Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Festival do Rio 2009
17-Setembro-2009, 2:56
Arquivado em: Cinemalidades, Perfil

Pronto. Vai começar minha falta de vida de novo. Como se já não tivesse pouco tempo ultimamente, com tantos projetos e tanta correria antes de viajar.

Vem aí o Festival do Rio 2009. Ainda bem que serão duas semanas. Mas garanto que, de novo, vou ver ao menos 15 filmes. Meu recorde foi 31, em 2006. Devia tentar batê-lo de novo, mas acho difícil. Tem poucos filmes, esse ano, que me encantam de verdade.

Em 2006 o que deu certo foi que acabava vendo filmes no meio do caminho de dois que queria muito ver. Tinha um às 14h e outro às 20h, por exemplo. Acabava sobrando aquele filme checo horroroso, com produção islandesa e atores estonianos, às 17h.

Nesse festival, vou fazer questão de correr atrás dos que vão aparecer nos cinemas em geral. Estarei fora do Brasil a partir do final de outubro, e preciso pegar os filmes que pra cá virão. Na cidade da universidade em Ohio há UM mísero cinema. E não sou de baixar filmes (posso simplesmente mudar de opinião, mas duvido muito que isso venha a acontecer).

Acabei de lembrar que preciso terminar as aventuras do Viking na América.

Mas então, quero ver esses filmes aqui:

- Bellini e o demônio, de Marcelo Galvão (não sei por quê… acho que gosto do toxicômano do Fábio)

- Insolação, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch

- Sonhos roubados, de Sandra Werneck (ouvi falar bem)

- Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes
- It Might Get Loud (It Might Get Loud / It Might Get Loud), de Davis Guggenheim (Estados Unidos)
- Singularidades de uma rapariga loura (Singularidades de uma rapariga loura), de Manoel de Oliveira (Portugal)
- Barba Azul (Barbe Bleue / Bluebeard), de Catherine Breillat (França)
- A Doutrina de Choque (The Shock Doctrine / The Shock Doctrine), de Michael Winterbottom, Mat Whitecross (Reino Unido)

- Maradona (Maradona by Kusturica / Maradona by Kusturica), de Emir Kusturica (Espanha)
- Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds / Inglourious Basterds), de Quentin Tarantino (Estados Unidos) (YEEEEAH!)
- Abraços partidos (Los Abrazos Rotos / Broken Embraces), de Pedro Almodóvar (Espanha)
- Distante Nós Vamos (Away We Go / Away We Go), de Sam Mendes (Estados Unidos)
- Coco antes de Chanel (Coco avant Chanel / Coco Before Chanel), de Anne Fontaine (França)
- (500) Dias com ela ((500) Days of Summer / (500) Days of Summer), de Marc Webb (Estados Unidos)
- Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock / Taking Woodstock), de Ang Lee (Estados Unidos)
- Brilho de Uma Paixão (Bright Star / Bright Star), de Jane Campion (Reino Unido)
- O Desinformante! (The informant! / The informant!), de Steven Soderbergh (Estados Unidos)
- Nova York, Eu Te Amo (New York, I Love You / New York, I Love You), de Mira Nair, Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shekhar Kapur, Shunji Iwai, Joshua Marston, Natalie Portman, Brett Ratner, Wen Jiang, Randall Balsmeyer (França)
- Julie & Julia (Julie & Julia / Julie & Julia), de Nora Ephron (Estados Unidos)
- Che 2 – A Guerrilha (Che: Part Two / Che: Part Two), de Steven Soderbergh (Espanha)

- A Batalha dos 3 reinos, de John Woo

- Aguas turvas (De Usynlige / Troubled Water), de Erik Poppe (Noruega)

- O dia da transa (Humpday / Humpday), de Lynn Shelton (Estados Unidos)
- Coco (Coco / Coco), de Gad Elmaleh (França)

- Eu sei que você sabe (I Know You Know / I Know You Know), de Justin Kerrigan (Reino Unido)
- O lar das borboletas escuras (Tummien Perhosten Koti), de Dome Karukoski (Finlândia)

- A próxima estação (La próxima estación / La próxima estación), de Fernando E. Solanas (Argentina)
- O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos / The Secret in Their Eyes), de Juan José Campanella (Argentina
- Arranca-me a Vida (Arráncame la vida / Tear This Heart Out), de Roberto Sneider (México)
- Boogie (Boogie, el aceitoso / Boogie), de Gustavo Cova (Argentina) (animação)

- An Englishman in New York (An Englishman in New York), de Richard Laxton (Reino Unido)

- Os Tempos de Harvey Milk (The Times of Harvey Milk / The Times of Harvey Milk), de Rob Epstein (Estados Unidos)
- Fúria (Outrage / Outrage), de Kirby Dick (Estados Unidos)

- Human Zoo (Human Zoo / Human Zoo), de Rie Rasmussen (França)
- Vogue – a edição de setembro (The September Issue), de R.J. Cutler (Estados Unidos)
- Big River Man (Big River Man / Big River Man), de John Maringouin (Estados Unidos)
- Black Dynamite (Black Dynamite / Black Dynamite), de Scott Sanders (Estados Unidos)
- Tyson (Tyson / Tyson), de James Toback (Estados Unidos) (LOUCO PRA VER ESSE)
- Em Busca do Paraíso (Heaven wants out / Heaven wants out), de Robert Feinberg (Estados Unidos)
- American Boy: o retrato de Steven Prince (American Boy: A Profile of Steven Prince), de Martin Scorsese (Estados Unidos)
- American Prince (American Prince / American Prince), de Tommy Pallotta (Estados Unidos)
- When you’re strange (When you’re strange / When you’re strange), de Tom DiCillo (Estados Unidos)

- Os sonhos sobrevivem ao poder? (Le Pouvoir détruit-il le rêve? / Behind the Rainbow), de Jihan El-Tahri (Egito)

- American Casino (American Casino / American Casino), de Leslie Cockburn (Estados Unidos da América)
- Teatro de guerra (Theater of War / Theater of War), de John Walter (Estados Unidos)

- Playground (Playground / Playground), de Libby Spears (Estados Unidos)

—–

Será que consigo ver – cacetas, é muito filme! 46!! – ao menos metade desses?



Ivete Stellar
27-Agosto-2009, 2:19
Arquivado em: Cinemalidades, Música

Eu, pessoalmente, acho que nunca haverá na história da música nacional alguém igual à Ivete Sangalo. A maior artista de todos os tempos desse país. Rei? Que Rei?

Uma mulher de fibra, garra, simpatia ímpar e uma transparência apaixonante. Um talento incrível, uma voz poderosa, uma imagem de força descomunal. De cantora de uma banda de axé ao fenômeno absoluto – uma artista que atinge a todos no país, que tem público do Oiapoque ao Chuí.

Agora a Ivete vai virar estrela de uma animação em 3D. Um momento até natural para uma artista como ela. Até estranhei, até hoje, não ter visto um filme estrelado por ela. Mas o que mais me impressionou foi a qualidade do trailer mostrado.

Uma animação de imensa qualidade, com uma direção artística incrível, uma Ivete muito bem representada como heroína e, o mais importante, uma história e uma abordagem diferente do que vemos nesse país.

Ivete não é mais uma Xuxa, fazendo filmes para seus baixinhos. Ela virou uma heroína espacial, com atitude, tenacidade e personalidade. Cacomotion, empresa criada por ela mesma, é quem capitaneia esse projeto. Uma mulher de visão.

Torço muito para que o Ivete Stellar se torne uma verdade. Para que assim possamos, finalmente, enxergar uma saída para os filmes do Didi e da Xuxa, e enxerguemos, todos, no mercado, que só há uma grande heroína brasileira: uma baiana arretada chamada Ivete.




Who is watching the Watchmen?
12-Março-2009, 7:50
Arquivado em: Cinemalidades

O Bia até fez uma resenha antes dessa. Mas eu vi primeiro.

Watchmen é, pra mim, um marco no cinema. Chega até ser engraçado dizer isso, visto que por tanto anos agora vimos quadrinhos sendo adaptados com muita competência. Os clássicos gibis do Aranha, Batman, Super-homem já estavam vistos, agora com mais tecnologia e algumas visões fantásticas de alguns diretores, como o novo caminho a ser seguido por Hollywood. Todo mundo aparentemente se amarra em quadrinhos na telona.

Com isso veio a chance do Snyder fazer o 300. Um graphic novel diferente, mais denso e colorido, com passagens brilhantes, uma linha de narrativa fantástica. Mas um graphic novel. Nada popular, comparado aos Aranhas e Homens-morcego do mundo.

E eu ali, quietinho, esperando que houvesse alguma chance do melhor gibi de todos os tempos aparecer na tela. Estava fadado a acontecer. Quando soube, me animei muito, e sabendo do talento do Snyder fiquei esperançoso.

Watchmen é a melhor adaptação já feita. Tomaram as liberdades certas, imprimiram a imagem certa, tiveram o cuidado certo. Zack fez um trabalho brilhante como diretor.

A história do Moore era difícil. Difícil demais. Conseguiram atores certos para colocarem algo extremamente complexo e muito melhor explicado no graphic novel em cinco minutos de uma música do Dylan. Muito bem feito.

Toda o gibi teve um desenrolar na tela sensacional. Perdemos sim a narrativa paralela do navio, mas ainda sim em nenhum momento o filme se perdeu – pelo contrário, explicou tudo bem demais, numa fotografia fantástica, com atuações inacreditáveis. Todos os personagens estão exatamente como os imaginei ao ler o gibi pela primeira vez. Fiquei espantado.

Tive a alegria de ver que puseram a história, com todas suas nuances e complicações, uma década de 80 ainda pior do que a que transcorreu, com um Nixon ainda presidente e a Guerra do Vietnã ganha. Não conseguiram colocar a importância do New Frontiersman, e espero que seja algo para o dvd especial, e não uma idéia maluca de seqüência.

Vou vê-lo de novo daqui a pouco. Preciso. Fiquei estupefato. O melhor gibi de todos os tempos em glorioso technicolor. Demais.



A voz do cinema
3-Setembro-2008, 12:03
Arquivado em: Cinemalidades

Não acredito que o cara dono da voz dos trailers americanos morreu. Don Lafontaine era o cara. Sua voz, grave, poderosa, era a única coisa que servia em boa parte dos trailers que apareciam antes dos filmes.

Ele morreu, de acordo com o Terra, devido a um pneumotórax. Ironia é uma merda.



Aí acontece o oposto…
19-Junho-2008, 2:01
Arquivado em: Cinemalidades

Fui ver ‘Sex and the City’ de bobeira hoje. Saí da análise e queria encontrar meu sócio, mas não havia tempo pra ele. Perambulei pelo Leblon e decidi ir até o Shopping Leblon ver se tinha o ‘Hulk’. Acabei chegando cinco minutos antes do ‘SatC’. Já tinha visto alguns episódios da série, e sempre achei muito inteligente. Minhas amigas todas AAAAAMAM essa merda, então algum valor forte ela tem.

Só sei que rir, gargalhei, sorri, me relacionei, senti e chorei – algumas vezes. Filme sensacional sobre o que é crescer e criar laços. Se entregar e saber o valor da entrega. A série acabou com alguns acontecimentos fortes, e esse filme é o desenrolar de todos eles. Todo mundo se questionando, vivendo, sentindo.

Aos 40 elas pensam como eu penso hoje. É engraçado isso. Todas essas questões de se enraizar, de saber o que é o ‘amor’ tão procurado, a certeza e a solidez de um par ‘perfeito’. É tudo o que penso e quero AGORA, quiçá daqui a 15 anos!!

Todas são lindas. Lindíssimas aos 40. Cinqüenta até. Todas com os mesmos problemas e questionamento que hoje tenho. Sem ser piegas, sem ser problemático. Simplesmente ter questionamentos sobre os parâmetros e paradigmas criados hoje por todos nós.

É surreal o quanto tudo o que é demonstrado e passado na telona se reflete nas nossas vidas, sejam elas pós-adolescentes ou bem mais adultas. Consegui me relacionar com vários questionamentos – gravidez miraculosa da Charlotte, o compromisso do Big com a Carrie, as dúvidas e a certeza da Miranda com o Steve… até mesmo as dúvidas existenciais da Samantha.

Só sei que saí muito contente do cinema. Acho que sou uma mulher independente e romântica por dentro. E não dá pra dizer que ninguém imaginaria isso.



Promessa é dívida… mas às vezes…
18-Junho-2008, 4:25
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Pois então, disse ontem que iria ao cinema de qualquer forma. Consegui encaixar um espaço entre uma reunião e o MBA e me joguei no Espaço Unibanco. Adoro aquele lugar. Tem um sebo onde consigo os mais variados álbuns e livros a preços extremamente módicos. Além de um ambiente lindo, aconchegante e de um sofá de couro que dá vontade de ler novecentos e trinta livros antes de se levantar.

O único filme disponível em tempo hábil era o ‘Fim dos Tempos’, do cultuado M. Night Shalaslalamananalalaanalanlam. Me amarrei no ‘O Sexto Sentido’, gostei pracas do ‘Corpo Fechado’ e também achei batuta ‘A Vila’. ‘Sinais’ foi uma bosta a não ser pela parte no Brasil em que, pasmem!, fala-se português! ‘Dama na Água’ nem foi tão legal assim, mas mostrou, claramente, que ele também não está a afim de fazer só filmes com reviravoltas. Esse ‘Dama’ deveria ter me preparado para seu último trabalho.

A começar por Mark Wahlberg, aquele Marky Mark dos áureos tempos que ele competia com seu irmão Donnie do New Kids on the Block pelo trono de menino do momento. Gente, quem inventou que ele é ator dramático tá de sacanagem com as nossas caras há tempos. Ainda teve a nomeação pro Oscar nos ‘Infiltrados’. Talvez tenha sido seu único grande papel até agora. Quer dizer, não no script, claro, mas na… erm… soberba atuação que ele mostrou no papel do policial bonzinho-e-cheio-de-problemas.

Mark faz uma cara de boçal o filme todo. Todo. Realmente todo. É um banal professor de biologia/química/ciências/foda-se, que tem um relacionamento bunda com uma mulher idiota e sem personalidade (a MAAAAARAVILHOSA Zoey Deaschasasdcagueiprosobrenomedelaashtehdel) – mas com olhos de matar qualquer um do coração. O relação deles vai de morna a estúpida a incompreensivelmente idiota a somente incompreensível no final. Urgh.

Tem uma menininha também. Que não faz nada. Só chora. E tem umas esquisitices como falar sussurando quando está com medo. E acho que um dos traços da pobre garota deve ser não saber atuar nem por mil milhões.

Fora a estupidez e falta de sustância dos personagens, a porra do acontecimento só é bem demonstrado no começo do filme. Realmente, as cenas inicias em Nova Iorque são iradas. Mas nada que ponha medo nem faça você entrar em qualquer tipo de reflexão. Simplesmente acontece algo, o povo corre, alguns morrem, alguns não. Pronto. Êba.

Filme sem pé nem cabeça, que mal começa e já acaba pior do que começou. Não tem meio, não tem desenvolvimento de personagens, não tem enredo decente. Enfim, não tem porra nenhuma. Pelo menos o ‘Dama’ tinha uma intrínseca rede de acontecimentos acontecendo por detrás da sereiazinha lá… a parada do mundo da fantasia atacando o real… premisa bacana, mas que se transformou num filme meio chatinho, arrastado.

E é exatamente isso que acontece no ‘Final dos Tempos’. Não tem tensão EM MOMENTO ALGUM. Você simplesmente assisti, durante duas horas, a algo acontecendo na tela do cinema. E só. Não consegue-se sentir pena dos personagens, medo, angústia, sofrimento, nada. Acredito eu que essa merda de filme era pra ser ao menos tenso. Cheio de suspense e mistério. Mas NADA ACONTECE. NUNCA.

Porra de perda de tempo do caráleo.



A falta que o cinema faz
17-Junho-2008, 3:17
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Há tempos não consigo mais sentar meu rabiosque numa sala de cinema para assistir algo. Entre a correria do trabalho, reuniões mil (que em breve gerarão frutos fantástico, podem apostar) e meus estudos, não tenho tido tempo para me dedicar à minha segunda maior paixão.

Vivo tentando achar tempo para conseguir ver tudo o que queria. Tem desde pipocões como o novo ‘Hulk’ e ‘Fim dos Tempos’ a ‘Antes que o Diabo saiba que você está morto’, toda vez que passo em frente à alguma sala, sem tempo nem de pensar, peno pelo fato de não poder conseguir achar tempo para ao menos me deleitar por duas horas em algo que me dá tanto prazer.

Cinema é realmente algo que agrada, pelo menos a esse que vos escreve, como uma saída, puerilmente momentânea, dessa correria e desse mundo tão cruel. É possível, em duas horas, conseguir assistir a algo que me faça sonhar, sorrir, chorar, me imergir em fantásticos ambientes, históricos acontecimentos, relacionamentos que queria ter tido. A telona me convida a existir, por instantes, em lugares paralelos, regojizando em acontecimentos fictícios mas verdadeiros o suficiente para que eu consiga senti-los.

Raramente saio da sala de cinema sem um sentimento diferente daquele que entrei. Se o filme é triste, saio devastado. Se é alegre, saio jubliante. Se é pensativo, aquilo me domina por dias a fio equanto tento decifrar o enredo ao máximo – muitas vezes voltando ao cinema para assistir ao filme de novo a fim de melhor entendê-lo.

Sou fascinado por essa arte, que consegue transpor tanta coisa em tão pouco tempo. Filme ruins são ruins a beça, e irritam profundamente. Mas até esse sentimento de irritação tem algum valor intrínseco. É um sofismo fudido eu brincar de fazer isso, mas é o que acontece mesmo. Disgosto nada mais é que um gosto diferente.

Comprei um PS3 pelo entretenimentos dos jogos mas muito porque ele também é um tocador de blueray, essa nova mídia que promete, e cumpre, trazer imagens expetaculares à minha mísera tela do televisor. Posso vislumbrar a possibilidade de ver ‘Coração Valente’ em uma majestosa míriade de cores que até agora não foi possível. Uma demonstração de nitidez antes só conseguida pelos nossos próprios olhos. É essa tecnologia que transporta o real para dentro de nossos lares.

Hoje vou ao cinema. De qualquer jeito.



O brilhantismo de Christopher Nolan
10-Março-2008, 12:15
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(‘The Dark Knight’ – Praga, Rep. Checa)

Já existe muita expectativa em torno do novo filme do Batman. Primeiro porque o primeiro dos filmes encabeçados pelo Christopher Nolan, ‘Batman Begins‘, trouxe à história do Batman o clima sombrio que o personagem sempre teve. Gotham se tornou uma cidade realmente vil, escura e problemática – como deveria ser. Tim Burton fez um trabalho genial no primeiro Batman, mas Nolan revolucionou o personagem e recriou, de maneira mais fiel e completa, o mito dos quadrinhos.

The Dark Knight‘ é a continuação, trazida no final do primeiro filme com a chamada para o Coringa. Coringa esse interpretado pelo Heath Ledger, que morreu em janeiro (e foi o post de maior audiência na curta história desse novo blog). Alguns sortudos que viram as prévias do filme contam que Heath fez o papel de sua vida – o que não deixa de ser minimamente irônico.

O que mais me chamou atenção, na verdade, sobre o filme foi esse post deixado no final da semana passada no SlashFilm. Conta como o Nolan filmou o Duas-Caras, personagem clássico de múltipla personalidade antes interpretado pelo Tommy Lee Jones que agora é do Aaron Eckhart (Obrigado por Não Fumar é simplesmente brilhante).

De acordo com o site, Nolan filmou todas as cenas do Harvey Dent, personagem cujo pseudônimo é Duas-Caras, como suas duas personalidades. Fez questão de fazer cada cena duas vezes, filmando exatamente o mesmo roteiro a partir da personalidade de cada parte do Duas-Caras. É uma abordagem impressionante, e de um brilhantismo que me fascina. Produzir cenas iguais, porém a partir da visão de dois personagens tão distintos provém ao diretor a capacidade de, na pós-produção, editar as cenas como bem entende – e trazer à tona a natureza bipolar do personagem do Aaron de maneira única. Cada cena pode ter uma troca incessante de personalidades. Podemos nos encontrar vendo o Harvey se transformar em Duas-Caras e voltar a ser Harvey em questão de momentos, em trocas de olhar. Em distintos momentos de uma mesma frase.

Não só pelo que esse filme representa (o último grande papel de um excelente ator), mas agora, sabendo da genialidade a cerca do outro grande vilão do filme – junto com a abordagem mais fiel ao quadrinho, fico muito, mas muito interessado em saber como vai sair esse filme.

Se já haviam razões suficientes para qualquer fã de quadrinhos assistir esse filme, agora tenho total certeza que ele promete ser uma das melhores adaptações já feitas. Nolan é um gênio.



O futuro do cinema?
7-Março-2008, 4:06
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Alguns de vocês conhecem o Chris Andersen. Rapaz esbelto, péssimo gosto por roupas – mais parece um dos tantos que vemos nas ruas com suas camisetas brancas por baixo das camisas sociais de cor pastel por dentro da calça social. E ainda está quase totalmente careca.

Mas Chris é o editor da Wired. Também é visto como um guru. Escreveu ‘A Cauda Longa’, que o João Augusto da Deckdisc chama de ‘interessante até metade do caminho, quando fica chato pra caralho’.

Chris explica a teoria da Cauda Longa como ‘A teoria da Cauda Longa diz que nossa cultura e economia estão mudando do foco de um relativo pequeno número de ‘hits” (produtos que vendem muito no grande mercado) no topo da curva de demanda, para um grande número de nichos na cauda. Como o custo de produção e distribuição caiu, especialmente nas transações online, agora é menos necessário massificar produtos em um único formato e tamanho para consumidores. Em uma era sem problema de espaço nas prateleiras e sem gargalos de distribuição, produtos e serviços segmentados podem ser economicamente tão atrativos quanto produtos de massa.’

Chris tem um novo livro a ser lançado. Tal livro tem uma premissa um tanto interessante. Ele se chama ‘Free’. De acordo com a Wiki, o livro ‘examina o crescimento de modelos de precificação que provém produtos e serviços a consumidores de graça.’*

Chris descreve a idéia do livro assim: ‘O crescimento da “freeconomics” (economia grátis) está sendo guiada pelas tecnologias escondidas que alimentam a internet. Do mesmo modo que a Lei de Morre dita que uma unidade de poder de processamento diminui à metade do preço em 18 meses, o preço da banda langa e de armazenamento estão caindo ainda mais rápido. O que quer dizer que as tendências que determinam o preço de se fazer negócios online apontam todas para o mesmo ponto: zero.’

Esse peralta tem algo muitissimo interessante a dizer sobre filmes. De acordo com Chris, ‘Distribuição digital a baixos custos fará os maiores lançamentos do verão serem gratuitos. Cinemas farão seu dinheiro na venda de bomboniere – e vendendo experiências cinéfilas especiais por um preço alto.’*

Peter Sciretta, editor do meu blog de cinema predileto, o SlashFilm, fez um estudo crude e sem nenhum fundamento econômico ou científico, mas deixou claro que pode ser possível vender ingressos gratuitos nos cinemas e lucrar mais que lucra-se hoje. Com a gratuidade dos ingressos, torna-se provável que o número de pessoas indo ao cinema triplique (se não mais). Pode-se pensar, também, que é possível que tais pessoas gastem mais na bomboniere com pipoca, refrigerante e chocolate (que geram lucros muito maiores que aqueles dos ingressos). Com o aumento do número de salas cheias, aumenta também a arrecadação do cinema com publicidade, seja ela nos trailers ou em anúncios diversos.

Chris também aponta pro que livremente traduzi como ‘experiências cinéfilas especiais’. Peter do /Film descreve a idéia dele de botar as cinco fileiras do meio da sala do seu cinema imaginário de couro legítimo, com pipoca e refri à vontade, por um preço maior que o cobrado hoje em dia nos EUA – $20. Com isso garantiria aos cinéfilos uma ‘vantagem’ sobre aqueles que estariam atrás dos ingressos grátis, além de prover mais conforto e comida ilimitada. É com esse setor de ‘cadeiras premium’ que ele consegue mostrar que é possível sim lucrar ainda mais com cinema do que o normal.

A idéia nos demonstra o quanto é possível realmente vislumbrarmos um dia em que entretenimento será gratuito – e através de publicidade e concessões diversas todos farão dinheiro. Será um mundo onde se consumirá por vias tangenciais, e não na compra efetiva do bem ou serviço. E com isso é mudada a forma de consumirmos qualquer coisa. Será a maior revolução econômica de todos os tempos.

Tudo por causa da internet. Bendita seja.

*- tradução livre de quem vos escreve.



On the Pope’s account
20-Fevereiro-2008, 9:27
Arquivado em: Cinemalidades

Primeiro foi a decisão, equivocada, de não levarem o ‘Tropa’ para os Oscars desse ano. Já seria o suficiente para instaurarmos uma CPI do AEQMPSDC (Ano em que meus pais sairam de casa). Duvido que alguém consiga falar esse anagrama bem rápido. E, vejam só, que parte da CPI investigaria o Partido Social Democrata Cristão. Aí tem coisa…

Pois bem, não foi ao Oscar o nosso querido ‘Tropa’. Tentaram jogar o filme no chão, chamando-o de fascista, nefasto, cruel, violento demais. Tentaram derrubá-lo de todas as maneiras possíveis. Depois de mostrarmos ao mundo o Central do Brasil e o Cidade de Deus, ainda têm a coragem de dizer que no ‘Tropa’ mostrou-se muita violência. Façam-me o favor, né.

Má não é que nosso fanfarrão levou um ursinho pra casa? Não é que o Capitão Nascimento mandou um ‘Pede pra sair, “A Prairie Home Companion”!! Pede pra sair!’. Foi incrível e maravilhoso ver o Comandante Padilha e seus súditos lá no palco, tomando conta do mundo por alguns instantes.

No entanto, apesar de todas as minhas louvações ao nosso TDE, não dá pra acreditar na cara-de-pau de certas pessoas. Pessoas essas, claro, que não podiam ser qualquer coisa além de políticos. Esses marmanjos eleitos por nós, burros de plantão, que adoram inventar merdas pra ocupar o nosso tempo de plenário e deixar o dia-a-dia no Rio, e no Brasil também, mais divertido.  O diretor-geral do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), Marcus Monteiro, hoje, descartou qualquer possibilidade de tombar como patrimônio cultural do Rio o uniforme preto e a insígnia da caveira do Batalhão de Operações Especiais (Bope), como deseja o deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Tombar os hômi? Pra que caráleos faríamos isso? De onde vem essa idéia estapafúrdia desse neandertal desse deputado? Patrimônio Cultural é aquilo que temos de melhor no sentido de móveis e imóveis que representem nossa cultura. Desde quando um uniforme e uma (pasmem) caveira com duas facas atravessadas é cultura?? Cada vez mais fico embasbacado com o nível de joselitismo das pessoas que tomam conta desse país.

Se encontrasse o deputado Bolsonaro na rua, só teria duas coisas a dizer: ‘Ask to quit, Bolsonaro… you never will be.’