Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


O futuro do cinema?
7-março-2008, 4:06
Filed under: Cinemalidades

Alguns de vocês conhecem o Chris Andersen. Rapaz esbelto, péssimo gosto por roupas – mais parece um dos tantos que vemos nas ruas com suas camisetas brancas por baixo das camisas sociais de cor pastel por dentro da calça social. E ainda está quase totalmente careca.

Mas Chris é o editor da Wired. Também é visto como um guru. Escreveu ‘A Cauda Longa’, que o João Augusto da Deckdisc chama de ‘interessante até metade do caminho, quando fica chato pra caralho’.

Chris explica a teoria da Cauda Longa como ‘A teoria da Cauda Longa diz que nossa cultura e economia estão mudando do foco de um relativo pequeno número de ‘hits” (produtos que vendem muito no grande mercado) no topo da curva de demanda, para um grande número de nichos na cauda. Como o custo de produção e distribuição caiu, especialmente nas transações online, agora é menos necessário massificar produtos em um único formato e tamanho para consumidores. Em uma era sem problema de espaço nas prateleiras e sem gargalos de distribuição, produtos e serviços segmentados podem ser economicamente tão atrativos quanto produtos de massa.’

Chris tem um novo livro a ser lançado. Tal livro tem uma premissa um tanto interessante. Ele se chama ‘Free’. De acordo com a Wiki, o livro ‘examina o crescimento de modelos de precificação que provém produtos e serviços a consumidores de graça.’*

Chris descreve a idéia do livro assim: ‘O crescimento da “freeconomics” (economia grátis) está sendo guiada pelas tecnologias escondidas que alimentam a internet. Do mesmo modo que a Lei de Morre dita que uma unidade de poder de processamento diminui à metade do preço em 18 meses, o preço da banda langa e de armazenamento estão caindo ainda mais rápido. O que quer dizer que as tendências que determinam o preço de se fazer negócios online apontam todas para o mesmo ponto: zero.’

Esse peralta tem algo muitissimo interessante a dizer sobre filmes. De acordo com Chris, ‘Distribuição digital a baixos custos fará os maiores lançamentos do verão serem gratuitos. Cinemas farão seu dinheiro na venda de bomboniere – e vendendo experiências cinéfilas especiais por um preço alto.’*

Peter Sciretta, editor do meu blog de cinema predileto, o SlashFilm, fez um estudo crude e sem nenhum fundamento econômico ou científico, mas deixou claro que pode ser possível vender ingressos gratuitos nos cinemas e lucrar mais que lucra-se hoje. Com a gratuidade dos ingressos, torna-se provável que o número de pessoas indo ao cinema triplique (se não mais). Pode-se pensar, também, que é possível que tais pessoas gastem mais na bomboniere com pipoca, refrigerante e chocolate (que geram lucros muito maiores que aqueles dos ingressos). Com o aumento do número de salas cheias, aumenta também a arrecadação do cinema com publicidade, seja ela nos trailers ou em anúncios diversos.

Chris também aponta pro que livremente traduzi como ‘experiências cinéfilas especiais’. Peter do /Film descreve a idéia dele de botar as cinco fileiras do meio da sala do seu cinema imaginário de couro legítimo, com pipoca e refri à vontade, por um preço maior que o cobrado hoje em dia nos EUA – $20. Com isso garantiria aos cinéfilos uma ‘vantagem’ sobre aqueles que estariam atrás dos ingressos grátis, além de prover mais conforto e comida ilimitada. É com esse setor de ‘cadeiras premium’ que ele consegue mostrar que é possível sim lucrar ainda mais com cinema do que o normal.

A idéia nos demonstra o quanto é possível realmente vislumbrarmos um dia em que entretenimento será gratuito – e através de publicidade e concessões diversas todos farão dinheiro. Será um mundo onde se consumirá por vias tangenciais, e não na compra efetiva do bem ou serviço. E com isso é mudada a forma de consumirmos qualquer coisa. Será a maior revolução econômica de todos os tempos.

Tudo por causa da internet. Bendita seja.

*- tradução livre de quem vos escreve.

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1 Comentário so far
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na verdade, é uma conclusão óbvia pra qualquer um que analise o funcionamento da indústria cinematográfica hoje em dia. as salas de cinema lucram mesmo é com a venda de doces e pipocas, e isso faz anos. e os produtores lucram mesmo é com DVD. a exibição do filme se transformou em quase uma jogada de marketing

mas claro que essa idéia de que cinema vai ser de graça é muito utópica. a instituição cinematográfica é um brontossauro, difícil de sair da posição cômoda em que se encontra

fora que o custo de producao (minimamente profissional) nunca vai ser zero. isso se aplica só no caso brasileiro, em que 100% da produção de certas obras são subvencionadas pelo governo ;o)

e, por ultimo, todo mundo sabe que esse negocio de tendencia de preco tendendo a zero eh uma grande falacia deusnosacuda

nesses blablablas de cultura livre, sobram nerds e advogados, faltam produtores e economistas =)

eu sei que ninguém perguntou, mas é que eu escrevi um mestrado sobre isso ;o)

Comentário por menotti




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