Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


As aventuras do mini viking – Capítulo 13: Sexta-feira Santa
11-abril-2008, 7:40
Filed under: As aventuras do mini viking

Era o ano de mil novecentos e oitenta e dois. Um quinta-feira, dia oito de abril. Chovia um pouco. Luis e Márcia, grávida de oito meses e meio, pensavam no que comprar na loja da Sears, agora um shopping center de destaque na Praia de Botafogo.

No dia seguinte era o fim de semana da Páscoa. Todos os familiares já tinham subido para a casa de veraneio na Posse, perto de Petrópolis. Planejava-se um fim de semana tranquilo, pacato. Luis e Márcia tinham um filho já, Rafael, que no auge dos seu ano e quase quatro meses demandava cuidados, e sua sobrinha Marcela tinha quatro meses. Todos estavam na procura de cuidar bem dos pimpolhos, então calma e tranquilidade eram uma necessidade.

Pegaram o Chevette, carro mais confiável da história da minha família (já tivemos, no total, entre todos os familiares, uns oito), e seguiram a caminho da estrada. A subida da serra sempre fez meu irmão passar mal. Então ela tinha ido antes com minha avó e tios. Todos a espera do meu pai e da minha mãe.

Na estrada, como quem não quer nada, eu vou e acabo com qualquer chance de um fim de semana tranquilo.

A bolsa da minha mãe estourou. No reflexo, meu pai correu com ela até o Pró-Matre, na Praça Mauá, onde soube recentemente que geral pari lá. Passo por lá de vez em quando e penso no dia chuvoso em que minha mãe foi recebida.

À noite, preocupados e cansados, meus pais chegaram na maternidade. Minha mãe contara seu problema, e trouxe preocupação dos médicos. Eu tinha risco de morrer, e minha mãe também. A chance de infecção era grande, pelo momento e pelo lugar onde a bolsa estourou.

Meu pai, que até pouco tempo não fumava, imagino que tenha acendido uns quarenta e nove mil cigarros. Sua tensão piorava porque a cada instante que se passava e não recebia notícias, sua cabeça vai inventando coisas e trazendo à tona irrealidades horríveis.

Ainda tinha tentado, como bom filho que estoura a bolsa da mãe no carro, na estrada, me estrangular com o cordão umbilical. Cesária nela!, devem ter dito os médicos. Depois de um rombo e inúmeros pontos necessários, cheguei nesse mundo.

Mundo tão lindo. Tão delicioso. Tão maravilhoso.

Mundo cheio de possibilidades. Cheio de gente incrível. Gente que amo, idolatro, quero tanto ao meu lado.

Aqui estou, vinte e seis anos depois. Esperançoso. Torcendo para que tudo fique bem com a minha vida.

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