
Estive lá no NAVE no sábado com a linda Viva pra ver qualé dessa parada de BlogCamp. Pra ser bem sincero, eu pouco sabia do que se tratava – e foi uma grande surpresa tudo o que ocorreu. Me inscrevi tarde pracas, mas felizmente pude sentar com pessoas incríveis e discutir vários projetos interessantíssimos.
Dentre tantas pessoas excepcionais, as conversas com a sempre maravilhosa Alê Felix, o Pedro Jansen do Yahoo! Posts e o Mack do Videolog me deixaram com inúmeras pulgas atrás da orelha. Pulgas boas, incitantes.
Em primeiro lugar, o NAVE é algo de especial. Que lugar fantástico. Uma proposta ímpar de conhecimento e educação que nunca tinha visto antes. Meus filhos, com sorte, estudarão lá.
Depois de acrodar mal e porcamente, olhar para o lado de fora da janela e ver a chuva cair, levantei-me com certo pesar e me dirigi ao telefone – que tocava com o display que dizia ‘Viva’. Ela já tinha me ligado, mas o torpor matinal tinha se instaurado e eu permeava entre o consciente e o inconsciente até ela me ligar pela segunda vez, vejam so!, se desculpando pela demora. Não sabia se tinham se passado treze segundos da primeira ligação. Prontamente me dirigi ao banho, longo e demorado, e desci.
Com a linda, perfeita, maravilhosa Viva eu caminhei até a grande fachada da NAVE. Viva me contava mundos e fundos sobre o lugar, e eu lá, ansioso para saber qual era da parada do lugar – e, depois, do evento. Chegamos por volta das 10h, e o BlogCamp ainda se encontrava um tanto morno. Também pudera. Esperar que cariocas se levantem sãos e contentes às 9h para falar de tecnologia, negócios, conteúdo e afins é um tanto demais. Melhor marcar às 5h e saber que todos chegarão virados.
Com uma mesa de comes-e-bebes, a festa começou. A Viva encontrou uma penca de gente que ela conhecia e adorava. Aliás, a Viva é um espanto no que diz respeito à essa comunidade blogueira – não bloga e é conhecida, reconhecida e amada por todos. Brincadeira.
No salão principal, com direito à inúmeros puffs gigantes para o deleite deste preguiçoso-mor aqui, a introdução, dada pelo Bruno e pelo Mack, começou. A insônia deles e a paixão pelo que estava a fazer foi uma coisa maneira de se ver. Muita gente aglomerada, um reencontro com o Joselito do Estraga Filmes (que não via desde a despedida do Alex Castro na Cinelândia… lembram?), e muito papo geek deixaram a impressão que me divirtiria ainda mais do que eu esperava.
Mas antes tenho de informar uma coisa me deixou um tanto estupefato. Quase 11h, durante a palestra inicial, conversa-se levemente sobre twittagem e afins. Eu não conheço direito o Twitter, nem sei bem se me interessa muito. Pra mim é o mIRC renovado. Posts sobre qualquer coisa em menos de 140 caracteres.
Pois bem, analisando a trupe ao meu redor, uma grande maioria teclava alegremente em seus laptops ligados à rede wifi fenomenal do NAVE nos seus respectivos canais do Twitter. Sequer olhavam para o para o palestrante. Somente escutavam e repassavam as coisas para o canal do Twitter. Surreal.
Pior, um casal do meu lado entrou no SecondLife deles pra fazer sabe-se lá o que. Entraram em algum lugar patrocinado pela FIAT (pasmem, sério, pasmem) e ficaram andando em seu Punto virtual. Soube depois que tem palestra que é dada no local e muita gente fica de costas. Laptop no colo, streaming da palestra através do site do evento e o palestrante lá, atrás deles, falando ao vivo e em cores, com os membros da platéia nas telas dos seus respectivos computadores, ouvindo e vendo o palestrante na telinha de vídeo do site do evento ao invés de olharem pra frente do salão e assistir o que o cara tem a dizer. Absolutamente surreal.
A conversa sobre business no espaço ao lado do salão principal me fez pensar em inúmeras respostas para vários problemas que surgem na minha cabeça com relação ao que faço profissionalmente. Se tudo o que estiver pensando agora der certo, fudeu. Tomo conta do Universo.
Depois de conversas sobre negócio, um início de uma ONG voltada para a democratização digital, eram 15h da tarde e reparei um dado interessante. Virei para a Viva e constatei que não tinha tido uma conversa sobre futebol ou mulher. Era realmente uma reunião de nerds.
Alê deu uma aula do que é conteúdo na derradeira palestra do dia, e o Pedro do Y! teve de se virar pra mostrar que os caras do Y! Posts não são uma corporação maldosa que quer se apropriar indevidamente dos postadores. Vida de representante de multinacional é assim.
À noite, no BoteCamp, pudemos jogar mais conversa fora, rir bastante e fazer novos amigos. Muita gente nova, o Rodrigo do Jacaré Banguela é um cara ducarai, o Nababu, claro, estava lá, e muita gente que nem lembro o nome, mas que fizeram parte de um evento para o qual farei de tudo para comparecer sempre.
Blogueiro é um bicho estranho. Que bom.

Genial a versão ‘mastigada’ da crise do subprime que acabo de ver no LLL. Vale a pena reproduzir:
Tradução da crise do subprime
É assim ó:
O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.
Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO , CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F,cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu ).
Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu.
Se todos os clientes caloteiros do Seu Biu resolvessem pagar suas dívidas , a soma total seria de R$ 470,32 , mas o Banco Central vai ter que injetar no mercado algo em torno de R $ 123.525.183,21 para salvar alguns fundos de investimenos que não possuem capital para honrar os seu compromissos referentes aos clientes caloteiros do Seu Biu, evitando assim uma grave crise sistêmica no mercado financeiro .
(autor desconhecido, mas simplesmente brilhante)

Que babaquice essa de emo-day que foi criada, aparentemente (pois não saí procurando o pioneiro desse movimento), no Nadaver.
Toda a idéia de usar ao extremo essa onda do emo está me causando desconforto. Não porque eu até trabalho com esse público (apesar de explicar melhor depois), mas porque é simplesmente um abuso, uma desnecessária jogada do agora tão famoso ‘bullying’. Está ficando cansativo demais.
Emo começou, como muitos sabem e poucos lembram, como uma vertente do hard-core, estilo musical criado a partir do punk dos anos 70. O HC nada mais era que: ‘vamos tocar muito, mas muito mais rápido o que os Ramones, Sex Pistols, New York Dolls, The Stooges pensam em tocar’. Melodias cruas, uso incessante dos três acordes e muita, muita rapidez na batida. Os Dead Kennedys (na Califórnia) e o Bad Brains (em Washington DC) formaram os ícones do novo movimento.
Desde a metade da década de 1980, especialmente quando o HC começou a significar porradaria desenfreada nos bares de Los Angeles, com polícia a postos o tempo todo, novas vertentes começaram a surgir.
Iniciou-se o movimento do Grindcore, com batidas mais rápidas ainda, mesclando os aspectos mais extremos do hardcore com o heavy metal. A maior bando do gênero é o Napalm Death, cujo batera Mick Harris foi o criador do termo “Grindcore”.
O Metalcore foi a idéia de juntar os novos estilos de metal, thrash metal e death metal, em uma abordagem ‘hardcoriana’: música e melodia simples. Estética punk, acordes punks, influência do metal.
O Crustcore é uma doença gerada a partir do hardcore. Um bando de doidos greenpeacianos, odeiam o Sistema, lutam contra pessoas que pisam nos gramados dos parques, lamentando o assassinato da flora e fauna mundial. É mais sujo que o grindcore, por mais incrível que isso seja. Vieram mais da Europa, onde esses malucos se proliferam com mais facilidade.
Chegamos, ao final, para o Emocore. Foi o movimento iniciado por bandas que queriam trazer uma abordagem mais melódica ao hardcore. Que queriam escrever não só sobre o males do sistema, mas também sobre relacionamentos, decepções e desventuras da vida. Altamente influenciados pelo indie que crescia em paralelo pelo underground da música, foi chama por um bom tempo de pós-hardcore.
O nome emocore veio da cena de Washington DC, com bandas como Embrace e Rites Of Spring. Melodias e harmonias mais trabalhadas, letras bem-pensadas, ainda politicas em muitas ocasiões, mas com estruturas mais complexas, mais rebuscadas e elaboradas. Seu ‘estilo’ começou a despontar no cenário mundial a partir da metade pro final da década de 1990.
Hoje, existe um ‘fenômeno emo’ no mundo. A nova abordagem pop da música sofrida e introspectiva que era o emocore deu uma vida estranha ao movimento. Tornou-se comum ver adolescentes, antes revoltados com suas camisas de flanela sujas, calças rasgadas e cabelo por lavar por meninos e meninas cadavéricos, com roupas justíssimas, cabelo escovado e escuro, maquiagem carregada e um ar de depressão constante. Os neo-punks pós-grunge.
Acontece que muitos acharam fácil presas esses novos garotos e garotas que levam o movimento emo, de certa forma, a sério e tratam de viver suas vidas naquela deprê e constante alienação do mundo. Negócio é que agora não tem-se mais medo dos grunges, sujo e rebeldes, e fica fácil montar em cima dos emos, frágeis e sentimentais. Existem os absurdos, claro, como sempre existiu em cada movimento, mas aparentemente há uma necessidade gigantesca em sacanear até não poder mais os que agora são os punks não tão rebeldes e marginais.
A cultura emo virou tão, mas tão pop que qualquer coisa que apareça na música para jovens é emo. Bandas de rock trabalho, quase circense, com alta influência dos Beatles como o Panic at the Disco é emo. Paramore, com sua menina limpinha de cabelo cor de fogo que toca um rock dançante é emo. McFly, que toca musiquinhas pra lá de felizes, quase um The Wonders moderno, é emo. Gym Class Heroes, que mistura hip hop e techno com rock, é emo. Catch Side, só porque tem músicas de relacionamentos e meninos bonitos na banda, é emo.
Há um grande filão mercadológico no emo true. Bandas como Fall Out Boy, Good Charlotte, Simple Plan fazem muito sucesso sendo bandas de garotos maquiados que sofrem. No Brasil, o NX Zero, pra muitos, inclusive o Rick Bonadio, seu produtor, é a maior banda do Brasil. Não há como contestar o crescimento cavalar e incrível dos garotos paulistas. Falam sobre perda e têm aquele visual mais trabalhado, o que os leva à categoria ‘emo’.
E em nenhum momento isso é algo ruim. Pelo contrário. Cada fase da música mundial inspira novos artistas e molda os caminhos para que outra fase se inicie. Se agora é a década do emo, que bom! Os anos 90 foi a década do grunge, a dos 80 a explosão do metal com o Iron Maiden, os 70 com o rock progressivo do Pink Floyd e o punk dos Ramones e Sex Pistols, os 60 com os Beatles e os Stones, os 50 com a inovação do rock no maravilhoso Chuck Berry. Isso sem contar, claro, que tem tantos outros estilos que estão in vogue agora e que sempre estiveram paralelos ao rock. Dance, hip hop, rap, sertanejo, forró, axé… muita gente aparecendo de tudo quanto é lado.
Mas só os emos levam a pior. Podia ter cansado já.
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Rafa sempre foi um cabra bacana. Sempre gostei um pouco demais dele, pra dizer a verdade. É um gordinho deslocado como eu, cheio de merda na cabeça e muito, mas muito engraçado. Acabou virando meu amigo em questão de minutos. Nunca entendi ao certo que caráleos houve em nosso fatídico dia no Belmonte do Jardim Botânico com a Viva. Vai ver é por isso mesmo que lembro com tanto carinho daquele dia.
Esse puto veio e escreveu o que pra mim é um dos textos mais legais que li sobre o nosso Calamar em muito tempo. É de um romantismo, de uma verdade tão bacana que não pude não achar sensacional. E mais: nos últimos tempos de reavaliação politico-partidária, não discordei de quase absolutamente nada do que ele disse.
Lula tem impressionado a tudo e todos. Eu inclusive. Nunca votei nele, mais porque não acreditava na sua capacidade de ser um líder fora dos sindicatos. De ser um homem capaz de representar com afinco o meu país. Depois vi que na verdade o errado sempre fui eu. Esse torneiro é justamente o que sempre precisamos ter representando o país.
Esse final de semana, com as declarações dele sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo, ele se tornou meu fruto do mar predileto. A sapiência em declarar o que ele declarou, a maneira tranqüila e elucidativa com que ele demonstrou sua opinião vão ajudar e muito esse país tão hipócrita e preconceituoso a aceitar o que é de suma importância para qualquer nação: todos são cidadãos, garantidos pela constituição todos os direitos possíveis. Como o Lula disse, se respeitam a constituição e cumprem seu dever com a nação, merecem sua união reconhecida por todos e seus direitos garantidos pelo país. Simplesmente foda demais isso.
Não sou adepto aos que defender com veemência o Lula em todas as crises. Sou grato a ele por nunca (aparentemente) deixar que a PF ou qualquer outro órgão de investigação deixasse de trabalhar nas crises, mas também sei que ele esteve envolvido, direta ou indiretamente, neles. E isso me irrita.
O que sempre vou criticar no Lula é justamente o fato d’ele ter cedido para governar. O que era mais que claro. Ninguém é extrema-porranenhuma. Todo mundo é centro quando governa.
Lula deixou de lado um pouco do seu brio e vei pra ser o ‘paz e amor’. Deu um pouco de raiva vê-lo ceder ao sistema e se adequar ao centrismo pra poder governar. Mas desde a posse tomou conta do que era certo no país, até conseguiu achar um bom ministro aqui e acolá, não teve medo de repreensão ao botar o Meirelles no BC. Conduziu o social de maneira menor que o esperado, mas nem de longe deixou de fazer muito pelo país.
Somos um país melhor sim. Mais rico, mais estável, mais próspero. Devemos isso também ao que foi criado desde o começo do Plano Real, mas Lula tem uma significativa parcela disso tudo. Só que também não vou nunca dizer que ele é foda e incrível e tudibom e a miócoisaquejáaconteceunessepaís.
Ele veio pra cumprir algo que há tempos esse país necessitava. Alguém de fora da chamada elite tomando o país e mostrando ao povo que alguém ‘gente da gente’ cresce, aparece e lidera um país. Também sou contra o Lula chegar e dizer que vai ser dificil alguém superá-lo porque ele, torneiro mecânico, fez tanto.
É preciso uma dose de parcimônia na hora de falar bem do Lula. Ele fez muito, claro. Mas também fez muita merda e tem MUITOS esqueletos escondidos no armário. Nada disso tira o fato d’ele ter sido, desde as diretas, o melhor presidente deste país.
Se alguém me perguntasse se isso seria possível em 2001, iria rir.
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Essa foi tão boa que vale a pena copiar do Blue Bus, colar aqui e rir um pouco. Também ajuda o fato de estar no processo de dois posts longos para os quais quero dedicar mais tempo…
http://www.bluebus.com.br/show/1/86656/ops_nova_campanha_da_microsoft_usou_macs_e_softwares_para_mac
Imagens utilizadas na campanha ‘I’m a PC’, da Microsoft, foram produzidas em Mac, utilizando software da Adobe, diz notícia do Gizmodo. A informaçao foi exposta por um usuário do Flickr que publicou foto mostrando os dados técnicos (metadata) de uma imagem do site da campanha – veja aqui. Os dados indicam que o software usado foi o Adobe Creative Suite 3, para Mac. A noticia correu rapido pela internet e a Microsoft reagiu com um comunicado. Diz que “como é comum nos processos de trabalho de quase todas as campanhas, agências e produtoras usam uma ampla variedade de softwares e hardware para criar, editar e distribuir conteudo, incluindo tanto Macs quanto PCs”. As informaçoes técnicas nao estao mais visíveis, segundo o blog.

Vira e mexe me dá uma coisa na cabeça, uma estranha visão do mundo que me páro pra olhar de fora do meu próprio corpo e tentar entender o que cacetes se passa por essa cachola. Ontem, no Galeria Café, bateu mais uma vez uma estranha sensação de deslocamento.
Acho o Galeria Café o máximo. Mesmo. Reduto gay brabo do Rio de Janeiro, é muito provavelmente a única boate em que me sinto minimamente bem. E conversando com uma amiga ontem me pus a confirmar certas coisas que são, digamos, peculiares de certa forma.
Desde criança, desde que me lembro, tenho uma visão isenta do mundo. Nunca entendi direito essa coisa de diferenciação por cor, sexo, credo. Pode parecer mentira, mas pra mim, pelo menos no consciente aparente, é o que acontece. Nunca achei pessoas diferentes, nunca fui criança de perguntar porque a mão da minha Bibi tava descolorada, porque a Aparecida, acompanhante da minha avó há anos e anos, tinha pele cor de petróleo. Linda.
Por falar em linda, sempre achei tudo interessante e bonito. Desde a mais branquinha ao mais negão. A Payal, indiana do meu colégio na Inglaterra, era de uma beleza absurda. De deixar um rastro inebriante quando passava por mim.
Chego até a me enxergar sendo chato, forçando a barra, quando não vejo movimentos alheios de total ‘isenção’ de nóia. O fato d’eu achar todo mundo lindo imagino que irrite e descredencie minhas opiniões. Mas pouco importo.
Ontem mesmo recebi cantadas de homens, mulheres, e até um espertinho que pegou na minha bunda umas três vezes. Depois da segunda vez, imagino que pensando que eu não tivesse sentido, foi até agressivo. Catou mesmo a nádega. Só ri e achei o máximo. Estava acompanhado de uma amiga, não havia dúvida alguma da minha orientação, e ainda sim o cara insistiu. Continuei dançando e talvez tenha batido a ficha nele que, bem, se não virei e dei mole é porque, bem, talvez não fosse tão pra jogo assim.
E lá no Galeria ela me perguntou o que eu achava dos abraços, beijos e afagos dos homens lá dentro. Eu acho lindo. Carinho é bonito. Sempre será. Não existe diferenciação na minha cabeça.
Me irritou um casal hetero se catando, se jogando por cima do bar, incomodando todo mundo. Os homens se acariciando, se gostando, dançando junto, são lindos. Igualmente as meninas, poucas, que vão lá no Galeria.
Só sei que acho tudo normal.
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E não é que Murphy agiu direitinho esse ano?
Minha linda e querida abuelita. Minha líder da família. Minha coisinha mais linda e fofa deste mundo. Você se foi.
Você, tão chorona ultimamente. Você que ia ver no dia em que se despediu de todos. Ainda não caiu a ficha da saudade. Foi tão rápido, tão absurdo, tão estupefante.
Sua meiguice, seu olhar carinhoso, suas badalhocas que por anos foram fonte de risadas. Seu amor eterno pelos filhos. Seus lindos dedos, seu cabelo fininho e sempre bem penteado.
Seu hang-loose forçado.
Vou sentir sua falta, minha linda abuelita. Minhas duas abuelitas se foram este ano. Não tenho mais minhas velhinhas queridas.
Bye bye, my sweet grannie.
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Terça de madruga eu tinha chegado de São Paulo. Foram reuniões muito produtivas, que espero que tragam à Megahertz bons e prósperos ventos num futuro bem próximo. Era para ter chegado às 1h30, mas devido a percalços no trânsito de São Paulo, na saída da Dutra, só cheguei na cidade às 3h.
Esperei calmamente o 128 me levar pra casa. O dia tornara-se úmido e frio, diferente do que esperava ao chegar na cidade. Assim que saímos da Rodoviária, ao lado da Pró-Matre, na Praça Mauá, onde nasci há longínqüos 26 anos, me deparei com mais uma realidade enojante deste país.
Uma mulher em seus vinte e poucos anos, de acordo com suas duas acompanhantes, estava passando mal. Estava escuro perto do ponto do ônibus, e só depois, quando o motorista a deixou entrar, que pude perceber que ela estava grávida. Não só grávida, mas em trabalho de parto. Por isso estava na Pró-Matre.
Fora avisada que na Pró-Matre não havia material para uma cesariana, e com isso ela foi sumariamente rejeitada lá. Oferecemos, eu e o motorista, o Miguel Couto. Minha afilhada nasceu lá e acho que aquele hospital é um exemplo em todos os sentidos. Ela escolheu a Fio Cruz, na Praia de Botafogo, para poder tentar a sorte de novo.
O ônibus foi bem mais devagar que o comum no Aterro, virou em direção à Fio Cruz e quase entrou no local ônibus e tudo para deixá-la o mais próximo da entrada da emergência. Ao sairmos do local pude ver uma faixa erguida na fachada do prédio: ‘Estamos em greve!’. Tomara que não estejam em greve para os casos de emergência.
A trocadora, imensamente simpática, tratou de conversar comigo sobre a pobre mulher. Um outro rapaz, trajando regata vermelha, ao ser perguntado sobre a mulher tratou de acabar com ela. Disse que com aquela cara de bandida é óbvio que não fora atendida. Que no escuro, perto do ponto em frente à Pró-Matre, ele teve medo que ela fosse o assaltar. Que as três chegaram estranhamente perto dele. Rapidamente a cobradora disse ao imbecil que tinham é medo dele! O idiota conseguiu ainda proferir que deus faz certo, sempre, e que se ela estava com problemas pra parir é porque era ruim. Gente boa não tem coisas ruins acontecendo com elas.
Após sua saída na Princesa Isabel consegui rogar algumas pragas em sua direção. Não que eu acredite que isso acontece. Mas se um dia me tornar um ser com capacidades telecinéticas, prometo que ele será o primeiro que machucarei.
Descobri através da trocadora que a pobre mulher estava desde Bangu tentando achar uma maternidade para poder parir seu filho. Já estava com centímetros de dilatação. Pálida, morrendo de medo, consegui em duas amigas o apoio para correr a cidade atrás de algum lugar para poder ter sua criança.
Eita país de merda.
Filed under: Diatribes

Voltando na estrada do show em São Bernardo do Campo do Catch Side (aliás, fenomenal), nos deparamos com algo inusitado: tinha um caminhão de uma empresa de transporte prestes a tombar bem na nossa frente. Tivemos a ‘sorte’ de chegarmos logo no momento que a Polícia interditou a estrada, bem no final da Serra das Araras, e éramos o quarto carro atrás da fadada caçamba do caminhão.
Em questão de minutos, à frente da van, conversando com o motorista, avistamos a chegada de inúmeros locais na cena do iminente tombamento. Vêm, sabe-se lá como, de todos os lugares – inclusive buracos onde não se imagina existir civilização de qualquer tipo. São pessoas de todos os tamanhos e de ambos os sexos, que inicialmente penso estarem lá pela novidade e curiosidade, mas que rapidamente demonstram ter planos bem diferentes.
Tem muitos chegando de bicicleta. Muitos falam ao celular. Um, de Honda Bizz, aquela pequena lambretta, salta com desenvoltura e tira do seu banco duas, três, quatro sacas de juta. Quatro. E parte para ficar ao lado do caminhão, bravamente segurando o peso da carga que faz com que todo o seu corpo se retorça e desafie a gravidade.
Passam-se incontáveis minutos até que o estrondo acorda quem, na van, tentava descansar de alguma forma após um sábado cansativo. Ainda tivemos o infortuno de termos nossa van quebrar perto de Aparecida do Norte, e só conseguimos chegar perto do Rio quando uma segunda van foi no socorrer. Estavamos todos mortos de cansaço, mas felizes por mais um sábado produtivo e de imensa importância para a dominação nacional do Catch Side. Em breve, o mundo.
O estrondo nos fez olhar para a caçamba vermelha, levemente, vagarosamente, se abrir como um pacote de Natal ente uma criança sedenta pela novidade. Seu aço retorcia e gritava agonizantemente. O caminhão ameaçou tombar por completo, mas corrigiu seu eqüilíbrio e conseguiu manter-se em pé. A carga esparramou-se pela pista, auxiliada pela rampa que a lateral da caçamba proporcionou.
Todos que assistiam ansiosamente ao espetáculo prontamente se despuseram a pegar toda e qualquer carga a qual tivesse acesso. O paramédicos, o solitário policial rodoviário e o pobre caminhoneiro tentar conter o povo. Conseguiram fazer com que os ajudassem a colocar a carga na lateral da estrada para liberar a pista o quanto antes para todos. Vi muitos ajudando a carregar a combalida carga, muito provavelmente esperando uma recomensa em forma de uma caixa ou duas.
Aos poucos, de longe, consegui ver do que se tratava a carga: biscoitos Bauducco e Visconti. Pronto, logo vi que veria problemas. Gente de todos os cantos apareceu para ‘assistir’ à cena. Ficavam ao redor da carga caída, vendo os homens e mulheres que ajudavam a retirar tudo e limpar a pista.
O que me intristece demais nesse país que gosto tanto aconteceu logo depois. Muitas das caixas estavam avariadas, e isso significava que, quando levantadas, deixavam seu conteúdo cair ao chão. Hordas e mais hordas de ávidos transeuntes voavam em cima dos biscoitos champagne, do saquinho de Ovomaltine, do pacote de biscoitos salgados individual – daqueles que você ganha na viagem de ônibus e no avião. Uma cena Somaliana. Uma tristeza incrível.
Momento cômicos surgiram, como a senhora que simplesmente apareceu, pegou três, quatro caixas como pôde e partiu para voltar à sua casa antes de ser parada pelo policial e convidada a colocar a carga ao lado do resto na beira da estrada. Seu olhar perplexo foi o mais taxativo. Era um olhar de ‘ué, não posso levar?’. Triste. Triste demais.
Surgiram dois policiais para ajudar na proteção da carga, mas não antes de inúmeros pequenos Robin Hoods terem retirado conteúdos das caixas e jogados para crianças, senhoras. O que mais doía era ver pessoas bem-vestidas saindo de seus Palios EX 1.4 dourados e caminharem sem parcimônia em direção da carga caída e levarem, felizes da vida, suas duas saquinhas de Ovomaltine pra casa. Uma mistureba de gente pobre e muitos, muitos com condição de não precisarem participar daquilo, mas contentes e resolutos nos seus movimentos de roubo de carga em plena luz do dia.
É a anarquia desse país. A completa descrença que bate em mim sobre o que podemos ser como sociedade. O que é que nos resta quando algo como isso acontece e todos saem rindo e têm a total certeza que levar um biscoitinho ali, um Ovomaltine acolá era mais do que certo.
Afinal, o filho da puta do caminhoneiro não podia ter deixado cair a carga no meio da estrada. Né?

Nem nós merecemos você, atualmente, no clube. Você prova, dia após dia, que sua sangue por essa equipe. Que é nosso capitão natural.
Foram anos e anos de estupros contábeis. Anos e anos de falácias, de mutretas e uma máfia que só fez esse nosso maravilhoso clube chegar na merda que está hoje. Mas as coisas vão mudar. Ah, se vão.
Ídolo. Fantástico ídolo. Nem nós merecemos você.