Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


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28-novembro-2005, 1:42
Filed under: Hospitalidades

Ainda não recebi os resultados do exame. Vou ligar para o médico agora, depois de almoçar. Meu pai esta vendo se compra uma passagem pra hoje ou amanhã. Daqui a pouco ‘updeites’…

(updeite)

– Pai vem amanhã. Muito bom;
– Resultados recebidos por fax;
– HCG altíssimo = câncer. Mais provável um tal de ‘mixed-germ cell tumor’;
– Consulta com anestesista marcada na quarta pela manhã;
– Papéis para o FreeCare, ou seja, pra cirurgia ser grátis, serão assinados amanhã. Com ajuda da mulher de lá, diga-se de passagem, que vai burlar a burocracia e me dar o FreeCare mesmo eu não sendo residente daqui. Quem diz que nos EUA nao tem gente simpática e acolhedora tá falando merda;
– Cirurgia sexta de manhã;
– Pós-operatório de dois dias de repouso total e seis semanas sem esforço físico. Prum câncer ta bom demais!;
– O instituto de urologia é associado à Harvard Medical School. Se você vai ter de ser cortado, que seja por um cara de Harvard.

(updeite 2)

E se esse doutor nao me chamar pra almocar na sexta vou ficar de mal com ele.

(updeite 3)

Olha, mudou tudo.

Meu pai não vem mais. Ao invés disso, volto pro Brasil amanhã. Chego quarta pela tarde. Quinta vejo o anestesista. Sexta opero no São José. Façam um grupinho legal do lado de fora do hospital, com velas e cantigas de amor e apoio que vou a-do-rar. Sério. Quero ver no mínimo cinqüenta pessoas cantando, jogando margaridas (sempre margaridas) e gritando meu nome sem parar.

Só devo ficar algumas horas no hospital, mas quero ver pessoas pernoitando desde quinta na porta, aguardando minha chegada com cartazes, jingles e confete. Purpurina é opcional, mas bem-vinda.

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27-novembro-2005, 3:30
Filed under: Hospitalidades

vaselina.jpg

Ah, e enquanto a maioria dos homens perde a virgindade aos quarenta e poucos, perdi minha virgindade pro Dr. Paul LaFontaine na sexta.

E não, seus putos, não gostei!!

Já é domingo e o médico não ligou. Isso, de acordo com ele, só seria se os exames realmente apontassem câncer. Então é isso aí, meu povo. Fico aqui e só saio sem meu testículo. Nem gosto tanto dele assim. Sou mais o direito.



Não é que virei estatística?
26-novembro-2005, 4:01
Filed under: Hospitalidades

kickintheballs.jpg

Acabo de passar algumas horas no hospital aqui de Boston. Tenho, com quase total certeza, câncer testicular. Percebi ontem o inchaço e hoje mesmo fui lá. Esperei até o final do jantar do Dia de Ação de Graças e fui conversar com a Maria Alice, que me aconselhou ir para o hospital dar uma olhada. Como não sentia dor, não podia ser hérnia. O que mais temia se tornou verdade.

No espírito desse blog, eis agora uma palavra odiosa: neoplasia.

Sem querer parecer piegas, gostaria de desde já agradecer a todos vocês, meus queridos amigos, que me proveram o molde com o qual sou feito hoje. Sem vocês nao seria ninguém. Sinto mais vossa falta do que nunca.

Agora pela manhã (escrevo de madrugada) verei um urologista para saber quais procedimentos tomar. Quero tirar esse testículo o quanto antes possivel, e depois pensar em quimio ai no Brasil. Estranho tudo isso, tenho que admitir.

Eu, ateu, ate que estou tranqüilo. É complicado isso tudo. Existe uma revolta, porém, por eu saber que talvez não consiga atingir as metas que tracei para mim mesmo. Saber que meu tempo está mais contado do que esperava. Só espero poder fazer o melhor do que me resta de oxigênio.

Não quero choros. Não quero lamentações. Minha avó materna morreu de câncer. Meu avô paterno, idem. Não é algo incomum na minha família, como sei que também não é na família de muitos de vocês.

Minha avó comemora oitenta primaveras dia 10 de dezembro. Sinceramente não sei como dar essa notícia tendo uma festa para mais de duzentos programada. Não acho justo com ela, mas também não há como se esconder isso eu estando aqui sendo cortado.

Meus pais ainda não sabem. Estão em Portugal e o celular esta desligado. Nem imagino como contar isso tudo para eles.

Por enquanto é isso.

(update)

Liguei para meus pais antes de ir para o urologista. Perguntei se ele estava sentado, e ele me disse que sim. Simplesmente soltei que estava com câncer assim, na lata, sem cerimônias. Não tinha como ser diferente. Ele no primeiro momento pensou ser sacanagem, como se eu estivesse de brincadeira. Afinal, como é que o filho viaja e em dias tem uma notícia dessas pra dar? Realmente algo surreal. Vou partir pra consulta agora.

(update 2)

Voltei do urologista e ele pediu exames de sangue e raio-x do tórax por causa da minha asma e tal. Vai olhar com calma os resultados, junto com o ultra-som, e me dar a resposta definitiva. Aí sim vou saber de tudo direitinho.

O óbvio é que no começo da semana que vem terei que remover o testículo. Mas, se por alguma mágica, for somente uma infecção, recebo uma ligação ainda esse fim de semana com os antibióticos pra tomar. Segunda-feira será o dia que o médico vai ligar pra marcar a cirurgia, mais provável que seja na terça mesmo.

Ou seja, se receber uma ligação amanhã ou domingo, beleza, o mundo é cor-de-rosa. Se não, é o esperado.

Meus pais estão, claro, temerosos no que diz respeito à operação. Não sabem se querem que eu seja cortado aqui. Negócio é que não quero esperar um dia sequer pra ter essa operação. Pelo visto, quando descoberto cedo o negócio é só retirar o testiculo e muitas vezes quimio nem é necessária.

Isso sem contar que Boston é um PUTA centro de medicina. O melhor do país junto com Cleveland e Filadefia. Ou seja, estou em boas mãos.

O melodrama foi algo que passou por mim na hora que cheguei em casa. E algo que precisava ser dito. Quero mesmo que as pessoas saibam o quanto elas significam pra mim, em todos os sentidos. Aprendi a dar o valor necessario às amizades que tenho.

E sabem de uma coisa sobre esse câncer testicular? Se o Lance Armstrong pode ter, porque eu não posso?



Elderly love
23-novembro-2005, 4:35
Filed under: Abobrinhas

As I look into your eyes I think of times gone by. Every single memory shared. Every single breath I held as I saw, thought, heard of you.

From the depths of my soul shines a love that knows no boundaries. Within me lies a feeling complete and true. Nothing in this world can tear away the brilliant, perfect knowlegde held that I trully care for you like no other.

Come away with me. Let us divide the purest of dreams. Place your hand in mine and walk towards the fading sunset in search for the best place to live together. Forever.

Trust not what other people say. You were meant for me, and I for you. Hold off the critics. Listen not the cinics that have made their goal to break us apart.

Fear not the differences between us. Know that I love you, and nothing else. I will teach you all there is to know about everything.

Leave only a note for the ones about to be departed. Bring only the kindness and the beauty I have come to know from you. All I need is you. Material possessions mean absolutely nothing.

My love. My true love. I have come to rid you of all evil.

Friday, after school, meet me in our special place. Let us make the world our own. Let us know no laws.

Simple and real. That is what we are. Beautiful baby.

I will always be yours.

Para entender melhor essa carta fictícia, clique aqui.



Andei, andei, andei até encontrar
20-novembro-2005, 3:41
Filed under: Estrada

bostontoconcord1.jpg

Tive vontade de andar hoje. Estava em Cambridge, ao lado do MIT, e resolvi conhecer os lugares do berço da independência americana. Tivera estudado muito a história americana no meu colégio na Inglaterra, e tive muita vontade de conhecer esses lugares. Só não tinha idéia do que estava prestes a fazer.

Primeiro segui até Harvard. Depois fui caminhando até Arlingotn. No caminho, monumentos aos Minutemen e ao caminho de Paul Revere. Segui caminhando, dessa vez até Lexington, local de uma das mais importantes batalhas travadas na época. Tava me divertindo tanto fazendo o caminho histórico que fui indo, passo a passo, café Starbucks na mão e um frio gostoso nos pulmões.

Concord estava ‘logo ali’ que fui caminahndo até achar o Minuteman National Historic Park, cheio de histórias e lugares incríveis. Quando me dei conta já tinham se passado incontáveis minutos. Voltei pegando um ônibus numa instituição ligada ao MIT. O cara do portão não conseguiu acreditar que tinha caminhado aquilo tudo de bobeira.

Foram 18 milhas de acordo com o Google. 29 fucking quilometros. Nem percebi.



Golias e Golias
18-novembro-2005, 11:26
Filed under: Estrada

Hoje fui conhecer duas universidades que sonho poder conseguir fazer qualquer curso: MIT e Harvard.

Fui deixado perto de Harvard pelo pai do meu amigo (que trabalha ao lado) e fui conhecer a universidade. Starbucks na mão, passeei pelos departamentos dessa lendária instituição. Tudo la é simplesmente assutador. Todos os pre-requisitos, os professores e o alumni. Tudo impressiona. É realmente um lugar especial. Exala conhecimento como nenhum outro lugar que conheci na minha vida.

MIT é igualmente assustadora. Acho até que é mais. Os prédios mais modernos dão um ar mais sério e compenetrado. Pessoas voavam por mim, cheias de pressa, a caminho de prêmios Nobel. E que pessoal simpático esse da MIT. Todos me desejando toda a sorte do mundo pra entrar, que adorariam contar comigo lá em setembro do ano que vem. Saí do MIT querendo MUITO ir pra lá. Como nove entre dez pessoas no mundo.

Essas duas univesidades são pra programas de phD. São programas completamente acadêmicos, claro, e portanto bem menos úteis para uma vida mais agitada, mais dinâmica. É pra ser professor. Se bem que ser professor de qualquer uma dessas duas não é nada problemático. E ter de morar nessa fantástica cidade também não é ruim.

Ainda estou decidindo o que quero, mas que essa cidade tem tudo o que qualquer um pode querer, isso tem. E como.



Onde perdeu-se chá pra cacete
17-novembro-2005, 2:16
Filed under: Estrada

Escrevo-lhes agora de Boston, na casa de um grande amigo. Boston é simplesmente linda. Caminhei hoje pelo centro da cidade, visitando a Boston University, a Northeastern e a Berklee School of Music.

Boston University tem um dos melhores programas que vi até agora de mestrado: Financial Economics. Todos na universidade foram muito simpáticos e convidativos, e encontrei diversos brasileiros lá. Atá no escritorio de admissão.

Aliás, como tem brasileiro aqui. Incrivel. Tem um a cada esquina, a cada loja, a cada vagão do trem.

Northeastern não gostei. Tudo muito frio. E os programas foram apresentados de uma maneira muito superficial. Além do que é menos conhecida que as outras. Fica como última das últimas opções.

Berklee é demais. Uma zona tão maneira que você se perde num mar de baixos, guitarras, violinos, violoncelos, trompetes e trombones. Muito legal. Estou tentando conseguir um programa misto com a Berklee e a Boston University para poder conseguir dois diplomas – um de mestrado em Financas e Economia e um de Music Management. Fingers crossed.