Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Um susto
28-Agosto-2009, 7:01
Arquivado em: Blogroll, Politicalidades

Queria deixar muito claro o meu espanto. Um espanto sincero, diria até inocente, ao ver uma cena que me deixou estupefato. Não imaginava que o Alex poderia ter chegado à isso.

Posso esperar tudo do cara, é verdade. Afinal, um libertino libertário, autor de livros e chupador de dedões suados não pode ser alguém que espante pessoas com declarações e opiniões que possam ser, digamos, espantosas. Mas ainda sim, para um cara do qual se espera qualquer coisa, vê-lo brigando com o Suplicy no plenário foi estranhíssimo.

Não sei porque ele inventou um pseudônimo, nem sei se quero realmente saber. Heráclito Fontes é um nome tão bizarro que só poderia ter sido cunhado pela mente doentil do Alex. Problema é a legenda. E talvez foi isso que mais me impressionou.

DEM-PI?? Sério?! Porra, inventasse um personagem que fosse ao menos condizente com sua estrutura pseudointelectual. Procurasse, sei lá, o PPS, PV, mas focar logo no DEM, partido chinfrin que representa uma decadência linda das ideologias partidárias e políticas do país?

Apesar de tudo, tenho que confessar – Alex, você é um gênio. Consegue enganar a todos dizendo que está em Nova Orleans, escreve sobre escravidão quando, na verdade, vive uma vida dupla no plenário, sugando nas tetas dessa nação. Se já o considerava digno de elogios, agora você, pra mim, se superou.

Parabéns. Fez o Suplicy de piada. Tiro o chapéu pra você… oops, desculpa, tiro o chapéu para Vossa Excelência.



Ivete Stellar
27-Agosto-2009, 2:19
Arquivado em: Cinemalidades, Música

Eu, pessoalmente, acho que nunca haverá na história da música nacional alguém igual à Ivete Sangalo. A maior artista de todos os tempos desse país. Rei? Que Rei?

Uma mulher de fibra, garra, simpatia ímpar e uma transparência apaixonante. Um talento incrível, uma voz poderosa, uma imagem de força descomunal. De cantora de uma banda de axé ao fenômeno absoluto – uma artista que atinge a todos no país, que tem público do Oiapoque ao Chuí.

Agora a Ivete vai virar estrela de uma animação em 3D. Um momento até natural para uma artista como ela. Até estranhei, até hoje, não ter visto um filme estrelado por ela. Mas o que mais me impressionou foi a qualidade do trailer mostrado.

Uma animação de imensa qualidade, com uma direção artística incrível, uma Ivete muito bem representada como heroína e, o mais importante, uma história e uma abordagem diferente do que vemos nesse país.

Ivete não é mais uma Xuxa, fazendo filmes para seus baixinhos. Ela virou uma heroína espacial, com atitude, tenacidade e personalidade. Cacomotion, empresa criada por ela mesma, é quem capitaneia esse projeto. Uma mulher de visão.

Torço muito para que o Ivete Stellar se torne uma verdade. Para que assim possamos, finalmente, enxergar uma saída para os filmes do Didi e da Xuxa, e enxerguemos, todos, no mercado, que só há uma grande heroína brasileira: uma baiana arretada chamada Ivete.




Cansaço político
25-Agosto-2009, 10:58
Arquivado em: Politicalidades

Será que diatribes como essa do Suplicy ainda têm espaço na política brasileira?

Porque fico pensando que, de fato, nada mais adianta. Desisti. De verdade. Um Suplicy reclamando aqui, uma Marina se desligando acolá, não fazem a menor diferença.

Porque sempre haverá um Mercadante que muda-e-não-muda. Um Lula que abraça inimigos para ter apoio à Dilma. Na cara dura. Na frente de todos aqueles que votaram nele por razões ideológicas que ele atropela hoje?

Sarney falar de Getúlio dá embrulho no estômago. Fazer o quê, né. Deveria estar acostumado já.



E um pouco mais de mim morre…
21-Agosto-2009, 2:36
Arquivado em: Diatribes, Música

…pelo fim da concepção musical que entendo por saudável. Está chegando ao fim o meu romantismo, a minha completa dedicação, o meu dever visceral de propagar cultura da maneira que sempre sonhei possível.

Vejo tardiamente os efeitos de uma vida vivida de sonhos. De pueris pensamentos de regojizo através do som, da propagação das ondas da caixa após o tocar de um acorde. A vida pela arte.

Escrota essa última frase.

Não entendo mais direito o mundo. Anda tudo meio turvo. Penso entender as pessoas, mas vejo que estou mais cego do que nunca.

A confiança que tinha está dando lugar à um marasmo emocional. Um deserto sem fim, onde todo e qualquer vislumbre de esperança nada mais é que uma bela miragem. Sinto o peso da ventania contra meu corpo. O afundar dos pés na areia cada vez mais traiçoeira.

Se a luz ao fim do túnel existe, ela hoje é uma infíma faísca. Pode-se dizer que basta uma faísca para o fogo retornar em todo seu esplendor e graça. Pode ser.

Mas assisto, segundo após segundo, o esvair daquele pequeno e reluzente foco de continuidade. A escuridão torna-se minha amiga. E quando vejo isso aqui, penso no fim.

Um fim muito próximo.



Braba nostalgia
18-Agosto-2009, 6:59
Arquivado em: Diatribes, Perfil

É, Cabra, tá braba essa nostalgia.

Tempos idos, quase deixados. Momentos em que aprendi, cresci, viajei, pensei, refleti, mudei. Todo mundo anda se ocupando demais, e deixando de lado um link blogueiro que criamos.

Mas penso também que as coisas mudaram porque, agora, somos não só blogueiros amigos. Somos, de fato, amigos. Amigos de verdade.

E amigos de verdade às vezes esquecem o que primeiro os uniu, mas continuam fortes e seguros dos laços que têm.

Não acreditei na afinidade que tive contigo naquele nosso fatídico encontro no Belmonte. Que a despedida do Alex, que cheguei a pedir permissão pra participar, fosse ser o começo de uma fase nova na minha vida.

Essa amizade só me fez crescer. E me proporcionou conhecer pessoas distintas, que nunca teria conseguido conhecer não fosse o poder da propagação de idéias e pensamentos que os blogs detêm. E por isso sou eternamente grato ao meu extinto ikhaat.blogspot.com.

Não fosse pela idéia juvenil de falar do que odeio (ik haat é ‘eu odeio’ em holandês), eu não teria falado aquilo que falei. E com isso não teria chegado a conhecer todos vocês. E poder falar o que falei, saber o que soube, aprender o que aprendi.

Minha falta de tempo me faz ter menos cuidado com esse espaço. Um espaço que mudei para poder trabalhar melhor minhas idéias e ideais, mas que vira e mexe se torna um lugar onde preciso colocar qualquer coisa para que não perca a noção da existência disso aqui e ainda lembre o quanto esse blog é importante pra mim.

A nostalgia que bate daquele inverno de 2005 é onipresente. Não há como passar pela Cinelândia e não lembrar de assistir ao show que foi ver um libertino prazeirosamente chupando o dedão de uma oompa-loompa. Não há como lembrar a ida de um paulista de supetão para nos agraciar com sua presença.

Ainda sim, minha maior nostalgia é não ter conseguido aprender mais tanto e nem ser tão assustado por novas pessoas incríveis e inesperadas na minha vida. Um momento sublime de abertura pessoal, onde não me contive e me entreguei por inteiro, recebendo em troca muito mais do que tinha a oferecer.

Minha nostalgia vem do tempo em que ainda me sentia mais inocente e romântico com relação ao mundo. Que sabia que qualquer experiência seria proveitosa e maravilhosa. Onde sabia que meus sonhos seriam realizados. Tinha certeza que meus objetivos eram críveis e conquistáveis.

Agora uma dose um pouco grande demais de amargura domina meus dias. A constatação que nem sempre conseguirei ser transparente e receber transparência e cumplicidade de volta dos outros. Que talvez tenha de deixar de lado meu lado romântico para um mais objetivo e, claro, impessoal.

E junte tudo com a minha preocupação com a carreia, o dinheiro, meu profissionalismo e o que bucestas vou fazer daqui a pouco quando tudo for pro ar (provável) ou tudo der certo (improvável) e não conseguir sequer voltar a ser sonhador e ser mais um operário.

Olha que não contei o mestrado, que ainda é uma fonte de imensa alegria, porque a academia é ao menos um pequeno espaço para que eu possa, de alguma forma, explorar um lado mais erudito e sonhador. Tomara que ele continue sendo um escape. Quando a defesa de tese chegar em maio do ano que vem, estou fudido. Ou não.

Vai saber.



Biscoito mole
17-Agosto-2009, 4:55
Arquivado em: Blogroll, Diatribes

Sempre quando era criança, e como ainda sou esse sentimento me persegue, pegava meu café com leite e, no despertar de manhãs, regojizava no deleite de uma bebida quente e biscoito maizena com requeijão. Quando não queria mais requeijão, e sobrara café e biscoito, adorava juntar um ao outro. Acordava mais feliz depois de molhar o biscoito.

Ainda sim, era difícil controlar a questão tempo-frescura do biscoito. Ficava entre a cruz e a espada, decidindo qual momento era o exato para poder me dedicar completamente aos delírios de um biscoito perfeitamente equilibrado entre o café com leite e consistência necessária para sua plena aceitação degustativa. Era uma ciência que até hoje me ilude.

Nunca gostei de biscoito molhado. Especialmente quando ele se desfazia logo que o retirava do café. Me emputecia. Ainda me emputeço.

Fica aquela sensação de impotência incrível. Um medo de repetir seus erros e ainda sim aquela vontade hedionda de tentar de novo e testar os limites do biscoito. Molhar o biscoito é uma arte que ainda não dominei.

Essa sensação de biscoito molhado demais veio à tona agora há pouco. Idelba deu uma “pausa” no blog. Logo num momento interessantíssimo da política nacional, cheio de maracutaias, brigas, escândalos, problemas. O cara era o foco da minha pesquisa políticas superficial que faço na internet. Era por causa dele que fazia questão de me questionar.

Odiei muita coisa do que ele disse. Já concordei discordando. A grande maioria das vezes, vi um acadêmico dar uma aula gratuita enquanto eu, um aluno de pensamentos praticamente antagônicos, me divertia ao discordar. Ou às vezes entender seu ponto e ainda sim achá-lo totalmente errado. Era um escape quase que diário que fazia e que muito me agregava.

E agora o professor doutor foi-se. Não se sabe quando ele volta, mas espero muito que ele volte. Se não mando o Ted atrás dele.



Morre um ícone
14-Agosto-2009, 12:39
Arquivado em: Perfil

Lembro de quando fui ao Rock and Roll Hall of Fame em Cleveland, ano passado, e fazia um frio incrível. A primeira vez que esse viking sentiu frio da vida. Uma rajada de vento quase cortou minha orelha ao meio.

Ao entrar no hall da fama e virar para a esquerda, me deparo com algo incrível – ‘The Log’, de 1941, primeira guitarra de corpo sólido já feita. Era um pedaço de madeira, com uma corda de violão de aço presa num prego, de um lado, e indo até um captador. O começo do instrumento que revolucionou a maneira como fazemos música.

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(Minha linda Nina, em toda sua beleza prateada)

Ontem, Les Paul morreu no auge dos seus singelos 94 anos. Inventor, foi singularmente responsável pela criação de um segmento de música. Dos primórdios do nosso maravilhoso rock n’ roll.

Les Paul também foi um incrível músico, ganhador de inúmeros prêmios e uma sólida carreira artística. Mas Les Paul, além de sua fantástica guitarra, fez o mais importante passo para a maneira como ouvimos e produzimos música.

Criou o gravador multicanal, que proporciona a gravação separada de cada instrumento, que pode ser tocado pelo mesmo músico. Possibilita a gravação do mesmo vocalista de vários canais de voz harmonizados. A música que conhecemos só existe por causa do Les Paul.

Inté, velhinho. Toquei minha Nina pra você hoje. Vou gravar com ela amanhã em sua homenagem. Obrigado.



Filho de peixe, peixinho é
9-Agosto-2009, 1:54
Arquivado em: Politicalidades

Tenho sempre uma ojeriza um tanto pronunciada com relação à rejeição de peixes na vida profissional do brasileiro. Ser ‘recomendado’ é visto como uma afronta aos bons modos. Uma maneira de atravessar a esfera da moralidade. De deturpar com os sagrados textos – que textos são esses, não faço idéia.

A grande questão surgiu, de novo, quando a neta do Sarney foi ‘pega’ em escutas pedindo emprego para um ex-namorado. Acho que a grande questão foram os atos secretos envolvidos, mas devido à questionamentos e colocações feitas, sempre acho que o brasileiro apimenta essas questões de um viés errado.

Ser recomendado a um cargo não é errado. Nunca será. Num mundo cada vez mais entupido de profissionais, onde uma pós aqui, um mba acolá, um inglês ou espanhol no CCAA não são razão para se diferenciar profissionais, ser recomendado por alguém de confiança é caminho primordial. Faço isso quando contrato quem preciso, e sei que sou recomendado por aqueles com quem trabalhei para conquistar mais espaço no mercado.

Se meu pai fosse a pessoa a me recomendar, qual, exatamente, seria o grande problema? Quer dizer que seus esforços em me educar, labutar como labutou, suar como suou, para conseguir me prover uma educação ducarai que me tornaram, vai, ‘diferenciado’ no mercado são (e foram) um erro? Que ele não pode falar para amigos e colegas de profissão das minhas conquistas profissionais e, assim, descobrindo um caminho que ele julgue interessante, marcar uma entrevista comigo para uma posição que ele recomende – tanto para me beneficiar quanto para prover ao contato que necessita um profissional alguém que seja de confiança dele e que carregue seu nome e coneito no mercado?

Porque ser peixe é tão ruim nesse país? Todos nós somos, e seremos, peixes em nossas vidas. Somos indicados para namorar amigas de amigas. Somos indicados para entrar em colégios. Somos indicados a jogar peladas quando somos minimamente bons em futebol. Por que todas esses exemplos tendem a serem aceitáveis, mas ser indicado profissionalmente, em especial por um parente, não é?

Admito que a grande questão com o Sarney foi ele dizer que ‘não podia recusar um pedido da neta’, e que, claramente, não houve preocupação com a qualidade do profissional que era o ex-namorado da neta dele. Mas a questão é – e se o cara fosse fantástico, redator de projetos de lei que mudaram o país? Será que teria sido tão ruim??

Claro que teria. Ele entrou pela porta dos fundos. De maneira escusa. Pelas razões erradas. Agora, tivesse ele entrado num cargo de confiança, de maneira transparente, teríamos tido a mesma repercussão que esse caso tomou? Eu acho que sim, e é por isso que essa diatribe está aqui.



Tédio
7-Agosto-2009, 1:54
Arquivado em: Diatribes

Aquela sensação de torpor imensa. Uma impossibilidade de locomoção. Uma falta inacreditável de vontade de fazer qualquer coisa.

Olhar para os lados e não ver nada pra fazer. Sentar-se ao sofá, olhando para os livros da estante, com preguiça até para escolher qual é o mais interessante para começar ou reler. Acordar de olhos abertos o suficiente para justificar uma saída da cama.

O límitrofe entre a depressão e o coma.

Queria muito sentir isso. Não tenho tempo para sequer pensar na remota chance de talvez, quem sabe, possivelmente ter tédio. Santa ocupação.