Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Catch Side em terceiro lugar no Myspace
6-Maio-2008, 1:54
Arquivado em: Música

Esses moleques do Catch Side ainda me dão um ataque do coração. Acabo de ver que eles estão em terceiro lugar nos mais vistos do MySpace do Brasil. O lançamento do single ‘Temporário’ tem sido um sucesso estupendo, e estamos a caminho de sermos a maior banda independente do Brasil. Se tirarmos as duas bandas cover que estão à frente, somos já a maior banda independente da internet brasileira.

Só tenho a agradecer a esses lindos garotos, que tanta alegria me dão. É um trabalho árduo, de muito suor, que meu sócio João agarra com unhas e dentes e me ajuda a tranformar esse sonho tão bonito em realidade. Sou mais feliz hoje. Meu sonho está cada vez mais perto de se tornar realidade.

Todos ainda saberão muito mais da Megahertz. Vou transformá-la num ícone da música do Rio de Janeiro. Farei dela a maior produtora da cidade. Tranformarei esse cenário tão esquecido e desgastado. Alcançarei o topo da montanha, escalando cada centímetro com precisão, gana e imensurável esforço.

Preparem-se. Vamos decolar.



A melhor banda desconhecida do mundo (II)
18-Abril-2008, 3:43
Arquivado em: Música

Minha nova paixão é essa coisa aí de cima. Alison Sudol. Frontwoman do A Fine Frenzy.

Seu álbum de estréia, ‘One Cell in the Sea’ é brilhante. Lindo, denso, emotivo, catastroficamente perfeito para esse momento que vivo. A voz da Alison é de uma força e ao mesmo tempo uma sutileza incrível. Sua beleza, que conheci a muito pouco tempo, uma benção para olhos cansados.

Nem sei ao certo como cheguei ao ‘A Fine Frenzy. Simplesmente ele existe aqui no iPod e eu, há poucos dias, resolvi escutar melhor. Sabia que se tratava de uma mulher de Seattle, mas era só. As ligações dela com o meu mundo de rock alternativo / indie só vieram à tona depois.

Em março de 2007 ela participou do South by Southwest (SXSW), maior festival de música independente dos EUA - e consequentemente um projeto de vida meu. O festival é fantástico, e sempre saem de lá artistas do caráleo que ninguém conhece. A Fine Frenzy abriu pro The Stooges na ocasião. Em pouco tempo o ‘One Cell in the Sea’ foi lançado, angariando críticas positivas pelo caminho.

‘Almost Lover’, primeiro single do álbum (e a música que não sai de jeito nenhum da minha cabeça e que tenho no repeat eterno no iTunes) chegou ao 25° lugar da Hot Adult Contemporary Tracks da Billboard. No meio do ano passado ela passou a escurcionar com o Rufus Wainwright (que o Simon da Quizumba tá trazendo pra cá… aguardem!) e esse ano está fazendo uma turnê como headliner… como queria poder trazê-la pra cá.

A graça, a tristeza, a alegria e a melancolia de suas músicas me deixaram mais calmo, sereno, tranquilo. Ando nas nuvens quando escuto as músicas mais alegres, na fossa total nas mais tristes, temeroso nas melancólicas e esperançoso nas bonitinhas. ‘Almost Lover’ é, de longe, a música que mais me define no momento.



American Idol - A sétima temporada rocks!
17-Abril-2008, 2:52
Arquivado em: Abobrinhas, Música

Várias mudanças na vida desse viking nos próximos dias. Aguardem inúmeros inéditos posts sobre essa que é a fase mais importante e determinante da minha vida.

American Idol, pra mim, sempre foi o programa mais interessante da televisão de reality shows. É disparado o mais bem filmado, editado, produzido e programado. A fase de intrevistas é incrivelmente interessante, os juízes são uma bela mistura de estupidez e sapiência de mercado com acidez e ternura (pouco conhecimento de verdade, claro, mas o que importa é e sempre será o valor do entretenimento que eles produzem) e a fase dos top24 é MUITO bem feita.

David Cook, esse ano, é de longe quem mais se destaca. Esqueça a fantástica Carly Smithson e sua voz fenomenal (sem contar a linda, LINDA manga de tatuagem dela no braço direito). O resto é só aquela média americana (daonde vem tanta gente que canta pra caráleo??).

David é um astro. Maluco tem o cabelinho ‘emo’, mas as escolhas musicais dele são invejáveis. O vídeo acima é do último (acho) show do American Idol, onde todo mundo tinha de cantar uma música da Mariah Carey. DInheiro rolando solto, claro. David escolheu ‘Always be my baby’, que até não disgosto tanto. Da Mariah só mesmo o Unplugged, que acho bem legal - sim, meeeeega clichê, mega brega, mas um daqueles prazeres escondidos.

David fez uma apresentação brilhante. O cara está mais do que pronto pra tomar o lugar de qualquer grande astro do rock moderno nos EUA. Sei que ele será mimado e deturparão seu som e seu estilo pra poderem vender ainda mais… ainda sim espero que ele possa continuar com essa evolução e seja um espoente do novo rock alternativo americano.

Cada vez mais entendo que o American Idol, antes de ser uma plataforma de lançamento de artistas, é também uma escola de como lidar com a pressão da mídia (especial a cruel mídia americana) e a pressão de milhões e milhões de espectadores que estão ali, vendo você no palco, quase sempre sem qualquer outra pessoa te acompanhando, soltando a voz e mostrando seu talento. Esqueçam os juízes meia-boca, esqueçam o Ryan Seacrest e seu jeitinho tosco, esqueçam a idéia pseudo-emotiva dos takes de cada finalista.

Assitam o American Idol simplesmente e somente pela música. Vale a pena. Garanto.



Tributo Los Hermanos
21-Março-2008, 2:46
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Em pé: Leandro (Napolitanos) e Bernardo (Nizamba)
Sentados: Fred (Columbia) e Pedro (3Steps)

É hoje, meu povo. O tributo ao Los Hermanos. Um projeto meu, de coração, que finalmente verá a luz do dia.

Um tributo não precisa ser para ninguém morto, como já sugeriram. Um tributo não precisa ser nada mais que uma homenagem à uma banda que fez tanta gente tão feliz tantas vezes. Esse tributo é um grande ‘obrigado, Hermanos’.

Apareça, quem puder e quiser. Às 21h começa a brincadeira. Mário Mamede, baterista do Moptop, estará lá como DJ ajudando a festa. 22h começam os shows.

- Napolitanos: ‘Condicional’, ‘Casa pré-fabricada’, ‘Tá bom’, ‘Tenha dó’, ‘Fingi na hora rir’;
- Nizamba: ‘Último romance’, ‘Retratro pra Iaiá’, ‘Samba a dois’ e ‘Morena’;
- 3Steps: ‘Todo Carnaval tem seu fim’, ‘Além do que se vê’, ‘O vencedor’, ‘De onde vem a calma’;
- Cinzel: ‘O velho e o moço’, ‘O vento’, ‘Cara estranho’, ‘Deixa o verão’, ‘Santa Chuva’;
- Filhos da Judith: ‘Conversa de botas batidas’, ‘Anna Julia’, ‘Primavera’, ‘Quem sabe’;
- Columbia: ‘A flor’, ‘Sentimental’, ‘Bom dia’ e ‘Pierrot’.

Estatísticas interessantes da votação:

- 18 das 20 músicas mais pedidas no orkut estarão no Tributo.
- Foram mais de 600 votos;
- As duas mais votadas são do álbum ‘Ventura’;
- ‘Último Romance’, do Amarante, foi a música mais votada;
- As mais votadas de cada álbum foram: ‘Último Romance’ do ‘Ventura’, ‘Retrato pra Iaiá’ do ‘Bloco do Eu Sozinho’, ‘Condicional’ do ‘Quatro’ e ‘Quem Sabe’ do ‘Los Hermanos’. Todas do Rodrigo Amarante.
- ‘Anna Júlia’ ficou em 31° lugar na votação.
- O álbum ‘Ventura’ tem 12 músicas no top25, ‘Bloco do Eu Sozinho’ tem 5, ‘Quatro’ tem 5, e ‘Los Hermanos’ tem 3;
- Foram votadas impressionantes 61 músicas;
- Das top25, 13 foram compostas pelo Rodrigo Amarante e 12 pelo Marcelo Camelo;
- Amarante também tem a mais votada, três das cinco mais votadas e seis das dez mais votadas.

Soube extra-oficialmente que 150 ingressos estão sendo vendidos diáriamente desde o começo das vendas. Esse Tributo tem tudo para ser simplesmente antológico.

Desde já agradeço, e muito, a todos os membros de todas as bandas que se despuzeram a participar desse evento, que gastaram tempo e dinheiro ensaiando, que estiveram comigo, lado a lado, montando essa homenagem, com tanto carinho e dedicação. Devo tudo isso a vocês.

E, finalmente, muito obrigado Los Hermanos. Minha banda predileta. A primeira banda de rock nacional pela qual me apaixonei perdidamente. Ainda não tive a oportunidade de apertar a mão de cada um de vocês, mas saibam, do fundo do meu coração viking, que eu devo muito a vocês. Vocês fizeram meus momentos de alegria mais alegres. Fizeram meus momentos de tristeza serem mais sofridos. Fizeram minhas angústias mais profundas e meus sonhos mais lúcidos.

Esse tributo é pra vocês. Por vocês. Muito obrigado.

Updeite: 1200 pessoas gritaram, berraram, pularam, dançaram, cantaram junto com as bandas. Foi um prazer incrível dividir meu sonho com vocês. Muitíssimo obrigado a todos que compareceram, e espero poder prover-lhes outras homenagens como essa no futuro próximo. Foi o melhor show que já produzi - e devo tudo isso às bandas, ao público, ao Circo e aos Hermanos. Mais uma vez, obrigado!



A melhor banda desconhecida do mundo (I)
29-Fevereiro-2008, 2:17
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The Dear Hunter. Guardem esse nome. Representa a melhor coisa que já ouvi daquele lado do Atlântico em muitos, muito anos.

Acabei de curtir, mais uma vez, os dois atos dos excelente álbums dessa banda. Liderada por Casey Crescenzo, ela começou como projeto paralelo para as músicas não aproveitadas da sua então banda The Receiving End of Sirens. No inverno de 2005 Casey fez uma demo de Dear Ms. Leading, em dez cópias queimadas para seus amigos, e o resto foi deixado para divulgação de boca-a-boca - além de ter deixado esse demo para download na internet. O primeiro show da banda, em fevereiro de 2006, ocorreu como banda de abertura da sua principal.

Em vista deste novo projeto, em maio de 2006 o Casey saiu da The Receiving End of Sirens e começou a trabalhar pra valer no primeiro álbum de estúdio do TDH. Expandindo o conceito para um projeto de uma história em seis álbums, situada no começo do século XX - sobre nascimento, vida e a morte abrupta de um garoto, conhecido somente como ‘The Dear Hunter’ na história. Em 2007, entrevistado pelo site Absolutepunk.net, Casey disse ter a história completa do ‘The Dear Hunter’ demarcada, com cada ato tratado em 1-3 páginas.

Act I: The Lake South, The River North foi lançado pela Triple Crown Records em setembro de 2006.

Com uma renovada formação, visto que o EP fora gravado somente com a ajuda de seu irmão, a banda entrou em estúdio no final de 2006 para lançar o segundo ato do conceito. No começo de 2007 as gravações foram concluídas - mais ou menos no mesmo tempo da banda aparecer como as ‘100 bandas que todos deveriam conhecer em 2007′ da Alternative Press.

Act II: The Meaning of, and All Things Regarding Ms. Leading foi lançado em maio de 2007, somente oito meses depois do primeiro lançamento. Desde o lançamento do segundo ato, a banda já fez turnê com As Tall As Lions (uma próxima banda para esse segmento do blog), Saves the Day, Say Anything, Chris Conley, The Format, Scary Kids Scaring Kids and Boys Night Out. Em novembro do ano passado a banda iniciou uma grande turnê com Circa Survive, Ours e Fear Before the March of Flames.

Um pouco antes dessa turnê com o Circa, Josh Rheault e os irmãos Sam and Luke Dent deixaram a banda. Entraram temporariamente dois membros do As Tall As Lions, Cliff Sarcona e Julio Tavarez, além do Andy Wildrick do The Junior Varsity. Agora, dia 14 de fevereiro, o guitarrista Erick Serna anunciou uma turnê com as bandas The Fall of Troy, Foxy Shazam e Tera Melos que começa dia 18 de abril.

Tendo terminado recentemente a gravação do clipe de ‘The Church and the Dime’, eles anunciaram que estão trabalhando em nove álbums, um para cada tipo de cor do espectro óptico, com vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, indigo e violeta fazendo parte do projeto - e preto e branco servindo como encartes. Pretendem usar diversos convidados, explorando inúmeros generos musicais. Não se sabe como esse projeto influenciará a antologia ‘The Dear Hunter’ - para qual ainda faltam quatro atos. Creio eu ser uma prova clara de que criatividade não condiz com ordem.

Existe um livro do Act II: The Meaning of, and All Things Regarding Ms. Leading sendo feito. Kent St. John foi escolhido para ilustrar o livro, e o progresso pode ser visto em seu blog.

No mais, é preciso escutar com cuidado as músicas, deixando com que cada pequeno detalhe não passe desapercebido. E olha que são detalhes demais, que crescem e cadenciam a música, que tornam cada vez mais brilhante o trabalho de Casey. Vejam só as resenhas apaixonadas e apaixonantes das pessoas que tiveram o prazer de escutar esse trabalho fenomenal. The Dear Hunter é, de longe, minha aposta de melhor banda deste ano.



Um tributo do coração
25-Fevereiro-2008, 7:53
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Sexta-feira santa será um dia especial pra mim. Não porque eu nasci numa sexta-feira santa. Não porque é uma data especial no calendário de todos aqueles que seguem alguma das múltiplas religiões ocidentais.

Dia 21 de Março é dia do Tributo ao Los Hermanos no Circo Voador, Rio de Janeiro.

Um evento que estou tentando fechar desde o ano passado, sempre sem sucesso. Mas agora vai. Estou convidando músicos de várias bandas de renome no cenário indie carioca e vamos montar um show inesquecível - de fãs para fãs! Vamos chamar o público para subir ao palco para cantar! Vamos tocar, com sorte, com o trio de metais dos Hermanos!

Mario Mamede do Moptop, Melvin do Carbona, Pedro Buarque do Cinzel, César do Manacá. Uma banda de respeito para um evento que espero ser o começo de muitos tributos. Ainda quero levar esse tributo aos Hermanos para as maiores capitais do país, se conseguir apoio e tiver sorte na empreitada.

Espero poder mostrar todo o meu carinho por esses quatro caras que me fizeram sonhar, rir, chorar, cantar e gritar. Será um tributo do coração, para uma banda que tanto admiro, sigo e venero.

Compareça, quem puder, à esse tributo que é tão querido e pelo qual batalhei tanto para promover e produzir.

Vote nas suas músicas prediletas aqui, aqui, aqui ou aqui. As 15 mais votadas estarão no tributo. Obrigado!!

updeite: Mudou o esquema do Tributo! Devido à problemas de agenda e de gravação dos músicos, optei por pedir à bandas que tocassem as músicas que tanto gostamos. Fica até um esquema melhor, onde cada grupo pode impor sua identidade nas músicas dos nosso queridos Hermanos.

Confirmadas até hoje, dia 4 de Março, estão Columbia, Cinzel, 3Steps, Nizamba e possivelmente Napolitanos - e ainda podemos ter Autoramas e Leela! Vai ser um evento memorável!!

O preço foi fixado em R$30 a inteira - R$15 a meia! Comprem seus ingressos na bilheteria do Circo ou no Ingresso.com. Vamos lotar o Circo!!



Nine in the afternoon
18-Fevereiro-2008, 4:00
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Panic at the Disco é uma banda que se joga no grande calderão hoje chamado de emo. Com um talento diferente, esses garotos, com suas letras incitantes, gritantemente bem-escritas e provocadoras, além da instrumentação experimental para esse tipo de estilo, estão, de longe, na vanguarda do que se faz de pop nos EUA. Eu os considero inserido no batuta rock alternativo. Muitos, pela roupagem circense do primeiro vídeo deles, facilmente os colocaram na nova onda de pintados e chorões. Estão longe disse, e olha que não tenho absolutamente nada contra a nova cultura emo. Pelo contrário, algumas bandas, como 30 Seconds to Mars (uma das minhas bandas prediletas), Paramore e Fall Out Boy têm abordagens das mais inovadoras e criativas dos últimos tempos.

Depois de suas músicas serem postas no MySpace, não demorou para o Pete Wentz, baixista do Fall Out Boy, apresentar a banda à Decaydance/Fueled By Ramen, um selo com espaço para novos talentos. “Nós nos achamos com a Decaydance e eles entenderam o que nós queríamos fazer como banda”, explica Ryan. “Eles nos deram muita liberdade para fazer o que nos fazia feliz com a nossa música”

O resultado foi ‘A Fever You Can’t Sweat Out’, brilhante álbum inaugural. ‘Lying is the most fun a girl can have without taking her clothes off’ é de longe uma das melhores músicas dos últimos anos. Vejam a roupagem circense, com um toque de Moulin Rouge, nessa versão ao vivo. Há tempos eles estão prometendo um novo trabalho, e quando estive em Baltimore no Virgin Festival, em Agosto passado, tive a oportunidade de escutar pela primeira vez uma versão, ainda crua, do que seria o mais novo single da banda, ‘Nine in the Afternoon’.

Agora oficialmente lançado, ‘Nine in the Afternoon’ é simplesmente incrível. De verdade, fiquei impressionado já em Baltimore, mas a roupagem mais psicodélica dada à música, a proposta artística do clipe, um quê de Sargent Pepper’s, mas com toques diferentes, é de longe um belo preságio do que será esse novo trabalho. Briga se amarrou. Eu, claro, louco como sou, já fiz minha pré-ordem do box set do ‘Pretty. Odd.’, ao estilo In Rainbows.



In rainbows in my hand
29-Janeiro-2008, 5:27
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Minha linda (ó, céus, que fofs!) aparece aqui com um pacote deixado pra mim na portaria. Não lembrava de ter pedido nada há tempos, então a própria embalagem já era, por si só, um mistério bom. Na etiqueta, ainda mais estranho, estava uma coroa - símbolo da TNT Post. O remetente era uma tal de Sunset International BV, localizada nas Nederlândias. Vixi Maria, pensei eu.

Abro como quem não quer nada o pacote. Perfeitamente quadrado, do tamanho de… um… vinil… MEUS SANTOS DEUSES É O ‘IN RAINBOWS’!! Arranquei com toda força a embalagem, me deparando com o box set que há tempos pedi e nem lembrava mais que ainda não havia o recebido. Meus olhos se encheram d’água, tremia feito um idiota e lá estava ele - um invólucro lindo, cinza, com ‘in rainbows’ escrito em um tom acinzentado claro. Não sabia o que fazer. Fiquei pasmo, olhando a capa do box set, esperando que algo me fizesse abri-lo. Mas só a surpresa e a felicidade em vê-lo em minhas mãos já se mostrava suficientemente bom na hora.

Ainda sinto aquele tesão indescritível ao abrir um cd. Imaginem o que passou pela minha cabeça quando abri um box set maravilhoso, perfeito, com dois cds, um encarte lindíssimo, um livro de ilustrações e um vinil. Nirvana nunca esteve tão perto.

Toda a proposta do Radiohead, de deixar orgulhoso e de olhos mareados o Adam Smith, foi de dar ao mercado a precificação do seu novo trabalho. E a resposta não poderia ter sido mais impressionante. Sem intermediários, faturaram no lançamento mais que em toda sua carreira pela EMI. É um ponto interessante, mas um exemplo que não pode ser seguido por outros artistas de menor renome e menor fanatismo por parte dos seguidores. Pois não é qualquer banda que consegue o feito do Radiohead.

‘In Rainbows’ não é o melhor trabalho deles. Nada bateria, nem num baterá, o ‘OK Computer’. Mesmo assim é um álbum fantástico, que poderia ter sido menos experimental, mas que renova a posição do Radiohead como uma banda diferenciada, brilhante, inovadora. ‘Weird Fishes/Arpeggi’ é de longe minha predileta.

Impressiona a minha vontade de descobrir um novo álbum assim. De querer abrir o invólucro, apreciar todos os mínimos detalhes. Sou daqueles que procura até nos agredecimentos da banda um veículo de prazer. Não sei como ser diferente. Entendo baixarem músicas (como também faço), mas comprar um cd, ainda não ouvido, de um artista com o qual existe um grande nível de cumplicidade e reconhecimento é uma experiência indecritível.

O box set do ‘In Rainbows’ está me encarando. Ainda falta muito para me sentir satisfeito com sua exploração. Espero que alguns de vocês consigam sentir o que senti, e sinto, ao me deparar com essa obra de arte. É bom demais.



The Led is back
10-Janeiro-2008, 9:49
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The Led vai voltar aos palcos de verdade. Em entrevista à “Rolling Stone”, o baixista John Paul Jones confirmou seu encontro com o vocalista Robert Plant, o guitarrista Jimmy Page e o baterista Jason Bonham, filho de John Bonham, integrante da formação original. “Haverá uma reunião em janeiro. Seria divertido fazermos mais coisas.”

Led Zeppelin é a mais nova banda a inventar de fazer turnê de reunião. O grande exemplo ano passado, claro, foi a turnê quebradora-de-recordes do The Police. Sting é o tipo do cara que, vendo que tava cansado de alaúdes e bongôs, resolveu voltar com seus - erm - amiguinhos e fazer muito, mas muito dinheiro. Nada mais justo. Os vi em Baltimore e foi um show realmente bem legal. Tocaram com vontade, com felicidade. Pelo que soube do show aqui do Rio, e minhas pueris opiniões baseadas na transmissão ‘ao vivo’, já tinham cansado. De agosto a dezembro já deu tempo de ter esgotado a cota de paciência de cada um - como nos velhos tempos.

Os ingressos pro show, bem, ‘único’ dos caras na O2 Arena foi um estrondoso sucesso. A ponto de um louco, insano, maluco beleza pagar £83 mil por um par de pedacinhos de papel colorido que davam o direito de ver essa intrépida trupe geriátrica no palco. E suas vendas de álbums aumentou em bizarros 500% depois dessa apresentação.

Agora, como o The Police, anunciaram que estão pensando em gravar material novo. É uma triste realidade de mercado ficarmos tanto tempo esperando tão pouco de artistas que já foram (e ainda são, na memória de fãs e afins) muito e querem voltar a ter um mínimo de exposição e glória contemporânea. Fico sempre pensando que, se o álbum novo for uma boa merda, o que será desses ícones que são sempre vistos, e queridos, pelo brilhantismo passado de suas carreiras.

Acho que esse é um grande (e justificável) medo que o Axl Rose deve ter pra lançar o ‘Chinese Democracy’. Imagina o Guns lançando uma bosta de álbum depois de tanto tempo? Toda a magia - ou o que sobrou dela - se esvairia…

Sou totalmente a favor dos shows, e gostaria muito que o Led viesse pra cá para que eu possa, mesmo de maneira não tão completa, assistir uma banda que influenciou tantos e mudou, de certa forma, a cabeça de muita gente. Mesmo caquéticos e enrugados, sei que o rock n’ roll não some das veias com facilidade.



Corra que a Polícia vem aí
10-Dezembro-2007, 2:44
Arquivado em: Música

Já tinha os visto em Baltimore, então a graça de pagar trocentos mil reais para vê-los no Maracanã foi se perdendo ao longo das semanas em que se vendeu ingresso. No dia que abriram as bilheterias, me deu uma vontade do cacete de passar o cartão e morrer numa grana absurda para vê-los de novo. Mas passou rápido, para o deleite da minha conta bancária.

Achei estranhíssimo, diga-se, quando apareceu o puta anúncio do show dos caras sem patrocínio algum nos jornais. Depois soube (informação privilegiada de quem é do ramo, como eu) que a banda não havia aprovado a arte com os patrocinadores, então ligaram o es-adof e mandaram sem o patrocínio mesmo - o que só pode ter irritado profundamente quem investiu milhões e milhões na joça do show. Suspirei aliviado - se no primeiro dia de vendas já tava essa zona, na hora do vamos ver ia ser bem pior.

Pois bem, aguardei, sem nenhuma ansiedade, o dia chegar para que eu pudesse, com calma e tranquilidade, ligar meu aparelho de televisão a cabo e ver no canal 42 esse super duper hiper evento. Apesar das reportagens do Fantástico, da procura absurda por ingressos, de toda a mídia animadíssima pela parada, não encontrei um alvoroço necessário para satisfazer meus anseios - sei lá, parecia tudo um pouco xôxo demais. Sem tanto furor quanto, por exemplo, o show do Roger Waters. Não vou nem usar o exemplo dos Rolling Stones porque aí é sacanagem.

Quando liguei o bendito canal na hora do show me deparei com a apresentação dos Paralamas - e descobri que não era ao vivo a transmissão. Tinha um delay, mais que justificável, e tive a oportunidade de pegar o Herbert tocando com o Andreas Kisser. Olha, podem falar o que quiser - o Andreas é irado e pronto. E o Herbert tava bem, por incrível que isso pôde aparecer pra mim. Sou fã de carteirinha do Bi e do Barone, agora o Herbert não dá. Desculpem.

Mesmo assim assisti com gosto ao show, que foi muito bem executado (como o esperado) e até com algum fogo, difícil devido à imobilidade forçada do Herbert e determinada do Bi. Coube ao Barone roubar o show, como de costume, e os convidados não fizeram feio. O público me pareceu deveras parado, e seco, frio, mas achei que isso fosse mudar quando os porcos fardados entrassem.

Ledo engano meu. O show foi mega sem sal, o público idem. Sting parecia em automático, e não demonstrou nada do que tanto gostei no show de Baltimore que vi. Parecia simplesmente contente em estar lá - ganhando rios de dinheiro às nossas custas. Copeland é um monstro, e tava bem. O Andy é aquela figura secundária de sempre, fazendo o básico pra acompanhar geral e ficar quieto no canto dele antes que leve uma saraivada do baixo do Sting ou uma baquetada do Stewart.

No geral, nem consegui achar saco pra ver o show inteiro. Soube que o resto foi mais do mesmo, com os caras lá, tocando e geral, ali, assistindo. Nada de antológico, nada de fantástico. Simplesmente um show do The Police.

Corrigam-me se estiver errado.