Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Hey, Jude, cante comigo
24-Setembro-2009, 3:18
Arquivado em: Blogroll, Música

Depois de ser bombardeado por tantos posts sobre os Beatles do meu querido Cabra, lembrei de um flash mob um tanto peculiar, criado pela T-Mobile que, pra mim, representa o futuro do marketing social – quiçá o marketing em geral.

Assistam ao flash mob feito na Liverpool Street Station. Um tanto curioso o nome da estação, há de se admitir, mas não sei se foi proposital. Mesmo porque foi antes dessa coisa fantástica no Trafalgar Square. Nossa, quanta saudade da minha terra.



O direito do Funk
2-Setembro-2009, 1:12
Arquivado em: Música

Com o fim do romantismo, entra a oportunidade de se pensar com mais parcimônia e menos coração. Sou apaixonado por música. Não consigo deixar de ser. Só que hoje vejo a música como uma entidade bem maior do que imaginava.

Não sou mais avesso à sons que previamente julgava ruins. Por mais que não tenha conscientemente esperado, escuto tudo com um ouvido mais clínico (pra mim), e portanto consigo enxergar com maior facilidade o ‘valor’ intrínseco de obras artísticas que antes não tinha capacidade, ou distanciamento, que me dessem esse tipo de reflexão.

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) foi votar, hoje, o projeto de lei que define o funk como movimento cultural e musical de caráter popular. A idéia, que ainda preciso entender direito, é incluir o funk nas escolas e comunidades, mostrando o poder de comunicação dessa forma de representação artística.

Em outra faceta interessante, também foi votada a revogação da Lei que estabelece regras para a realização de eventos de música eletrônica, como raves e bailes funk. Essa era uma lei ridícula do Álvaro Lins, bandido, deputado cassado, que exercia pressões imensas em cima desses eventos para seu acontecimento. Raves iam pra cidades longínquas pra fugir dos problemas dessa ridícula lei, que foi feita pra tornar bailes funk ilegais – coisa de bandido.

Oras bolas, o Funk é uma PUTA representação de uma parte gigantesca desse país, dessa cidade. É a força motriz por trás de um movimento cultural que, concorde ou não, desenha e norteia boa parte da população carioca e brasileira. E precisa ser reconhecida pelo seu valor.

Deputados, então, revogaram essa lei ridícula. Também foi aprovada lei que define o funk como movimento cultural. O projeto de lei ainda precisa da sanção do governador Sérgio Cabral, o que não deve ser um problema. Segundo a assessoria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a nova lei assegura a realização de manifestações próprias relacionadas ao funk e diz que os assuntos relativos ao estilo sejam, prioritariamente, da competência de secretarias ou outros órgãos ligados à cultura.

O Funk respeitado como forma digna de cultura e manifestação de uma gigantesca e influente percentual da população. Que bom.



Ivete Stellar
27-Agosto-2009, 2:19
Arquivado em: Cinemalidades, Música

Eu, pessoalmente, acho que nunca haverá na história da música nacional alguém igual à Ivete Sangalo. A maior artista de todos os tempos desse país. Rei? Que Rei?

Uma mulher de fibra, garra, simpatia ímpar e uma transparência apaixonante. Um talento incrível, uma voz poderosa, uma imagem de força descomunal. De cantora de uma banda de axé ao fenômeno absoluto – uma artista que atinge a todos no país, que tem público do Oiapoque ao Chuí.

Agora a Ivete vai virar estrela de uma animação em 3D. Um momento até natural para uma artista como ela. Até estranhei, até hoje, não ter visto um filme estrelado por ela. Mas o que mais me impressionou foi a qualidade do trailer mostrado.

Uma animação de imensa qualidade, com uma direção artística incrível, uma Ivete muito bem representada como heroína e, o mais importante, uma história e uma abordagem diferente do que vemos nesse país.

Ivete não é mais uma Xuxa, fazendo filmes para seus baixinhos. Ela virou uma heroína espacial, com atitude, tenacidade e personalidade. Cacomotion, empresa criada por ela mesma, é quem capitaneia esse projeto. Uma mulher de visão.

Torço muito para que o Ivete Stellar se torne uma verdade. Para que assim possamos, finalmente, enxergar uma saída para os filmes do Didi e da Xuxa, e enxerguemos, todos, no mercado, que só há uma grande heroína brasileira: uma baiana arretada chamada Ivete.




E um pouco mais de mim morre…
21-Agosto-2009, 2:36
Arquivado em: Diatribes, Música

…pelo fim da concepção musical que entendo por saudável. Está chegando ao fim o meu romantismo, a minha completa dedicação, o meu dever visceral de propagar cultura da maneira que sempre sonhei possível.

Vejo tardiamente os efeitos de uma vida vivida de sonhos. De pueris pensamentos de regojizo através do som, da propagação das ondas da caixa após o tocar de um acorde. A vida pela arte.

Escrota essa última frase.

Não entendo mais direito o mundo. Anda tudo meio turvo. Penso entender as pessoas, mas vejo que estou mais cego do que nunca.

A confiança que tinha está dando lugar à um marasmo emocional. Um deserto sem fim, onde todo e qualquer vislumbre de esperança nada mais é que uma bela miragem. Sinto o peso da ventania contra meu corpo. O afundar dos pés na areia cada vez mais traiçoeira.

Se a luz ao fim do túnel existe, ela hoje é uma infíma faísca. Pode-se dizer que basta uma faísca para o fogo retornar em todo seu esplendor e graça. Pode ser.

Mas assisto, segundo após segundo, o esvair daquele pequeno e reluzente foco de continuidade. A escuridão torna-se minha amiga. E quando vejo isso aqui, penso no fim.

Um fim muito próximo.



Matéria da Plus TV sobre o lançamento do clipe de ‘Daquilo eu que eu chamo de Amor’
6-Julho-2009, 2:46
Arquivado em: Música


Daquilo que eu chamo de Amor
1-Julho-2009, 3:48
Arquivado em: Música

Foi lançado ontem o clipe de ‘Daquilo que eu chamo de Amor’, single do novo álbum ‘Sempre Mais’ da banda que empresario – o Catch Side.

Foi um processo tortuoso, cansativo, mas o resultado é algo incrível. A fotografia é perfeita. Os meninos estão demais. Tudo o que o João e eu lutamos para conquistar, além de toda a equipe CS, agora está finalmente mostrando seus frutos mais suculentos.

Que este seja o primeiro de muitos clipes. Salve Kaká, pelo roteiro. Salve Dante Belluti e Philip Moss, pela direção. Salve a Chá das 5, pela finalização e edição. E salve a N Filmes do Gabriel, que produziu tudo.



Susan Boyle
21-Abril-2009, 3:11
Arquivado em: Música

Houve uma certa necessidade criada para que eu falasse sobre a Susan Boyle. Mulher que deixou todos embasbacados a ponto de virar um ícone do ‘retorno da música sobre a imagem’. Será?

O fato dela ser feia e desengonçada foi algo que, de fato, serviu a seu favor. Sua voz, devidamente checada pelos produtores, foi confirmada como uma de grande potência e charme. Imagino eu que os juízes não a conheciam. Não faria sentido saberem do seu potencial. Perderia toda a graça da surpresa. Além do que imagino que nenhum dos juízes de fato conheça os participantes antes dos mesmos entrarem no palco.

Susan canta muito. Isso é fato consumado. O que ela fará com o provável prêmio do Britain’s Got Talent ainda é algo a ser questionado. Agora, se ela terá uma carreira de sucesso a partir do programa, isso depende muito.

Ela pode lançar um álbum de músicas de musicais clássicas. Venderá turbilhões de cds e singles e mp3s. Não sairá o segundo álbum, pois não haverá ninguém para comprá-lo.

Susan terá alguma sobrevida se ela entrar numa trupe de musicais e treinar, treinar muito, para se tornar uma vocalista, solista até, que possa interpretar e ser relevante num mercado tão fechado e concorrido. Seu nome dará ao expetáculo um tchan a mais, e isso a ajudará muito – pois seu nome, ao menso em princípio, venderá ingressos. Se ela provar que tem não só talento, como perseverância e ‘jeito’ para o negócio, há uma esperança que ela venha a durar mais que um ano nesse meio.

Adorei vê-la cantar. Gostei muito das expressões das pessoas ao vê-la soltar o vozeirão. O espanto de todos foi realmente algo legal de se ver.

Todo o papo de ‘volta da música versus a imagem’ é uma grande balela. Isso não mudará nunca nesse mundo. Especialmente um mercado musical que se tornou tão fugaz que artistas que vendem 5 milhões hoje são esquecidos em míseros meses. A imagem tornou-se o atributo primordial da maioria dos artistas, especialmente os pop, para que possama atingir algum nível de sucesso.

E por isso não acho que a Susan seja uma demonstração que o talento está ganhando de novo. Ela é uma novidade gostosa. Um patinho feio que ganhou seus minutos de fama.

Tomara que dure. Mas não sei não…



Cabeça de Rádio na Apoteose
23-Março-2009, 9:18
Arquivado em: Música

Havia uma correria no dia. Casamento do meu irmão no sábado, muita coisa pra resolver do trabalho, reunião que não pude ir por falta de tempo. Corri feito um doido pra chegar a tempo na Apoteose pra ver o LH. O Doni merece uma tapa das grandes pela frase que vomitou no começo do seu post sobre o show de Sampa. Tsk, tsk.

Havia uma expectativa grande no ar. Um mar de pessoas diferentes, de estilos diferentes. Via-se jovens, velhos, indies, punks, alternativos-de-all-star, meninas de edumentária praiana, homens de couro. Todos ali para verem o que há de mais impressionante na música em muitos tempos.

Radiohead não é minha banda predileta. Mas carrega consigo uma sonoridade que me transmite furor, angústia, medo, simplicidade em sua complexidade. Tudo o que mais quero na música. Melancolia ao extremo.

Cheguei no começo do show dos Hermanos. Mal pude acreditar que os shows começaram na hora. É um bom sinal para o futuro dos festivais de música nesse país. Para pararmos de imaginar que a banda só entrará no palco duas, três horas depois do anunciado. 

Tenho uma constatação interessante e, pra mim, um tanto instigante a fazer: o show do Los Hermanos está cada vez pior. 

Eu sou fã incondicional, e estava muito, mas muito animado para ver o show. Só que acho que a proposta minimalista e a idéia de ser indie até onde a reta faz curva está minando com o show dos caras. O que havia de animado, de instigante nos trejeitos e maneirismos dos músicos está se perdendo na proposta de não proporem nada no palco. Acabo vendo um show que não é um show. São músicos a tocar minhas músicas prediletas em português. 

Não há mais aquela emoção de antes. Aquela vontade de gritar, me descabelar com as músicas que tanto amo. Não sei se é minha velhice chegando cada vez mais forte e rápido, mas não consigo mais me sentir tão emocionado com os Hermanos. E isso me assusta.

Kraftwerk só pode tocar em ambientes pequenos. Pioneiros, gênios, fantásticos. Mas na Apoteose, com a quantidade de poluição visual que existia ao redor – o elevado do túnel Santa Bárbara, as casas e prédios ao redor, o batalhão da Polícia Militar, tudo estava prejudicando o espetáculo de luz que é o show do Kraft. Não ajudou eles terem feito o mesmo show de 2004.

A impressão que deixam é que pararam no pioneirismo de antes. E ficaram lá, presos ao passado. Presos ao fato de terem sido precursores. Não mais criadores de trends, preferem mostrar o que fizeram para atestar sua importância na história da música eletrônica mundial que tentar algo novo ou criar simplesmente por criar.

Foi um show extremamente burocrático. Ainda por cima no meio da última música ligaram os holofotes da Apoteose, o que me deixou com uma sensação de desreipeito aos músicos e ao público que sinceramente não lembro de ter visto antes. Bizarro.

Com dez minutos de atraso vejo as luzes da Apoteose se apagarem pela segunda vez. Toma conta de mim um certo calafrio. Thom e sua trupe estão, de fato, na minha frente.

É sempre difícil descrever um bom show. Thom estava em êxtase, e nos carregou junto. Chegou a gargalhar com a participação do público, muito, imagino, do próprio espanto que é comum aos músicos que nunca vieram ao Brasil e não entendem como podemos ser tão participativos. O público brazuca realmente é fantástico. 

Cantamos muito. Muito mesmo. ‘Karma Police’ foi lindo. Thom até voltou ao microfone no final da música para, a cappella, fazer um verso só conosco. Deu pra ver o baixista pulando feito um maníaco ao lado da batera, feliz e contente por participar desse memorável evento. O Brasil sempre dá show – é realmente impressionante.

A magia visceral do Radiohead cativa qualquer um. Um som difícil, denso, incrível. O som estava fantástico, alto e na cara como poucas vezes vi na Apoteose. Acho que nunca vi som tão bom naquele espaço que sempre peca pela acústica. 

Faltaram músicas antigas. Faltou ‘High and Dry’. Faltou ‘Fake Plastic Trees’ (que tocaram em Sampa). Mas sabem de uma coisa? Espero essas músicas quando eles voltarem. Porque sei que voltam. O Brasil faz isso com as bandas.



Radiohead + Kraftwerk + Hermanos!!
14-Janeiro-2009, 1:42
Arquivado em: Música

Não satisfeito em regojizar no deleite de ver o Radiohead tocar na minha frente, descubro que o maravilhoso Kraftwerk abre o show. Fiquei esperando o Sigur Rós, que seria a melhor notícia que poderia receber na vida, mas ainda sim sabia que seria um show memorável.

Pois o Los Hermanos vai voltar pra tocar com o Radiohead. Gozei de pau mole.



No alarms and no surprises
2-Dezembro-2008, 1:25
Arquivado em: Música

Radiohead vem pro Brasil em Março. About fucking time. 

Minha relação com essa banda é esquisita. Lembro muito bem deles quando morava na Inglaterra e eles seram aquela coisa que todo mundo se amarrava, mas ainda era meio submundo. Bem parecido com o Muse, o Ash, o Manic Street Preacher e o Feeder (esse último, realmente, nunca fez nada melhor que o EP de estréia que comprei num beco em Londres… uuuh, história boa pra contar depois). Nunca tinham me assutado com seu som, como o Live fez com ‘Throwing Copper’.

Ainda sim achava muito boa a banda. Thom é um cara estranhíssimo, mas de certa forma carismático. De uma maneira super bizonha.

‘The Bends’ foi lançado praticamente no meu aniversário no ano que voltei pro Brasil com a família. ‘High and Dry’ e ‘Fake Plastic Trees’ já eram mini-clássicos alternativos. Achei a banda uma das coisas sonoras mais legais que ia levar de volta pra casa.

Ainda sim, um show na Apoteose me parece um tanto ‘much’. Não sei se vinte mil pessoas vão se dispor a correr atrás dos caras. Entendo todo o furor criado depois do ‘Ok Computer’, do ‘Kid A’ e do absolutamente fantástico ‘In Rainbows’, que é o que mais gosto e comprei, claro, o vinil de 40 libras ao invés de não pagar nada para tê-lo. O cheiro do vinil é sensacional.

Fico pensando no Robbie Williams, que veio achando que ia entupir o Sambódromo e botou metade das pessoas possíveis no lugar. O Queen não lotou o HSBC. O REM, o Maroon5 também não lotaram o HSBC, com capacidade pra umas nove, dez mil pessoas.

O que me faz pensar no quão difícil vai ser entupir aquele lugar com tanta gente. Acho que só o Roger Waters deixou aquele lugar realmente cheio as of late. E… porra… era o Roger Waters tocando ‘Dark Side of the Moon’ na íntegra…

Sexta-feira começam as vendas, soube. Comprarei o quanto antes, ainda mais porque a banda de abertura tem toda chance de ser uma das coisas mais maravilhosas que a música mundial já criou: Sigur Rós

Tomara que seja um show do cacete. Sei não. Estou com muitas dúvidas.