Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


As aventuras do mini-viking – Capítulo 11: Afogaram o mini-viking
15-novembro-2006, 1:16
Filed under: As aventuras do mini viking

 

Assim que nasci fui morar no Grajaú. Engenheiro Richard, edifício Tatiana. É um com azulejos azuis. Super bonitinho. Bem no começo da rua. Passem lá.

Morava no 101. Era um apartamento excepcional. Quatro quartos, ampla cozinha e sala, suíte gigantesca. Tudo grande e lindo – fruto do esforço de meus pais para nos dar uma vida do caráleo desde o início de nossas vidas.

Ao lado de casa, na quadra seguinte, fica o Grajaú Tênis Clube. Vivi muitos momentos de felicidade, brincadeiras e peripécias lá. E foi lá onde fui afogado.

Tinha sido levado por minha quérida mãe para aprender a nadar. Como pais preocupados, queriam que seu filho soubesse nadar desde cedo – para, claro, não se afogar de bobeira por aí, nessas praias e piscinas da vida. Então me inscreveram aos oito meses de idade numa aula de natação.

Aulas de natação para crianças bem pequenas são, no mínimo, bonitinhas. Aquelas crianças mínimas, sendo seguras carinhosamente por professores preocupados e gentis, batendo suas mãoszinhas na água, fazendo ‘gugu, dadá’ e rindo pra cacete. É uma linda visão mesmo.

Meus pais chegaram lá no clube, felizes da vida para assitir a aula inaugural de natação desse pimpolho aqui. Sentaram-se nas arquibancadas, um pouco longe da piscina, sim, mas que mesmo assim tinha visão privilegiada da água. Entrava eu, poucos momentos depois, carregado pelo meu professor.

Cara de gente boa, magrinho, sarado como qualquer professor de natação. Acenou para meus pais e me mostrou, todo orgulhoso. Meus pais sorriram de volta e se abraçaram. Seria um momento muito bacana esse – eu aprendendo, todo bobinho, a nadar.

Ele vagarosamente me colocou na água, para eu sentir a temperatura e me acostumar. Dei uma chiadinha, de leve, mas logo logo estava me divertindo pracas naquela água. Sempre adorei água, em qualquer forma.

Começaram então os pequenos exercícios. Mexe daqui, move dali. Tudo muito bonitinho para meus pais, cada vez mais calmos, felizes e, convenhamos, entediados.

Eis que meu professor me pega e calmamente começa a me afogar. Sim, isso mesmo, me zuni pra debaixo d’água e me segura lá, por alguns segundos, antes de me liberar para respirar. Imaginem a cara do meu pai. Terror, pânico, susto.

E eu lá, sendo submergido vagarosamente, algumas vezes, ficando cada vez mais tempo no mundo aquático azul piscina do Tênis Clube. Meu pai não aguentou. Reclamou com a minha mãe, chiou, esperniou. Minha disse que era assim mesmo.

O professor já tinha feito isso com o Rafael. Era pra acostumar a criança num ambiente onde precisasse segurar a respiração. Disse ele que era natural, que já tínhamos feito isso no ventre das nossas mães. Aquilo era só uma regressão básica à melhores épocas de feto.

Meu pai não aguentou. Levantou-se e saiu de lá, a caminho de casa. Não aguentaria ficar vendo uma hora daquilo. Pra ser sincero, quando tiver filhos, também será minha mulhar que irá levá-lo pra ser afogado numa piscina dessas da vida. Tá louco.

Anúncios

Deixe um comentário so far
Deixe um comentário



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: