Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Feliz 2007
4-janeiro-2007, 3:56
Filed under: Estrada

‘Fala, Hélio, beleza? Pronto?’ pergunto eu, calmamente, na madrugada do dia 27. Tá cedo pra cacete, mas resolvi dormir cedo porque a viagem seria longa.

‘Porra, moleque! Te liguei umas noventa vezes!’ diz ele, ofegante. Na verdade foram quarenta e duas vezes. ‘Jurava que tu tinha esquecido!’

‘Rapaz, há mais de uma semana tinha te dito que iria te ligar nesse exato horário para te pegar, não é?’ Ainda estava morrendo de sono.

‘Mas isso foi antes do Natal!’, disse ele.

‘E eu com isso? Marquei, tá marcado!’ E isso é uma máxima na minha vida – se marco algo, não interessa com qual antecedência, a não ser que eu desmarque por alguma razão, tá marcado. Não preciso ficar ligando incessantemente para confirmar. Como não liguei dizendo algo diferente, pra mim tava marcado.

Saimos tranquilamente até Sampa, onde pegamos a maravilhosa amiga do Hélio, Paula, em sua casa. Marcos, amigo da empresa do Hélio, foi junto também.

Íamos ficar na casa de praia de uns amigos do Javi, meu colega de Deloitte que nos convidou pra passar o reveillon na Guarda do Embaú. A estrada estava tranquila (bem mais que a minha fatídica viagem em idos de 2004 – conto-lhes depois) e chegamos sem problemas à Floripa e, depois, à Guarda. A casa da Paula era na Praia do Rosa, fantástico lugar, ermo e intocado. A casa dela tem essa vista maravilhosa – realmente sem igual.

Acabamos ficando um dia lá na casa da Paula porque não conseguia falar com o Javi (Bruno, para os íntimos). A família da Paula é algo de fenomenal. Todos muito simpáticos e agregadores – gaúchos com uma sensação indescritível de hospitalidade. Me senti em casa em questão de segundos, e já estava ajudando na cozinha, brincando com todo mundo e me divertindo como poucas vezes na minha vida.

Acabei depois conseguindo falar com o Javi e fomos lá encontrá-lo. Terror. Horror. A casa estava repleta de antipáticos, estranhanhas pessoas que sequer falaram conosco. Me senti um fudido, perdido num mar de rostos fechados. Um desconforto absoluto.

A Paula, maravilhosa, nos ofereceu abrigo de novo e passei, então, um reveillon dos mais incríveis. A praia era linda (olha que pra sair isso de mim é difícil), as pessoas idem. Quanta gente linda. Argentinas e norueguesas pra dar e vender. Um paraíso.

Dormi todos os dias na rede. Fiz isso em 97 quando passei um mês em Fortaleza. Apesar dos incessantes pedidos da minha tia Helce, que dizia que tinha cama sobrando na casa, eu quis mesmo era sentir o vento cearense na varanda do apartamento beira-mar. E foi igual na Guarda. Acordava sempre mais cedo que a maioria, com uma vista deslumbrante do sol carinhosamente aparecendo no horizonte. Tinha tempo de admirar a vista e ler ‘O Grande Gatsby’, presente do meu quérido amigo Safadi.

A ceia do Ano Novo foi um momento do cacete mesmo. Olhando a Praia do Rosa de longe, que tinha duas festas rave lutando pra ver quem estava mais alta. O brinde foi emocionante, e me senti realmente em casa. Todos fizeram questão disso. No começo, estava com vergonha de aceitar que podiam, de fato, ter aceito um estranho tão facilmente em sua família. Mas no final vi que eles são, de fato, pessoas deveras especiais – de quem sentirei imensa falta.

Obrigado, Paula. Obrigado, família Sporleder. Vocês fizeram desse reveillon algo que nunca me esquecerei.

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