
Contemplo certo domingo o pacote que se encontra à minha frente. Pequeno, retangular, daquele papel marrom com cheiro gostoso. Olho o destinatário: Bruno ‘Doce Viking’ Freitas. Remetente Luiz Biajoni. Sei que aquele pacote esconde algo que desejo desde agosto do ano passado. E que por pouco não consegui em setembro, quando fui ver o Idelba e o povo lá em BH.
Finalmente chegou meu Sexo Anal.
Como ainda estava em processo de quimio, sabia que nunca iria conseguir ler direito a novela desse querido amigo. Então guardei o pacote ali, quietinho, me esperando. Olhava pra ele todos os dias, ansioso para o dia que eu pudesse abri-lo. O dia chegou semana passada.
Tive a honra de pegar a última cópia que nosso iluste autor tinha. Tive a honra de receber uma dedicatória das mais lindas. Bia, nunca me esquecerei do que você escreveu. Chorei muito. Obrigado cara.
No sábado pela manhã, em Arraial do Cabo, cidade praiana do estado do Rio de Janeiro, abri as primeiras páginas, senti o cheiro delicioso de livro novo, intocado, virgem. Ia dervirginar o último Sexo Anal. Me senti um pioneiro.
O prefácio do Idelba dá as caras do livro. Nosso doutor só me dá mais vontade de começar logo meu Sexo Anal. Passei rápidamente pelo prefácio, desesperado para desvendar os mistérios por trás das palavras desse guei tão querido.
Vários já fizeram o favor de resenhar esse maravilhoso livro. Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. E sei que estou esquecendo mais gente.
O livro é maravilhoso. Como bem disse o Alex, passados um ano, a não-publicação desse livro mostra o precário e ridículo estado do mercado literário desse país. Fugindo do lugar comum, dentre tantas outras resenhas desse livro, vou me ater ao que senti e o que achei do livro como todo, sem entrar em detalhes dos personagens - Idelba já fez esse favor pra mim. Vou acabar repetindo a palavra de muitos que leram antes de mim, mas pouco me importo. Great minds always think alike.
Sexo Anal é uma deliciosa história de amor, luxúria, violência e inveja. Prosa fácil e dinâmica. Não conseguia largar o livro, tamanha é a rapidez da sua história, tamanho é o apelo de seus personagens. O grande mérito do livro é tornar todos lá pessoas que podemos conhecer - e que muitas vezes conhecemos de verdade. São todos muito verdadeiros, inseridos num mundo contemporâneo e kitch ao mesmo tempo. Um mundo de contrastes e de absurdos, que quando olhamos para fora de nossas janelas o encontramos.
Dá tesão entrar na vida desses personagens. Dividir seus anseios, dúvidas e problemas. Esse livro nos deixa em contato direto com vidas tão similares às nossas que vemos tudo acontecer como se estivéssemos olhando para o prédio ao lado, amando cada segundo do nosso voyerismo proibido.
O livro pode chocar em certas passagens, mas só para os despreparados e os hipócritas. É, por muitas vezes, real demais. E por isso merece todas os louros possíveis. É um livro de personagens expetaculares; de histórias difíceis e críveis.
Meus sinceros parabéns ao guei mais maneiro do mundo. Escrevestes um livro sensacional, meu caro. Fico até hoje imaginando o que está acontecendo, nesse momento, com o Júlio, os Luizes, a Vírginia, a Ana. Com aquele gordinho safado do Alex, dá pra imaginar mole o que está acontecendo com ele.
Valeu pelo presente, Bia. Pela lembrança e pela delícia de livro. Tu é demais. E adoro beber tota-tola.