carey. DInheiro rolando solto, claro. David escolheu ‘Always be my baby’, que até não disgosto tanto. Da Mariah só mesmo o Unplugged, que acho bem legal – sim, meeeeega clichê, mega brega, mas um daqueles prazeres escondidos.
David fez uma apresentação brilhante. O cara está mais do que pronto pra tomar o lugar de qualquer grande astro do rock moderno nos EUA. Sei que ele será mimado e deturparão seu som e seu estilo pra poderem vender ainda mais… ainda sim espero que ele possa continuar com essa evolução e seja um espoente do novo rock alternativo americano.
Cada vez mais entendo que o American Idol, antes de ser uma plataforma de lançamento de artistas, é também uma escola de como lidar com a pressão da mídia (especial a cruel mídia americana) e a pressão de milhões e milhões de espectadores que estão ali, vendo você no palco, quase sempre sem qualquer outra pessoa te acompanhando, soltando a voz e mostrando seu talento. Esqueçam os juízes meia-boca, esqueçam o Ryan Seacrest e seu jeitinho tosco, esqueçam a idéia pseudo-emotiva dos takes de cada finalista.
Assitam o American Idol simplesmente e somente pela música. Vale a pena. Garanto.
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Lembram do ‘I’m fucking Matt Damon’ e do ‘I’m fucking Ben Affleck’? Pois bem, um australiano montou o melhor ‘I’m fucking…’ até agora: Hillary Clinton cantando ‘I’m fucking Obama’. Sensacional.
Graças à Leia, do Stuck in Sac, estou rindo há tempos aqui.
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Barba resolveu inventar uma meme. Aparentemente ele não gosta de gastar mais do que o estritamente necessário com guardas-chuva e óculos. E perguntou pro resto do povo dizer o deles.
Pra mim, eletrônicos em geral (computador, televisão, celular, iPod) precisam ser de alta qualidade, custando os olhos da cara. Não consigo evitar isso. Celular eu até posso não querer o mais caro e bonito, mas funcionalidade pra mim é tudo e por isso peguei um Palm, caro e cheio de guéri-guéri.
Pensando bem, vi que me importo com quase tudo na minha vida. Prefiro comprar sal do mar numa caixa em francês que sal Cisne. Prefiro o papel higiênico mais caro que tiver, pois gosto bastante do meu esfíncter. Prefiro ir ao Hortifruti pra escolher comida do que me contentar com o Princesa. Sou adepto do arroz integral, mais caro, do que o normal. Então, sim, me importo pra caráleo com o que compro. Sempre.
Só não me importo com os preços de material de limpeza.
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Era o ano de mil novecentos e oitenta e dois. Um quinta-feira, dia oito de abril. Chovia um pouco. Luis e Márcia, grávida de oito meses e meio, pensavam no que comprar na loja da Sears, agora um shopping center de destaque na Praia de Botafogo.
No dia seguinte era o fim de semana da Páscoa. Todos os familiares já tinham subido para a casa de veraneio na Posse, perto de Petrópolis. Planejava-se um fim de semana tranquilo, pacato. Luis e Márcia tinham um filho já, Rafael, que no auge dos seu ano e quase quatro meses demandava cuidados, e sua sobrinha Marcela tinha quatro meses. Todos estavam na procura de cuidar bem dos pimpolhos, então calma e tranquilidade eram uma necessidade.
Pegaram o Chevette, carro mais confiável da história da minha família (já tivemos, no total, entre todos os familiares, uns oito), e seguiram a caminho da estrada. A subida da serra sempre fez meu irmão passar mal. Então ela tinha ido antes com minha avó e tios. Todos a espera do meu pai e da minha mãe.
Na estrada, como quem não quer nada, eu vou e acabo com qualquer chance de um fim de semana tranquilo.
A bolsa da minha mãe estourou. No reflexo, meu pai correu com ela até o Pró-Matre, na Praça Mauá, onde soube recentemente que geral pari lá. Passo por lá de vez em quando e penso no dia chuvoso em que minha mãe foi recebida.
À noite, preocupados e cansados, meus pais chegaram na maternidade. Minha mãe contara seu problema, e trouxe preocupação dos médicos. Eu tinha risco de morrer, e minha mãe também. A chance de infecção era grande, pelo momento e pelo lugar onde a bolsa estourou.
Meu pai, que até pouco tempo não fumava, imagino que tenha acendido uns quarenta e nove mil cigarros. Sua tensão piorava porque a cada instante que se passava e não recebia notícias, sua cabeça vai inventando coisas e trazendo à tona irrealidades horríveis.
Ainda tinha tentado, como bom filho que estoura a bolsa da mãe no carro, na estrada, me estrangular com o cordão umbilical. Cesária nela!, devem ter dito os médicos. Depois de um rombo e inúmeros pontos necessários, cheguei nesse mundo.
Mundo tão lindo. Tão delicioso. Tão maravilhoso.
Mundo cheio de possibilidades. Cheio de gente incrível. Gente que amo, idolatro, quero tanto ao meu lado.
Aqui estou, vinte e seis anos depois. Esperançoso. Torcendo para que tudo fique bem com a minha vida.