Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Um susto
28-Agosto-2009, 7:01
Arquivado em: Blogroll, Politicalidades

Queria deixar muito claro o meu espanto. Um espanto sincero, diria até inocente, ao ver uma cena que me deixou estupefato. Não imaginava que o Alex poderia ter chegado à isso.

Posso esperar tudo do cara, é verdade. Afinal, um libertino libertário, autor de livros e chupador de dedões suados não pode ser alguém que espante pessoas com declarações e opiniões que possam ser, digamos, espantosas. Mas ainda sim, para um cara do qual se espera qualquer coisa, vê-lo brigando com o Suplicy no plenário foi estranhíssimo.

Não sei porque ele inventou um pseudônimo, nem sei se quero realmente saber. Heráclito Fontes é um nome tão bizarro que só poderia ter sido cunhado pela mente doentil do Alex. Problema é a legenda. E talvez foi isso que mais me impressionou.

DEM-PI?? Sério?! Porra, inventasse um personagem que fosse ao menos condizente com sua estrutura pseudointelectual. Procurasse, sei lá, o PPS, PV, mas focar logo no DEM, partido chinfrin que representa uma decadência linda das ideologias partidárias e políticas do país?

Apesar de tudo, tenho que confessar – Alex, você é um gênio. Consegue enganar a todos dizendo que está em Nova Orleans, escreve sobre escravidão quando, na verdade, vive uma vida dupla no plenário, sugando nas tetas dessa nação. Se já o considerava digno de elogios, agora você, pra mim, se superou.

Parabéns. Fez o Suplicy de piada. Tiro o chapéu pra você… oops, desculpa, tiro o chapéu para Vossa Excelência.



Cansaço político
25-Agosto-2009, 10:58
Arquivado em: Politicalidades

Será que diatribes como essa do Suplicy ainda têm espaço na política brasileira?

Porque fico pensando que, de fato, nada mais adianta. Desisti. De verdade. Um Suplicy reclamando aqui, uma Marina se desligando acolá, não fazem a menor diferença.

Porque sempre haverá um Mercadante que muda-e-não-muda. Um Lula que abraça inimigos para ter apoio à Dilma. Na cara dura. Na frente de todos aqueles que votaram nele por razões ideológicas que ele atropela hoje?

Sarney falar de Getúlio dá embrulho no estômago. Fazer o quê, né. Deveria estar acostumado já.



Filho de peixe, peixinho é
9-Agosto-2009, 1:54
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Tenho sempre uma ojeriza um tanto pronunciada com relação à rejeição de peixes na vida profissional do brasileiro. Ser ‘recomendado’ é visto como uma afronta aos bons modos. Uma maneira de atravessar a esfera da moralidade. De deturpar com os sagrados textos – que textos são esses, não faço idéia.

A grande questão surgiu, de novo, quando a neta do Sarney foi ‘pega’ em escutas pedindo emprego para um ex-namorado. Acho que a grande questão foram os atos secretos envolvidos, mas devido à questionamentos e colocações feitas, sempre acho que o brasileiro apimenta essas questões de um viés errado.

Ser recomendado a um cargo não é errado. Nunca será. Num mundo cada vez mais entupido de profissionais, onde uma pós aqui, um mba acolá, um inglês ou espanhol no CCAA não são razão para se diferenciar profissionais, ser recomendado por alguém de confiança é caminho primordial. Faço isso quando contrato quem preciso, e sei que sou recomendado por aqueles com quem trabalhei para conquistar mais espaço no mercado.

Se meu pai fosse a pessoa a me recomendar, qual, exatamente, seria o grande problema? Quer dizer que seus esforços em me educar, labutar como labutou, suar como suou, para conseguir me prover uma educação ducarai que me tornaram, vai, ‘diferenciado’ no mercado são (e foram) um erro? Que ele não pode falar para amigos e colegas de profissão das minhas conquistas profissionais e, assim, descobrindo um caminho que ele julgue interessante, marcar uma entrevista comigo para uma posição que ele recomende – tanto para me beneficiar quanto para prover ao contato que necessita um profissional alguém que seja de confiança dele e que carregue seu nome e coneito no mercado?

Porque ser peixe é tão ruim nesse país? Todos nós somos, e seremos, peixes em nossas vidas. Somos indicados para namorar amigas de amigas. Somos indicados para entrar em colégios. Somos indicados a jogar peladas quando somos minimamente bons em futebol. Por que todas esses exemplos tendem a serem aceitáveis, mas ser indicado profissionalmente, em especial por um parente, não é?

Admito que a grande questão com o Sarney foi ele dizer que ‘não podia recusar um pedido da neta’, e que, claramente, não houve preocupação com a qualidade do profissional que era o ex-namorado da neta dele. Mas a questão é – e se o cara fosse fantástico, redator de projetos de lei que mudaram o país? Será que teria sido tão ruim??

Claro que teria. Ele entrou pela porta dos fundos. De maneira escusa. Pelas razões erradas. Agora, tivesse ele entrado num cargo de confiança, de maneira transparente, teríamos tido a mesma repercussão que esse caso tomou? Eu acho que sim, e é por isso que essa diatribe está aqui.



Essa decisão sobre o diploma de jornalista
18-Junho-2009, 1:20
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Nostradamus aí acima e outros ministros decidiram que não é preciso o diploma de jornalista para exercer funções jornalísticas. Eu, como bom blogueiro, comemoro de certa forma essa decisão. Mesmo porque me sinto parte de uma movimentação a favor da liberdade completa de possibilidade de expressão. Não é questão de discutir que ‘qualquer um pode ser jornalista’.

O que fica claro decidir é se uma pessoa que divulga notícias, críticas, opiniões, crônicas, resenhas pode ser alguém sem diploma. Eu acho que sim. Muita gente já trabalha assim com liminares. É um músico que escreve sobre música. Um ator que fala sobre teatro e cinema. Uma estilista que escreve à um jornal sobre moda.

Por que é alguém precisa de diploma para reportar notícias? Entendo o esforço e o mérito de quem estuda por anos a arte do jornalismo, e acho válido que sejam reconhecidos como profissionais mais aptos e, portanto, imensamente mais competentes para exercer seus cargos que pessoas sem tamanha experiência acadêmica. Porém não acho que seja primordial ter mencionado diploma para ser contratado como provedor de opinião, resenha ou notícia.

Muitos atores não fizeram CAL nem anos de Tablado. Muitos músicos não são formados em música ou adjacentes disciplinas como harmonia, composição e regência. Muitos administradores são economistas, engenheiros, publicitários, médicos e – vejam só! – jornalistas.

Vamos parar de imaginar que profissões precisam ser exercidas somente por graduados em suas específicas áreas, salvo, claro, as disciplinas médicas. E vamos parar de imaginar que a partir de agora ninguém vai contratar administradores para administrar, economistas para estudos econômicos, informatas para desenvolvimento de softwares e, porra, jornalistas para cargos de repórter e editor de jornais e revistas.

Updeite: Como sabia que isso ia repercutir em vários blogs de responsa, sigo o Cabra em listar as considerações do Leandro Demori com relação à decisão do STF:

. Agora que caiu exigência do diploma, todo mundo vai querer ser jornalista pra ganhar milhões.

. As empresas, claro, irão contratar semi-analfabetos para escrever nos jornais (ops, isso algumas já fazem).

. “Agora um padeiro pode roubar o meu emprego?” Se depois de 4 anos na faculdade tu escreve pior do que o padeiro, sim.

. “Mas o padeiro VAI querer roubar o meu emprego?”. Não.

. “Sem diploma nossos salários serão horríveis!”. Claro! O diploma é que garantia o teu salário de marajá, agora fodel!

. Fim da vida mágica nas redações, dos altos salários, da baixa carga horária e da proteção da classe.

. “E agora, a faculdade de jornalismo não serve pra nada?”. Minha filha, é AGORA que serve (ou não, depende dela).

. “E o sindicato dos jornalistas, se tornou obsoleto?”. Pergunta com 30 anos de atraso (mas talvez agora se torne útil).



Felicidade (2)
15-Maio-2009, 1:10
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Não podia ter esperado resposta melhor ao post abaixo que a do anônimo que me mandou essa foto. Simplesmente fanstástico.

Comparar o Hitler ao Obama é um tanto forçado, mas a resposta foi tão legal e me fez rir tanto que achei necessária a postagem dela. E, diga-se, que foto engraçada essa.

Um Hitler que até mesmo no auge de uma gargalhada ainda consegue passar uma certa veia maníaca, né?, que não sai do rosto daquele doido. Deve ser o bigode.



Felicidade
11-Maio-2009, 1:37
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O quão fantástico é ver um presidente americano rir de maneira tão feliz?



O AVC do Clodovil
17-Março-2009, 3:03
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Ainda que sua morte cerebral não tenha sido declarada, é claro que está para morrer um ícone brasileiro. E digo isso com a maior sinceridade possível. Clodovil é personagem que há tempos transpõe uma vertente do pensamento nacional.

Somos um país retrógrado, racista e hipócrita, mas cultivamos figuras como o Clodô e nos guiamos pelas suas opiniões. Clodovil é representante do povo em Brasília. Ainda não sei se por uma brincadeira coletiva de um povo que caga pra política ou se é uma demonstração honesta de representatividade de uma celebridade no pensamento político de um país. 

Mesmo porque não sei se o Arnold virou governador porque foi estrela de cinema ou se seu status o proporcionou abertura para apresentar uma proposta crível e instigante de governo. Imagino eu que sua reeleição tenha sido uma comprovação para a população e para o mundo que seu trabalho como político de fato era honesto.

Clodovil é uma figura daquelas que muita gente chama de asquerosa. Ainda sim ligam seus respectivos televisores para assisti-lo proferir suas diatribes. Uma figura capaz de gerar algum tipo de movimentação pública que ainda estou para entender ao certo o que é. Porque o culto à figura célebre de televisão é algo incrivelmente instigante e incompreensível.

Se é inveja pela riqueza e talento alheio. Se é uma necessidade e explorar a vida de alguém para esconder seus próprios problemas e medos, se é uma tentativa de se aproximar de alguém distante geograficamente, porém perto o suficiente para estar na sua sala de estar. Não sei.

Só sei que o Clodovil, como muitas outras figuras públicas, assumiu uma posição importante no cerne político deste país. Veio dele declarações que mexeram, mesmo que por pouco tempo, com a estrutura de pela-sacos do Planalto. Sem abordagem política, sem plataforma alguma, ele se candidatou e angariou um número gigantesco de votos de pessoas que estavam ou cansadas da politicagem tupiniquim ou simplesmente queria vem alguém que não tem nenhuma imagem de político no Congresso. 

É uma pena o Clodovil ter tido um infortuno desses. Queria vê-lo destilar seu veneno pelas asas de Brasília. Por mais que ache sua eleição um movimento de cunho altamente dúbio, é refrescante e fascinante ver alguém de fora da política tentar achar seu lugar dentro do covil dos leões.

E de Leão e Lobo o Clodovil entende.

updeite: Clodô tem morte cerebral confirmada.



Pedófilo vota em pedófilo
10-Março-2009, 9:07
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Eu até tinha uma idéia de post para fazer sobre a ridícula decisão da patética Igreja em excomungar os pais e médicos que participaram na salvação da vida da pequenina que fora estuprada. Ia tentar jorrar todo o meu ódio e a meu asco para com essa instituição que por anos a fio vem trucidando com meu bom senso, vilipendiano meus conceitos e preceitos morais. Todos eles, claro, criados a partir de uma criação veementemente católica apostólica romana.

Mas aí veio um certo cabra que gosta demais de Paris pra ceifar o âmago das questões levantadas por esse movimento absurdo e revoltante dos líderes de uma Igreja que só prova, tempo após tempo, nos anais da História, o quão maléfica, pervertida e prejudicial ela é para a sociedade.

Leiam o post do Rafa. Vai fazer um bem tremendo a todos.



Houve um tempo
3-Março-2009, 6:47
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yeswecan

Houve um tempo que disse que ia reclamar da defesa unilateral do meu querido Idelba na questão palestina. Eu andei reclamando do fato de tudo lá no Biscoito ser muito pró-coitadinhos e sem nenhuma chance de espaço para um momento de reflexão de longe – uma visão de águia, tomando em conta os dois lados e só mergulhando na presa certa.

Me irrita, como sempre vai irritar, qualquer coisa extremista. Nunca gostei de pessoas que defendem veementemente algo sem a menor dúvida presente em seus discursos. Oras bolas, todo mundo tem dúvida. Nesse caso específico, o da briga eterna no Oriente Médio, digo o seguinte:

Não me interessa quem vai ‘ganhar’ essa briga entre Israel e o povo palestino.

O que não posso aceitar com tranqüilidade é que a luta armada do Hamas seja vista como uma de lutadores em busca da liberdade e reconhecimento contra um vilão atroz e vil que só quer dizimar civis e bombardear escolas. Precisa haver um espaço para o bom senso no dicurso disso tudo. Mas também cabe aqui uma frase necessária da minha parte:

Eu não estou defendendo Israel.

Muito pelo contrário, acho que estão perdendo a linha. Mas que é um país riquíssimo, entupido de cultura, com descobertas científicas incríveis e um pólo de conhecimento mundial, é. E por isso não podemos, hoje, tirar o direito de existência de Israel. Hoje. Porque Israel nunca deveria ter sido criado.

O estado da Palestina é algo milenar. Um estado que participou de trocentas mil trocas-trocas de poder. A Polônia do Oriente Médio. Se quisessem ter criado um estado batuta para geral, que criassem um que englobasse os judeus supimpas e mulçumanos bacanas, com espaço para os católicos sangue-bão.

Essa coisa toda de ‘direto de existir’ do estado de Israel é balela. Foi um estado criado, bem como Iraque pelo Churchill. E olha a merda que ele fez, misturando três facções religiosas briguentas e distintas num mesmo buraco. Deu no que deu.

Pode causar certa estranheza eu colocar um exemplo ruim para justificar a criação de um estado da Palestina igual. Mas a minha hipocrisia tem um único sentido – Iraque continua lá, e ninguém quer mexer nas fronteiras.

Era botar a grana dos estadunidenses judeus, o suporte do governo americano, a simpatia dos governos europeus, e a cara emburrada dos árabes que aceitariam a enxurrada de judeus para o estado da Palestina, que seria um ainda com raízes milenares, um estado que já foi a meretriz do mundo ocidental, passando de mão em mão dos Cavaleiros e Mujahideen. 

Israel, diga-se, históricamente é um estado politeísta, criado como Samáeia após a separação do estado de Salomão quase mil anos antes de Cristo. Então brincar de guerrinha com parte do seu povo que se sente perdido desampado por um estado que tomou contas de tudo tão de repente, altamente compreensivo.

But I digress, então a questão é que não agüento ver pessoas que respeito, pessoas sensacionais e de educação sublime, questionar o estado de Israel como um indefensável vilão e o povo palestinos como mártires de  burka. Vamos entender que a joça do estado existe, e terá de fazer sacrfícios imenos se ainda pretende existir e se explicar pro mundo. Infelizmente não tenho como questionar a legitimidade do estado. Um bando de estados soberanos decidiram. Ponto.

Até a mulé-di-isquerda israelense Tzipi Livni (já tentou falar esse nome bêbado? Deve ser o mesmo que falá-lo sóbrio) já admitiu que todos terão de ceder às terras de 1967 para que as coisas funcionem. Eu acho sinceramente que, pra funcionar, tinha que tudo virar um estado só, e é isso aí. Um parlamentarismo bilateral, onde há espaço para todos se degladiarem para o bem do estado geral da Palestina. Acho que o estado de Israel tá agindo – e tem sempre agido, caso julgue minimamente necessário – com força demais pra dizer pra mamãe América que é  fortinho e pode bater no menino chato da escola que tá enchendo a paciência dele. E dizer que o Hamas é líder democrático legítimo da população é como dar um tapinha nas costas do Hugo Chávez. Conseguiram um abuso da democracia pela mensagem deturpada e violenta e querem legitimidade de um estado que bombardeiam há décadas.

Aí é querer demais.



E o reinado Obama se inicia…
23-Janeiro-2009, 3:17
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É incrível o que estou conseguindo ver em três dias de governo do Obama.

Fecharão Guantánamo. O lindo presidente americano assinou um papel que transformará, em breve, aquele lugar num ponto turístico como Auschwitz é hoje. Um campo de concentração de barbáries. Um erro catastrófico.

Veremos o fim de uma fase sombria. Tortura está terminantemente proíbida. As prisões secretas, as detenções por meses, anos a fio sem a menor razão, estão banidas. 

Sua nova abordagem ética e transparente de governo é uma benção. Está tentando, em dias, desfazer o que o último atroz governo fez em oito anos. Só posso regojizar no deleite de ver esse homen mudando seu país pra melhor – e com isso carregar o mundo a uma nova era de política.

E o cara ainda é canhoto. Canhotos são sempre os melhores.