Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


A necessidade de crer
4-Abril-2008, 10:37
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Estava voltando da missa de sétimo dia da minha avó, aqui na Lagoa, no Rio, quando fui parar no Caroline Café, na JJ Seabra, para comer algo e tomar um café (obviamente). Sentadas comigo estavam minha linda (ó, que meigo!), minha mãe, a prima dela e uma amiga. Meu pai não chegara ainda.

Comentávamos algo sobre a missa - sua lerdeza, sua antiquidade. Aí vieram as perguntas sobre crença. Isso sempre parece me seguir - a conversa sobre crença. Vira e mexe me aparece alguém pra questionar minha não-crença. Questionar a impossibilidade de não quer em absolutamente nada e achar isso não só muito normal como saudável e tranquilo.

Pois bem, eis que a prima da minha mãe vira pra mim, depois dela ter dito que tinha perdido interesse pelo catolicismo e entrado no espiritismo até perder a vontade de ser espírita (algo como ‘perdi meu catolicismo porque não concordava mais com a religião… agora sou, quer dizer, estou espírita até me desiludir com o espiritismo e achar outra crença’), perguntou porque eu disse que não acreditava em nada.

‘Ah,’ disse ela, ‘ateu como alguém que só não acredita em religião? Entendo…’ Como se a verdade do ateísmo fosse algo completamente à parte do seu funcionamento. ‘Porque têm aqueles agn- agnósticos, né? -ósticos que dizem não acreditar em nada mesmo’.

‘Não, não,’ retruquei, ‘agnóstico é o ateu em cima do muro. Aquele que ao invés de dizer que não acredita em nada mesmo prefere dizer que como não há provas de que não existe ele não necessariamente diz que não tem, então há a possibilidade de existir algo, não importanto o quão difícil isso seja da verdade’. O rosto dela foi de total confusão. Chegou a ser engraçado, como muitas vezes é.

‘Mas em nada, nada mesmo? Impossível… isso é só uma enganação sua.’ Olhou-se pra minha mãe, que com ares de descontento disse que não sabia porque tinha virado ateu. Não foi isso que ensinei a ele, disse ela. ‘Quando você mais precisar, vou estar do lado pra ver você buscar um deus pra te ajudar.’

E aí é que as pessoas me irritam. Porque não basta só dizerem não acreditar que eu seja realmente ateu, que seja tranquila a idéia de que nada existe, nenhum apoio celeste está lá, esperando você clamar por ele para que ele desça e te ajude a solucionar seus problemas. Não basta simplesmente permancerem incrédulos e até mesmo julgamentativos com relação a você por ser um daqueles estranhos ‘não-crentes-em-algo’. Que não sou uma dessas pessoas-que-acreditam-em-coisas.

Precisam implicar a ponto de dizer que quando mudar de idéia estarão lá pra me dizer ‘told you!’. Precisam deixar claro que não posso viver minha vida sem a noção de existência celeste eterna e onipresente. Que um dia suplicarei a volta do grande senhor, mestre arquiteto do universo para que ele me aceite em seus eternos braços. Porra, não basta só tentar me fazer de idiota por não crer em nada?

Olha, o ateísmo é a certeza de que o mundo e o universo são geridos por regras básicas, inerentes à forças esotéricas - encaixadas com certa perfeição em leis da física, química e biologia. Que somos seres providos através de um processo complicado chamado Evolução, mas que se representa de forma bem simplória. Os mais fortes vencem os mais fracos em seus respectivos ambientes por inúmeras razões distintas. E isso, ao longo do éons, gerou as espécies de todos os seres que conhecemos (e muitos e muitos que ainda não conhecemos). Cada um com sua diferença, mas regidos por leis básicas de funcionamento de tudo. Tudo é explicavél, mesmo que não tenhamos ainda sabedoria para explicá-lo.

Ia entrar numa super explicação do porque acho crença algo estranho, mas não preciso. Acho que é fácil saber. A idéia de crer em algo meramente pelo conforto que dá me soa, francamente, fraco. Pra mim é uma fraqueza a pessoa não aceitar que a vida pode sim ter um começo, um meio e um fim.

Não foi difícil pra mim entender meu câncer só porque não sou crente. Na verdade, foi justamente por isso que não me pus a me flagelar, pensando ser um pecador voraz que mereceu tamanho julgamento divino e agora pagaria com um testículo a menos, hormônios transloucos e quimioteria a sentença de algum deus. Porra, tinha um problema genético e, graças ao momento científico em que me encontro pude vislumbrar uma vida saudável e tranquila depois disso. E nisso pude me apoiar - na ciência, na medicina, nos remédios que tomei para conseguir combater essa doença. E estou aqui, firme e forte, tão descrente quanto antes. Nada mudou. Nem precisava.

Não quero forçar minha descrença em ninguém, então por favor não venha forçar a necessidade de uma entidade divina pra cima de mim. Se funciona pra você, ciente. Batuta. Pra mim não. Não vejo razão nisso.

Tá bom ser simples assim a discussão? Minha experiência diz que nunca está. Sempre vou encontrar alguém que vai me dizer ‘um dia você vai acreditar’. Espere sentado.



Estupidez tupiniquim
18-Março-2008, 1:11
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Sentado no saguão do Hospital Espanhol, onde minha querida avó de 101 anos está internada desde a quinta passada - justamente dia de seu aniversário. Não bastasse o ambiente escroto, ainda tenho de aturar conversas alheias que preferia nunca ter ouvido.

Na televisão, passa a chamada do Jornal Nacional. William Bonner, no seu casual cabelo Richard-Gere-tem-uma-mecha-branca-acima-da-testa, anuncia uma chamada: ‘Menina de 12 anos é encontrada acorrentada em sua casa em Goiânia. Mãe é responsável por essa atitude barbárica’.

Uma nojenta sessentona, com cara suja e olhar de imbecil, resolve abrir a boca. Olha pra o filho, um jumento de camisa regata branca, short branco e havaiana. O pai-de-santo da Praia do Joá.

‘Se foi acorrentada é porque deve ter merecido. Ninguém é acorrentada sem merecer!’

Uma velha decrépta, vestida de uma desculpa de vestido hediondo branco, que rezei por qualquer deus para que não conseguisse vislumbrar sequer a menor possibilidada de transparência, por menor que fosse, vira-se para a anta que proferiu a primera frase.

‘Ah, isso com certeza! Deve ter sido impossível de criar, essa daí. E tenho certeza que não é a única. Muitas mães devem fazer isso com suas filhas rebeldes. E com razão.’

‘É mesmo,’ diz a primeira vaca, ‘fácil é dizer que é errado. Queria ver ter de lidar com uma filha assim! Bobear vão até prender a mãe! Quer ver?’

Vaca velha resolve soltar mais umas pérolas. ‘É mesmo. Aposto que vão prendê-la. Mãe quer dar disciplina e vira monstro. Esse é o Brasil.’

E pronto. Simples assim. Esse é o Brasil.

Não é difícil ver porque o Alex levantou questionamentos sobre a pesquisa do Ibope. Não é difícil enxergar o nível para o qual nos rebaixamos como sociedade. Estupidez já não serve mais. Passamos do limite.

Estamos completamente fudidos.



O que não entendo
17-Março-2008, 1:25
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Não consigo entender esse facínio pelo Big Brother. O que há de tão absurdamente interessante em assistir, até (pasmem) 24h por dia, a vida de pessoas escolhidas a dedo pela emissora de televisão na qual passa o programa - escolha essa que deve se basear primeiro na falta completa de neurônio e/ou bom senso do candidato.

Fico impressionado ao ver como esse programinha mobiliza tanta gente. O quanto ele é querido por muitas pessoas ao meu redor - e o quanto ele é alimento de conversas longas e frutíferas (pros outros). Eu, no entanto, fico lá, completamente boquiaberto ao ver pessoas ao meu redor discutindo o que fulano falou pra beltrano, como cicrana falou mal de jagúncio por trás de suas costas e por aí vai.

É no mínimo curioso entender que essa necessidade e, portanto, vontade humana de espiar a vida dos outros é trabalhada num programa de televisão onde quem está de fora é inserido na brincadeira e acaba se tornando, consequentemente, em cobaias maiores do que aquelas presentes no confinamento da casa sensacional do Projac. Todos são jogados no caldeirão e são cozidos lentamente e voluntariamente, afim de torcer, votar, vibrar, sofrer e xingar pessoas altamente inúteis para nossas vidas. Pessoas sem brilho, sem valor, sem conteúdo, mas que mesmo assim atraem a atenção (e o dinheiro, diga-se) de milhões e milhões de brasileiros.

Pode até ser que muita gente vota mais de uma vez num personagem da casa, mas mais de sessenta milhões de votos, dentre internet, wap e telefone é algo completamente absurdo. Um terço da população, em números incientíficos, prestaram atenção na vida de um bando de gente que, nas CNTPs nunca estariam nem de longe no escopo do espectro visual de cada um. Pessoas pelas quais, imagino, até rejeitaríamos por inúmeras razões.

Ver o quanto se torna necessário para todos a audiência desse programa é que entendo, claramente, a vontade da emissora em partir para edições infinitas de um produto que rende aos seus cofres cifras inimagináveis. É tolo querer conter a vontade do povo, visto que dizem que o povo é a voz dos deuses (são tantos existentes que fica difícil dizer qual é o ‘um’), né, e acho incrível como é normal para todos participar da vida alheia como se tal pessoa, lá dentro da casa, que nunca viu sua cara nem nunca veria em uma vida inteira, merecesse seu julgamento tão invasivo e fácil.

Não suporto o Big Brother. E olha que tentei ver algumas vezes. Nunca consegui. Me pareceu curioso quando o sarado inventou uma boneca. Até essa edição, só soube de verdade quem ganhou todas as edições porque é simplesmente inevitável saber. E de todos que ganharam lembro do Kléber, de um chamado Caubói, do Jean e do Alemão - cujo nome também não sei.

Não acho o programa um estudo legal de relacionamento humano. Se pegassem pessoas que colaborassem para tal estudo, até poderia virar algo mais legal. Agora, um bando de gente saradinha e semi-bonita em média, sem absolutamente nada de importante a dizer em momento algum, e sem qualquer tipo de noção de como se relacionar mais do que meramente superficialmente com outras pessoas não conseguem, nem querendo, agregar absolutamente nada a ninguém, até lá dentro da casa mesmo.

E por mais que tente não acho legal nada relacionado ao programa. A fama ridícula e desnecessária de seus membros. As fotos patéticas em um site da emissora com poses sensuais e ‘picantes’. A caroça de um indivíduo baladeiro e preiba de Sampa aparecendo em todos os jornais de domingo d’O Globo no caderninho da loja de varejo que vende de talheres de plástico a televisores de plasma.

Não consigo entender o interesse geral da nação por essas pessoas. Não entendo como é que, ano após ano, a audiência consegue subir e, claro, o faturamento da emissora crescer exponencialmente. Não consigo entender como é que se acredita, dentro da emissora, que um programa sobre pessoas sem valor vai ser tornar algo criativo e proveitoso - não só financeiramente. Porque artísticamente o programa é trevas.

Não consigo acreditar que tais pessoas presas na casa conseguirão sobreviver a dois anos de reconhecimento geral da população a não ser que seus passes sejam comprados por emisssoras de televisão - como aconteceu com o Kléber, a Grazi e aquela Siri. E mesmo assim cadê o Kléber?

Não consigo precificar meu tempo. Por isso prefiro não gastá-lo vendo inutilidades imbecis. Porque inutilidades úteis, como House, Hell’s Kitchen, The Big Bang Theory e aqueles programinhas toscos de opinião esportiva são sensacionais. Entender o que se passa na cabeça das pessoas para se interessarem, de verdade, de coração, pela vida de pessoas presas na televisão é demais pra mim.

Simplesmente não entendo.



Abuelita
14-Março-2008, 10:49
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Ainda que tremam tuas mãos, ainda que haja dificuldade em respirar, ainda que tenhas perdido quase todos os sentidos que eu julgo pertinentes, mesmo assim ainda és minha abuelita. Há anos sofro junto a ti, ao te ver delfinhar e chegar ao estado em que estás, a acompanhar sua doença progredir. Maldito Alzheimer.

Ainda sim vejo brilho em teus olhos. Encontro esperança em teu olhar. Sinto carinho em tuas expressões, por menores que possam ser. Toda vez que a vejo tenho dúvidas sobre sua sapiência da minha presença. Mesmo assim faço questão de procurar a ti lá dentro. Dentro de olhos perdidos.

Ainda quero acreditar que persiste alguém em teu corpo. Mas uma boa parte de mim não quer crê em tamanha prisão. Prefiro preferir não preferir.

Ainda acho irônico em seu centézimo primeiro aniversário ter sido comemorado no hospital. Ô lugarzinho inóspito. Hospitais são tão frios, tão tristes, tão sombrios.

Ainda vou te visitar de novo. Espero que ainda estejas lá. Não te vás ainda.

Ainda preciso te ver outra vez. Te amo, minha avó. Muito.



O faz-de-conta na era da informação
12-Março-2008, 3:48
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O Vaticano instituiu novos pecados capitais. Numa era de informação e globalização do conhecimento, uma atitude assim seria vista, no mínimo, como uma afronta ao bom-senso. Mas não. Como sempre, viu-se uma reportagem aqui, outra acolá e mais nada. O que necessariamente nem é ruim: Gravatai fez um belo post.

Se o Vaticano perdeu espaço na mídia ao declamar seus novos pecados, isso pelo menos representa uma falta de preocupação da mídia em reportar essa babaquice. Esses novos pecados são uma das mais claras demonstrações, agora em tempo para todos conseguirem ver ‘ao vivo’, que a religião é uma criação totalmente humana. Totalmente.

Como é possível existir tamanha cara-de-pau dos clérigos em se apresentarem, diantes de um bilhão de seguidores, e dizer que Deus agora condena o aquecimento global e a injustiça social? Claro que a pedofilia continua sendo um ato permissivo - afinal, imaginem só a merda que daria se isso virasse pecado na Igreja Católica…

Ei-los, para o deleite desse ateu:

- Violações ‘bioéticas’: estão falando de controle de natalidade, que também inclui a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, mas eu imagino que comer cuzinho de crianças fere mais a ‘bioética’ na sociedade que fuder com camisinha ou abortar um filho não-quisto.

- Experimentos ‘moralmente dúbios’: céluas-tronco. Mas experimentar com o corpinho de meninos da pré-escola é algo mais moralmente dúbio.

- Poluição do ambiente: Essa aí é bacana. Se o aquecimento global não estivesse tão in vogue a Igreja ainda estaria abençoando madeireiras.

- Agravamento da injustiça social: porque até agora tava tranquilo. Problema é aumentar o número de pobres e, consequentemente, diminuir a arrecadação do dízimo.

- Riqueza excessiva: isso de um estado-país que tem colunas de ouro, cadeiras de ouro, livros banhados em ouro, a maior coleção de arte sacra do mundo (avaliada em milhões e milhões), maior detentor de imóveis do Brasil e por aí vai… o problema, claro, é sempre dos fiéis.

- Geração de pobreza: eu vejo uma certa redundância. A riqueza excessiva e o agravamento da injustiça social não são causadores de uma geração de pobreza? Ou eles estão falando que é pecado gerar filhos pobres. Acho que só pode ser isso. ‘Abaixo à Geração Pobreza! Só queremos que ricos tenham filhos!’ deve ser clamado, em breve, por padres em todo mundo.

Me espanta ainda haver esse tipo de coisa no mundo. Me espanta que ainda exista tamanha ignorância por parte da população, que não entende nem enxerga as manipulações dos sacerdotes da sua fé. Pior são aqueles que até enxergam, mas fingem que não vêem. Fé é burrice.



O carro da discórdia
1-Fevereiro-2008, 11:00
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É repudiante ver uma decisão da Justiça tirar o carro sobre o Holocausto do desfile da Viradouro. É triste assistir o maior carnavalesco do Brasil chorar diante da decisão. É imensa a expectativa pelo que ele vai trazer à Sapucaí.

Mas, pra mim, a grande questão ainda é o porque que ele resolveu fazer a porra do carro. Olha, novidades a parte, um carro com corpos famintos mortos, montados numa pilha fúnebre, com um Hitler cheio de plumas cantando e dançando em cima é algo que ultrapassa, de longe, qualquer nível de bom senso que possa existir no Carnaval. Não adianta esperniar, chorar, reclamar.

Pra mim é um absurdo haver censura, por mais justificável que seja. Se existe algo de bom na democracia, é a liberdade de expressão. Que julgassem o Paulo Barros na Sapucaí, com vaias, xingamentos, o que for. Não dá pra proibir nada. Mas que a idéia foi talvez a mais escrota que eu já vi, isso foi.

É difícil imaginar que seria escroto ter o maior assassino da história da humanidade dançando, feliz e alegre, em cima dos corpos daqueles que ele matou por ódio, inveja, preconceito e loucura? O que é que se pretende passar num carro alegórico desses, num ambiente de total descontração, libertino e estupidamente alegre que é o Carnaval? Que tipo de questionamentos seria possíveis quando se vê, na felicidade da emoção do desfile, um líder nazista regojizando em sua posição superior enquanto mortos retorcidos se amontoam aos seus pés? Pelamordetodososdeuses, né!

Nunca haverá, nesse célebro meu, capacidade pra entender onde um carro que, pra mim, de certa forma, glorificaria o Adolf, seria um estudo primoroso a ser estudado por todas as pessoas sedentas por questionamentos filosóficos e antropológicos que aparecem na Sapucaí. Afinal, pra que servem os camarotas da Nova Schin ou da Brahma se não para altas discussões sobre a natureza do homem, seus anseios, fraquezas e diferenças?



Quem é bi é dois em um?
28-Janeiro-2008, 11:55
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Há uma discussão rolando por aí. Já apareceu na Época, num artigo fantástico do Adriano Silva. Já deu notícia na BBC Brasil. Vira e mexe é papo de mesa de bar. Agora voltou, mas uma vez.

Será que um dia iremos, de fato, deixar de lado o sexo e nos tornarmos bissexuais naturais?

Existe hoje a modinha de meninas se pegarem, junto com outros garotos, na noite. Ou seja, é fácil ver hoje em dia meninas se beijando e depois beijando meninos. Elas dizem que não tem nada demais beijar amiga. Mas só beijam amiga. Eles estranham, mas depois acham o máximo.

O que a reportagem imbecil do Terra não abordou, nem sei se quer, é a tendência, cada vez mais forte, de sublimação do fator sexo pelo fator efêmero da personalidade. Pra mim torna-se mais normal acreditar que, muito em breve, pessoas gostaram de pessoas, sem deixar que o sexo entre no caminho.

José um dia vai gostar do Geraldo simplesmente porque o Geraldo é uma pessoa sensacional, que ajuda, acolhe, diverte e interessa. Pode ser que José perca a vontade de ficar com Geraldo porque Selma, com charme e inteligência diferente do Geraldo, faça José desejar mais ela do que ele. Mas em nenhum momento será questionado o sexo da pessoa em questão. E sim se ela é bondosa, carinhosa, inteligente, simpática, divertida e companheira.

Imagino que um dia teremos uniões mais estáveis justamente porque pessoas procurarão quem mais os completam - e convenhamos que isso será muito mais fácil a partir do momento que o sexo não entra como prerrogativa principal para a interação entre pessoas. Se fala sobre a modinha gay, que é bacana explorar a homossexualidade pra ver qual é, mas mesmo essa moda declara algo interessante.

Será que está imbuído em cada um de nós uma noção de homem e mulher ou isso nos é ensinado e a partir disso fazemos uma clara distinção? Eu acho que não.

Será que nossa repulsão, como sociedade, à união entre duas pessoas do mesmo sexo não é simplesmente e somente algo que trazemos de nossos berços? Discordo tanto que tenho certeza que em poucas gerações, como bem disse o Adriano Silva, isso sequer será questionado na sociedade.

Nunca vi nenhum problema em pessoas do mesmo sexo terem qualquer tipo de relacionamento. Não só entendo como acho lindo ver um casal feliz - e nunca me importei se ambos são XX ou XY. Quem sou eu para criticar, julgar ou discordar de duas pessoas claramente felizes e contentes, fazendo bem uma para a outra? Haverá um dia em que a moral e a ética da pessoa contará muito mais para sua aceitação social que o sexo da pessoa com quem ela escolhe dividir sua cama.



Kit milagroso
24-Janeiro-2008, 9:42
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Uma das melhores idéias que vi nos últimos tempos está sendo questionada (quem diria) pela Igreja - a ponto dessa mesma ameaçar entrar na Justiça.

Um envelope denominado ‘Kit Saúde da Mulher’, contendo uma camisinha masculina, uma feminina e pílulas do dia seguintes serão distribuidas aos foliões em Recife e Paulista, em Pernambuco. Uma idéia genial, capaz de ajudar milhares de mulheres que, praticando sexo sem proteção, possam se encontrar numa difícil posição assim que acordarem de seus torpores alcoólicos. Uma iniciativa que deveria se tornar padrão em todos os estados do Brasil é não só questionada como ameaçada pela Igreja Católica.

Com base na estúpida idéia de que isso seria uma afronta à vida, a pastoral da Saúde, liderada por um certo Vandson Holanda, diz que esse kit é um ‘caminho para a cultura da morte’. Olha só, querido, em primeiro lugar o Estado é LAICO. Não pode, nem nunca deve, se sujeitar aos anseios e reclamações de instituições religiosas. Segundo, não é uma ‘cultura da morte’ ajudar mulheres desprevinidas e desinformadas a conseguir previnir doenças e uma gravidez que possa destruir a estrutura da vida delas. É uma afronta ao bom senso (conhecem isso?) tentar lutar, em vão se ainda existe espaço para esperança que esse país tem alguma coisa de bom ainda, contra uma medida que ajudará tantas pessoas numa época em que é muito mais propício o sexo casual e desprotegido e a gravidez indesejada.

O aborto é responsabilidade da mulher, com todos os seus prerrogativos pessoais e emocionais. Não cabe a nenhum de nós, e muito menos à uma instituição religiosa, ditar como cada um deve seguir sua vida. Por mais que isso seja socar em ponta de faca, eu ficarei aqui, até chegar no osso, lutando contra a estupidez da Igreja Católica e enaltecendo iniciativas como essa dessas prefeituras, ainda acreditando que esse Estado nosso possa sim ser minimamente laico - rejeitando as loucuras de arfantes crentes e, com a coerência e parcimônia dignas de um Estado são, propor soluções como essa em questão sem pestanejar.



Heath Ledger morto
22-Janeiro-2008, 8:04
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O Heath Ledger foi encontrado morto hoje. Cacete. Disseram que pílulas foram encontradas perto do seu corpo. Mais um. O número de atores que morrem por motivos menos que justificáveis cresce muito. Alguns dizem que é pressão da profissão. Outros que são atores problemáticos, que não acharam saída para seus demônios.

Brad Renfro também morreu, exatamete uma semana atrás, ainda sob causas não-determinadas. Só que ele tinha histórico de abuso de drogas, com visitas à justiça. Seu velório teve participação maciça de seus fãs. Ainda sim não se vê com freqüencia dois atores, ainda jovens, se matando assim.

River Phoenix, Chris Farley… gente demais se deixando levar pelas drogas e problemas - seja lá quais forem. Nunca consegui, nem acho que um dia conseguirei, entender o suicídio. Não entendo a possibilidade de chegar a ponto de me matar. Por nada. Não importa o problema, é fichinha comparado ao valor que dou à minha vida.

Uma pena que tantos atores (e pessoas menos famosas no mundo todo) não pensem assim.

In memoriam.

(updeite)

Há possibilidades de que a morte do ator possa ter sido acidental. A autópsia não revelou nada também.



Aquele abraço
8-Janeiro-2008, 2:16
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Meu pai sempre dizia que um abraço recarrega as baterias. Ele chegava cansado do trabalho e vinha, do seu jeito carinhoso, maravilhoso, nos pedir um abraço porque estava perdendo a carga das baterias. Era uma brincadeira linda que lembro como se fosse ontem. Meu pai e suas baterias descarregadas.

O poder terapêutico que um abraço tem pra mim é incrível. Pode ser que seja algo que vem da minha infância, tão maravilhosa ela, que trago comigo essa necessidade de abraçar todos quem julgo precisar de uma recarregada. Se alguém está triste, bravo, feliz, inquieto, dou-lhes um forte abraço e sei que tudo assim se resolve.

Ele conforta quem está triste. Acalma quem está bravo. Alegra ainda mais quem está feliz. Relaxa quem está inquieto. É um santo remédio.

Gostaria que mais pessoas tivessem essa mesma idéia. E queria ver todos se abraçando a torto e direito. Seria claro para qualquer pessoa o quanto seu dia melhoraria, e assim todos passariam a distribuir abração (e quem sabe beijos?) a todos que precisassem - e até os que não precisam, mas no abraço encontram alguma emoção guardada e a soltam.

Quantas vezes já senti que um simples abraço conseguiu trazer de alguém uma emoção não presente no momento. O simples abraço, aquele de verdade, duradouro e carinhoso, forte sem ser sufocante, que abre portas para que tudo que esteja preso escape e venha à tona. E o prazer que dá saber que meu carinho trouxe um bem tão grande a uma pessoa querida.

A terapia do abraço é linda. Seria perfeito vê-la em ação todos os dias em todas as pessoas.