Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Cabeça de Rádio na Apoteose
23-março-2009, 9:18
Filed under: Música

Havia uma correria no dia. Casamento do meu irmão no sábado, muita coisa pra resolver do trabalho, reunião que não pude ir por falta de tempo. Corri feito um doido pra chegar a tempo na Apoteose pra ver o LH. O Doni merece uma tapa das grandes pela frase que vomitou no começo do seu post sobre o show de Sampa. Tsk, tsk.

Havia uma expectativa grande no ar. Um mar de pessoas diferentes, de estilos diferentes. Via-se jovens, velhos, indies, punks, alternativos-de-all-star, meninas de edumentária praiana, homens de couro. Todos ali para verem o que há de mais impressionante na música em muitos tempos.

Radiohead não é minha banda predileta. Mas carrega consigo uma sonoridade que me transmite furor, angústia, medo, simplicidade em sua complexidade. Tudo o que mais quero na música. Melancolia ao extremo.

Cheguei no começo do show dos Hermanos. Mal pude acreditar que os shows começaram na hora. É um bom sinal para o futuro dos festivais de música nesse país. Para pararmos de imaginar que a banda só entrará no palco duas, três horas depois do anunciado. 

Tenho uma constatação interessante e, pra mim, um tanto instigante a fazer: o show do Los Hermanos está cada vez pior. 

Eu sou fã incondicional, e estava muito, mas muito animado para ver o show. Só que acho que a proposta minimalista e a idéia de ser indie até onde a reta faz curva está minando com o show dos caras. O que havia de animado, de instigante nos trejeitos e maneirismos dos músicos está se perdendo na proposta de não proporem nada no palco. Acabo vendo um show que não é um show. São músicos a tocar minhas músicas prediletas em português. 

Não há mais aquela emoção de antes. Aquela vontade de gritar, me descabelar com as músicas que tanto amo. Não sei se é minha velhice chegando cada vez mais forte e rápido, mas não consigo mais me sentir tão emocionado com os Hermanos. E isso me assusta.

Kraftwerk só pode tocar em ambientes pequenos. Pioneiros, gênios, fantásticos. Mas na Apoteose, com a quantidade de poluição visual que existia ao redor – o elevado do túnel Santa Bárbara, as casas e prédios ao redor, o batalhão da Polícia Militar, tudo estava prejudicando o espetáculo de luz que é o show do Kraft. Não ajudou eles terem feito o mesmo show de 2004.

A impressão que deixam é que pararam no pioneirismo de antes. E ficaram lá, presos ao passado. Presos ao fato de terem sido precursores. Não mais criadores de trends, preferem mostrar o que fizeram para atestar sua importância na história da música eletrônica mundial que tentar algo novo ou criar simplesmente por criar.

Foi um show extremamente burocrático. Ainda por cima no meio da última música ligaram os holofotes da Apoteose, o que me deixou com uma sensação de desreipeito aos músicos e ao público que sinceramente não lembro de ter visto antes. Bizarro.

Com dez minutos de atraso vejo as luzes da Apoteose se apagarem pela segunda vez. Toma conta de mim um certo calafrio. Thom e sua trupe estão, de fato, na minha frente.

É sempre difícil descrever um bom show. Thom estava em êxtase, e nos carregou junto. Chegou a gargalhar com a participação do público, muito, imagino, do próprio espanto que é comum aos músicos que nunca vieram ao Brasil e não entendem como podemos ser tão participativos. O público brazuca realmente é fantástico. 

Cantamos muito. Muito mesmo. ‘Karma Police’ foi lindo. Thom até voltou ao microfone no final da música para, a cappella, fazer um verso só conosco. Deu pra ver o baixista pulando feito um maníaco ao lado da batera, feliz e contente por participar desse memorável evento. O Brasil sempre dá show – é realmente impressionante.

A magia visceral do Radiohead cativa qualquer um. Um som difícil, denso, incrível. O som estava fantástico, alto e na cara como poucas vezes vi na Apoteose. Acho que nunca vi som tão bom naquele espaço que sempre peca pela acústica. 

Faltaram músicas antigas. Faltou ‘High and Dry’. Faltou ‘Fake Plastic Trees’ (que tocaram em Sampa). Mas sabem de uma coisa? Espero essas músicas quando eles voltarem. Porque sei que voltam. O Brasil faz isso com as bandas.

Anúncios

1 Comentário so far
Deixe um comentário

Legal seu depoimento sobre o show!
Foi do caralho o Radiohead!
Quanto ao Los Hermanos, nao emito qualquer comentario, pois trago comigo um preconceito quanto a certas atitudes de um integrante da banda. Com isso, nao chego nem mesmo a analisar sua musica… Kraftwerk eu gostei… mas como disse, foi bem burocratico. Pessoal no Rio paracia nao conhece-los a fundo. Mas eles são HISTÓRICOS!

Comentário por Guilherme




Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: