Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Assassino cardíaco
30-novembro-2006, 11:23
Filed under: Abobrinhas

Procura-se o assassino de Jece Valadão. O suspeito já sofreu pelo menos uma parada cardíaca.



A nova elite
28-novembro-2006, 3:24
Filed under: Esportividades

Nesse fim de semana ficaram definidos os novos membros da elite do futebol brasileiro. Atlético Mineiro (Idelba!), Sport Club Recife, Náutico e América-RN serão os novos membros da Série A do campeonato brasileiro de 2007. Fiquei muito feliz com o resultado.

Ter dois times do nordeste rebaixados esse ano (Santa Cruz e Fortaleza) deixaria mais uma vez uma lacuna imensa no cenário do campeonato nacional. Seria perder a representatividade do Nordeste no nosso futebol. E não acho válido isso.

Por mais que haja uma falta de estrutura (leia-se dinheiro) no futebol nordestino, o Brasil precisa desses clubes. São Paulo tinha muitos times na Série A e perder o São Caetano e a Ponte Preta agora dá mais justiça e divide melhor nosso futebol. São agora os quatro maiores de Sampa, os quatro maiores do Rio, os três maiores do Sul, os dois que contam de Minas, dois do Paraná (apesar de gostar muito mais do Coxa que da merda do Paraná Clube, que perderá HUMILHANTEMENTE para o Vasco a vaga para a Libertadores domingo!), um de SC, um de Goiás e agora os três representantes do Nordeste, cada um carregando com orgulho seu estado na elite do futebol nacional. Só faltava o Vitória ou o Bahia. Aí ficaria perfeito.

Esse campeonato, forçadamente com 20 clubes, tá dando melhores frutos que poderia imaginar. Achava que 20 clubes para um país do tamanho do nosso era um absurdo… mas estou vendo que isso cria, paralelamente, um campeonato na Série B de muita qualidade. O que se viu esse ano, com a disputa do Atlético com o Sport pelo campeonato da Série B, e abaixo a disputa do América com o Paulista e o Coritiba pela última vaga pra subir pra Série A foram excelentes jogos, públicos recordes, e muita disputa por um lugar ao sol no topo do futebol nacional. Na briga para não ser rebaixado à Série C (essa sim com total falta de credibilidade e um sistema ridículo de disputa), vi minha queria Lusa lutando bravamente e escapando na última rodada. O pobre do Ina viu seu querido Guarani descer, mas com isso fez um lindo post de amor para seu clube. Há males que vêm para o bem… nem que seja o nosso, dos leitores.

Aguardo ansioso a entrada desses clubes. Principalmente o Sport, que tem uma história linda e merecia estar de volta à primeira divisão. Não que os outros também não mereçam. É que é bom demais ver clubes do país inteiro dividindo a honra de jogarem uns contra os outros nesse campeonato que, apesar de técnicamente deixar a desejar, em termos de emoção e disputa é sempre bonito de se ver.



Birthday tumor
26-novembro-2006, 11:28
Filed under: Hospitalidades

Hoje é o aniversário do descobrimento do meu câncer. Engraçado como o tempo passa rápido demais. Um ano.

Fico querendo escrever um post dizendo o quanto aprendi, o quanto amo ainda mais as pessoas que me são queridas, o quanto mudei. Fico aqui querendo expor minha gratidão por todas as pessoas que me deram a mão durante meu processo, as pessoas que estiveram comigo no hospital quando operei (Viva, Bohrer… I’ll never forget), as que me ligaram, mandaram comments aqui de boa sorte, saúde…

São tantas coisas lindas pra lembrar que só de começar a explicá-las já fico emocionado. É pouco deixar aqui meus agradecimentos. É pouco expressar nessas poucas palavras tudo o que tenho aqui, guardado dentro de mim, para todos vocês que estiveram e estão ao meu lado todos os dias, caminhando comigo em meus pensamentos, gravados em meu telefone celular, presentes no meu msn.

Amo vocês. Todos. Muito obrigado por tudo.

Não mudei tanto assim. Continuo tão perdido quanto era antes do câncer. Procuro me achar todos os dias, mas se tem algo que aprendi foi viver mais levemente a vida – aprender realmente a vivenciar todos os momentos, por menores que sejam, com as pessoas que gosto. Cada toque, olhar, carinho, tudo vale mais um pouquinho. E deveria valer mais para qualquer pessoa.

Abrace alguém hoje. Dê um beijo em alguém hoje. Faça carinho em alguém hoje. É tão bom.

Ainda tenho muito a aprender nessa vida. Mas as lições que tiro até hoje servem pra cada vez mais me deixar tranquilo e sereno, ciente que o mundo nunca é cor-de-rosa, mas dá pra chegar perto. Um beijo a todos.



It’s fun to stay at the…
19-novembro-2006, 9:30
Filed under: Abobrinhas



As aventuras do mini-viking – Capítulo 11: Afogaram o mini-viking
15-novembro-2006, 1:16
Filed under: As aventuras do mini viking

 

Assim que nasci fui morar no Grajaú. Engenheiro Richard, edifício Tatiana. É um com azulejos azuis. Super bonitinho. Bem no começo da rua. Passem lá.

Morava no 101. Era um apartamento excepcional. Quatro quartos, ampla cozinha e sala, suíte gigantesca. Tudo grande e lindo – fruto do esforço de meus pais para nos dar uma vida do caráleo desde o início de nossas vidas.

Ao lado de casa, na quadra seguinte, fica o Grajaú Tênis Clube. Vivi muitos momentos de felicidade, brincadeiras e peripécias lá. E foi lá onde fui afogado.

Tinha sido levado por minha quérida mãe para aprender a nadar. Como pais preocupados, queriam que seu filho soubesse nadar desde cedo – para, claro, não se afogar de bobeira por aí, nessas praias e piscinas da vida. Então me inscreveram aos oito meses de idade numa aula de natação.

Aulas de natação para crianças bem pequenas são, no mínimo, bonitinhas. Aquelas crianças mínimas, sendo seguras carinhosamente por professores preocupados e gentis, batendo suas mãoszinhas na água, fazendo ‘gugu, dadá’ e rindo pra cacete. É uma linda visão mesmo.

Meus pais chegaram lá no clube, felizes da vida para assitir a aula inaugural de natação desse pimpolho aqui. Sentaram-se nas arquibancadas, um pouco longe da piscina, sim, mas que mesmo assim tinha visão privilegiada da água. Entrava eu, poucos momentos depois, carregado pelo meu professor.

Cara de gente boa, magrinho, sarado como qualquer professor de natação. Acenou para meus pais e me mostrou, todo orgulhoso. Meus pais sorriram de volta e se abraçaram. Seria um momento muito bacana esse – eu aprendendo, todo bobinho, a nadar.

Ele vagarosamente me colocou na água, para eu sentir a temperatura e me acostumar. Dei uma chiadinha, de leve, mas logo logo estava me divertindo pracas naquela água. Sempre adorei água, em qualquer forma.

Começaram então os pequenos exercícios. Mexe daqui, move dali. Tudo muito bonitinho para meus pais, cada vez mais calmos, felizes e, convenhamos, entediados.

Eis que meu professor me pega e calmamente começa a me afogar. Sim, isso mesmo, me zuni pra debaixo d’água e me segura lá, por alguns segundos, antes de me liberar para respirar. Imaginem a cara do meu pai. Terror, pânico, susto.

E eu lá, sendo submergido vagarosamente, algumas vezes, ficando cada vez mais tempo no mundo aquático azul piscina do Tênis Clube. Meu pai não aguentou. Reclamou com a minha mãe, chiou, esperniou. Minha disse que era assim mesmo.

O professor já tinha feito isso com o Rafael. Era pra acostumar a criança num ambiente onde precisasse segurar a respiração. Disse ele que era natural, que já tínhamos feito isso no ventre das nossas mães. Aquilo era só uma regressão básica à melhores épocas de feto.

Meu pai não aguentou. Levantou-se e saiu de lá, a caminho de casa. Não aguentaria ficar vendo uma hora daquilo. Pra ser sincero, quando tiver filhos, também será minha mulhar que irá levá-lo pra ser afogado numa piscina dessas da vida. Tá louco.



El verdadero mago
6-novembro-2006, 6:31
Filed under: Abobrinhas

A todos, a vosotros,
los silenciosos seres de la noche
que tomaron mi mano en las tinieblas, a vosotros,
lámparas
de la luz inmortal, líneas de estrella,
pan de las vidas, hermanos secretos,
a todos, a vosotros,
digo: no hay gracias,
nada podrá llenar las copas
de la pureza,
nada puede
contener todo el sol en las banderas
de la primavera invencible,
como vuestras calladas dignidades.
Solamente
pienso
que he sido tal vez digno de tanta
sencillez, de flor tan pura,
que tal vez soy vosotros, eso mismo,
esa miga de tierra, harina y canto,
ese amasijo natural que sabe
de dónde sale y dónde pertenece.
No soy una campana de tan lejos,
ni un cristal enterrado tan profundo
que tú no puedas descifrar, soy sólo
pueblo, puerta escondida, pan oscuro,
y cuando me recibes, te recibes
a ti mismo, a ese huésped
tantas veces golpeado
y tantas veces
renacido.
A todo, a todos,
a cuantos no conozco, a cuantos nunca
oyeron este nombre, a los que viven
a lo largo de nuestros largos ríos,
al pie de los volcanes, a la sombra
sulfúrica del cobre, a pescadores y labriegos,
a indios azules en la orilla
de lagos centelleantes como vidrios,
al zapatero que a esta hora interroga
clavando el cuero con antiguas manos,
a ti, al que sin saberlo me ha esperado,
yo pertenezco y reconozco y canto.

(Pablo Neruda)



Sonho de consumo
1-novembro-2006, 3:36
Filed under: Abobrinhas

Belíssimo anel e vestido, né não?