Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Mãrratan
9-Maio-2008, 5:24
Arquivado em: Copacabanalidades

Andando pela 17th St com a 3rd Ave, sentido sudoeste, me deparo com um casal de senhores, lindos, fofos demais. Converso, bato papo, jogo conversa fora. Eles seguem seu caminho e eu o meu. O dia está bonito. Nuvens esparsas dão seu ar de graça em meio à imensidão celeste.

Atravesso e sigo até a 13th St, esquina com a 2nd. Tenho contas a pagar. Uma brisa leve do leste bate em direção ao continente. Sinto o cheiro delicioso de maresia, trazendo consigo história de mares revoltos, de tempestades e icebergs.

Gosto muito da 10th. Liga uma parte da minha à essa nova. Tenho saudades da 10th. Vira e mexe me vejo passando por ela, pra pagar contas (sempre elas), ir na farmácia, comer um crepe, tomar um suco. A esquina da 10th com a 5th Ave é uma das mais perigosas da cidade. Tem um ponto cego pros carros, insanos, que querem ultrapassar o sinal. E tem sempre alguém que ultrapassa o sinal.

Muita gente percorre essas ruas. Gente de todo tipo. Imigrantes, turistas, bairristas, transeuntes passageiros. O núcleo da cidade. Daqui da janela vejo de tudo um pouco. De uma vista deslumbrante a um profusão interminável de antenas e terraços abandonados.

Tenho alguma saudade daquela outra parte. Da parte que deixei pra trás. Especialmente do verde, dos micos que me visitavam, das coisas que ainda permanecem lá. Mas ao mesmo tempo olho pros lados e vejo tudo o que criei, o que planejei e construi e fico bem. Bem demais.

Entre a 11st e a 12st é onde mais ando hoje em dia. Tem cinema, tem bar. O coração desse lugar. Até rimou. Pena que engraçado não ficou.

Adoro isso aqui. Cada vez mais adoro isso aqui. Me sinto livre, leve, solto pra curtir as pessoas, as esquinas, o barulho, a vida dessas ruas e avenidas.

Copacabana é a minha Manhattan.



Meu bairro
1-Maio-2008, 1:28
Arquivado em: Copacabanalidades

Ir morar sozinho muitas vezes nos leva a mudar de bairro. Com isso, precisamos achar fatos, momentos, instantes e situações onde o nosso novo bairro nos encante e nos protega nesse momento de fragilidade que é dar o passo pra sair de casa. Inicio, então, uma série que visa trazer todas as coisinhas, boas e ruins, que encontro nessa nova e fascinante fase da minha vida.

A série se chama Copabanalidades.

Copa é um bairro, principalmente, barulhento. Não que eu me importe, mas meu apartamento ainda não tem ar nem cortina, então a janela está sempre aberta e semi-coberta por jornais da semana passada pra entrar pelo menos o mínimo de luz. Ainda por cima tenho uma obra perto de casa e dentro de casa. Então prontamente às 8h, no máximo, já estou de pé, esperando ansiosamente o começo do Redação Sportv para que eu possa assisitr as notícias de futebol que todo mundo sabe, mas está louco pra saber de novo.

Fico impressionado como é fácil e rápido andar por Copa. Pelo menos pela parde de Copa que mais ando, que se resume mais entre a Miguel Lemos e a Siqueira Campos. São sempre menos de dez minutos pra qualquer lugar, num ambiente sempre movimentado, garantindo pra esse aqui entretenimento garantido. Velhinhas (sempre elas) conversando calmamente no meio da calçada enquanto um rapaz, tadinho, precisa passar com um carrinho entupido de saco de cimento. Gente sempre com pressa, mas sempre sem nenhuma noção de amor próprio, se jogando entre os ônibus e táxis desgovernados da N. Sra. de Copa.

Estou aprendendo, dia após dia, a gostar mais do meu bairro. Já corri na praia a caminho da academia. Ando demais, e isso me remete a lembranças maravilhosas (próximo post).

Copa é um bairro cheio de gente. E normalmente sou reticente no tocante à ‘povo’. Muita gente sempre é sinal de algo pior que se existissem menos pessoas no fatídico local. Mas Copa é um pouco diferente. Ela aceita, abraça tanta gente, tão diferente, e segue em frente, num barulho eterno e gostoso, me acolhendo. Dizendo que não estou sozinho.

Quando escuto buzinas, me sinto bem.