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Existe uma gama de sensações interessantes sobre trabalhar demais. O que é, de fato, muito trabalho? Aquele que domina suas horas? Ou o que te faz sonhar sobre projetos existentes e futuros? Será que é aquele que te estressa? Ou aquele te consome o suficiente para que você não consiga se estressar?
Fora o mestrado, que está me matando, ando desenvolvendo projetos incríveis. Uma proliferação de idéias e ideais que me tomam o tempo, a cabeça – e até um pouco a saúde. Meu olho esquero treme um pouquinho. Acho que é excesso de cafeína. Ou algum problema neurológico, o que seria mais um pra lista infinita de maluquices que tenho. Minha dieta já foi pros cacetes.
Viajo dia 30 para os EUA a fim de fechar minha segunda residência do mestrado. Teria de ser um momento, igual ao ano passado, de pura imersão e dedicação. Sei que vou precisar achar horas no dia para conseguir fazer tudo. Vou ter de inventar um calendário novo, e colocar umas 30 horas da aurora até o crepúsculo, para que possa me dedicar à manter minha saúde em dia e compor as músicas que quero até o final do ano.
Durmo sobre o trabalho, acordo atrasado pra um bando de coisas. Me vejo sempre com alguns telefonemas pra fazer, todos que deveria ter feito mais cedo ou ontem. Me pego assumindo inúmeros projetos por romantismo, ideal, excitação e gana. Cada novo passo é uma vitória, que se transforma em vinte passos até a concretização do investimento intelectual e financeiro. Uma briga de leão diária, horária, quiçá minutária.
Sabe que estou adorando isso tudo?
Meu país. Minha cidade. Vivo falando de vocês. Mal, most of the time. Bem quando quero, quando não consigo conter minha vontade de proclamar meu amor.
Não tinha visto sua vitória ao vivo, minha cidade. Não pude acompanhar. Estava no interior do estado de São Paulo. Depois estava na grange cidade cinza que gosto bastante. E onde me encontro agora, vendo, repetidas vezes, o seu vídeo para o COI.
São momentos especiais, esses. Momentos em que me vejo um cidadão tupiniquim. E sabe por que? Porque amo o fato de sermos assim. Falhos, estranhos, emotivos até pedirmos arrêgo.
Somos o povo que vai, em centenas de milhares, torcer por uma votação em um país escandinavo. Somos um povo que festeja de maneira delirante, e esquecemos os problemas, as árduas porradas da vida, por uma festa e uma reunião em grupo.
Somos um povo feliz. E, agora, somos um povo olímpico. Que orgulho.

Pronto. Vai começar minha falta de vida de novo. Como se já não tivesse pouco tempo ultimamente, com tantos projetos e tanta correria antes de viajar.
Vem aí o Festival do Rio 2009. Ainda bem que serão duas semanas. Mas garanto que, de novo, vou ver ao menos 15 filmes. Meu recorde foi 31, em 2006. Devia tentar batê-lo de novo, mas acho difícil. Tem poucos filmes, esse ano, que me encantam de verdade.
Em 2006 o que deu certo foi que acabava vendo filmes no meio do caminho de dois que queria muito ver. Tinha um às 14h e outro às 20h, por exemplo. Acabava sobrando aquele filme checo horroroso, com produção islandesa e atores estonianos, às 17h.
Nesse festival, vou fazer questão de correr atrás dos que vão aparecer nos cinemas em geral. Estarei fora do Brasil a partir do final de outubro, e preciso pegar os filmes que pra cá virão. Na cidade da universidade em Ohio há UM mísero cinema. E não sou de baixar filmes (posso simplesmente mudar de opinião, mas duvido muito que isso venha a acontecer).
Acabei de lembrar que preciso terminar as aventuras do Viking na América.
Mas então, quero ver esses filmes aqui:
- Bellini e o demônio, de Marcelo Galvão (não sei por quê… acho que gosto do toxicômano do Fábio)
- Insolação, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch
- Sonhos roubados, de Sandra Werneck (ouvi falar bem)
- Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes
- It Might Get Loud (It Might Get Loud / It Might Get Loud), de Davis Guggenheim (Estados Unidos)
- Singularidades de uma rapariga loura (Singularidades de uma rapariga loura), de Manoel de Oliveira (Portugal)
- Barba Azul (Barbe Bleue / Bluebeard), de Catherine Breillat (França)
- A Doutrina de Choque (The Shock Doctrine / The Shock Doctrine), de Michael Winterbottom, Mat Whitecross (Reino Unido)
- Maradona (Maradona by Kusturica / Maradona by Kusturica), de Emir Kusturica (Espanha)
- Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds / Inglourious Basterds), de Quentin Tarantino (Estados Unidos) (YEEEEAH!)
- Abraços partidos (Los Abrazos Rotos / Broken Embraces), de Pedro Almodóvar (Espanha)
- Distante Nós Vamos (Away We Go / Away We Go), de Sam Mendes (Estados Unidos)
- Coco antes de Chanel (Coco avant Chanel / Coco Before Chanel), de Anne Fontaine (França)
- (500) Dias com ela ((500) Days of Summer / (500) Days of Summer), de Marc Webb (Estados Unidos)
- Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock / Taking Woodstock), de Ang Lee (Estados Unidos)
- Brilho de Uma Paixão (Bright Star / Bright Star), de Jane Campion (Reino Unido)
- O Desinformante! (The informant! / The informant!), de Steven Soderbergh (Estados Unidos)
- Nova York, Eu Te Amo (New York, I Love You / New York, I Love You), de Mira Nair, Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shekhar Kapur, Shunji Iwai, Joshua Marston, Natalie Portman, Brett Ratner, Wen Jiang, Randall Balsmeyer (França)
- Julie & Julia (Julie & Julia / Julie & Julia), de Nora Ephron (Estados Unidos)
- Che 2 – A Guerrilha (Che: Part Two / Che: Part Two), de Steven Soderbergh (Espanha)
- A Batalha dos 3 reinos, de John Woo
- Aguas turvas (De Usynlige / Troubled Water), de Erik Poppe (Noruega)
- O dia da transa (Humpday / Humpday), de Lynn Shelton (Estados Unidos)
- Coco (Coco / Coco), de Gad Elmaleh (França)
- Eu sei que você sabe (I Know You Know / I Know You Know), de Justin Kerrigan (Reino Unido)
- O lar das borboletas escuras (Tummien Perhosten Koti), de Dome Karukoski (Finlândia)
- A próxima estação (La próxima estación / La próxima estación), de Fernando E. Solanas (Argentina)
- O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos / The Secret in Their Eyes), de Juan José Campanella (Argentina
- Arranca-me a Vida (Arráncame la vida / Tear This Heart Out), de Roberto Sneider (México)
- Boogie (Boogie, el aceitoso / Boogie), de Gustavo Cova (Argentina) (animação)
- An Englishman in New York (An Englishman in New York), de Richard Laxton (Reino Unido)
- Os Tempos de Harvey Milk (The Times of Harvey Milk / The Times of Harvey Milk), de Rob Epstein (Estados Unidos)
- Fúria (Outrage / Outrage), de Kirby Dick (Estados Unidos)
- Human Zoo (Human Zoo / Human Zoo), de Rie Rasmussen (França)
- Vogue – a edição de setembro (The September Issue), de R.J. Cutler (Estados Unidos)
- Big River Man (Big River Man / Big River Man), de John Maringouin (Estados Unidos)
- Black Dynamite (Black Dynamite / Black Dynamite), de Scott Sanders (Estados Unidos)
- Tyson (Tyson / Tyson), de James Toback (Estados Unidos) (LOUCO PRA VER ESSE)
- Em Busca do Paraíso (Heaven wants out / Heaven wants out), de Robert Feinberg (Estados Unidos)
- American Boy: o retrato de Steven Prince (American Boy: A Profile of Steven Prince), de Martin Scorsese (Estados Unidos)
- American Prince (American Prince / American Prince), de Tommy Pallotta (Estados Unidos)
- When you’re strange (When you’re strange / When you’re strange), de Tom DiCillo (Estados Unidos)
- Os sonhos sobrevivem ao poder? (Le Pouvoir détruit-il le rêve? / Behind the Rainbow), de Jihan El-Tahri (Egito)
- American Casino (American Casino / American Casino), de Leslie Cockburn (Estados Unidos da América)
- Teatro de guerra (Theater of War / Theater of War), de John Walter (Estados Unidos)
- Playground (Playground / Playground), de Libby Spears (Estados Unidos)
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Será que consigo ver – cacetas, é muito filme! 46!! – ao menos metade desses?

É, Cabra, tá braba essa nostalgia.
Tempos idos, quase deixados. Momentos em que aprendi, cresci, viajei, pensei, refleti, mudei. Todo mundo anda se ocupando demais, e deixando de lado um link blogueiro que criamos.
Mas penso também que as coisas mudaram porque, agora, somos não só blogueiros amigos. Somos, de fato, amigos. Amigos de verdade.
E amigos de verdade às vezes esquecem o que primeiro os uniu, mas continuam fortes e seguros dos laços que têm.
Não acreditei na afinidade que tive contigo naquele nosso fatídico encontro no Belmonte. Que a despedida do Alex, que cheguei a pedir permissão pra participar, fosse ser o começo de uma fase nova na minha vida.
Essa amizade só me fez crescer. E me proporcionou conhecer pessoas distintas, que nunca teria conseguido conhecer não fosse o poder da propagação de idéias e pensamentos que os blogs detêm. E por isso sou eternamente grato ao meu extinto ikhaat.blogspot.com.
Não fosse pela idéia juvenil de falar do que odeio (ik haat é ‘eu odeio’ em holandês), eu não teria falado aquilo que falei. E com isso não teria chegado a conhecer todos vocês. E poder falar o que falei, saber o que soube, aprender o que aprendi.
Minha falta de tempo me faz ter menos cuidado com esse espaço. Um espaço que mudei para poder trabalhar melhor minhas idéias e ideais, mas que vira e mexe se torna um lugar onde preciso colocar qualquer coisa para que não perca a noção da existência disso aqui e ainda lembre o quanto esse blog é importante pra mim.
A nostalgia que bate daquele inverno de 2005 é onipresente. Não há como passar pela Cinelândia e não lembrar de assistir ao show que foi ver um libertino prazeirosamente chupando o dedão de uma oompa-loompa. Não há como lembrar a ida de um paulista de supetão para nos agraciar com sua presença.
Ainda sim, minha maior nostalgia é não ter conseguido aprender mais tanto e nem ser tão assustado por novas pessoas incríveis e inesperadas na minha vida. Um momento sublime de abertura pessoal, onde não me contive e me entreguei por inteiro, recebendo em troca muito mais do que tinha a oferecer.
Minha nostalgia vem do tempo em que ainda me sentia mais inocente e romântico com relação ao mundo. Que sabia que qualquer experiência seria proveitosa e maravilhosa. Onde sabia que meus sonhos seriam realizados. Tinha certeza que meus objetivos eram críveis e conquistáveis.
Agora uma dose um pouco grande demais de amargura domina meus dias. A constatação que nem sempre conseguirei ser transparente e receber transparência e cumplicidade de volta dos outros. Que talvez tenha de deixar de lado meu lado romântico para um mais objetivo e, claro, impessoal.
E junte tudo com a minha preocupação com a carreia, o dinheiro, meu profissionalismo e o que bucestas vou fazer daqui a pouco quando tudo for pro ar (provável) ou tudo der certo (improvável) e não conseguir sequer voltar a ser sonhador e ser mais um operário.
Olha que não contei o mestrado, que ainda é uma fonte de imensa alegria, porque a academia é ao menos um pequeno espaço para que eu possa, de alguma forma, explorar um lado mais erudito e sonhador. Tomara que ele continue sendo um escape. Quando a defesa de tese chegar em maio do ano que vem, estou fudido. Ou não.
Vai saber.
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Lembro de quando fui ao Rock and Roll Hall of Fame em Cleveland, ano passado, e fazia um frio incrível. A primeira vez que esse viking sentiu frio da vida. Uma rajada de vento quase cortou minha orelha ao meio.
Ao entrar no hall da fama e virar para a esquerda, me deparo com algo incrível – ‘The Log’, de 1941, primeira guitarra de corpo sólido já feita. Era um pedaço de madeira, com uma corda de violão de aço presa num prego, de um lado, e indo até um captador. O começo do instrumento que revolucionou a maneira como fazemos música.

(Minha linda Nina, em toda sua beleza prateada)
Ontem, Les Paul morreu no auge dos seus singelos 94 anos. Inventor, foi singularmente responsável pela criação de um segmento de música. Dos primórdios do nosso maravilhoso rock n’ roll.
Les Paul também foi um incrível músico, ganhador de inúmeros prêmios e uma sólida carreira artística. Mas Les Paul, além de sua fantástica guitarra, fez o mais importante passo para a maneira como ouvimos e produzimos música.
Criou o gravador multicanal, que proporciona a gravação separada de cada instrumento, que pode ser tocado pelo mesmo músico. Possibilita a gravação do mesmo vocalista de vários canais de voz harmonizados. A música que conhecemos só existe por causa do Les Paul.
Inté, velhinho. Toquei minha Nina pra você hoje. Vou gravar com ela amanhã em sua homenagem. Obrigado.
Ô Cabra, que bonito você ter tirado tempo da sua agenda tão cheia de compromissos de eleição de políticos para escrever uma defesa sobre a minha cidade européia. Gostei de muita coisa que você disse, e sinto também uma necessidade grande em discorrer um pouco mais das coisas que foram ditas.
“…seria bobagem tentar comparar as francesas, com sua elegância e seu talhe esbelto, às inglesas — que pobre gente feia aqueles ingleses, não é?”
No primeiro momento, para o leigo e míope, as londrinas podem sim parecer feias comparadas às parisienses. Mas se você esperasse a espessa fumaça do seu cigarro se esvair, e fizesse a correção cirúrgica para sua visão desprivilegiada veria que há muita beleza nas inglesas – seu attire mais moderno, seu pioneirismo na moda, seu olhar cool e simpático, convidativo. Se fosse Paris ficariamos sempre nas esguias fumantes, cuja tosse, do único alimento que elas julgam ter fora a nouvelle cousine, se ouve aos milhares pelas ruas da Cidade Luz.
“Eu, no entanto, teria preferido falar de uma das pequenas delícias de Londres que você deixou passar: o costume de deitar e comer nos parques, como o Green ou o Hyde.”
Se não fosse pelo restante do seu post, imaginaria que, de fato, você estivesse falando bem dos parques londrinos – tão majestosos, acolhedores e bem cuidados. Achava que você fosse comentar o quão mais históricos eles são, pelos movimentos seculares que transcorreram neles, pela incrível história que todos carregam e pela maravilhosa abertura que eles provém, dando espaço a todos que desejam curtir um momento de paz e tranqüilidade numa cidade tão sensacionalmente ocupada e viva.
“Acho que os ingleses fazem isso porque, ao contrário dos parisienses, não têm uma cidade bonita pela qual flanar, mas cada um se vira com o que tem — e que povo melhor para suportar as adversidades do que o inglês? Vamos então deitar nos parques, olhar para as flores em volta e esquecer que além de suas grades está uma cidadezinha feia, mas simpática.”
Engraçado usar a simpatia dos parques, tão democráticos e convidativos, como fugas da feiura da cidade londrina é esquecer que os lindos parques londrinos são fonte de paz para muitos numa cidade ocupada demais. Afinal, Londres não é chamada do coração do mundo por nada, né Cabra… mas legal mesmo é Paris, com sua arquitetura igual, sem espaço para o moderno, onde o Balzac poderia existir hoje e escrever exatamente o mesmo sobre o povo e a cidade.
“Não há deles nenhuma declaração de amor à capital inglesa, nenhuma vontade de passear por seus becos e suas ruelas, nenhuma percepção da cidade como criatura e criadora de um povo, como Balzac percebe em Paris. Sim, eles também eram gênios — e por serem gênios sabiam que Londres não valia a pena.”
Não é que não valia a pena. Eles nunca precisaram é descrever sua linda cidade o tempo todo. Não precisavam exaltar toda a sua magia e encanto. Ao contrário do seu querido Balzac, que o tempo todo precisava colocar Paris no centro de tudo. Sinto uma certa falta de confiança do Balzac na beleza e importância da sua cidade. Afinal, quem faz questão de, o tempo todo, exaltar algo ou está escondendo muita coisa ou precisa se assegurar se que, de fato, ele realmente acredita isso. Sinto uma imensa dúvida… talvez seja só eu.
“Então eu falaria de outras coisas. Falaria de Jack, o Estripador, por exemplo. Falaria da polícia que mata brasileiros no metrô. Ou lembraria de Drácula, de Mr. Hyde, de Frankenstein — Londres é um cenário perfeito para esse tipo de história.”
Por ser cosmopolita e abrangente, por aceitar todos os credos, cores e nacionalidades, Londres é palco de todos os tipos de história mesmo – afinal, não cedemos ao Nazismo, não fomos tomados por um baixinho num egotrip tremendo. Sempre lutamos contra o que há de errado, e fomos palco de muitas histórias, boas e ruins. Isso é o que acontece com uma cidade aberta e acolhedora. Onde pessoas se conhecem e são conhecidas.
“…eu falaria da forma como Londres se apega pouco ao passado, como os prédios modernos se misturam com predinhos atarracados cor de cocô. Londres parece tanto com São Paulo em alguns aspectos. Principalmente na feiúra tão absoluta que a gente pode até confundir com beleza. Londres não tem motivos para preservar sua arquitetura horrorosa, e seria essa qualidade que eu exploraria.”
Comparar Londres à São Paulo é de uma trememenda má vontade. A Cidade de Westminster é de uma beleza que transpõe qualquer dúvida. O centro financeiro conseguiu se modernizar com o tempo, auxiliando os lindos prédios vitorianos com movimentos modernos de incrível arquitetura – o London Eye, O2 Arena, The Gerkin… nós evoluimos, não deixando com que a modernidade e a tecnologia fossem escondidas das nossas vidas cotidianas.
“Quanto a Trafalgar Square, além de uma questão de gosto, sua única qualidade mesmo é que dali você consegue ver a sua bela “Abbey” — ao contrário do Arco de Napoleão, que embeleza a Champs Elysées com a sua visão.”
Champs Elysées só é bela porque é anca. De resto, não tem nada a oferecer além de cinemas antigos e McDonald’s e Burger Kings. É a falácia parisiense de manter a arquitetura intacta enquanto toda e qualquer influência contemporânea é tomada e usada.
“Ah, Bruno, meus tempos de boemia se foram com meus verdes anos. Mas confesso que, entre um cabaré e um teatro, é no cabaré que meus devaneios recaem primeiro. Mas não é esse o caso. O problema aqui está no fato de que, quando uma cidade precisa recorrer a um teatro demolido há séculos para encontrar uma razão que justifique a sua existência, ela tem problemas sérios. Como você pode preferir um teatro inexistente a um cabaré que ainda hoje pode lhe oferecer o paraíso?”
Se pra você o paraíso são meretrizes trajadas de roupas que deixaram de ser excitantes há dois séculos. Eu prefiroa arte eterna do Bill, até o feliz do Webber me satisfaz mais que velhas que não sabem mais seu lugar no mundo jogando suas pernas e plumas ao ar como se estivessem nos anos 20 e abafando. De fato, entre as plumas e meias de rede de pescador eu sou muito mais o que você chamou de ‘fleuma britânica’, um bom terno ou brincos, espetos e botas dos punks.
“Mas acho que entendi o que você quis dizer com seus punks degenerados. O problema é que esse foi outro equívoco, porque pelo visto você não conhece os imigrantes que dançam street music no Boulevard Rochechouart nas tardes de sábado, ou as multidões de esquisitinhos que se aglomeram na porta do Elysée Montmartre, ou ainda os patinadores em frente ao Palais Royal.”
Seus imigrantes são tunisianos, costadomerfinenses, nigerianos… pessoas que falam a língua da cidade. Raros são aqueles que se aventuram por essa cidade que não aceita ninguém direito. E enquanto meus performers de rua estão ali para conquistarem seu espaço, os seus estão ali pra sobreviver nuam cidade que não os aceita por terem pele e religião diferente da de Luis VIII.
“E, embora eu esteja aqui tentando te ajudar na defesa dessa cidade agradabilíssima que é Londres, eu preciso repetir o que já disseram o Idelber, o Wilson e a Lolla: citar a Starbucks como vantagem londrina é se ajoelhar no chão e pedir perdão pelas bobagens que acabou dizer. Em vez disso, nós poderíamos defender Londres dizendo que café não presta, que bom mesmo é chá, e melhor ainda é o chá das cinco. Mas pobre de uma cidade que não pode ter orgulho do seu café.”
Minha comparação com o Starbucks significava a veia cosmopolita e aberta da minha cidade. O fato de saber que posso confiar no moderno e não sentir vergonha disso. Mas para vocês que fogem do que é moderno e, caráleo, até gostoso!, falar dos pubs seria demais.
Porque os pubs são justamente o que Paris nunca será. Um lugar de confraternização de pessoas distintas, todas a fim de um momento alegre e jovial, uma música legal, uma cerveja gostosa (podemos não ter café, mas de cerveja vocês não podem se gabar, né Cabra?) e, porra, convivência com pessoas simpáticas! E o final dos dias de um pubs são motivos de alegria, com pedidos mil de jarras de cerveja, que mesmo quentes são motivo de regojizo, ao invés dos cafés parisienses que já expulsaram meu pai à força durante um gole ou outro do café ruim que eles servem porque passara das 23h.
Um dia a nojentisse de Paris se entranhará em ti. O dia que você viver por mais de uma semana em Londres você verá o quão melhor a cidade é. Waterloo não foi por acaso. Um dia você aprende.
Ah, querido Rafael, como Londres é melhor que Paris. Sua ilusão me deprime.
Sinto que ainda precisamos sentar um dia, após alguns copos de cerveja, num bar nessa cidade que cisma em ser maravilhosa, para que eu possa exclarecer alguns pontos e deixar ís com pingos. Não há como deixar um post como esse passar em branco. Preciso dizer algumas coisas.
Convincente você até foi. Ao menos tentou ser. Mas você esqueceu muitas coisas, querido Rafael. Esqueceu que Londres não precisa ser lembrada.
Londres sequer existe.
Minha cidade de Westminster é o bólido do qual um apunhado de microcondados formam minha metrópole. É o mais belo sentido do cosmopolitismo. Uma cidade que não existe, que é expandida e criada a partir do nada. Isso é ser eterna. Imortal por nunca ter nascido.
Enquanto os gárgolas de Notre Dame te fazem gozar de pau mole, a resoluta Abbey resplandece em verdes campos, costurada majestosamente pelo Tâmisa, turvo e raivoso. Não é um Sena, todo fresco e calminho. Meu rio tem história de lutas e águas que sempre foram o terror dos inimigos. Minha cidade tem vida até na água.
E você, querido Rafael, fala de Balzac du Paris como se minha cidade não tivesse meu Shakespeare e minha Woolf of London. Enquanto você regojiza nos cabarés, seu pseudoboêmio, lágrimas escorrem dos meus olhos ao pensar no meu Globe Theater of old.
A beleza de Paris é tão efemera que se esvai no momento em que se respira o ar da cidade por mais de dois dias. O que se vê perde espaço para o que se ouve, se sente. Se o Arc de Triomphe é belíssimo, a Trafalgar Square é mais. Se o grande Louvre, que de fato é foda e merece até uma história do Mini Viking, sou mais o British Museum e o Tate Modern, na beira do Tâmisa, com vista para a St. Paul’s, ao lado da Canary Wharf. Perfeito.
Se você, querido Rafael, adora os cafés blasés – tem palavra mais parisiense que ‘blasé’? – e fica, com sua cigarrilha e chafé, lendo Le Monde e conversando com uma magrela de boina e poodle preto no colo, eu vou pro Starbucks em Camden Town e com meu Soy Venti Latte me divirto com os punks e lindos degenerados, performers de rua e meu povo de All-Star no pé. Por que em Londres todos são da metrópole. E a metrópole é de todos.
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Existe algo visceral na minha transparência. Sofro e sou congratulado por ela. Sinto que ela me proporciona uma abertura tremenda – mas com isso sinto uma relutância imensa de outrem em 1) acreditar em mim de fato, crendo que minha transparência é somente uma imagem que forço e 2) deixar que minha transparência seja tão somente isso – minha transparência, e não movimentos grosseiros e invasivos.
Sempre que exponho meus sentimentos, que raramente são contidos e normalmente detém a totalidade dos meus pensamentos sobre a questão, vejo que quem recebe essas opiniões geralmente não compreende bem o que estou dizendo. Tudo bem que uma grande parte das vezes posso transparecer uma imagem que não é a que pretendo – afinal, quem tem opinião e a expõe é tido como um pretencioso arrogante que não tem o que fazer da vida a não ser tentar influenciar as pessoas. Não é meu caso. Eu falo porque não tenho filtros mesmo.
Filtros esses que vejo como uma desnecessária criação social que não influencia em nada o que somos nem quem nos propomos ser. Afinal, segurar seus pensamentos e viver em discórdia com seus pensamentos é ser, bem, puta infeliz. Eu prefico vociferar todos os meus pensamentos e opiniões aos ventos e saber que, pelo menos, as pessoas ao meu redor sabem que o que digo é o que penso – como não seguro nada, não há nada a temer de mim. Se penso algo, o digo.
E isso me torna uma pessoa a ser temida? Eu sei lá. Ninguém mandou perguntar. Ouvem o que querem e o que não querem. Estou aqui pra falar tudo. Perdoem-me os sensíveis.

Ando vagando pelos dias, mais pensativo que o normal. Pensando nas possibilidades que essa vida me apresenta. Pensando nos movimentos que devo fazer para alçar os vôos que tanto quero. Com acento e tudo. Caguei pra revisão ortográfica.
Quinta-feira é meu aniversário, e cada vez menos essa data tem significado importante na minha existência. Nunca fui de grande celebrações anuais do dia do dia que berrei pela primeira vez, que dei meu primeiro grande suspiro. Mas invariavelmente me ponho a pensar no que crier, e conquistei, nesses quase 27 anos de exposição ao mundo.
E sempre vejo que não tem muito a mostrar. Sempre tenho a clara sensação que preciso de muito mais - que estou devendo muito a mim mesmo e às pessoas importantes da minha vida que sinto merecer algo a mais de mim. Fico ansioso por mostrar mais, por ser mais.
Tenho gana de expandir cada vez mais meus horizontes. Quero ampliar meu leque de atuação na vida. Sou quem sou hoje e não quero ser quem sou hoje amanhã. Uma constante mutação me faz bem.
Espero que a semana que vem guarde boas surpresas.
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E um Viking partiu pro Sambódromo. Um ofereciment do Don Freitas, líder e chefe dessa entrépida trupe de lusitanos fajutos. Gente, o Sambódromo é mágico. Nunca pensei, na minha vida, conseguir gostar tanto de samba como gostei no domingo.
Meus pais e nossos primos patrícios desfilaram pela Império. Primeira escola do domingo e me deu a chance de poder chegar cedo, antes da muvuca, e ainda poder filmar tudo de perto, sem problemas, visto que a galera não tinha chegado ainda. E que sensação fantástica de ver a escola passar.
Consegui fotos incríveis. Vídeos incríveis que compilarei num novo episódio Viking no YouTube. Como fiquei apaixonado pela minha Vila Isabel na avenida.
‘Segura a Vila, que eu quero ver! Vem brindar e saciar, a sede! Do alto da sede, coroa hoje brilha, a centenária maravilha!’
Gritava, berrava, pulava na frisa. Me senti um moleque a berrar seu samba da comunidade. Me senti parte de Vila Isabel, o bairro onde todos meus familiares moram ou moraram. O bairro fronteiriço do meu, o Grajaú. O bairro que sempre conviveu e viveu comigo.
Quero muito poder participar do Carnaval da Vila ano que vem. Vou participar. Não posso deixar de participar. Muito bom. Mas muito bom mesmo.
‘Vi-lá. No Theatro a cortina, se abriu! Com Aída, a platéita vibra! E a cidade inteira aplaude!’
Estou apaixonado pela Vila. Pelo Carnaval. Quem diria.