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Arthur C. Clarke se despede de todos nós, tendo criado o que é, talvez, o maior legado científico-literário da história da humanidade. Sem contar que ele trouxe à tona a idéia de satélites geoestacionários - que revolucionaram a comunicação global e hoje só sabemos da notícia dele tão rapidamente por culpa dele mesmo.
Em 1945, Clarke percebeu que, numa certa órbita ao redor da linha do Equador, a cerca de 36 mil quilômetros de distância, os satélites que ali residiam ficariam o tempo todo sobre o mesmo ponto da superfície da Terra. Seus estudos em física e matemática no King’s College de Londres deram os frutos necessários. Sua experiência com radares na Segunda Guerra deve também ter ajudado. O que torna Clarke ainda mais fascinante foi o simples fato dele me fazer pensar. Pensar, refletir, e me imergir por completo em teoremas físicos, em projetos e programas de astrofísica que nunca teria tido a oportunidade de me aproximar se não fossem as palavras dele, contidas em livros inacreditavelmente interessantes e bem-escritos.
O escritor concluiu que, com apenas três satélites em posições estratégicas na órbita geoestacionária (hoje também chamada por alguns de “órbita de Clarke”), seria possível estabelecer um sistema de telecomunicação que atingisse todos os lugares do mundo. A idéia geral foi aplicada para proporcionar a revolução nas telecomunicações marcada pelas transmissões ao vivo via satélite.
‘Rendevouz with Rama‘ foi o primeiro livro que li do ACC. Um corpo celeste é descoberto perto de Júpiter e nomeado com o nome da deusa hindu Rama. No século XXII os cientistas esgotaram os deuses gregos e romanos). O asteróide 31/429 é descoberto em 2131 e uma análise de sua trajetória revela que ele se move extremamente rápido e que vem da vicinitude uma estrela que deve ter deixado há 200,000 anos atrás. Sua rotação de quatro minutos e seu tamanho gigantesco também são um problema. Imagens de um satélite revelam seu tamanho cilíndrico de 16km de diâmetro e 50km de comprimento.
Uma equipe é mandada ao encontro da nava (daí o título ‘Rendevouz with Rama’), e conseguem alcançar a nave na órbita de Vênus. Entende-se que a nave passará a menos de vinte mil kilômetros do Sol, para depois nunca mais ser vista. Os mais de vinte tripulantes da equipe de reconhecimento, liderados pelo Comandante Norton, entram em Rama e exploram seu vasto interior. A natureza e o propósito da nave são um enigma indecifrável.
O livro termina com uma chamada a outros dois - apesar de Clarke, no momento de tê-lo escrito, disse que não pensava em sequências. ‘Rendezvous’ ganhou prêmios e transformou o Clarke na referência de literatura de ficção-científica que ele é hoje.
Gentry Lee se juntou ao autor para outros três livros, além de outros dois lançados sem a consultoria de Clarke. Tive o prazer de ler ‘Rama II‘ e ‘The Garden of Rama‘, que agora me olham, na estante, com ares de tristeza e melancolia. ‘Rama Revealed‘, quarto e último livro feito com Clarke, agora me espera, na Amazon, quietinho, e vou comprá-lo ainda hoje para ler o quanto antes. Talvez nunca senti tanta vontade de ler um livro.
Arthur era um gênio. Um cérebro fantástico, capaz de criar mundos e teorias inacreditáveis - e soluções imensuravéis para o bem-estar humano. Um daqueles que pra sempre gravarão seus nomes na história da humanidade. Devo a ele não só a noção de informação irrestrita que tenho, como também devo a ele a felicidade que tive ao entrar em todos os mundos e todas as suas palavras, de ‘2001‘ a ‘The Songs of Distant Earth‘. Leiam ‘The Star‘, talvez a melhor short story dele, de grátis.
Perdi Sir Gygax e Sir Clarke na mesma semana. Meu(s) mundo(s) nunca mais será(ão) o(s) mesmo(s).

