Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


As aventuras do mini viking – Capítulo 8: Aguçado paladar
28-junho-2006, 1:12
Filed under: As aventuras do mini viking

Tínhamos um sítio em Nogueira, distrito de Petrópolis, quando era menor. Ainda me lembro da piscinha de plástico, aquela que mais parecia um tanque mal-feito, mas que divertia meio mundo nas tardes quentes de verão. Lembranças eternas daquele lugar. Muitas histórias para contar.

Essa é possívelmente uma das aventuras mais antigas desse mini viking. Tinha uns dois anos. Adorava fazer absolutamente nada naquela casa – ficar sentado na varanda, dormir na rede, espiar o quintal verde e lindo agraciado pela bela bola de fogo do céu que nos provém vida e nutrição. Esses eram meus exatos pensamentos. Mesmo.

Minha mãe foi dar um pulo na cozinha e me deixou na sala. Precisava de um refresco para aquela manhã quente e úmida. Eu já estava completamente despido, com brotoejas brotando a torto e direito – sempre fui bastante alérgico a tudo. Inclusive meu próprio suor. O calor nunca foi meu amigo.

Eu, semi nu, olhava para os lados. Nada pra fazer. A casa estava vazia por alguma razão. Deviam todos estar na piscina, se deliciando de uma água refrescante naquele verão. E eu ali, bizuntado de hipoglós em todas as juntas, sofrendo com o calor infernal que assolava meu pobre corpinho gordo.

Na total falta de esperança de achar algo para fazer enquanto minha mãe não voltava, decidi então ir para a varanda. Quem sabe não achava a vista um alento para meu já enlouquecedor tédio. Quebrar coisas já tinha perdido a graça. Pintar paredes sempre foi coisa do meu primo Márcio. Queria algo novo.

Eis que avistei algo deveras estranho ao entrar na varanda. Ao lado da rede, onde sempre dormia maravilhado com o conforto prestado por aquele pano branco, vejo um negócio escuro, quase preto. Cheguei mais perto e vejo tal negócio se mexer para longe de mim. Isso muito me intrigou. Criança de dois anos + tédio + curiosidade = alguma merda.

Não tinha, naquela época, ainda desenvolvido completamente meu paladar. Estava ainda numa fase transitória, de depois provaria ser eternamente transitória, onde qualquer coisa poderia ter um gosto bom. Eu só precisava dar uma provadinha. Acho que toda criança já passou por isso. Eu ainda me encontro nessa fase. É interessante, tenho que admitir.

Minha mãe, retornando jubilante da cozinha, devidamente refrescada com uma bebida que escolhera, entra na sala e constata o óbvio: não estou mais ali. Acostumada com minhas presepadas, dá uma olhadinha aqui, uma acolá, e repara que fui para a varanda. Estou sentadinho, quietinho, olhando pro nada.

Me conhecendo melhor que eu mesmo, minha mãe já espera algo de errado. Era mais do que improvável me encontrar, a qualquer hora do dia, sem fazer nada. Especialmente sentado, olhando para o nada. Podia até gostar da varanda, mas o mais esperado é que já estivesse quase saindo do sítio para dar uma voltinha pela vizinhança.

Ela se aproximou, olhou em volta, viu que estava realmente paradinho, sem me mexer. Me chamou. Eu virei. Não entendi o olhar de terror dela naquela hora.

Tinham umas patinhas pretas se mexendo pra fora da minha boca.

Com mãos ágeis como uma puma, ela arrancou o besouro da minha boca, o jogou longe e tratou logo de lavar com sabe-se lá o que a boca de quem vos escreve. E eu, no meio disso tudo, não entendi absolutamente nada. Mas estava sentindo falta daquela balinha preta que mexia na minha boca.

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1 Comentário so far
Deixe um comentário

Caramba!!!!!!!!!!!!!!!!! Nada mais a dizer, rsrsrs. Beijocas
Yvonne | Homepage | 06.28.06 – 5:54 pm | #

EEEEEEEEEEEEECCCCCCAAAAAAAA!!!
Viva | 06.28.06 – 8:05 pm | #

Vc sentiu algum gosto???Fazia cócegas na língua???hahahahaha
Bjokas
Ingrid | Homepage | 06.29.06 – 10:46 am | #

Comentário por Bruno




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