
Esse final de semana foi interessante. Interessante porque nunca passei tão mal em toda a minha vida. Só estou no computador agora porque não consigo dormir de tanto que tusso. O gosto de sangue não sai da boca.
E olha que foi PRINCÍPIO de pneumonia. Cacete.
Foi o primeiro final de semana em, puts, um ano ou mais, que passo na casa dos meus pais. Estou aqui até agora. O fato de não conseguir dirigir e o medo de precisar de alguém que dirija para me levar para alguma clínica na pressa me fez ficar por aqui por mais que as usuais horas num domingo.
Com tanta doença (que pegou meu projenitor também, diga-se), fiquei derrubado no sofá sem muito a fazer a não ser assistir televisão. E nem ler livro consegui – deixei o ‘The Graveyard Book’ do Neil Gaiman em casa. Vi que meu Vasco trucidou mais um. Ainda levando três, fez cinco. Todos os gols foram canhotos. Achei no mínimo curioso para um time que não tinha canhotos até pouco tempo. O Movimento Nórdico-Vascaíno vai crescendo com um time muito bem liderado. Vamo que vamo.
E o Rubens deu sorte! Devido à insônia pneumonal, fiquei vendo a corrida e, claro, não pude acreditar quando o carro do Barrichello entra em ponto morto na largada. E ele é tocado na primeira curva. O azar do puto parecia não ter limite. Até na melhor equipe da F1 ele tem como mostrar seu incrível talento? Que raiva.
Má num é que o rapaz ganha um acidente na frente dele e pega de supetão o segundo lugar de novo? Sensacional. Eu sinceramente não consigo torcer, nem gostar, do Nelsinho. Se ele fosse escroto, briguento, talentoso e pretencioso igual ao pai, seria irado vê-lo degladiar com o Alonso. Seria uma reedição (bem pior, claro) de um Senna/Prost. Mas daria um gás pra esse piloto que é, francamente, estupidamente inferior ao nome que carrega inscrito no carro.
Quero ver o que o Rubens é capaz na Malásia. Quero vê-lo dominar o percurso, para que o Button não tome conta do campeonato e o faça segundo piloto à força. Quero muito que o Rubens prove que pode ser campeão do mundo. Muito.
E o Brasil fez minha tosse piorar. Ainda bem que o Júlio César existe. Lembro que emparelhei ao seu lado no trânsito aqui no Rio, abaixei o vidro e gritei ‘Júlio, vai logo pra Itália para eu torcer por você!’. Faltavam poucos dias para ele se desligar do Flamengo e ir pra Inter, e eu mal podia esperar o dia em que eu pudesse torcer desesperadamente por aquele que sempre imaginei ser o melhor goleiro do país desde… bem… que me vejo como torcedor assíduo de futebol. Ele gargalhou e apontou pro relógio como se dissesse ‘falta pouco tempo’. Seu gesto botou um imenso sorriso no meu rosto.
Ceni? Marcos? Como ainda é possível ver a impensa paulista… aham, ESPN Brasil… ficar o tempo todo dizendo que o Ceni e o Marcos deveriam, ainda, ser primeira escolha para a Seleção. É só ver o que o Júlio é capaz na Inter e os milagres que ele faz na Seleção para saber que não haverá, tão cedo, substituto que chegue sequer perto desse monstro.
Arquivado em: Hospitalidades

Passei um tempo no hospital com suspeita de pneumonia. Não conseguia respirar direito (algo completamente comum para um asmático-bronquitico) fazia um tempinho, e apesar dos Berotecs e Seretides que pra sempre me acompanharão pela vida, não consegui melhorar. Ao final da semana me senti fadigado como nunca antes. A ponto de, ao chegar no hospital, não consegui forças para manobrar o carro para o local certo do estacionamento. Deixei o carro onde estava e pedi pro manobrista se virar.
Engraçado foi ver o raio-x depois de tanto tempo de espera. Já não tinha muitas energias sobrando, mas o fato de, quando tossir, sentir gosto de sangue me deixaram com uma pequena pulga atrás da orelha. Afinal, depois do retroperitônio o câncer testicular se manifesta nos pulmões e cérebro. Alguém com histórico de asma e bronquite pouco perceberia problemas ocasionados por nódulos pulmonares antes de, quem sabe, já terem ido ao cérebro. Tinham me dito isso antes, lá em tempos idos.
Pois lá estava eu, cansado, torto, tossindo feito um velho com enfizema. Olhei para o lado e vi o otorrino de plantão olhando para o raio-x na tela do computador. Pulmão direito ok. Alguns bronquios super-dilatados, o que deveria ser resultado da nebulização que acabara de fazer. Pulmão esquerdo tinha uma grande massa.
Máqueporradocaralhobucetamadre, pensei. Passaram algumas coisinhas pela cabeça, sabe?, coisas que há tempos dormiram. Voltaram sensações complicadas.
Mas era meu coração. Ainda bem que a massa estava ali. Eu e minhas idéias de saber tudo sobre qualquer coisa.
Arquivado em: Abobrinhas

O que será isso? Será que é um resultado do mundo em que vivo? Ou será que é do mundo em que forço a viver?
Me vejo numa ânsia jovem-juvenil de tentar ser tudo ao mesmo tempo por algum tempo. Tempo demais até. Não me satisfaço com menos que saber um tantinho de tudo, e sabendo quero poder fazer bem e ser minimamente reconhecido pelas coisas que pretendo poder fazer. Morou?
Fiquei extremamente feliz em poder ajudar o Alex no super-duper post dele sobre blogagens coletivas contra as blogagens coletivas. Além do texto genial, sua idéia de expôr a mensagem num pacote de açúcar União foi do caralho.
E lá fui eu fuxicar meu Photoshop e tentar recriar um pacote de 1kg de açúcar União com a mensagem que ele queria passar. E deu certo. Acho que ficou engraçado, deu a mensagem paralela da ‘união’ dos blogueiros, e tudo mais. Alex gostou, e isso que importou.
Mas eu me senti muito feliz. Sou administrador, com pós em economia, MBA em marketing e mestrando em administração com foco em comportamento do consumidor para o consumo de entretenimento. Já fiz curso de música e empreendedorismo, de produção musical e artística. Vou começar, em Abeil, um curso de dublagem, tirar meu DRT e começar a traduzir scripts. Estou amando ajudar um amigo dono de restaurante a melhor administrar seu negócio. E mal posso esperar por novos desafios que estão presentes a cada minuto que se passa na minha vida.
Será que um dia vou tentar fazer menos coisas ao mesmo tempo? Tentar provar pra mim mesmo que nem sempre sou capaz de qualquer coisa? Que certas coisas, pro meu bem, estão fora do meu alcance?
Tomara que não.
Arquivado em: Música

Havia uma correria no dia. Casamento do meu irmão no sábado, muita coisa pra resolver do trabalho, reunião que não pude ir por falta de tempo. Corri feito um doido pra chegar a tempo na Apoteose pra ver o LH. O Doni merece uma tapa das grandes pela frase que vomitou no começo do seu post sobre o show de Sampa. Tsk, tsk.
Havia uma expectativa grande no ar. Um mar de pessoas diferentes, de estilos diferentes. Via-se jovens, velhos, indies, punks, alternativos-de-all-star, meninas de edumentária praiana, homens de couro. Todos ali para verem o que há de mais impressionante na música em muitos tempos.
Radiohead não é minha banda predileta. Mas carrega consigo uma sonoridade que me transmite furor, angústia, medo, simplicidade em sua complexidade. Tudo o que mais quero na música. Melancolia ao extremo.
Cheguei no começo do show dos Hermanos. Mal pude acreditar que os shows começaram na hora. É um bom sinal para o futuro dos festivais de música nesse país. Para pararmos de imaginar que a banda só entrará no palco duas, três horas depois do anunciado.
Tenho uma constatação interessante e, pra mim, um tanto instigante a fazer: o show do Los Hermanos está cada vez pior.
Eu sou fã incondicional, e estava muito, mas muito animado para ver o show. Só que acho que a proposta minimalista e a idéia de ser indie até onde a reta faz curva está minando com o show dos caras. O que havia de animado, de instigante nos trejeitos e maneirismos dos músicos está se perdendo na proposta de não proporem nada no palco. Acabo vendo um show que não é um show. São músicos a tocar minhas músicas prediletas em português.
Não há mais aquela emoção de antes. Aquela vontade de gritar, me descabelar com as músicas que tanto amo. Não sei se é minha velhice chegando cada vez mais forte e rápido, mas não consigo mais me sentir tão emocionado com os Hermanos. E isso me assusta.
Kraftwerk só pode tocar em ambientes pequenos. Pioneiros, gênios, fantásticos. Mas na Apoteose, com a quantidade de poluição visual que existia ao redor – o elevado do túnel Santa Bárbara, as casas e prédios ao redor, o batalhão da Polícia Militar, tudo estava prejudicando o espetáculo de luz que é o show do Kraft. Não ajudou eles terem feito o mesmo show de 2004.
A impressão que deixam é que pararam no pioneirismo de antes. E ficaram lá, presos ao passado. Presos ao fato de terem sido precursores. Não mais criadores de trends, preferem mostrar o que fizeram para atestar sua importância na história da música eletrônica mundial que tentar algo novo ou criar simplesmente por criar.
Foi um show extremamente burocrático. Ainda por cima no meio da última música ligaram os holofotes da Apoteose, o que me deixou com uma sensação de desreipeito aos músicos e ao público que sinceramente não lembro de ter visto antes. Bizarro.
Com dez minutos de atraso vejo as luzes da Apoteose se apagarem pela segunda vez. Toma conta de mim um certo calafrio. Thom e sua trupe estão, de fato, na minha frente.
É sempre difícil descrever um bom show. Thom estava em êxtase, e nos carregou junto. Chegou a gargalhar com a participação do público, muito, imagino, do próprio espanto que é comum aos músicos que nunca vieram ao Brasil e não entendem como podemos ser tão participativos. O público brazuca realmente é fantástico.
Cantamos muito. Muito mesmo. ‘Karma Police’ foi lindo. Thom até voltou ao microfone no final da música para, a cappella, fazer um verso só conosco. Deu pra ver o baixista pulando feito um maníaco ao lado da batera, feliz e contente por participar desse memorável evento. O Brasil sempre dá show – é realmente impressionante.
A magia visceral do Radiohead cativa qualquer um. Um som difícil, denso, incrível. O som estava fantástico, alto e na cara como poucas vezes vi na Apoteose. Acho que nunca vi som tão bom naquele espaço que sempre peca pela acústica.
Faltaram músicas antigas. Faltou ‘High and Dry’. Faltou ‘Fake Plastic Trees’ (que tocaram em Sampa). Mas sabem de uma coisa? Espero essas músicas quando eles voltarem. Porque sei que voltam. O Brasil faz isso com as bandas.
Arquivado em: Diatribes
Me pareceu um tanto estranho ver, por dois dias seguidos, os jornalistas globais darem notícias do julgamento do ‘monstro’ austríaco. E reeiteravam a palavra ‘monstro’. Sandra Annemberg ainda virou e disse ‘monstro mesmo, pois não há outra palavra para ele’. Achei tudo um tanto, digamos, ridículo.
O papel do jornalista é dar a porra da notícia, e não ser ‘gente da gente’. Pra isso temos a Luciana Gimenez no SuperPop. Eu quero jornalismo sério e imparcial quando ligo na Globo. Não disseram ‘monstro’ pro Milosevic.

E, quem diria, o puto foi sentenciado a ficar numa instituição pra maluquinhos pelo resto da vida, tomando remedinho e vivendo a vida olhando para o jardim achando que lindos leprechãos dançam e cantam. Um dos grandes poderes das drogas psiquiátricas.
Há muita balela para as questões psicológicas desse animal. Um cara que faz o que fez, com os requintes de crueldade sensacionais, merece mesmo é uma bela tortura e castração por meios extremamente dolorosos. Passar o resto da pouca vida que lhe resta tomando suquinho enquanto baba profusamente devido a mais um dos grades poderes das drogas psiquiátricas é demais. Deviam é tacá-lo numa prisão ‘comum’ com os estupradores e assassinos. Deixá-lo à mercê desses lindos individuos que o ensinariam o poder de uma sociedade que julga de maneira um tanto diferente as atrocidades que ele cometeu.
Eu gosto e, de forma leiga, estudo psicologia quando me sobra tempo e paciência. A ponto de não aproveitar a fantástica promoção do Alex da obra completa de Freud porque comecei a comprar a versão em espanhol, que por muitos, inclusive minha analista, é considerada a melhor tradução da língua do alemão. Ainda sim certos aspectos, como esse do Fritzl, me colocam numa posição de justiceiro ao invés de interessado na psique humana. Porque me interessam os movimentos de consumo (minha tese do mestrado), me interessam os movimentos de amor, carinho, sedução, paixão, amizade. Coisas como essa que o Fritzl fez merecem é punição. E severa.
Arquivado em: Esportividades
Sempre defendi o Rubens. Rubens é um piloto extraordinário. Pegou na cabeça a responsabilidade de substituir um mito e sofreu as conseqüências de não ser tão carismático, tão rápido, nem ter o melhor carro. Mas provou a qualidade que tem.
Fora as decisões equivocadas da carreira, ao meu ver, como a corrida da Áustria na qual deixou o Schumi pegar a porra da vitória no último instante, ele, pra mim, é um cara brilhante na F1. Tem imensa competência, sabe mexer e montar um carro como nenhum outro na categoria e, agora, quem diria, anda deixando todo mundo de opinião inversa ao que se esperava há míseras semanas.

Pois não é que, hoje, quinta-feira, o maluco me aparece como favorito incontestável para a vitória no GP da Austrália na enquete do Grande Prêmio?
Mostra, acima de tudo, a hipocrisia do povo e a facilidade que todos têm de sacaneá-lo sem a menor razão. Ele não ganhou título? Então vamos esculachá-lo. Nessa hora o ‘falem mal, mas falem de mim’ mostra que, na verdade, isso também é o resultado da expectativa que foi gerada em cima do fera. Todo mundo espera que ele ganhe porque sabem que ele é bom. Então o fato dele não ganhar é motivo de raiva e indignação.
Ainda sim, agora que a Brawn chegou e, do nada, com o time da ex-Honda tendo funcionado direitinho na pré, sem alarde, sem mídia, mostrou que é a grande escuderia a ser batida no começo de temporada. Ainda mais agora com a patética nova forma NBA de declaração de vencedor.
Que essa nova forma de classificação instigará a vitória, pode até ser, mas se uma equipe se destaca e um piloto vence, digamos, cinco corridas, praticamente acabou a temporada. Ou seja, podemos ter um campeão virtual já em maio. Absurdo demais.
E se, digamos, o Button vence uma corrida na cagada, com 8 carros sobrando depois de uma porrada de batidas e quebras, num dia de chuva torrencial, andando com um carro quase quebrado, depois do Rubinho, pole, líder por cinqüenta voltas ter sido jogado pra fora da corrida por um Takuma Sato desembestado tri-retardatário, vira automaticamente o piloto-mor da escuderia, pois tem uma puta vantagem em cima do Rubens. Surreal até não poder mais.
O que mais importa nessa enquete que nada significa é que o Rubinho tem, esse ano, a chance de queimar a língua de muita, mas muita gente. Tomara.
Arquivado em: Politicalidades

Ainda que sua morte cerebral não tenha sido declarada, é claro que está para morrer um ícone brasileiro. E digo isso com a maior sinceridade possível. Clodovil é personagem que há tempos transpõe uma vertente do pensamento nacional.
Somos um país retrógrado, racista e hipócrita, mas cultivamos figuras como o Clodô e nos guiamos pelas suas opiniões. Clodovil é representante do povo em Brasília. Ainda não sei se por uma brincadeira coletiva de um povo que caga pra política ou se é uma demonstração honesta de representatividade de uma celebridade no pensamento político de um país.
Mesmo porque não sei se o Arnold virou governador porque foi estrela de cinema ou se seu status o proporcionou abertura para apresentar uma proposta crível e instigante de governo. Imagino eu que sua reeleição tenha sido uma comprovação para a população e para o mundo que seu trabalho como político de fato era honesto.
Clodovil é uma figura daquelas que muita gente chama de asquerosa. Ainda sim ligam seus respectivos televisores para assisti-lo proferir suas diatribes. Uma figura capaz de gerar algum tipo de movimentação pública que ainda estou para entender ao certo o que é. Porque o culto à figura célebre de televisão é algo incrivelmente instigante e incompreensível.
Se é inveja pela riqueza e talento alheio. Se é uma necessidade e explorar a vida de alguém para esconder seus próprios problemas e medos, se é uma tentativa de se aproximar de alguém distante geograficamente, porém perto o suficiente para estar na sua sala de estar. Não sei.
Só sei que o Clodovil, como muitas outras figuras públicas, assumiu uma posição importante no cerne político deste país. Veio dele declarações que mexeram, mesmo que por pouco tempo, com a estrutura de pela-sacos do Planalto. Sem abordagem política, sem plataforma alguma, ele se candidatou e angariou um número gigantesco de votos de pessoas que estavam ou cansadas da politicagem tupiniquim ou simplesmente queria vem alguém que não tem nenhuma imagem de político no Congresso.
É uma pena o Clodovil ter tido um infortuno desses. Queria vê-lo destilar seu veneno pelas asas de Brasília. Por mais que ache sua eleição um movimento de cunho altamente dúbio, é refrescante e fascinante ver alguém de fora da política tentar achar seu lugar dentro do covil dos leões.
E de Leão e Lobo o Clodovil entende.
updeite: Clodô tem morte cerebral confirmada.
Arquivado em: Cinemalidades

O Bia até fez uma resenha antes dessa. Mas eu vi primeiro.
Watchmen é, pra mim, um marco no cinema. Chega até ser engraçado dizer isso, visto que por tanto anos agora vimos quadrinhos sendo adaptados com muita competência. Os clássicos gibis do Aranha, Batman, Super-homem já estavam vistos, agora com mais tecnologia e algumas visões fantásticas de alguns diretores, como o novo caminho a ser seguido por Hollywood. Todo mundo aparentemente se amarra em quadrinhos na telona.
Com isso veio a chance do Snyder fazer o 300. Um graphic novel diferente, mais denso e colorido, com passagens brilhantes, uma linha de narrativa fantástica. Mas um graphic novel. Nada popular, comparado aos Aranhas e Homens-morcego do mundo.
E eu ali, quietinho, esperando que houvesse alguma chance do melhor gibi de todos os tempos aparecer na tela. Estava fadado a acontecer. Quando soube, me animei muito, e sabendo do talento do Snyder fiquei esperançoso.
Watchmen é a melhor adaptação já feita. Tomaram as liberdades certas, imprimiram a imagem certa, tiveram o cuidado certo. Zack fez um trabalho brilhante como diretor.
A história do Moore era difícil. Difícil demais. Conseguiram atores certos para colocarem algo extremamente complexo e muito melhor explicado no graphic novel em cinco minutos de uma música do Dylan. Muito bem feito.
Toda o gibi teve um desenrolar na tela sensacional. Perdemos sim a narrativa paralela do navio, mas ainda sim em nenhum momento o filme se perdeu – pelo contrário, explicou tudo bem demais, numa fotografia fantástica, com atuações inacreditáveis. Todos os personagens estão exatamente como os imaginei ao ler o gibi pela primeira vez. Fiquei espantado.
Tive a alegria de ver que puseram a história, com todas suas nuances e complicações, uma década de 80 ainda pior do que a que transcorreu, com um Nixon ainda presidente e a Guerra do Vietnã ganha. Não conseguiram colocar a importância do New Frontiersman, e espero que seja algo para o dvd especial, e não uma idéia maluca de seqüência.
Vou vê-lo de novo daqui a pouco. Preciso. Fiquei estupefato. O melhor gibi de todos os tempos em glorioso technicolor. Demais.

Eu até tinha uma idéia de post para fazer sobre a ridícula decisão da patética Igreja em excomungar os pais e médicos que participaram na salvação da vida da pequenina que fora estuprada. Ia tentar jorrar todo o meu ódio e a meu asco para com essa instituição que por anos a fio vem trucidando com meu bom senso, vilipendiano meus conceitos e preceitos morais. Todos eles, claro, criados a partir de uma criação veementemente católica apostólica romana.
Mas aí veio um certo cabra que gosta demais de Paris pra ceifar o âmago das questões levantadas por esse movimento absurdo e revoltante dos líderes de uma Igreja que só prova, tempo após tempo, nos anais da História, o quão maléfica, pervertida e prejudicial ela é para a sociedade.
Leiam o post do Rafa. Vai fazer um bem tremendo a todos.
Arquivado em: Politicalidades

Houve um tempo que disse que ia reclamar da defesa unilateral do meu querido Idelba na questão palestina. Eu andei reclamando do fato de tudo lá no Biscoito ser muito pró-coitadinhos e sem nenhuma chance de espaço para um momento de reflexão de longe – uma visão de águia, tomando em conta os dois lados e só mergulhando na presa certa.
Me irrita, como sempre vai irritar, qualquer coisa extremista. Nunca gostei de pessoas que defendem veementemente algo sem a menor dúvida presente em seus discursos. Oras bolas, todo mundo tem dúvida. Nesse caso específico, o da briga eterna no Oriente Médio, digo o seguinte:
Não me interessa quem vai ‘ganhar’ essa briga entre Israel e o povo palestino.
O que não posso aceitar com tranqüilidade é que a luta armada do Hamas seja vista como uma de lutadores em busca da liberdade e reconhecimento contra um vilão atroz e vil que só quer dizimar civis e bombardear escolas. Precisa haver um espaço para o bom senso no dicurso disso tudo. Mas também cabe aqui uma frase necessária da minha parte:
Eu não estou defendendo Israel.
Muito pelo contrário, acho que estão perdendo a linha. Mas que é um país riquíssimo, entupido de cultura, com descobertas científicas incríveis e um pólo de conhecimento mundial, é. E por isso não podemos, hoje, tirar o direito de existência de Israel. Hoje. Porque Israel nunca deveria ter sido criado.
O estado da Palestina é algo milenar. Um estado que participou de trocentas mil trocas-trocas de poder. A Polônia do Oriente Médio. Se quisessem ter criado um estado batuta para geral, que criassem um que englobasse os judeus supimpas e mulçumanos bacanas, com espaço para os católicos sangue-bão.
Essa coisa toda de ‘direto de existir’ do estado de Israel é balela. Foi um estado criado, bem como Iraque pelo Churchill. E olha a merda que ele fez, misturando três facções religiosas briguentas e distintas num mesmo buraco. Deu no que deu.
Pode causar certa estranheza eu colocar um exemplo ruim para justificar a criação de um estado da Palestina igual. Mas a minha hipocrisia tem um único sentido – Iraque continua lá, e ninguém quer mexer nas fronteiras.
Era botar a grana dos estadunidenses judeus, o suporte do governo americano, a simpatia dos governos europeus, e a cara emburrada dos árabes que aceitariam a enxurrada de judeus para o estado da Palestina, que seria um ainda com raízes milenares, um estado que já foi a meretriz do mundo ocidental, passando de mão em mão dos Cavaleiros e Mujahideen.
Israel, diga-se, históricamente é um estado politeísta, criado como Samáeia após a separação do estado de Salomão quase mil anos antes de Cristo. Então brincar de guerrinha com parte do seu povo que se sente perdido desampado por um estado que tomou contas de tudo tão de repente, altamente compreensivo.
But I digress, então a questão é que não agüento ver pessoas que respeito, pessoas sensacionais e de educação sublime, questionar o estado de Israel como um indefensável vilão e o povo palestinos como mártires de burka. Vamos entender que a joça do estado existe, e terá de fazer sacrfícios imenos se ainda pretende existir e se explicar pro mundo. Infelizmente não tenho como questionar a legitimidade do estado. Um bando de estados soberanos decidiram. Ponto.
Até a mulé-di-isquerda israelense Tzipi Livni (já tentou falar esse nome bêbado? Deve ser o mesmo que falá-lo sóbrio) já admitiu que todos terão de ceder às terras de 1967 para que as coisas funcionem. Eu acho sinceramente que, pra funcionar, tinha que tudo virar um estado só, e é isso aí. Um parlamentarismo bilateral, onde há espaço para todos se degladiarem para o bem do estado geral da Palestina. Acho que o estado de Israel tá agindo – e tem sempre agido, caso julgue minimamente necessário – com força demais pra dizer pra mamãe América que é fortinho e pode bater no menino chato da escola que tá enchendo a paciência dele. E dizer que o Hamas é líder democrático legítimo da população é como dar um tapinha nas costas do Hugo Chávez. Conseguiram um abuso da democracia pela mensagem deturpada e violenta e querem legitimidade de um estado que bombardeiam há décadas.
Aí é querer demais.