Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Filho de peixe, peixinho é
9-agosto-2009, 1:54
Filed under: Politicalidades

Tenho sempre uma ojeriza um tanto pronunciada com relação à rejeição de peixes na vida profissional do brasileiro. Ser ‘recomendado’ é visto como uma afronta aos bons modos. Uma maneira de atravessar a esfera da moralidade. De deturpar com os sagrados textos – que textos são esses, não faço idéia.

A grande questão surgiu, de novo, quando a neta do Sarney foi ‘pega’ em escutas pedindo emprego para um ex-namorado. Acho que a grande questão foram os atos secretos envolvidos, mas devido à questionamentos e colocações feitas, sempre acho que o brasileiro apimenta essas questões de um viés errado.

Ser recomendado a um cargo não é errado. Nunca será. Num mundo cada vez mais entupido de profissionais, onde uma pós aqui, um mba acolá, um inglês ou espanhol no CCAA não são razão para se diferenciar profissionais, ser recomendado por alguém de confiança é caminho primordial. Faço isso quando contrato quem preciso, e sei que sou recomendado por aqueles com quem trabalhei para conquistar mais espaço no mercado.

Se meu pai fosse a pessoa a me recomendar, qual, exatamente, seria o grande problema? Quer dizer que seus esforços em me educar, labutar como labutou, suar como suou, para conseguir me prover uma educação ducarai que me tornaram, vai, ‘diferenciado’ no mercado são (e foram) um erro? Que ele não pode falar para amigos e colegas de profissão das minhas conquistas profissionais e, assim, descobrindo um caminho que ele julgue interessante, marcar uma entrevista comigo para uma posição que ele recomende – tanto para me beneficiar quanto para prover ao contato que necessita um profissional alguém que seja de confiança dele e que carregue seu nome e coneito no mercado?

Porque ser peixe é tão ruim nesse país? Todos nós somos, e seremos, peixes em nossas vidas. Somos indicados para namorar amigas de amigas. Somos indicados para entrar em colégios. Somos indicados a jogar peladas quando somos minimamente bons em futebol. Por que todas esses exemplos tendem a serem aceitáveis, mas ser indicado profissionalmente, em especial por um parente, não é?

Admito que a grande questão com o Sarney foi ele dizer que ‘não podia recusar um pedido da neta’, e que, claramente, não houve preocupação com a qualidade do profissional que era o ex-namorado da neta dele. Mas a questão é – e se o cara fosse fantástico, redator de projetos de lei que mudaram o país? Será que teria sido tão ruim??

Claro que teria. Ele entrou pela porta dos fundos. De maneira escusa. Pelas razões erradas. Agora, tivesse ele entrado num cargo de confiança, de maneira transparente, teríamos tido a mesma repercussão que esse caso tomou? Eu acho que sim, e é por isso que essa diatribe está aqui.

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