Arquivado em: Copacabanalidades

Andando pela 17th St com a 3rd Ave, sentido sudoeste, me deparo com um casal de senhores, lindos, fofos demais. Converso, bato papo, jogo conversa fora. Eles seguem seu caminho e eu o meu. O dia está bonito. Nuvens esparsas dão seu ar de graça em meio à imensidão celeste.
Atravesso e sigo até a 13th St, esquina com a 2nd. Tenho contas a pagar. Uma brisa leve do leste bate em direção ao continente. Sinto o cheiro delicioso de maresia, trazendo consigo história de mares revoltos, de tempestades e icebergs.
Gosto muito da 10th. Liga uma parte da minha à essa nova. Tenho saudades da 10th. Vira e mexe me vejo passando por ela, pra pagar contas (sempre elas), ir na farmácia, comer um crepe, tomar um suco. A esquina da 10th com a 5th Ave é uma das mais perigosas da cidade. Tem um ponto cego pros carros, insanos, que querem ultrapassar o sinal. E tem sempre alguém que ultrapassa o sinal.
Muita gente percorre essas ruas. Gente de todo tipo. Imigrantes, turistas, bairristas, transeuntes passageiros. O núcleo da cidade. Daqui da janela vejo de tudo um pouco. De uma vista deslumbrante a um profusão interminável de antenas e terraços abandonados.
Tenho alguma saudade daquela outra parte. Da parte que deixei pra trás. Especialmente do verde, dos micos que me visitavam, das coisas que ainda permanecem lá. Mas ao mesmo tempo olho pros lados e vejo tudo o que criei, o que planejei e construi e fico bem. Bem demais.
Entre a 11st e a 12st é onde mais ando hoje em dia. Tem cinema, tem bar. O coração desse lugar. Até rimou. Pena que engraçado não ficou.
Adoro isso aqui. Cada vez mais adoro isso aqui. Me sinto livre, leve, solto pra curtir as pessoas, as esquinas, o barulho, a vida dessas ruas e avenidas.
Copacabana é a minha Manhattan.
