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Acho justo ter meu direito de resposta aqui, no meu blog, a cerca do meu comentário desse post do Bruno Medina, no G1, sobre o fim da era Fidel:
Cara Vana,Imagino eu que seu comentário tenha sido direcionado a mim. Afinal, em nenhum momento o ‘Medina’ entrou em jogo, e visto que falaste em ‘comentário’, eu tomo para mim suas críticas. E vamos começar pela sua absurda e ridículas acusação de que eu não tenho cultura.
“Possivelmente, você foi atrás do google, leu uma matéria bem rasa da revista Veja e vomitou toda a sua pretensa sabedoria sobre Fidel.”
Dizer que só sei o que acontece em Cuba pela Veja e Google é no mínimo me chamar de burro. E de longe não me enquadro nesse subgrupo. E não sei daonde você tira tamanha pretenção em me julgar tão facilmente. Pretenção é a sua, e incoerente e francamente estúpida é a sua opinião.
“Dizer que Fidel implantou uma ditadura em Cuba (com todos os significados ruins que essa palavra possui) é ser, no mínimo, incoerente com a história e com o próprio pensamento da maioria dos cubanos. Fidel não é esse monstro que a mídia construiu ao longo da história e nem mesmo esse senhor maldito que amordaça os cubanos em torno dos seus próprios interesses.”
Quero que você me diga em que parte do meu comentário eu disse que ele é (era, né, já que pediu pra sair) um ditador. Disse que ele sempre foi um péssimo governante, que não soube aproveitar seus ideais e transformou Cuba numa piada.
“Fidel tinha um ideal. Existia naquela revolução uma identidade latino-americana cujo principal objetivo era a liberdade do povo, lutando por melhorias condições de vida, mais educação e oportunidade. Pode ser que Cuba não tenha conquistado tudo isso, mas aquela ilha se tornou exemplo de resistência justamente porque, mesmo pequena, esqueceu o sentimento de colônia e passou a se ver no espelho como uma terra tão importante como qualquer outro país desse mundo.”
Se excluindo do mundo real, inventando uma maneira errada e prejudicial de governo e se tornando inimigo de bobeira da maior potência econômica do mundo, lutando pra fazer questão de não se adaptar ao resto dos países e batendo de frente com toda e qualquer linha de pensamento moderno que tornava seu governo obsoleto e ineficaz é digno de louvor? Faça-me o favor!
“Uma ditadura poda os nossos sonhos, elimina os nossos ideais, apaga a nossa esperança, nos tira a vontade de lutar por algo que realmente vale a pena. Será que somente o povo cubano passou por isso?”
Não, mas isso não tira o peso do babaca do Fidel de arruinar a vida das pessoas que sempre procuraram nele um líder justo e decente. Roubou dos seus súditos como tantos outros fizeram - mas não tiveram tamanha cara-de-pau de se promoverem como salvadores e plenos governantes de um povo miserável.
“Será que nós, que nos julgamos tão livres, não vivemos isso diariamente? Será que esse sentimento de colônia ainda não faz parte da gente?”
Se você vesta a carapuça de colonizada, não jogue isso pro meu lado. Acredito na democracia e no livre comércio pois esses estabelecem a melhor forma encontrada, até hoje, de se promover crescimento de um país e estabilidade política do mesmo. Se houver, em algum momento futuro, alguma outra forma de governo que julgue ser melhor, defendê-la-ei com afinco.
“Então me diga, meu caro, quem realmente vive numa ditadura atualmente? Porque, pelo menos, em Cuba havia um sonho de um mundo melhor. E se eles não conseguiram, pelo menos lutaram para chegar perto.”
Garanto que não somos nós, povos de regimes democrácios de voto direto que sofremos com mazelas de um regime ditatorial. Quer dizer que lutar vale o resultado, mesmo que este seja infinitamente inferior àquele que conquistaram povos que não lutaram por ideais fracassados? Mesmo que isso signifique sofrer com embargos econômicos, se distanciar do mundo em quase todos os sentidos, sofrer com a falta de infra-estrutura e prosperidade, ter de aceitar, a força, um regime que não provém o que há de melhor para seu povo? É completamente irracional esse argumento - digno de quem defende com ardor os ideias de Marx e Engles no seu ‘Manifesto’ transloucado.
Acredito eu que lutar por um lugar melhor é papel de todos no mundo. Todos aqueles com o mínimo de bom senso, ética (palavra tão dúbia e complicada) e educação. Encontramos, como sociedade, no mundo, no regime democrático, o caminho mais justo e aceitável de governo.
Tenho sim capacidade de julgar um governante que tanto fez errado em cinqüenta anos de governo. Governante esse que falhou em sua meta principal de um país melhor para seu povo. Me sinto no direito de expor minhas opiniões, mesmo que difiram das suas. E não mereço ser julgado tão brevemente, e com tamanha certeza, por uma pessoa que não me conhece e não tem o direito de se achar no direito de proferir tamanhos insultos em minha direção.
Se você quer discordar de mim, sem problemas. Mas não se ache no direito de me julgar, pois aí é que existe uma completa perda de razão. E de educação. Se você é mesmo jornalista, entende que tudo é imparcial. O que acho, acho e vou continuar achando. Não me interessam seus julgamentos pueris e patéticos. Fico contente que tenha instigado em você tamanha repulsa. Irritar quem não sabe dialogar é incrivelmente satisfador.
E se o povo cubano é tão diferente desse que descrevi, quero que pergunte aos milhares que tentar cruzar 120km de mar aberto em jangadas o que eles acham do seu incrível libertador, do seu líder maravilhoso, justo e perfeito. Quero que você me diga o que no governo do Fidel faz dele um exemplo a ser seguido. Quero que você me diga o que justifica uma fortuna de quase meio bilhão de dólares de uma pessoa que, em tese, é pra dividir tudo com seu povo da maneira mais comunista possível.
Fidel será uma mera nota de rodapé da História. E merece menos. Deverá ser exposto em museus como todos os marxistas vivos - um belo estudo da psique humana e suas falhas de raciocínio.









