Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Houve um tempo
3-março-2009, 6:47
Filed under: Politicalidades

yeswecan

Houve um tempo que disse que ia reclamar da defesa unilateral do meu querido Idelba na questão palestina. Eu andei reclamando do fato de tudo lá no Biscoito ser muito pró-coitadinhos e sem nenhuma chance de espaço para um momento de reflexão de longe – uma visão de águia, tomando em conta os dois lados e só mergulhando na presa certa.

Me irrita, como sempre vai irritar, qualquer coisa extremista. Nunca gostei de pessoas que defendem veementemente algo sem a menor dúvida presente em seus discursos. Oras bolas, todo mundo tem dúvida. Nesse caso específico, o da briga eterna no Oriente Médio, digo o seguinte:

Não me interessa quem vai ‘ganhar’ essa briga entre Israel e o povo palestino.

O que não posso aceitar com tranqüilidade é que a luta armada do Hamas seja vista como uma de lutadores em busca da liberdade e reconhecimento contra um vilão atroz e vil que só quer dizimar civis e bombardear escolas. Precisa haver um espaço para o bom senso no dicurso disso tudo. Mas também cabe aqui uma frase necessária da minha parte:

Eu não estou defendendo Israel.

Muito pelo contrário, acho que estão perdendo a linha. Mas que é um país riquíssimo, entupido de cultura, com descobertas científicas incríveis e um pólo de conhecimento mundial, é. E por isso não podemos, hoje, tirar o direito de existência de Israel. Hoje. Porque Israel nunca deveria ter sido criado.

O estado da Palestina é algo milenar. Um estado que participou de trocentas mil trocas-trocas de poder. A Polônia do Oriente Médio. Se quisessem ter criado um estado batuta para geral, que criassem um que englobasse os judeus supimpas e mulçumanos bacanas, com espaço para os católicos sangue-bão.

Essa coisa toda de ‘direto de existir’ do estado de Israel é balela. Foi um estado criado, bem como Iraque pelo Churchill. E olha a merda que ele fez, misturando três facções religiosas briguentas e distintas num mesmo buraco. Deu no que deu.

Pode causar certa estranheza eu colocar um exemplo ruim para justificar a criação de um estado da Palestina igual. Mas a minha hipocrisia tem um único sentido – Iraque continua lá, e ninguém quer mexer nas fronteiras.

Era botar a grana dos estadunidenses judeus, o suporte do governo americano, a simpatia dos governos europeus, e a cara emburrada dos árabes que aceitariam a enxurrada de judeus para o estado da Palestina, que seria um ainda com raízes milenares, um estado que já foi a meretriz do mundo ocidental, passando de mão em mão dos Cavaleiros e Mujahideen. 

Israel, diga-se, históricamente é um estado politeísta, criado como Samáeia após a separação do estado de Salomão quase mil anos antes de Cristo. Então brincar de guerrinha com parte do seu povo que se sente perdido desampado por um estado que tomou contas de tudo tão de repente, altamente compreensivo.

But I digress, então a questão é que não agüento ver pessoas que respeito, pessoas sensacionais e de educação sublime, questionar o estado de Israel como um indefensável vilão e o povo palestinos como mártires de  burka. Vamos entender que a joça do estado existe, e terá de fazer sacrfícios imenos se ainda pretende existir e se explicar pro mundo. Infelizmente não tenho como questionar a legitimidade do estado. Um bando de estados soberanos decidiram. Ponto.

Até a mulé-di-isquerda israelense Tzipi Livni (já tentou falar esse nome bêbado? Deve ser o mesmo que falá-lo sóbrio) já admitiu que todos terão de ceder às terras de 1967 para que as coisas funcionem. Eu acho sinceramente que, pra funcionar, tinha que tudo virar um estado só, e é isso aí. Um parlamentarismo bilateral, onde há espaço para todos se degladiarem para o bem do estado geral da Palestina. Acho que o estado de Israel tá agindo – e tem sempre agido, caso julgue minimamente necessário – com força demais pra dizer pra mamãe América que é  fortinho e pode bater no menino chato da escola que tá enchendo a paciência dele. E dizer que o Hamas é líder democrático legítimo da população é como dar um tapinha nas costas do Hugo Chávez. Conseguiram um abuso da democracia pela mensagem deturpada e violenta e querem legitimidade de um estado que bombardeiam há décadas.

Aí é querer demais.

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1 Comentário so far
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Belo texto, irmão.

Comentário por MarcosVP




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