Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


As invasões de privacidade da América
9-agosto-2008, 2:35
Filed under: Politicalidades

Olha, não sei o que é pior: se são as pessoas que cometem os escândalos ou se é a mídia americana, cuja maior vontade é sempre catar o que há de mais podre e fudido nos seus políticos e famosos para depois jogar seus nomes na sarjeta. Francamente entendo pouco essa necessidade tão grande de acabar com a vida alheia. Tantas pessoas com tantos esqueletos no armário e ainda sim a-do-ram expôr as desgraças alheias.

A novidade americana é o escândalo de adultério do lindinho e bonitinho John Edwards. Um dos pré-candidatos à presidência pelos Democratas nas últimas duas eleicões, John era a imagem do americano suburbano – bonito, limpinho, pai de família, bom homem e bem-sucedido. Com as declarações de adultério, com direito à uma filha bastarda no meio do caminho, jogou sua reputação e suas chances de mais uma vez virar candidato à vice-presidência americana no lixo.

E pior: como sempre acontece naquela joça de país, sua mulher (sofrendo de um câncer que não me recordo qual agora) vai ter de ficar, se é que já não ficou, ao seu lado, com cara de idiota, enquanto ele anuncia em cadeia nacional que a traiu. Aposto até que ela fará, se já não fez, cara de feliz, de resoluta, como se aquilo não abalasse a sólida fundação de seu casamento. É uma sacanagem com a privacidade de um casal.

Podem haver aqueles que digam que se são figuras públicas, estão sujeitas a esse tipo de investigação e conseqüentemente a esse tipo de ‘vergonha’. Pois bem, ok, até vai lá. Mas a privacidade de um casal tem de ser respeitada. Não há  a menor necessidade de se haver uma declaração pública sobre tudo o que acontece. Ter de aparecer para milhões de pessoas e jogar sua vida privada na cara de todos.

Bill Clinton tem uma declaração hiper famosa do ‘I did not have sexual relations with that woman’. Monica Lewinski já é nome conhecido, capa de revista, autora de, claro, uma auto-biografia sobre o affair com o presidente. Ainda sim, hoje tudo está meio que por baixo, e impressionantemente a Hilary Clinton saiu da história, anos depois, como a heroína, a resoluta que aceitou o caso, levantou a cabeça e seguiu em frente, senadora e agora quase candidata à ser a primeira presidenta dos EUA.

Até que ponto isso serve de alguma coisa, eu sinceramente não sei. Aqui nesse lindo país tupiniquim nosso, escândalos são patamares para que nossos queridos políticos ganhem ainda mais reputação, contatos profissionais e sem sombra de dúvida tenham seus nomes jogados na mídia para conseguirem ganhar outra eleição.

Fato é que todo mundo já fez alguma merda na vida. Já mentiu sobre alguma coisa, já enganou alguém pra ganhar outra. Somos egoístas. Somos filhos da puta mesmo.

Tudo bem que charutos em buracos da genitália de secretária e pegar homens obscuros em banheiros de aeroporto são coisas meio, digamos, escandalosas mesmo. Mas também essa merda é culpa dessa vivinha-politicamente-correta desse povo americano. Essa necessidade de serem sempre bonitinhos, limpinhos e bondosos. Ninguém é assim.

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