Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Eita, país… de novo…
11-setembro-2008, 4:23
Filed under: Diatribes

Terça de madruga eu tinha chegado de São Paulo. Foram reuniões muito produtivas, que espero que tragam à Megahertz bons e prósperos ventos num futuro bem próximo. Era para ter chegado às 1h30, mas devido a percalços no trânsito de São Paulo, na saída da Dutra, só cheguei na cidade às 3h.

Esperei calmamente o 128 me levar pra casa. O dia tornara-se úmido e frio, diferente do que esperava ao chegar na cidade. Assim que saímos da Rodoviária, ao lado da Pró-Matre, na Praça Mauá, onde nasci há longínqüos 26 anos, me deparei com mais uma realidade enojante deste país.

Uma mulher em seus vinte e poucos anos, de acordo com suas duas acompanhantes, estava passando mal. Estava escuro perto do ponto do ônibus, e só depois, quando o motorista a deixou entrar, que pude perceber que ela estava grávida. Não só grávida, mas em trabalho de parto. Por isso estava na Pró-Matre.

Fora avisada que na Pró-Matre não havia material para uma cesariana, e com isso ela foi sumariamente rejeitada lá. Oferecemos, eu e o motorista, o Miguel Couto. Minha afilhada nasceu lá e acho que aquele hospital é um exemplo em todos os sentidos. Ela escolheu a Fio Cruz, na Praia de Botafogo, para poder tentar a sorte de novo.

O ônibus foi bem mais devagar que o comum no Aterro, virou em direção à Fio Cruz e quase entrou no local ônibus e tudo para deixá-la o mais próximo da entrada da emergência. Ao sairmos do local pude ver uma faixa erguida na fachada do prédio: ‘Estamos em greve!’. Tomara que não estejam em greve para os casos de emergência.

A trocadora, imensamente simpática, tratou de conversar comigo sobre a pobre mulher. Um outro rapaz, trajando regata vermelha, ao ser perguntado sobre a mulher tratou de acabar com ela. Disse que com aquela cara de bandida é óbvio que não fora atendida. Que no escuro, perto do ponto em frente à Pró-Matre, ele teve medo que ela fosse o assaltar. Que as três chegaram estranhamente perto dele. Rapidamente a cobradora disse ao imbecil que tinham é medo dele! O idiota conseguiu ainda proferir que deus faz certo, sempre, e que se ela estava com problemas pra parir é porque era ruim. Gente boa não tem coisas ruins acontecendo com elas.

Após sua saída na Princesa Isabel consegui rogar algumas pragas em sua direção. Não que eu acredite que isso acontece. Mas se um dia me tornar um ser com capacidades telecinéticas, prometo que ele será o primeiro que machucarei.

Descobri através da trocadora que a pobre mulher estava desde Bangu tentando achar uma maternidade para poder parir seu filho. Já estava com centímetros de dilatação. Pálida, morrendo de medo, consegui em duas amigas o apoio para correr a cidade atrás de algum lugar para poder ter sua criança.

Eita país de merda.

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