Arquivado em: As aventuras do mini viking

O aniversário de 10 anos de qualquer moleque é – ou ao menos deveria ser – uma data especial. A primeira década de existência. O inicio de dois dígitos de idade que com quase total probabilidade seguirá a vida de todos até o fim. Dificilmente entramos nos três dígitos.
Era uma época nervosa para esse mini Viking aqui. Tinhamos, meses antes, descoberto que a Nova Zelândia seria nossa nova morada. Em específio, a linda capital de Wellington. País longínquo, onde só esse pequeno Viking tinha idéia de onde ficava no mapa. Coisa de sangue, sabe?, visto que a navegação e os mapas sempre fizeram parte desse pequeno nórdico-tupiniquim.
Estudava agora numa escola totalmente em inglês. Fazíamos, eu e meu irmão, tempo dobrado. Comíamos com os funcionários entre as duas turmas, e tivemos uma abertura ao inglês que nos proporcionou imensa tranqüilidade ao nos depararmos com a língua estranha falada nas pequenas ilhas ao sudeste da Austrália.
Era dia 9 de Abril, e como todos os meus outros aniversários anteriores a data não havia mudado ainda. Eu estudava tanto nesse colégio quanto na Cultura Inglesa. Era realmente integral minha imersão no inglês. Na Cultura, numa casa linda ao lado de uma concessionária de bicicletas Giant (lembram a época que ainda havia isso?), eu me divertia vendo e ouvindo filmes em vídeo-cassete sem legenda. Vi ‘Ghost’ umas noventa vezes, e lembrava vários diálogos de cabeça.
Fui parar no boliche do Morumbi Shopping. Nessa época, caso não tenha dito, eu morava em São Paulo. Morava há três anos e alguns meses. Adorava, e ainda adoro, São Paulo. Qualquer demonstração contrária ou é sarcasmo meu ou pura babaquice desse pseudo-carioca aqui.
Tivera recebido informações explícitas da minha mãe antes do meu cumpleaños. ‘Filho, com a mudança esse ano não tem presente grande, tá?’ disse ela. Claro que eu, como bom filho que sempre fui, compreendi com veemência o que fora dito. Chamei poucos amigos, os que ainda sobraram do condomínio e do colégio que largara para me dedicar à língua-mãe da Rainha Elizabeth.
Foi um aniversário legal, com uma comemoração singela e particular. Eu nunca fui de aniversários grandes. Isso sempre foi coisa da cabeça do meu pai. Me diverti bem, joguei meu boliche e curti meus amigos e família. Pra mim estava ótimo.
Tinhamos um Monza vinho que amava. Foi parceiro das inúmeras viajens Sampa-Rio que fizemos em família, sempre ao som do Kid Vinil, a mil nos falantes do carro – para o desespero dos meus pais e nem tanto do meu irmão, que dopado em Dramin jamais acordava pra me ver cantando, non-stop, o K7 do grande mestre do rock do final dos anos 80 e começo dos 90.
O Monza fez a curva para a direita ao entrar na garagem do prédio. Estava um tanto sonolento, querendo dormir logo e acordar para um novo dia de inglês até pedir arrêgo. Estava com a minha mãe só no carro.
Assim que dobramos à esquerda para estacionarmos o carro, percebi que o carro do meu pai, um Monza cinza escuro de modelo mais novo, não estava estacionado. Em seu lugar reluzia algo. Algo amarelo.
Na minha frente estava uma linda bicicleta Giant amarela. Perfeita. Incrível. Meu sonho de consumo toda vez que ia pra Cultura Inglesa e passava pela concessionária.
Olhei pra minha mãe, que sorriu pra mim. ‘Feliz aniversário, meu filho’, ela disse. Só sei que chorei. Chorei muito em seus braços.
Chorei pelos novos desafios que me aguardavam. Um novo país, com cultura e pessoas diferentes. Chorei pelo presente lindo que meus pais me deram. Chorei por sempre poder confiar neles. Por saber que faziam de tudo para me ver feliz, para prover tudo o que fosse possível. Apesar de todas as incertezas da mudança de país, eu sabia que neles eu podia confiar.
Chorei por ser um mini viking feliz.
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E um Viking partiu pro Sambódromo. Um ofereciment do Don Freitas, líder e chefe dessa entrépida trupe de lusitanos fajutos. Gente, o Sambódromo é mágico. Nunca pensei, na minha vida, conseguir gostar tanto de samba como gostei no domingo.
Meus pais e nossos primos patrícios desfilaram pela Império. Primeira escola do domingo e me deu a chance de poder chegar cedo, antes da muvuca, e ainda poder filmar tudo de perto, sem problemas, visto que a galera não tinha chegado ainda. E que sensação fantástica de ver a escola passar.
Consegui fotos incríveis. Vídeos incríveis que compilarei num novo episódio Viking no YouTube. Como fiquei apaixonado pela minha Vila Isabel na avenida.
‘Segura a Vila, que eu quero ver! Vem brindar e saciar, a sede! Do alto da sede, coroa hoje brilha, a centenária maravilha!’
Gritava, berrava, pulava na frisa. Me senti um moleque a berrar seu samba da comunidade. Me senti parte de Vila Isabel, o bairro onde todos meus familiares moram ou moraram. O bairro fronteiriço do meu, o Grajaú. O bairro que sempre conviveu e viveu comigo.
Quero muito poder participar do Carnaval da Vila ano que vem. Vou participar. Não posso deixar de participar. Muito bom. Mas muito bom mesmo.
‘Vi-lá. No Theatro a cortina, se abriu! Com Aída, a platéita vibra! E a cidade inteira aplaude!’
Estou apaixonado pela Vila. Pelo Carnaval. Quem diria.
Arquivado em: Monova

Está dando uma vontade tremenda de comprar ingressos pra ver o Vasco x Botafogo de sábado…
Porque agora o Ministério Público anulou tudo o que foi conquistado pelo Fluminense no tepetão. Pobres mercenários de Laranjeiras. Não conseguiram ganhar desta vez.
Em primeiro lugar, eu quero deixar claro que acho, e achei, uma tremenda duma babaquice por parte do corpo jurídico do Vasco deixar o Jéferson entrar em campo. Se havia uma mísera dúvida pairando sobre sua inscrição, era melhor deixar o santo jogador fora da partida imbecil de estréia.
Mas ainda sim me revolta mesmo é a atitude vil e ridícula do Fluminense. Timinho de tapetão esse. Que não se garante em campo e fica criando picuinha pra conseguir o que quer no campeonato. Timinho mimado, bancado por uma empresa de seguros de saúde, que só pega a rebarba mercenária de outros times, em especial o Vasco, de onde vieram os Leandros Bomfim e Amaral, o Conca, o Rafael e o Ygor.
Nunca fui de ter raiva de nenhum clube do estado. Tive sempre aquela rivalidade esperada com o Flamengo, em especial com todo o papo de pentacampeão que realmente não cola. Ainda sim, vira e mexe me vejo, especialmente nos útlimos tempos, não vendo nada de errado numa vitória dos urubus contra o River, o Nacional ou o Corinthians. Tem muito time mais escroto fora do estado para eu me preocupar.
Porém agora o Fluminense me dá ojeriza hoje em dia. Um asco tremendo. Quero vê-lo ruir em dívidas. Quero ver o presidente e o dono da Unimed na cadeia por fazerem do futebol uma fonte de renda para uma empresa de saúde, o que é ilegal e imoral. Quero ver Laranjeiras penhorada na Justiça.
Talvez assim, e só assim, esses putos caiam do cavalo e se enxerguem como realmente são: um timinho regional, com aspirações regionais e uma administração que busca vilipendiar os outros ao invés de gerir com competência, ética e dignidade o seu clube.
Tomara que no Fla x Flu vocês percam de 9-0. Estarei torcendo pelo Flamengo. Como jamais torci. É o Movimento Nórdico-Vascaíno em ação contra os pó-de-arroz que estragam com qualquer campeonato.
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É uma sensação estranha não ter internet em casa. A Claro e eu estamos brigados, e não tenho internet 3g há algum tempo. Umas três semanas.
Me vejo lendo livros. Do mestrado, pro trabalho e por diversão. Me vejo estudando piano (que roubei do meu amigo que viaja no Carnaval… só não conta pra ele que só devolvo depois). Me vejo tocando violão, tentando compôr. Sendo mais focado no meu trabalho.
Não ter internet me dá uma desconexão com as coisas. Hoje foi a primeira vez que conectei em quatro dias. Vi mais de cem emails hoje que voltei a acessar a grande rede. Cem emails filtrando a porcaria que aparece por aí. Cem emails importantes, que respondi. Fico imaginando o que seria da minha vida se ficasse mais de uma semana sem internet de verdade.
Estou curtindo mais a minha linda. Estou tentando me focar melhor em tudo. Fazer dos meus projetos coisas concretas e decididas.
Tomei controle de muita coisa. Agora que a internet voltou ao meu lar, à minha vida, estarei mais conectado com esse meu segundo lar aqui. Fora o trabalho, que me consumiu de maneira completa nos últimos tempos, tenho muito ainda a fazer e construir. Que bom.
Ainda me falta instalar a rede lá no meu apartamento. Aí mesmo que não acesso a rede por meses.
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Recebi do Bill, meu amigo paulistano do mestrado, um texto babando ovo de São Paulo pelo Washington Olivetto. Uma diatribe de primeira catchiguria sobre a cidade.
Deixem-me fazer uma tradução livre desse texto:
>> Paulo parecida com Nova York.
Tenho amigos cariocas cegos, surdos, sem olfato e com sérios problemas
mentais. Ah, e esquizofrênicos, porque acham que São Paulo se parece
com Nova Iorque. Onde já se viu!
>> bem a cidade.
Não concordo. Tivessem terminações nervosas nas narinas, mais de dois
neurônios funcionais e não sofressem de surtos psicóticos veriam que
não conhecem bem a cidade.
>> apenas uma imensa Rua Oscar Freire.
Quem não conhece São Paulo acha que é parecida com uma rua cheia de
grifes internacionais. Na verdade é um conglomerado de ruas escrotas,
com lojas escrotas, entupidas de gente escrota para todos os lados.
>> ao mesmo tempo e,
São Paulo se parece com muitas cidades ao mesmo tempo. Se parece com
todos os guetos de todas as piores cidades do mundo ao mesmo tempo.
Porque até as piores cidades do mundo têm partes (por menores que
sejam) bonitinhas ou ao menos agradáveis.
>> Arouche
Só gente que não toma banho e têm pêlos saindo pela culatra, sem parar
de fumar por um minuto e se achando as melhores pessoas do universo,
Um bando de gente querendo te vender santinho, fitinhas de cores
esdrúxulas. Um empurra-empurra hediondo,cheio de mendigos e seguidores
de Iemanjá – mesmo que São Paulo esteja LONGE do mar…
>> Tóquio na Liberdade
Muitas luzes, bando de gente pequena que fala como se estivesse
gritando e medo de ser morto por ninjas ou personagens de animé.
Lambrettas pra tudo quanto é lado e muita gente gesticulando com as
mãos enquanto te xingam sem a menor razão.
>> Munique em Santo Amaro
Só tem nazista.
>> Lisboa no Pari
Região com maior número de padarias do Brasil
Um bando de apertamentos que todos a-do-ram chamar de ‘lofts’ e pagam
preços abusivos pelo prazer de morar num lugar escroto, barulhento e
cheio de bêbados (boêmios pra eles)
Maior taxa de assassinato da cidade
>> festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo, como o Fasano, o Emiliano e o
>> L’Hotel,
Tem gente que paga pra ter ao menos um pouco de beleza no quarto,
visto que a cidade é absurdamente hedionda
e como!!
A poluição realmente faz um pôr-do-sol lindo
Onde plantas ainda sobrevivem ao clima hostil desse antro de poluição
e sujeira que é São Paulo
Mas o pôr-do-sol é um must!!
>> o da cratera do metrô
Ou seja – uma cidade que, na hora de realmente ajudar a população,
mata geral. Mas consegue lotar estádios de futebol com um bando de
loucos querendo ver gringos rebolando
graças ao brilhantismo dos arquitetos que acharam que Cumbica, que em
tupi é ‘nuvem baixa’ era o melhor lugar para se construir um
aeroporto!!
>> significa um italiano, um japonês, um baiano, um chinês, um curitibano e um
>> alemão.
Um fascista, um kamikaze, um macumbeiro… só a corja da humanidade.
Viu como não tem um inglês?
>> futebol, sendo que um deles leva o nome da própria cidade e recebeu o apelido ‘o mais querido’. Mas, na
>> verdade, o maior e o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto da Portuguesa e foi
>> fundado por italianos,
Na verdade o Corinthians é o segundo mais querido.
Paulista é tão burro que acha que ‘Palmeiras’ é um nome em inglês e
fica perto do Canindé. Tão transloucado pelo tamanho grotesco desse
mar de cimento que daqui a pouco vai achar que Sorocaba é um bairro…
>> tendo como celebridade o permissivo Oscar Maroni, do afamado Bahamas.
Nunca ouvi falar. Pra vocês verem que paulista vive mesmo num mundinho só dele.
>> coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Germano Mathias provaram não
>> ser verdade, e, apesar da deselegância discreta de suas meninas,
>> corretamente constatada por Caetano Veloso, produziu chiques, como Dener
>> Pamplona de Abreu e Gloria Kalil.
Glória Kalil é a melhor fêmea que paulista pode apresentar. Medo. Muito medo.
>> os de Tóquio, lagareiras melhores que as de Lisboa e pastéis de feira
>> melhores que os de Paris, até porque em Paris não existem pastéis, muito
>> menos os de feira.
Pizza boa é a de Nova Iorque – cidade que São Paulo, até de acordo com
o autor, realmente não é. Sushi é bom até no Zimbabwe, e pastel de
feira bom é o da feira da minha rua no Grajaú, bairro da Zona Norte do
Rio.
O máximo do horror, só pode…
E ele ainda enaltece isso!
>> cariocas que andam imitando as suas imitações paulistanas.
Boteco pé limpo me enoja.
>> CowParade, uma colonizada e pavorosa manifestação de subarte urbana, e agora o Rio faz o mesmo.
Olivetto deve ter medo de vacas. Sabem como é, natureza, coisas do
campo… paulistano só conhece barata, rato, pombo… animais
silvestres dão medo… pra paulistano, leite vem da Nestlé, da latinha
do Molico…
>> o Projeto Cidade Limpa.
Projeto esse que tirou quase MEIO BILHÃO DE REAIS dos cofres públicos.
Parabéns, São Paulo!
>> que os ingleses já provaram ser perfeitamente possível com o Tâmisa.
O Tâmisa continua muito poluído mesmo com todos os esforços do governo
- o Tietê não vai ser ficar limpo nem com muito pensamento positivo…
>> organizando o mobiliário urbano, regulamentando os projetos arquitetônicos, diminuindo as invasões sonoras e
>> melhorando o tráfego, São Paulo jamais será uma cidade belíssima.
Um mínimo de bom senso
>> trabalho do homem.
É o que o povo de Brasília também diz. E que cidade feia pra cacete aquela.
>> clima de excitação permanente, na mescla de raças e classes sociais.
Covil da raça humana. Antro da corja da sociedade brasilieira.
>> pela miscigenação, melhor se manifesta.
Democratização da beleza numa cidade que tem uma rua como a Oscar
Freire? Tá bom então…
>> direitinho, coisa que se reconhece observando as meninas que circulam pelas
>> ruas.
Tocam em meninas como nenhum outro povo brasileiro.