Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Galeria
18-setembro-2008, 3:00
Filed under: Abobrinhas, Perfil

Vira e mexe me dá uma coisa na cabeça, uma estranha visão do mundo que me páro pra olhar de fora do meu próprio corpo e tentar entender o que cacetes se passa por essa cachola. Ontem, no Galeria Café, bateu mais uma vez uma estranha sensação de deslocamento.

Acho o Galeria Café o máximo. Mesmo. Reduto gay brabo do Rio de Janeiro, é muito provavelmente a única boate em que me sinto minimamente bem. E conversando com uma amiga ontem me pus a confirmar certas coisas que são, digamos, peculiares de certa forma.

Desde criança, desde que me lembro, tenho uma visão isenta do mundo. Nunca entendi direito essa coisa de diferenciação por cor, sexo, credo. Pode parecer mentira, mas pra mim, pelo menos no consciente aparente, é o que acontece. Nunca achei pessoas diferentes, nunca fui criança de perguntar porque a mão da minha Bibi tava descolorada, porque a Aparecida, acompanhante da minha avó há anos e anos, tinha pele cor de petróleo. Linda.

Por falar em linda, sempre achei tudo interessante e bonito. Desde a mais branquinha ao mais negão. A Payal, indiana do meu colégio na Inglaterra, era de uma beleza absurda. De deixar um rastro inebriante quando passava por mim.

Chego até a me enxergar sendo chato, forçando a barra, quando não vejo movimentos alheios de total ‘isenção’ de nóia. O fato d’eu achar todo mundo lindo imagino que irrite e descredencie minhas opiniões. Mas pouco importo.

Ontem mesmo recebi cantadas de homens, mulheres, e até um espertinho que pegou na minha bunda umas três vezes. Depois da segunda vez, imagino que pensando que eu não tivesse sentido, foi até agressivo. Catou mesmo a nádega. Só ri e achei o máximo. Estava acompanhado de uma amiga, não havia dúvida alguma da minha orientação, e ainda sim o cara insistiu. Continuei dançando e talvez tenha batido a ficha nele que, bem, se não virei e dei mole é porque, bem, talvez não fosse tão pra jogo assim.

E lá no Galeria ela me perguntou o que eu achava dos abraços, beijos e afagos dos homens lá dentro. Eu acho lindo. Carinho é bonito. Sempre será. Não existe diferenciação na minha cabeça.

Me irritou um casal hetero se catando, se jogando por cima do bar, incomodando todo mundo. Os homens se acariciando, se gostando, dançando junto, são lindos. Igualmente as meninas, poucas, que vão lá no Galeria.

Só sei que acho tudo normal.

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2 Comentários so far
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Belo texto, mano.
Tenho orgulho de você.

Comentário por MarcosVP

Uma vez fui a um boate gay com a Luna e uma amiga dela. Pois não é que menina pediu pra ir embora pois não estava se sentindo bem naquele ambiente?
Este texto é VOCÊ.
(Só não gostei do espertinho catando seu bumbum, fiquei com ciúmes – ou seria inveja? rs)

Comentário por Viva




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