Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Referendo imbecil
18-outubro-2005, 9:48
Filed under: Diatribes

 

Entendo o argumento de um amigo que diz: “Eu não quero depender do governo dizer se eu posso ou não ter arma…. o dia que EU achar que preciso eu quero ir numa loja e comprar. Eu, por enquanto, não quero ter uma arma… acho que é preciso treinamento. Acho que a venda tem que ser liberada, mas com as devidas restrições… quer comprar? Tem que fazer testes e aulas, com controle da polícia federal – com renovação anual, instrução de como limpar, cuidar e usar a arma, além de obviamente não ser descontrolado psicologicamente… Mas olha só, a polícia não resolve (pelo menos por enquanto) o problema da segurança, e se continuar como está pode vir o dia que eu vou achar melhor ter uma arma em casa pra me proteger do que continuar dependendo da polícia. E se a venda for proibida eu vou depender de o governo concordar com meus motivos…”

Mas, pra mim, o dia que não pudermos mais confiar num mínimo de segurança na nossa morada é o dia que precisamos fugir. Muitos não tem essa opção, sim, mas a situação descreve uma anarquia que não consigo imaginar possível. Ainda não acho que conseguimos chegar a esse ponto. Se um dia chegarmos, já estarei longe. Perdoem-me os que não puderem ir.

***

Já quis matar alguém. Ele espancou minha avó de noventa anos e a jogou no banheiro, trancando-a por horas enquanto roubava suas inexistentes jóias. Nos foi oferecida a solução de fazê-lo sumir. Por mim tudo seria resolvido. Minha avó, sempre religiosa e com muito mais cabeça que qualquer um de nós, disse que não era papel dela julgá-lo aqui.

Nem por causa disso quero brandar armas a torto e direito. Não quero ser como um juiz, que ao discutir no trânsito aponta sua arma para o motorista do carro da frente, que acabara de saltar para discutir a situação, gritando “volta agora! Segue teu caminho!” Não é por isso que sairei de cueca e camisa de casa atrás de pivetes que roubaram o celular da minha filha pelas ruas, com pistola na mão, e depois de acha-los fazê-los deitarem no chão, com minha arma perto de suas cabeças, exigindo a devolução do celular e ao pegá-lo de volta fazê-los correr na mesma direção até perdê-los da mira da minha arma.

Não conseguiria inventar essas histórias. São verdadeiras. E mais uma prova que ter uma arma nem sempre é sinal de segurança – para qualquer um dos lados.

Quero estar viajando dia 23. Referendo imbecil esse.

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