Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Abuelita
14-março-2008, 10:49
Filed under: Diatribes

Ainda que tremam tuas mãos, ainda que haja dificuldade em respirar, ainda que tenhas perdido quase todos os sentidos que eu julgo pertinentes, mesmo assim ainda és minha abuelita. Há anos sofro junto a ti, ao te ver delfinhar e chegar ao estado em que estás, a acompanhar sua doença progredir. Maldito Alzheimer.

Ainda sim vejo brilho em teus olhos. Encontro esperança em teu olhar. Sinto carinho em tuas expressões, por menores que possam ser. Toda vez que a vejo tenho dúvidas sobre sua sapiência da minha presença. Mesmo assim faço questão de procurar a ti lá dentro. Dentro de olhos perdidos.

Ainda quero acreditar que persiste alguém em teu corpo. Mas uma boa parte de mim não quer crê em tamanha prisão. Prefiro preferir não preferir.

Ainda acho irônico em seu centézimo primeiro aniversário ter sido comemorado no hospital. Ô lugarzinho inóspito. Hospitais são tão frios, tão tristes, tão sombrios.

Ainda vou te visitar de novo. Espero que ainda estejas lá. Não te vás ainda.

Ainda preciso te ver outra vez. Te amo, minha avó. Muito.

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2 Comentários so far
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Fiquei comovida, Bruno. Beijos.

Comentário por Viva

[…] Uma declaração de amor comovente do viking Bruno para sua […]

Pingback por Pequenas anotações de viagens virtuais 29 - Uma Malla Pelo Mundo




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