Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Brincadeira de criança
31-julho-2006, 7:43
Filed under: Politicalidades

 

Isso aqui é referente ao post do Doni sofre o conflito no Oriente Médio, onde uma carta (maravilhosa) assinada por diversos cineastas israelenses pede desculpas e promete divulgar os erros e a cultura libanesa ao mundo…

Doni: “As pessoas encaram a barbárie que caracteriza este conflito há anos como fato comum, natural, algo que ocorre desde que o mundo é mundo. E isso precisa mudar. Já não há um lado que esteja “do lado da justiça e da verdade”, e alguma coisa precisa ser feita para que este absurdo pare. Eu realmente procuro não ter um partido neste conflito, apenas gostaria mto que mais pessoas de ambos os lados concordassem com a carta.”

Acho que o erro tático é sim um fato infeliz da guerra. Não existe guerra justa. Sempre teremos casualidades. Do mesmo jeito que Israel erra, muitos outros países, em guerra, erraram seus alvos e atingiram pessoas inocentes. Nunca haverá razão pela mortes de civis, e o Hezbollah é um grupo que manipula isso, montando seus QGs em prédios civis e se envolvendo em escudos humanos para não serem atingidos. Essa covardia com seu próprio povo, pra mim, é mais revoltante que qualquer outra coisa que está acontecendo.

O Irã e a Síria usam o território do Líbano para impor o terror e o ódio desenfreado. Usam a miséria do povo, tanto sócio-econômica quanto psicológica, para jogá-los contra Israel, brandando mensagens infâmes e nutrindo uma discórdia e uma cega rejeição por um estado que realmente foi imposto, mas que existe e dificilmente sairá de lá sem uma guerra de proporções nucleares.

Chamar Israel de país que inflinge realmente o holocausto, pra mim, é um sensacionalismo barato e absurdo. Pessoas que não entendem, que não têm acesso à informação, à cultura e afins, podem até serem manipuladas para servirem o propósito dos que regem os estados da Síria e Irã, mas me enoja ver pessoas instruídas falando besteira e tratando essa guerra completamente unilateralmente. Os dois lados sofrem, porém infelizmente existe um lado muito mais forte. O Líbano sofre, principalmente, por ainda ser um estado completamente progressista comparado aos seus vizinhos. É a jóia do mundo árabe que o mundo árabe quer quebrar. Um país que luta por uma sociedade melhor, mas que se vê, cada vez mais, sob o controle do regime maléfico e retrógrado da corrente majoritária do islamismo.

O futuro desse conflito será uma guerra de conceitos, mais uma vez alicerciada em religião, o mal que assola nosso mundo. Por falta de compreensão e escritas tendenciosas e vis, vemos no mundo uma rixa de bases de comportamento que não serão, jamais, abolidas. O fim não será o fim. Nunca haverá fim.

Pelo menos ficamos aqui, de longe, discutindo ad eternum os preceitos, os absurdos e os problemas de um continente tão rico em história, mas tão pobre em espírito.

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O Poço
28-julho-2006, 1:23
Filed under: Abobrinhas

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

(Pablo Neruda)



Meme Memítico
12-julho-2006, 1:52
Filed under: Perfil

Seguindo o exemplo do Ina e do Doni:

Diga dez coisas que você precisa fazer antes de morrer.

1. Namorar de novo;
2. Ter um filho e duas filhas. Adotados ou não;
3. Montar uma ONG;
4. Ir para Jerusalém, Bonito e Fernando de Noronha… fazer mochilão pelo Meridiano 14, pela Europa e EUA… mergulhar na Great Barrier Reef;
5. Fazer cursos de interpretação pra me proclamar um ator de verdade;
6. Assistir à um jogo do Toronto Raptors lá no Canadá durante meu mochilão;
7. Fazer curso de alpinismo e paraquedismo… e o avançado e noturno de mergulho;
8. Escrever e publicar ao menos um livro, seja lá qual for;
9. Reecontrar Ryan Felsenthal e TJ Wilson – grandes amigos do TASIS, meu colégio quando morava na Inglaterra;
10. Produzir um festival de rock e música nos moldes do Rock in Rio.

Qual será o seu epitáfio?

Se você está lendo isso, quer dizer que o Bruno não foi cremado como sempre quis.

ou
Ele não morreu. Virou purpurina!

Se você pudesse fazer um livro, filme ou música chegar à mão de todas as pessoas do mundo quando elas fizessem 13 anos, que livro/filme/música seria?

Livro: ‘Animal Farm’, do George Orwell.
Filme: ‘Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças’, do Charlie Kaufman, Michel Gondry e Pierre Bismuth… meio óbvio, né?
Música: ‘Innuendo’, do Queen.



Sacrebleu, ZZ!
10-julho-2006, 6:11
Filed under: Esportividades

Ah, Zizou, o que houve? Por que agiste assim? Será mesmo que foi necessária tamanha demonstração de falta de controle na final da maior competição de qualquer esporte no mundo? Valeu a pena?

Até que ponto o italiano lhe enfureceu? Sua irmã foi insultada, eu entendo, mas foi mesmo preciso fazer aquilo que fizestes? Na frente de tantos milhões?

Que cena mais melancólica, Zizou. Você andando, cabisbaixo, tirando as fitinhas da mão enquanto a copa estava ali, a poucos centímetros da sua mão, porém tão distante. Você poderia tê-la em suas mãos agora. Preferiu passar os últimos minutos da sua carreira sozinho, no vestiário enquanto seu time perdia, claro, sem sua presença em campo.

Você é um gênio, Zizou. O melhor meio-campista que já vi jogar. Mas você perdeu a cabeça quando não podia. Deu ao adversário exatamente o que ele queria. Deixou seu país, e tantos milhões de fãs, na mão.

Podia ter pelo menos lhe enfiado a porrada direito. Só uma cabeçada ficou ridículo.

(updeite)

Ah, Zizou. Pelo menos ganhaste o título de melhor da Copa. Menos mal.

(updeite 2)

Aparentemente o Matterazzi disse isso ao Zizou: ‘Espero que o Jean tenha sofrido.’ Jean foi o mentor e preparador físico do Zizou sua vida toda – um segundo pai pra ele. Morreu depois de uma longa luta contra o câncer. Mais do que justificável essa cabeçada.



Happy
5-julho-2006, 11:59
Filed under: Diatribes

Conversa minha, por email, com o Tuco sobre esse link deixado pelo Alex

Isso não chega a ser uma novidade, mas eu realmente tinha esquecido desse ponto. Contudo, isso não necessariamente diz que a homossexualidade seja um fato biológico. Acompanhe meu raciocínio…

A primeira premissa é que, se existe homossexualidade entre animais, então por que não existiria em humanos? Granted.

A segunda premissa é, se animais também podem ser homossexuais, então não pode ser um fator psicológico, e sim biológico. Bom, aí começa o problema: esta premissa presume que animais e humanos são diferentes.

Aí é que entramos em questões realmente complicadas. Humanos, creio eu, são sim diferentes dos animais mais no que diz respeito à nossa necessidade de questionamento que qualquer outra coisa. Somos animais que lutamos contra nossos desejos biológicos para nos adaptarmos melhor ao nosso meio. E não digo instinto. Instinto não existe em seres humanos.

Se humanos e animais são diferentes no tocante à influência maior que a nossa sociedade nos impõe, não se pode afirmar que a homossexualidade é um fator biológico puro e simples, ainda mais considerando que em determinadas civilizações (Roma e Grécia), a homossexualidade era regra, suprimindo de forma evidente o caráter biológico – que, ainda que possa existir, as chances de terem uma influência menor que os fatores social, psicológico e cultural é muito grande.

E, nas civilizações antigas, o que era suprimido? Biológicamente, se a pessoa fosse homossexual ou heterossexual, teria que ser forçada a ser bi. Ao invés de ser suprimido o fator biológico, acho que o que acontecia era uma sobreposição do sentimento biológico por um tanto biológico quanto social. O que, em tese, não era biológico, como nesse caso o homossexualismo na maioria da população, era imposto pela sociedade como saudável – então era seguido a risca. Mas não tira o fato de ser um fator biológico.

Hoje, apesar das pressões sociais, culturais e psicológicas, ainda sim o fator biológico é seguido, e cada vez mais. Por mais que eu entenda seu ponto, que esses fatores não-biológicos são, para humanos, determinantes em suprimir o fator biológico, acho sim que ele existe e é sim o que determina para uma pessoa se ela é, ou não, homossexual. Porque é quando a sociedade reprime que encontramos quem realmente é o que é, mesmo que isso seja contra os costumes de seu meio.

Além disso, gostaria de saber se existem animais que apresentam comportamento homossexuais sem nenhuma razão aparente, e que sempre apresentam esse tipo de comportamento. Uma coisa é dizer que macacos machos, quando sem fêmeas por perto, acabam desenvolvendo relações sexuais com outros machos (o que assemelharia mais ao comportamento homossexual observado em presídios), outra coisa é um macaco ser homossexual sem nenhum motivo aparente.

Taí algo que seria realmente interessante descobrir. Eu, na minha modesta e completamente leiga opinião acho que sim, devem sim existir casos de homossexualidade ‘real’ entre animais. Mas isso é algo que acho. Para os fatos, de fato preciso pesquisar mais isso.

Eu acho que isso entra em questões filosóficas grandes demais para se chegar a um acordo: pra começo de conversa, entramos em questões controversas, como a existência do amor entre humanos, o que não se sabe nem exatamente o que é, nem se existe entre animais, ou, se existe entre animais, se existe entre todas as espécies que contêm indivíduos que apresentam comportamento homossexual. O fato daquele tal estudo ter apresentado estatísticas tão ínfimas – 2 ou 3% – não chega a provar que o fator biológico é preponderante.

Não digo preponderante, mas definitivo. É isso que tento dizer com isso tudo. São homossexuais aqueles que têm propensão biológica para tal.

A minha abordagem é mais simples. A homossexualidade pode ser um fator biológico, como pode ser um fator social que ninguém ainda conseguiu entender. Eu acho que os casos extremos de transexuais chega, sim, a um fronteira com o que poderíamos definir como uma patologia – social ou não. Afinal, que animal se suicida por sentir que está no corpo errado?

Isso entra no que acho ser a questão das diferenças entre as espécies. Nos questionamos, e por isso achamos razões para nos acharmos deslocados, presos em corpos estranhos e loucos para nos livrarmos de tamanha prisão. Somos, pra mim, animais diferentes, mas animais just the same.

Contudo, acho que isso não faz a mínima diferença. Eles existem e são seres humanos lúcidos e devem ser tratados como tais. Não importa a razão deste comportamento existir, o fato é que ninguém é homossexual por opção. Afinal, ser heterossexual é muito mais fácil! Além disso, fora o ferimento aos bons costumes, não existe prejuízo real para o sociedade existir uma parcela, ainda que considerável, de homossexuais na população.

Por isso acho essencial a discussão. Também creio que homossexual nenhum é por opção. Então a existência do fator biológico como determinante na homossexualidade de um indivíduo torna-se primordial na discussão entre ser homossexual por fatores biológicos ou sociais/culturais. Minha posição é que é sim um fator biológico. E estudos como esse ajudam a corroborar minha posição.



Thoughts being thought
4-julho-2006, 12:02
Filed under: Diatribes

 

Que vida marota essa a minha. Cada vez mais me impressionando com o que digo, vejo, experimento. Estranho e revelador esse novo estágio que se desenvolve a passos largos.

Se for parar pra pensar nos últimos seis meses, realmente tenho muito a contar. Vivi mais em quase duzentos dias do que talvez em toda minha vida. Me redescobri e fechei, acho eu, por ora, o ciclo que começei em agosto passado, quando por intermédio desse blog iniciei o que pra mim foi a etapa mais surreal e fascinante da minha vida.

Quase um ano depois do encontro na cinelândia, penso em tudo que passei, vivi, conheci e troquei. Vejo todos as amizades que criei, todos com quem conversei e aprendi demais. Vejo as mudanças de pensamentos que agora me definem como alguém que sempre quis ser. Entendo muito mais do mundo ao meu redor através não só das sábias palavras de muitos, mas principalmente da simples troca de experiências com pessoas de backgrounds tão distindo, mas que mesmo assim dividem comigo as mesmas dúvidas, anseios e aspirações.

Sem contar na viagem que pra mim sempre será lembrada como um marco a ser superado. Acho bem difícil isso acontecer. Nada será tão completamente surreal quanto aquilo.

Queria achar palavras para agradecer a todos esses que me puseram a pensar mais, a encontrar num lugar lá dentro, escondido porém pulsante e determinado, essa pessoa que queria ser descoberta. Agora essa que era uma pequena parte de mim que mal sabia que existia é aquela que mais me domina – e que me completa.

Tinha mais a dizer, mas as palavras que saem nem de perto conseguem definir e explicar tudo o que esse aqui sente. Acho que só me resta deixar a todos você, grandes amigos, dentro e fora dessa nossa blogosfera, meu sincero obrigado. Do fundo do coração.



Allez, ZZ!
3-julho-2006, 2:08
Filed under: Esportividades

Jubliante triunfo do espírito esse, que domina, fascina e comove. A garra, a gana de vencer que nos faz criar o impensável, desfiar o impossível. Hermoso e singelo sentimento esse, que traz o melhor de nós para fora de nossos corpos.

Que alma é essa, diga-me, fugaz na luta, insistente na perseguição do objetivo maior de todos os triunfos? Até que pontos seremos agraciados com tamanha demonstração de prazer, de puro gozo em campos tão verdes? O que será de nós quando não mais conseguirmos tamanha visão, tamanho deleite? O mundo será pior, disso não tenho a menor dúvida.

Até logo, Zizu. Pelo menos por mais um jogo teremos o prazer de vê-lo jogar. De vê-lo agraciar o jogo, cuidar tão bem da redondinha que nos faz esquecer qualquer problema, mesmo que somente por aqueles instantes em que prendemos a respiração com tamanha demonstração de graça e talento. Obrigado simplesmente por ter decidido jogar futebol.