Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Meu voto na Dilma
2-outubro-2010, 11:41
Filed under: Politicalidades

Eu me achava politizado for all the wrong reasons. Cresci sob a tutela de uma idéia de sociedade totalmente escrota, errada. Tinha um pai que lutou contra a Ditadura, não a ponto de ser preso e torturado, muito pela inteligência e cagaço (por ser inteligente) dele. Nasci na Zona Norte do Rio de Janeiro e vivi uma vida, até hoje, de berço esplêndido. Os esforços do meu pai de subir na vida por suor, lágrimas e hard compromises me deixaram em posição invejável nesse país, especialmente nesse país na década de transição econômica, social e política.

Tenho 28 anos e somos um país de constituição democrática há 22. Durante os anos Collor e Itamar, e ainda metade do FHC, estava fora do país. Vivendo num mundo a parte, numa realidade diferente. Não sofri como muitos amigos com os problemas do congelamento, não senti na pele junto à minha família a beleza de um Plano Real. Não brinquei com UFIRs, por mais que, nas férias, me deliciei com as mudanças. Achava sensacional termos uma moeda forte, que se assemelhava ao que conhecia lá fora.

Pressupus ser politizado ao me tornar um ingênuo homenzinho de 16 anos votando no FHC em 98. Dois anos vivendo num país que tinha moeda forte foi algo muito interessante. Fiz questão de votar aos 16. Me enxergar como membro atuante e transformador da nossa república federativa. Os próximos quatro anos foram uma lição de economia e política.

Entrei na faculdade de administração no segundo semestre de 99, num prestigioso e influente instituto de mercado de capitais. Trabalharia na bolsa, num banco de investimento. Seria pós-doutor como meu progenitor. Haveria de seguir o caminho traçado pelo meu pai e ganhar dinheiro me esforçando muito, trabalhando 20 horas por dia e estudando sem parar. Diante das doideiras dos últimos anos do FHC, diante das babaquices e loucuras feitas na outra metade do seu governo, ainda mantinha uma cartilha pessoal focada naquilo que permeava meus arredores.

2002 veio. Não queria votar no Serra. Não conseguia. Nunca vi nele um presidente. Nunca quis vê-lo como tal. Sua postura, seu sorriso horripilantemente falso e enganador. Lembro que teria votado no Garotinho antes de me ver votando nele. Isso não mudou. O que mudou foi que, na época, não acreditava no ‘Lula Paz e Amor’.

A distorção daquilo que via do Lula pelos PIGs era de um guerrilheiro maluco que tornaria nosso país num regime socialista e ia fazer reforma agrária dentro dos apartamentos da Lagoa onde eu morava, enfiando pobres para dividir os metros quadrados a mais dos abastados… e vendiam isso como se tudo fosse realmente ruim! Não tive cabeça para entender a real democratização do poder que o Lula era capaz de trazer ao Brasil. Felizmente, 46% e depois 62% do povo brasileiro soube, e meu voto no Ciro Gomes, que achava um maverick interessante, ficou como voto de ideal – se é que eu realmente o tinha. Para minha vergonha até hoje, deixei de votar em alguém no segundo turno. Anulei meu voto.

2006 veio e não pude conter meu espanto. Conheci algumas pessoas interessantes (serão mencionadas em breve), abri um tantinho meus horizontes. Quatro anos antes ainda estava voltado prum pensamento distorcido do que significava o movimento de real democratização do poder e do voto nacional. Fiz pós em teorias econômicas pra fazer mestrado em economia como o papai e felizmente (hoje vejo isso), por causa de uma nota ruim em História não tive chance de entrar nos programas que queria. Tive câncer, mudei de posição com relação às minhas escolhas profissionais, montei empresa em entretenimento, fiz cursos de produção e música. Minha jornada de reconhecimento me levou a entender melhor o país que vivo. Vi o PT se tornar o beacon de representatividade da sócio-democracia nacional. Li demais, vi movimentos distintos de política serem ridículos, instigantes e enfadonhos. Tudo, porém, era mais interessante. De todas as formas. Tentar entender a política nacional virou maravilhosamente educativo. Votei no Cristovão. Não curti o Lula na campanha. 2005 tinha sido o ano do Mensalão, e a ferida tinha doído. Não tinha enxergado que a eclosão do escândalo era parte da uma real característica dos anos petistas: total e irrevogável liberdade de imprensa para explorar e divulgar o que acontece no planalto. Dessa vez, por mais que achasse o Alckmin um cara de sorriso engraçado e kind of a good guy, não dava pra negar os avanços do país, e entendi o recado dos anos anteriores, por maiores que os problemas fossem eu vivia uma mudança boa na minha cabeça. Lulalá no segundo turno.

Os últimos quatro anos. MBA em Marketing e também mestrado pela Ohio University. Mais algumas viagens internacionais. Três outras empresas agora. Segui me desafiando e tentando emular meu pai, mas da maneira correta – sendo eu mesmo. Difícil ver o dinheiro entrar como sonhava, mas estou me divertindo. Meu país anda se divertindo também, e é esse o final desse depoimento longo e chato que hoje faço.

Descobri um país mais justo, mais amigo, mais próspero e bonito nesses últimos anos. Somos bem vistos lá fora, temos uma economia melhor, um povo mais feliz e rico. Enquanto todos caem, nós melhoramos. Como sempre deveria ter sido. Agora somos.

E é isso que mais me abala hoje. Estou CONTENTE com o meu país. Estou ALEGRE ao ver meu país como ele está. Estou ESPERANÇOSO com tudo o que o meu país representará nos próximos quatro, oito, doze anos.

A Dilma é a próxima fase desse crescimento. Ela representa a continuidade de algo que mudou por completo o meu país. Ela é o resultado de anos de boa governança, em várias áreas do Governo. A imagem do país que quero carregar no meu peito como nunca antes carreguei. Hoje, eu só consigo votar no PT. Quem me viu, quem me vê.

Agradeço ao Idelber, ao Rafa, ao Alex. Grandes amigos que abriram meus olhos, que com sua inteligência, experiência e retórica, coletivamente, me tornaram alguém mais aware, mais dedicado ao meu país, ao povo que aqui divide seu espaço comigo. A enxergar o país longe da minha metrópole, ao povo que tanto amo e por quem nutro tanto carinho. E por quem posso, e DEVO, representar no meu voto. O Celso, recente aquisição da minha lista diárias de blogs, veio a acrescentar as peças finais de uma cabeça transformada.

Sou alguém melhor. O Brasil também. Mudamos junto. E seguiremos nos transformando para melhor. Seremos melhor a cada dia que passar. Que venha a Dilma, a continuar nossa transformação. Estamos a caminho de algo fantástico. Não podemos parar nem retroceder.

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2 Comentários so far
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Eu é q te agradeço. E não sei se mereço. Nossos votos foram parecidos. FHC em 94, Ciro em 98, Lula em 2002, e Cristovao em 2006.

Comentário por alex castro

Bruninho, sumido!!! Faz favor de responder o e-mail que eu te mandei?? rs
To tentando marcar um chopp com vc e a Viva! Bjs!!!

Comentário por Tata




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