Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


O brilhantismo de Christopher Nolan
10-Março-2008, 12:15
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(’The Dark Knight’ - Praga, Rep. Checa)

Já existe muita expectativa em torno do novo filme do Batman. Primeiro porque o primeiro dos filmes encabeçados pelo Christopher Nolan, ‘Batman Begins‘, trouxe à história do Batman o clima sombrio que o personagem sempre teve. Gotham se tornou uma cidade realmente vil, escura e problemática - como deveria ser. Tim Burton fez um trabalho genial no primeiro Batman, mas Nolan revolucionou o personagem e recriou, de maneira mais fiel e completa, o mito dos quadrinhos.

The Dark Knight‘ é a continuação, trazida no final do primeiro filme com a chamada para o Coringa. Coringa esse interpretado pelo Heath Ledger, que morreu em janeiro (e foi o post de maior audiência na curta história desse novo blog). Alguns sortudos que viram as prévias do filme contam que Heath fez o papel de sua vida - o que não deixa de ser minimamente irônico.

O que mais me chamou atenção, na verdade, sobre o filme foi esse post deixado no final da semana passada no SlashFilm. Conta como o Nolan filmou o Duas-Caras, personagem clássico de múltipla personalidade antes interpretado pelo Tommy Lee Jones que agora é do Aaron Eckhart (Obrigado por Não Fumar é simplesmente brilhante).

De acordo com o site, Nolan filmou todas as cenas do Harvey Dent, personagem cujo pseudônimo é Duas-Caras, como suas duas personalidades. Fez questão de fazer cada cena duas vezes, filmando exatamente o mesmo roteiro a partir da personalidade de cada parte do Duas-Caras. É uma abordagem impressionante, e de um brilhantismo que me fascina. Produzir cenas iguais, porém a partir da visão de dois personagens tão distintos provém ao diretor a capacidade de, na pós-produção, editar as cenas como bem entende - e trazer à tona a natureza bipolar do personagem do Aaron de maneira única. Cada cena pode ter uma troca incessante de personalidades. Podemos nos encontrar vendo o Harvey se transformar em Duas-Caras e voltar a ser Harvey em questão de momentos, em trocas de olhar. Em distintos momentos de uma mesma frase.

Não só pelo que esse filme representa (o último grande papel de um excelente ator), mas agora, sabendo da genialidade a cerca do outro grande vilão do filme - junto com a abordagem mais fiel ao quadrinho, fico muito, mas muito interessado em saber como vai sair esse filme.

Se já haviam razões suficientes para qualquer fã de quadrinhos assistir esse filme, agora tenho total certeza que ele promete ser uma das melhores adaptações já feitas. Nolan é um gênio.



O futuro do cinema?
7-Março-2008, 4:06
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Alguns de vocês conhecem o Chris Andersen. Rapaz esbelto, péssimo gosto por roupas - mais parece um dos tantos que vemos nas ruas com suas camisetas brancas por baixo das camisas sociais de cor pastel por dentro da calça social. E ainda está quase totalmente careca.

Mas Chris é o editor da Wired. Também é visto como um guru. Escreveu ‘A Cauda Longa’, que o João Augusto da Deckdisc chama de ‘interessante até metade do caminho, quando fica chato pra caralho’.

Chris explica a teoria da Cauda Longa como ‘A teoria da Cauda Longa diz que nossa cultura e economia estão mudando do foco de um relativo pequeno número de ‘hits” (produtos que vendem muito no grande mercado) no topo da curva de demanda, para um grande número de nichos na cauda. Como o custo de produção e distribuição caiu, especialmente nas transações online, agora é menos necessário massificar produtos em um único formato e tamanho para consumidores. Em uma era sem problema de espaço nas prateleiras e sem gargalos de distribuição, produtos e serviços segmentados podem ser economicamente tão atrativos quanto produtos de massa.’

Chris tem um novo livro a ser lançado. Tal livro tem uma premissa um tanto interessante. Ele se chama ‘Free’. De acordo com a Wiki, o livro ‘examina o crescimento de modelos de precificação que provém produtos e serviços a consumidores de graça.’*

Chris descreve a idéia do livro assim: ‘O crescimento da “freeconomics” (economia grátis) está sendo guiada pelas tecnologias escondidas que alimentam a internet. Do mesmo modo que a Lei de Morre dita que uma unidade de poder de processamento diminui à metade do preço em 18 meses, o preço da banda langa e de armazenamento estão caindo ainda mais rápido. O que quer dizer que as tendências que determinam o preço de se fazer negócios online apontam todas para o mesmo ponto: zero.’

Esse peralta tem algo muitissimo interessante a dizer sobre filmes. De acordo com Chris, ‘Distribuição digital a baixos custos fará os maiores lançamentos do verão serem gratuitos. Cinemas farão seu dinheiro na venda de bomboniere - e vendendo experiências cinéfilas especiais por um preço alto.’*

Peter Sciretta, editor do meu blog de cinema predileto, o SlashFilm, fez um estudo crude e sem nenhum fundamento econômico ou científico, mas deixou claro que pode ser possível vender ingressos gratuitos nos cinemas e lucrar mais que lucra-se hoje. Com a gratuidade dos ingressos, torna-se provável que o número de pessoas indo ao cinema triplique (se não mais). Pode-se pensar, também, que é possível que tais pessoas gastem mais na bomboniere com pipoca, refrigerante e chocolate (que geram lucros muito maiores que aqueles dos ingressos). Com o aumento do número de salas cheias, aumenta também a arrecadação do cinema com publicidade, seja ela nos trailers ou em anúncios diversos.

Chris também aponta pro que livremente traduzi como ‘experiências cinéfilas especiais’. Peter do /Film descreve a idéia dele de botar as cinco fileiras do meio da sala do seu cinema imaginário de couro legítimo, com pipoca e refri à vontade, por um preço maior que o cobrado hoje em dia nos EUA - $20. Com isso garantiria aos cinéfilos uma ‘vantagem’ sobre aqueles que estariam atrás dos ingressos grátis, além de prover mais conforto e comida ilimitada. É com esse setor de ‘cadeiras premium’ que ele consegue mostrar que é possível sim lucrar ainda mais com cinema do que o normal.

A idéia nos demonstra o quanto é possível realmente vislumbrarmos um dia em que entretenimento será gratuito - e através de publicidade e concessões diversas todos farão dinheiro. Será um mundo onde se consumirá por vias tangenciais, e não na compra efetiva do bem ou serviço. E com isso é mudada a forma de consumirmos qualquer coisa. Será a maior revolução econômica de todos os tempos.

Tudo por causa da internet. Bendita seja.

*- tradução livre de quem vos escreve.



On the Pope’s account
20-Fevereiro-2008, 9:27
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Primeiro foi a decisão, equivocada, de não levarem o ‘Tropa’ para os Oscars desse ano. Já seria o suficiente para instaurarmos uma CPI do AEQMPSDC (Ano em que meus pais sairam de casa). Duvido que alguém consiga falar esse anagrama bem rápido. E, vejam só, que parte da CPI investigaria o Partido Social Democrata Cristão. Aí tem coisa…

Pois bem, não foi ao Oscar o nosso querido ‘Tropa’. Tentaram jogar o filme no chão, chamando-o de fascista, nefasto, cruel, violento demais. Tentaram derrubá-lo de todas as maneiras possíveis. Depois de mostrarmos ao mundo o Central do Brasil e o Cidade de Deus, ainda têm a coragem de dizer que no ‘Tropa’ mostrou-se muita violência. Façam-me o favor, né.

Má não é que nosso fanfarrão levou um ursinho pra casa? Não é que o Capitão Nascimento mandou um ‘Pede pra sair, “A Prairie Home Companion”!! Pede pra sair!’. Foi incrível e maravilhoso ver o Comandante Padilha e seus súditos lá no palco, tomando conta do mundo por alguns instantes.

No entanto, apesar de todas as minhas louvações ao nosso TDE, não dá pra acreditar na cara-de-pau de certas pessoas. Pessoas essas, claro, que não podiam ser qualquer coisa além de políticos. Esses marmanjos eleitos por nós, burros de plantão, que adoram inventar merdas pra ocupar o nosso tempo de plenário e deixar o dia-a-dia no Rio, e no Brasil também, mais divertido.  O diretor-geral do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), Marcus Monteiro, hoje, descartou qualquer possibilidade de tombar como patrimônio cultural do Rio o uniforme preto e a insígnia da caveira do Batalhão de Operações Especiais (Bope), como deseja o deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Tombar os hômi? Pra que caráleos faríamos isso? De onde vem essa idéia estapafúrdia desse neandertal desse deputado? Patrimônio Cultural é aquilo que temos de melhor no sentido de móveis e imóveis que representem nossa cultura. Desde quando um uniforme e uma (pasmem) caveira com duas facas atravessadas é cultura?? Cada vez mais fico embasbacado com o nível de joselitismo das pessoas que tomam conta desse país.

Se encontrasse o deputado Bolsonaro na rua, só teria duas coisas a dizer: ‘Ask to quit, Bolsonaro… you never will be.’



Tropa de Berlim
7-Fevereiro-2008, 11:39
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Quero ver o Padilha e o Moura tomando conta da Alemanha. Quero vê-los mandando bronca naqueles nazistas, enfiando o ursinho dourado no cu de cada um que ousou tirá-lo da disputa do Oscar desse ano. Quero vê-los dançando jubilantes quando o ‘Tropa’ conseguir nomeação para o Oscar do próximo ano - um Oscar que não terá mais essa greve dos roteiristas, não haverá mais tanta confusão. Será um Oscar mais pleno, mais completo, mais preparado pra receber a porrada que é o ‘Tropa’.

Dos 26 filmes em disputa pelo cobiçado ursinho, tenho certeza que 24 vão pedir pra sair. Um vai tentar dar uma de machão, ficar até o final. Vai ser chamado de fanfarrão. Vai comer do chão. Vai chorar, esperniar, até voltar rastejando pro buraco de onde saiu, deixando o ‘Tropa’ triunfal onde merece.

Quero ver Padilha e Moura quebrando o muro do Berlinale Palast, berrando ‘Berlinale é o caralho! Teu nome é Internationale Filmfestspiele Berlin, porra!’.