Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


O que não entendo
17-março-2008, 1:25
Filed under: Diatribes

Não consigo entender esse facínio pelo Big Brother. O que há de tão absurdamente interessante em assistir, até (pasmem) 24h por dia, a vida de pessoas escolhidas a dedo pela emissora de televisão na qual passa o programa – escolha essa que deve se basear primeiro na falta completa de neurônio e/ou bom senso do candidato.

Fico impressionado ao ver como esse programinha mobiliza tanta gente. O quanto ele é querido por muitas pessoas ao meu redor – e o quanto ele é alimento de conversas longas e frutíferas (pros outros). Eu, no entanto, fico lá, completamente boquiaberto ao ver pessoas ao meu redor discutindo o que fulano falou pra beltrano, como cicrana falou mal de jagúncio por trás de suas costas e por aí vai.

É no mínimo curioso entender que essa necessidade e, portanto, vontade humana de espiar a vida dos outros é trabalhada num programa de televisão onde quem está de fora é inserido na brincadeira e acaba se tornando, consequentemente, em cobaias maiores do que aquelas presentes no confinamento da casa sensacional do Projac. Todos são jogados no caldeirão e são cozidos lentamente e voluntariamente, afim de torcer, votar, vibrar, sofrer e xingar pessoas altamente inúteis para nossas vidas. Pessoas sem brilho, sem valor, sem conteúdo, mas que mesmo assim atraem a atenção (e o dinheiro, diga-se) de milhões e milhões de brasileiros.

Pode até ser que muita gente vota mais de uma vez num personagem da casa, mas mais de sessenta milhões de votos, dentre internet, wap e telefone é algo completamente absurdo. Um terço da população, em números incientíficos, prestaram atenção na vida de um bando de gente que, nas CNTPs nunca estariam nem de longe no escopo do espectro visual de cada um. Pessoas pelas quais, imagino, até rejeitaríamos por inúmeras razões.

Ver o quanto se torna necessário para todos a audiência desse programa é que entendo, claramente, a vontade da emissora em partir para edições infinitas de um produto que rende aos seus cofres cifras inimagináveis. É tolo querer conter a vontade do povo, visto que dizem que o povo é a voz dos deuses (são tantos existentes que fica difícil dizer qual é o ‘um’), né, e acho incrível como é normal para todos participar da vida alheia como se tal pessoa, lá dentro da casa, que nunca viu sua cara nem nunca veria em uma vida inteira, merecesse seu julgamento tão invasivo e fácil.

Não suporto o Big Brother. E olha que tentei ver algumas vezes. Nunca consegui. Me pareceu curioso quando o sarado inventou uma boneca. Até essa edição, só soube de verdade quem ganhou todas as edições porque é simplesmente inevitável saber. E de todos que ganharam lembro do Kléber, de um chamado Caubói, do Jean e do Alemão – cujo nome também não sei.

Não acho o programa um estudo legal de relacionamento humano. Se pegassem pessoas que colaborassem para tal estudo, até poderia virar algo mais legal. Agora, um bando de gente saradinha e semi-bonita em média, sem absolutamente nada de importante a dizer em momento algum, e sem qualquer tipo de noção de como se relacionar mais do que meramente superficialmente com outras pessoas não conseguem, nem querendo, agregar absolutamente nada a ninguém, até lá dentro da casa mesmo.

E por mais que tente não acho legal nada relacionado ao programa. A fama ridícula e desnecessária de seus membros. As fotos patéticas em um site da emissora com poses sensuais e ‘picantes’. A caroça de um indivíduo baladeiro e preiba de Sampa aparecendo em todos os jornais de domingo d’O Globo no caderninho da loja de varejo que vende de talheres de plástico a televisores de plasma.

Não consigo entender o interesse geral da nação por essas pessoas. Não entendo como é que, ano após ano, a audiência consegue subir e, claro, o faturamento da emissora crescer exponencialmente. Não consigo entender como é que se acredita, dentro da emissora, que um programa sobre pessoas sem valor vai ser tornar algo criativo e proveitoso – não só financeiramente. Porque artísticamente o programa é trevas.

Não consigo acreditar que tais pessoas presas na casa conseguirão sobreviver a dois anos de reconhecimento geral da população a não ser que seus passes sejam comprados por emisssoras de televisão – como aconteceu com o Kléber, a Grazi e aquela Siri. E mesmo assim cadê o Kléber?

Não consigo precificar meu tempo. Por isso prefiro não gastá-lo vendo inutilidades imbecis. Porque inutilidades úteis, como House, Hell’s Kitchen, The Big Bang Theory e aqueles programinhas toscos de opinião esportiva são sensacionais. Entender o que se passa na cabeça das pessoas para se interessarem, de verdade, de coração, pela vida de pessoas presas na televisão é demais pra mim.

Simplesmente não entendo.

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4 Comentários so far
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O ser humano é curioso… observar a vida alheia e se preocupar com ela em detrimento da sua própria é muito comum. Também partilho da sua opinião! Um abraço!

Comentário por Cidão

O interesse na vida alheia é demasiado grande por parte da nossa população, dada a frustração que sente por si próprias, elas tentam buscar em outrem o que não conseguem ter para si. Por isso nenhum telespectador quer saber de uma senhora de 45 anos com 3 filhos e de peitos caídos lá dentro. Muito menos um pedreiro de 38 anos.
Bem como os telespectadores anseiam por corpos sarados, creio também que anseiam por falta de qualquer inteligência, adorar uma pessoa que não sabe o que é esquerda ou direita para eu é demais e inaceitável.

Comentário por henriquewint

Até assisto as vezes… É como ir ao zoologico, só que sme sair de cada

Comentário por textook

Hmmm eu tenho uma opinião sobre o interesse de pelo menos algumas das pessoas.

Tem gente que vê um alemão da vida e diz, “pô, ele tá comendo essa [insira celebridade aqui]… o cara é foda!”. Tem gente que aprecia o jeito das pessoas da casa de “jogarem”, de como eles flertam, sei lá.

Em suma, muita gente admira o modo de vida dessas pessoas. Se pra vc é importante que a pessoa seja inteligente e idônea, pra muita gente o fato do cara ser sarado e pegar geral significa muito mais – e pouco importa se o cara não diz nada de inteligente. É só vc ver os comentários das pessoas, o quanto elas ficam deslumbradas com celebridades de todo tipo. Eu acho meio asqueroso – não suporto celebridades e o que elas representam. Mas as pessoas não são assim, né?

Lógico que não me atrevo aqui a dizer que todo mundo que gosta de BBB pensa assim. Mas muita gente pensa.

Comentário por Tuco




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