Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Dó, ré, mi, fa, sol, la, Çí
29-outubro-2007, 10:23
Filed under: Abobrinhas

Bruno says:
escreve uma nova monografia pra ufrf chamada ‘renegando amigos: um estudo psicológico sobre a solidão forçada’
Simone says:
HAHAHAHAHAHAAHAHAH.
Simone says:
HAHAHAHAHAH
Simone says:
um estudo transveral e qualitativo: uma amostra de caso com jovens da zona sul.
Bruno says:
ah sim, claro, no índice ‘como ser niteroiense só tendo amigo realmente legais na zona sul do rio de janeiro: uma proposta de subversão analítica de um pensamento oblíquo e ultrapassado de classificação além-baía da guanabara’
Simone says:
HAHAHAHAHAHA
Simone says:
porra, salva esse log?

Çí, inventora de monografias obscuras e claramente mentirosas. Volta logo ao mundo dos vivos. Sentimos sua falta.



Lindo de morrer
28-outubro-2007, 11:22
Filed under: Abobrinhas

A Revista M… lança uma reportagem entitulada ‘De Corpo e Alma – Um ensaio lindo de morrer no Rio’. Como ensaio, usaram a foto acima, da modelo Anne Marie morta nas pedras da Praia de Botafogo, com o Pão de Açúcar como fundo. Claro que essa foto gerou polêmicas mil.

Foi o secretário de Turismo do Rio, Paulo Bastos, falando que era de mau gosto. Um professor da UniverCidade falando que é errado retratar o ensaio com o Pão de Açúcar no fundo porque nunca aconteceu nada por lá – pelo contrário, o monumento é um marco de segurança na cidade.

Eu, francamente, achei o ensaio lindíssimo. A revista sai hoje, e é bem capaz de me incitar a comprá-la. Toda polêmica faz isso, né: é só ter gente reclamando que dá uma puta vontade de comprar pra ver qualé a grande confusão.



30 Seconds to Mars, Tom Brasil, São Paulo
22-outubro-2007, 7:10
Filed under: Música

Saí daqui do Rio sem a menor noção do que esperar desse show. 30 Seconds to Mars, banda do ator Jared Leto, é de longe uma das melhores coisas que sairam do cenário de rock alternativo dos EUA em muitos anos. Os escutei, de bobeira, graças à querida Amazon. Estava procurando o álbum do excelente (e extinto) Mad at Gravity e vi, nos produtos relacionados, o primeiro álbum, auto-entitulado, do 30STM.

Desde então venho acompanhando a carreira dessa fantástica banda, que une elementos sintetizados com uma bela noção de harmonia e melodia. Melodias essas muito bem acompanhadas pela voz do Jared (voz de estúdio, diga-se… ao vivo, no YouTube, é clara a discrepância)  – sem contar o excelente bateirista da banda, Shannon, irmão do Jared. O segundo álbum, ‘A Beautiful Lie’, alcançou fama nos EUA, vendeu quase dois milhões de cds até hoje e transformou a banda de promessa ao estrelato. Bem do jeito que o vocalista queria.

Boatos surgiram que, se essa segunda tentativa não desse frutos, o Jared ia se dedicar por completo à carreira de ator e a banda se desfaria. Sorte nossa que isso não ocorreu e pude, finalmente, poder ver um show deles. Tinha tentado por duas vezes, no exterior, conseguir achar um show deles, mas não tive sucesso nessa herculiana empreitada.

Me pareceu um tanto estranho esse show, sem divulgação maciça e alarde – esperava que a EMI, pronta pra propagar essa banda da maneira correta, viesse com mais vontade numa campanha de marketing. Jared tivera aparecido no MTV Awards Latino, então espera pelo menos algo na mídia. Neca. Achei, portanto, que estaria bem vazio o show.

Quem é que conhecia, de verdade, essa banda recém-famosa? Assim que cheguei no Tom Brasil como quem não quer nada, esperando tranquilidade para comprar ingressos na hora, me deparei com uma pequena multidão de fãs, muitos fantasiados de membros da Mars Army (excelente jogada de marketing da banda – fazer do fã um membro do ‘exército de Marte’) . Um calor incrível, e uma confusão que não entendia porque acontecia. São Paulo tem disso mesmo… é tanta gente que mesmo um show sem divulgação consegue dar gente.

Depois da confusão incrível pra entrar (cheguei a comprar ingresso, sair, comer com calma, voltar tempos depois para ver a fila ainda maior), com direito a demora estúpida da casa para abrir, o lugar ficou quase cheio. Só o fato de ter faltado muito pouco para tanto me animou bastante. É legal ver o quanto está mais fácil disseminar música pelo mundo – e assim angariar fãs a torto e direito. Basta o som ser bom que ele chega em ouvidos ávidos.

Demora necessária para um show no Brasil implantada, toca ‘Camina Burana‘ no talo. Perfeito começo seguido de uma incrível levada de ‘A Beautiful Lie’, música título do novo álbum. Shannon é talvez o bateirista mais Joselito que conheço – nunca vi ninguém espancar a bateiria daquela forma. Imaginei um estiramento de bíceps na terceira música.

O show seguiu muito bom. O som, pra variar, deixou a desejar um pouco, mas nada que ofuscasse meu prazer de vê-los (Jared e Shannon… o resto da banda é trevas) no palco.  Jared, impressionantemente, pouco errava – também pudera, visto que ele usa e abusa do público, fazendo todos (inclusive quem vos escreve, claro) gritar loucamente nas notas mais agudas e nos gritos mais rasgados.

A presença da palco do Jared é fantástica. Corre pra tudo quanto é lado, brinca com o público, clama e demanda a participação de todos. A tecnologia sem-fio proporcionou aos artistas muita mobilidade no palco, fazendo dos shows eventos muito mais dinâmicos e prazeirosos de assistir.

Esperei ansiosamente ‘Battle of One’, minha predileta faixa do segundo álbum. Imagino eu que todos, eu incluso, que tinham conhecido a banda pelo primeiro álbum queriam ouvir pelo menos alguma coisa dela. Foi uma decepção o show ter somente as músicas do novo trabalho, e assim ter durado bem menos que um show internacional (e aguardado) deveria – um pouco mais de uma hora.

No final, valeu, claro, muito a pena. A viagem pra São Paulo na companhia de meus dois queridos amigos foi sensacional. Poder ter visto uma das bandas atuais que mais gosto também ajudou a fazer dessa pequena excursão à cidade da garoa uma bela lembrança.



Bad, Orkut.. bad
19-outubro-2007, 9:07
Filed under: Abobrinhas

Mensagem no meu Orkut, agora tão bonitinho:

Sorte de hoje: Você é generoso, hospitaleiro, alegre e querido

Fico imaginando o Orkut mandando ‘você é um bosta, insociável, triste e mal visto por todos. Morra, seu sujo.’



Eita ferro…
16-outubro-2007, 2:02
Filed under: Abobrinhas

 

Exame no Sérgio Franco feito quinta-feira:

Testosterona… 2790 pg/mL
Valor referência: masculino – 2800 a 8000 pg/mL
Obs: exame repetido e resultado confirmado

Sou oficialmente uma mulher.



A elite da Tropa
14-outubro-2007, 7:01
Filed under: Abobrinhas

Tropa de Elite. Bom, vamos lá.

O melhor filme que já vi em língua portuguesa. Disso não tenho a mais remota dúvida. O que mais me espantou nesse filme foi justamente o que mais é discutido por aí – a ‘realidade’ dele.

Em ‘Cidade de Deus’ vi os primeiros sinais de bandidos ‘como bandidos’. A primeira vez, pelo menos pra mim, que vi um retrato fiel, de novo pelo meu ponto de vista, do que é o bandido no Brasil – suas aspirações, suas falhas, suas virtudes, seus problemas e suas escolhas. Principalmente suas escolhas. Fora uma parcela bem remota da bandidagem, é fato afirmar que esse ‘caminho’ é uma escolha. Uma escolha muitas vezes fácil, visto que as oportunidades oferecidas são tão remotas e difíceis que ser bandido faz certo sentido. Mas não deixa de ser uma escolha.

Agora ‘Tropa’ esculachou geral. Esplodiu tudo na cara do expectador. Mostrou a face merda e suja da organização policial. Expeliu seus podres, seus corruptos, sua corruptibilidade, as mazélas de um sistema há tempos inapto e gritantemente carente de reforma e reestruturação.

…O nível de paz é proporcional entre a munição dos bandidos e a corruptibilidade da polícia…

A verdade colocada em xeque é a mais pura e putrefata demonstração do que vivemos diariamente nessa cidade. Estou longe de vivenciar isso, felizmente, mas é exatamente o que todos nós vemos e sabemos. Não é absurdo, por mais que seja. Não é horripilante, por mais que seja. Não é hediondo, por mais que seja. É o que é porque é verdade.

O retrato caricato e tenebroso da juventude classe-alta carioca é assustadoramente perfeito. Senti um certo asco de como estavam sendo retratados os jovens, e quando reparei naquilo, e vi a angústia que aquilo me causava, vi o quanto realmente é fiel à realidade. Não me encaixo no meio, na verdade fujo demais desse povo, mas eles fazem parte do ‘meu mundo’, e saber que eles existem ao meu redor dá alergia, úlcera, vergonha, revolta.

O estigma do policial corrupto é rechaçado. E a verdade do policial corrupto é mostrada. As discussões a seguir têm de servir pra tratarmos os corruptos com mais veemência e justiça e louvarmos, em altos brados, aqueles que lutam bravamente contra as injustiças do sistema, a precária condição de trabalho, o dever a ser cumprido apesar dos problemas e do perigo e seguem seu trabalho de cabeça erguida, sem serem sugados para a ilegalidade que assola a instituição em que juraram fazer parte.

Esse filme é longe de ser fascista. Longe. Também está longe de incentivar a tortura, justificá-la ou apresentá-la como solução. Está longe de dizer que certos atos incompreensíveis são compreensíveis. Demonstra o temor e o terror de ser do Bope, de ter de passar por aquilo, de ser aquilo, e tudo, tudo mesmo, que assola a vida de quem escolhe o caminho dessa tropa de elite.

O Nascimento, em momento algum, é um anti-herói. Ele é um capitão do Bope, entupido de problemas, com síndrome do pânico, problemas em casa, no trabalho, consigo mesmo. Não é para ser visto como um herói ou vilão. Ele é simplesmente um capitão do Bope, e essa é a história dele e do momento em que ele tem de achar um substituto pelo bem do seu casamento e da sua saúde.

As cenas de treinamento são brilhantes. As atuações são brilhantes. Wagner Moura merece o Oscar gigante que fica em frete ao Kodak Theater, junto com o do de melhor ator. Padilha merece um prêmio por demonstrar de maneira tão precisa e incrível o que todos nós conhecemos e admitimos, mas nosso cinema sempre fez questão de, de alguma maneira, tangenciar – seja por endeusar bandidos, falar mal de ações policiais, mostrar a sociedade de maneira irreal e muitas vezes romântica demais.

Bandido é bandido. Com todos os problemas sociais involvidos, com todas as escolhas feitas, com todas as virtudes e falhas. Policial corrupto é policial corrupto, e merece ser tratado como bandido. Policial honesto merece louvor, deveria ter uma condição de trabalho melhor, melhor treinamento, melhor proteção contra a corrupção latente que domina nosso mundo – em todas as áreas, todas as classes, todas as profissões.

Tropa de Elite já é um clássico. Já é o mais falado filme de todos os tempos do Brasil. Já é o filme mais visto que todos os tempos nesse país.

Quero muito que todos possam ver, e rever, e rever, da maneira que for. Não vi o filme pirata. Fiz questão de não ver. Mas sei que muita gente sem acesso à cinemas pode ver. Fico contente só por isso. Quem pode ver no cinema, veja. A experiência de ver um filme com imagem ruim e som absurdamente horrível no Media Player deve ser terrível. Sei que ainda vou ver esse filme algumas vezes no cinema. Ele merece.

Pela primeira vez em minha vida fiquei boquiaberto com um filme nacional. Esse filme é realmente inesquecível. Quem diz não gostar do filme ou é pseudointelectualóide que faz questão de renegar a realidade ou é simplesmente estúpido. Só pode ser estúpido por não gostar de um filme tão bom.



Owner of a broken heart, much better than an owner of a lonely heart
12-outubro-2007, 6:52
Filed under: Diatribes

 

Então começa, e termina, e começa. Fazia tanto tempo que isso me ocorria que a sensação é de uma nostalgia imensa munida de uma decepção estranha e uma felicidade oculta. É a felicidade por sentir de novo. Por ser alguém que sente.

Faz tempo que me ponho a pensar nesse tipo de coisa. A projetar cenários, imaginar conversas, rir sozinho de acontecimentos ainda não concretizados. E vi, agora, isso tudo ruir – mesmo que de certa forma.

Mas agradeço, de verdade, porque me fizeste sentir algo tão bom que não tenho como ficar triste. Fico decepcionado, claro, mas a tristeza passa longe. Ei de me recuperar desse baque, que tanto me fez bem e tanto me alegrou.

Preciso nunca mais deixar esse sentimento passar. Preciso nunca mais deixar de querer ser assim. De querer me sentir assim – por bem ou por mal. Pelo sim ou pelo não.