Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


As aventuras do mini viking – Capítulo 4: Minha frase predileta
9-setembro-2005, 1:08
Filed under: As aventuras do mini viking

Meu pai é um caso à parte. Batalhou por toda sua vida para prover à família a melhor vida possível. Nunca titubeou, nunca parou pra pensar. Simplesmente fez. E muito.

Office boy aos 15, diretor geral da América Latina de um conglomerado internacional de empresas aos 50. Nesse meio termo, incontáveis noites de deprivação de sono por causa do trabalho, de aulas aqui no Rio e em Petrópolis, eu e meu irmão.

Incontáveis decepções nossas devido às suas altas expectativas de todos nós o moldaram, nos moldaram. Está na hora dele parar com isso tudo e se aposentar. Mas workaholic que é nunca vai conseguir.

Tinha poucos anos de idade. Não me lembro o quanto. Morávamos no Grajáu, bairro da zona norte aqui do Rio. Sempre amei o bairro: as ruas arborizadas, a calma, a praça. Agora está muito mais perigoso que há 20 anos. O Rio inteiro está.

Morávamos na Engenheiro Richard, no Edifício Tatiana. Quem quiser passar lá e dar uma olhada é o prédio com ajuleijos azuis na fachada. Quantas lembranças daquele prédio (mais histórias do mini viking, com certeza)…

Meu pai sempre foi um cara culto. Aprendeu inglês sozinho, chegou a lecionar. Gostava de incentivar a língua estrangeira para nós desde criança. Pouco sabia ele que sua competência e gana nos levaria à Nova Zelândia e Inglaterra.

Chegava sempre tarde, quase na hora de dormirmos. Nunca me importava com isso. Vê-lo chegar era o ponto alto do meu dia. De terno, sempre com olhar de cansado, ele nunca hesitava em nos tratar com o resto de energia que lhe sobrava. E nós, crianças que éramos, nunca deixamos de aproveitar essa energia ao máximo.

Gostava muito de conversar com meu pai no seu colo. Fui, e continuo sendo, uma pessoa muito afetiva. Adoro tocar as pessoas, abraçá-las, beijá-las.

Meu pai tinha uma conversinha em inglês que nos ensinou desde muito pequenos. Por isso não me lembro ao certo quantos anos tinha na época. Sei que ele adorava a conversinha. Eu sei que amava.

Sempre quando ele começava, sentia um prazer indescritível. Era nossa conversinha. Ninguém mais a tinha. Era o elo, secreto, intímo, único, que mantinha com meu pai, meu herói.

Ele me colocava no colo e perguntava: “Do you love me?”, já com sorriso imensurável no rosto.

Respondia, com o melhor inglês que uma criança brasileira muito bem instruída conseguia: “Yes.”

O sorriso já não cabia mais no seu rosto. “How much son?”

Eu, já esperando o beijo e abraço que viriam depois, soltava com toda minha alegria: “From the bottom of my heart!”

Love you paps. From the bottom of my heart.

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