Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Oscar
8-março-2010, 9:35
Filed under: Cinemalidades

Existe sim um problema com o Oscar deste ano. Eu gostei dele. Desde os agradecimentos aos números do Alec e Steve.

Preciso ver o The Hurt Locker pra saber o que cacetes tem de tão especial mais um filme do Iraque. Não pode faltar, claro, uma crítica tremenda a ser feita do Rubens Ewald. Que cara mais pedante, chato, condescendente e amargo.

Chegou a dizer que votar por um filme de baixo orçamento e não para o Avatar é desencorajar produções caras. Como se dinheiro representasse sucesso. Se não fosse feito pelo Cameron, Rubens teria ficado calado.

Transformers custou centenas de milhões. Harry Potter também. Inúmeros outros filmes seguem esse padrão. Nenhum foi, nem é, oscarável. Mas os bilhões de retorno em bilheteria não deveriam ser suficientes para os estúdios continuarem a fazê-los.

Afinal, só se gasta dinheiro filmes pra ganhar Oscars.

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Festival do Rio 2009
17-setembro-2009, 2:56
Filed under: Cinemalidades, Perfil

Pronto. Vai começar minha falta de vida de novo. Como se já não tivesse pouco tempo ultimamente, com tantos projetos e tanta correria antes de viajar.

Vem aí o Festival do Rio 2009. Ainda bem que serão duas semanas. Mas garanto que, de novo, vou ver ao menos 15 filmes. Meu recorde foi 31, em 2006. Devia tentar batê-lo de novo, mas acho difícil. Tem poucos filmes, esse ano, que me encantam de verdade.

Em 2006 o que deu certo foi que acabava vendo filmes no meio do caminho de dois que queria muito ver. Tinha um às 14h e outro às 20h, por exemplo. Acabava sobrando aquele filme checo horroroso, com produção islandesa e atores estonianos, às 17h.

Nesse festival, vou fazer questão de correr atrás dos que vão aparecer nos cinemas em geral. Estarei fora do Brasil a partir do final de outubro, e preciso pegar os filmes que pra cá virão. Na cidade da universidade em Ohio há UM mísero cinema. E não sou de baixar filmes (posso simplesmente mudar de opinião, mas duvido muito que isso venha a acontecer).

Acabei de lembrar que preciso terminar as aventuras do Viking na América.

Mas então, quero ver esses filmes aqui:

– Bellini e o demônio, de Marcelo Galvão (não sei por quê… acho que gosto do toxicômano do Fábio)

– Insolação, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch

– Sonhos roubados, de Sandra Werneck (ouvi falar bem)

– Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes
– It Might Get Loud (It Might Get Loud / It Might Get Loud), de Davis Guggenheim (Estados Unidos)
– Singularidades de uma rapariga loura (Singularidades de uma rapariga loura), de Manoel de Oliveira (Portugal)
– Barba Azul (Barbe Bleue / Bluebeard), de Catherine Breillat (França)
– A Doutrina de Choque (The Shock Doctrine / The Shock Doctrine), de Michael Winterbottom, Mat Whitecross (Reino Unido)

– Maradona (Maradona by Kusturica / Maradona by Kusturica), de Emir Kusturica (Espanha)
– Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds / Inglourious Basterds), de Quentin Tarantino (Estados Unidos) (YEEEEAH!)
– Abraços partidos (Los Abrazos Rotos / Broken Embraces), de Pedro Almodóvar (Espanha)
– Distante Nós Vamos (Away We Go / Away We Go), de Sam Mendes (Estados Unidos)
– Coco antes de Chanel (Coco avant Chanel / Coco Before Chanel), de Anne Fontaine (França)
– (500) Dias com ela ((500) Days of Summer / (500) Days of Summer), de Marc Webb (Estados Unidos)
– Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock / Taking Woodstock), de Ang Lee (Estados Unidos)
– Brilho de Uma Paixão (Bright Star / Bright Star), de Jane Campion (Reino Unido)
– O Desinformante! (The informant! / The informant!), de Steven Soderbergh (Estados Unidos)
– Nova York, Eu Te Amo (New York, I Love You / New York, I Love You), de Mira Nair, Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shekhar Kapur, Shunji Iwai, Joshua Marston, Natalie Portman, Brett Ratner, Wen Jiang, Randall Balsmeyer (França)
– Julie & Julia (Julie & Julia / Julie & Julia), de Nora Ephron (Estados Unidos)
– Che 2 – A Guerrilha (Che: Part Two / Che: Part Two), de Steven Soderbergh (Espanha)

– A Batalha dos 3 reinos, de John Woo

– Aguas turvas (De Usynlige / Troubled Water), de Erik Poppe (Noruega)

– O dia da transa (Humpday / Humpday), de Lynn Shelton (Estados Unidos)
– Coco (Coco / Coco), de Gad Elmaleh (França)

– Eu sei que você sabe (I Know You Know / I Know You Know), de Justin Kerrigan (Reino Unido)
– O lar das borboletas escuras (Tummien Perhosten Koti), de Dome Karukoski (Finlândia)

– A próxima estação (La próxima estación / La próxima estación), de Fernando E. Solanas (Argentina)
– O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos / The Secret in Their Eyes), de Juan José Campanella (Argentina
– Arranca-me a Vida (Arráncame la vida / Tear This Heart Out), de Roberto Sneider (México)
– Boogie (Boogie, el aceitoso / Boogie), de Gustavo Cova (Argentina) (animação)

– An Englishman in New York (An Englishman in New York), de Richard Laxton (Reino Unido)

– Os Tempos de Harvey Milk (The Times of Harvey Milk / The Times of Harvey Milk), de Rob Epstein (Estados Unidos)
– Fúria (Outrage / Outrage), de Kirby Dick (Estados Unidos)

– Human Zoo (Human Zoo / Human Zoo), de Rie Rasmussen (França)
– Vogue – a edição de setembro (The September Issue), de R.J. Cutler (Estados Unidos)
– Big River Man (Big River Man / Big River Man), de John Maringouin (Estados Unidos)
– Black Dynamite (Black Dynamite / Black Dynamite), de Scott Sanders (Estados Unidos)
– Tyson (Tyson / Tyson), de James Toback (Estados Unidos) (LOUCO PRA VER ESSE)
– Em Busca do Paraíso (Heaven wants out / Heaven wants out), de Robert Feinberg (Estados Unidos)
– American Boy: o retrato de Steven Prince (American Boy: A Profile of Steven Prince), de Martin Scorsese (Estados Unidos)
– American Prince (American Prince / American Prince), de Tommy Pallotta (Estados Unidos)
– When you’re strange (When you’re strange / When you’re strange), de Tom DiCillo (Estados Unidos)

– Os sonhos sobrevivem ao poder? (Le Pouvoir détruit-il le rêve? / Behind the Rainbow), de Jihan El-Tahri (Egito)

– American Casino (American Casino / American Casino), de Leslie Cockburn (Estados Unidos da América)
– Teatro de guerra (Theater of War / Theater of War), de John Walter (Estados Unidos)

– Playground (Playground / Playground), de Libby Spears (Estados Unidos)

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Será que consigo ver – cacetas, é muito filme! 46!! – ao menos metade desses?



Ivete Stellar
27-agosto-2009, 2:19
Filed under: Cinemalidades, Música

Eu, pessoalmente, acho que nunca haverá na história da música nacional alguém igual à Ivete Sangalo. A maior artista de todos os tempos desse país. Rei? Que Rei?

Uma mulher de fibra, garra, simpatia ímpar e uma transparência apaixonante. Um talento incrível, uma voz poderosa, uma imagem de força descomunal. De cantora de uma banda de axé ao fenômeno absoluto – uma artista que atinge a todos no país, que tem público do Oiapoque ao Chuí.

Agora a Ivete vai virar estrela de uma animação em 3D. Um momento até natural para uma artista como ela. Até estranhei, até hoje, não ter visto um filme estrelado por ela. Mas o que mais me impressionou foi a qualidade do trailer mostrado.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Uma animação de imensa qualidade, com uma direção artística incrível, uma Ivete muito bem representada como heroína e, o mais importante, uma história e uma abordagem diferente do que vemos nesse país.

Ivete não é mais uma Xuxa, fazendo filmes para seus baixinhos. Ela virou uma heroína espacial, com atitude, tenacidade e personalidade. Cacomotion, empresa criada por ela mesma, é quem capitaneia esse projeto. Uma mulher de visão.

Torço muito para que o Ivete Stellar se torne uma verdade. Para que assim possamos, finalmente, enxergar uma saída para os filmes do Didi e da Xuxa, e enxerguemos, todos, no mercado, que só há uma grande heroína brasileira: uma baiana arretada chamada Ivete.




Who is watching the Watchmen?
12-março-2009, 7:50
Filed under: Cinemalidades

O Bia até fez uma resenha antes dessa. Mas eu vi primeiro.

Watchmen é, pra mim, um marco no cinema. Chega até ser engraçado dizer isso, visto que por tanto anos agora vimos quadrinhos sendo adaptados com muita competência. Os clássicos gibis do Aranha, Batman, Super-homem já estavam vistos, agora com mais tecnologia e algumas visões fantásticas de alguns diretores, como o novo caminho a ser seguido por Hollywood. Todo mundo aparentemente se amarra em quadrinhos na telona.

Com isso veio a chance do Snyder fazer o 300. Um graphic novel diferente, mais denso e colorido, com passagens brilhantes, uma linha de narrativa fantástica. Mas um graphic novel. Nada popular, comparado aos Aranhas e Homens-morcego do mundo.

E eu ali, quietinho, esperando que houvesse alguma chance do melhor gibi de todos os tempos aparecer na tela. Estava fadado a acontecer. Quando soube, me animei muito, e sabendo do talento do Snyder fiquei esperançoso.

Watchmen é a melhor adaptação já feita. Tomaram as liberdades certas, imprimiram a imagem certa, tiveram o cuidado certo. Zack fez um trabalho brilhante como diretor.

A história do Moore era difícil. Difícil demais. Conseguiram atores certos para colocarem algo extremamente complexo e muito melhor explicado no graphic novel em cinco minutos de uma música do Dylan. Muito bem feito.

Toda o gibi teve um desenrolar na tela sensacional. Perdemos sim a narrativa paralela do navio, mas ainda sim em nenhum momento o filme se perdeu – pelo contrário, explicou tudo bem demais, numa fotografia fantástica, com atuações inacreditáveis. Todos os personagens estão exatamente como os imaginei ao ler o gibi pela primeira vez. Fiquei espantado.

Tive a alegria de ver que puseram a história, com todas suas nuances e complicações, uma década de 80 ainda pior do que a que transcorreu, com um Nixon ainda presidente e a Guerra do Vietnã ganha. Não conseguiram colocar a importância do New Frontiersman, e espero que seja algo para o dvd especial, e não uma idéia maluca de seqüência.

Vou vê-lo de novo daqui a pouco. Preciso. Fiquei estupefato. O melhor gibi de todos os tempos em glorioso technicolor. Demais.



A voz do cinema
3-setembro-2008, 12:03
Filed under: Cinemalidades

Não acredito que o cara dono da voz dos trailers americanos morreu. Don Lafontaine era o cara. Sua voz, grave, poderosa, era a única coisa que servia em boa parte dos trailers que apareciam antes dos filmes.

Ele morreu, de acordo com o Terra, devido a um pneumotórax. Ironia é uma merda.



Aí acontece o oposto…
19-junho-2008, 2:01
Filed under: Cinemalidades

Fui ver ‘Sex and the City’ de bobeira hoje. Saí da análise e queria encontrar meu sócio, mas não havia tempo pra ele. Perambulei pelo Leblon e decidi ir até o Shopping Leblon ver se tinha o ‘Hulk’. Acabei chegando cinco minutos antes do ‘SatC’. Já tinha visto alguns episódios da série, e sempre achei muito inteligente. Minhas amigas todas AAAAAMAM essa merda, então algum valor forte ela tem.

Só sei que rir, gargalhei, sorri, me relacionei, senti e chorei – algumas vezes. Filme sensacional sobre o que é crescer e criar laços. Se entregar e saber o valor da entrega. A série acabou com alguns acontecimentos fortes, e esse filme é o desenrolar de todos eles. Todo mundo se questionando, vivendo, sentindo.

Aos 40 elas pensam como eu penso hoje. É engraçado isso. Todas essas questões de se enraizar, de saber o que é o ‘amor’ tão procurado, a certeza e a solidez de um par ‘perfeito’. É tudo o que penso e quero AGORA, quiçá daqui a 15 anos!!

Todas são lindas. Lindíssimas aos 40. Cinqüenta até. Todas com os mesmos problemas e questionamento que hoje tenho. Sem ser piegas, sem ser problemático. Simplesmente ter questionamentos sobre os parâmetros e paradigmas criados hoje por todos nós.

É surreal o quanto tudo o que é demonstrado e passado na telona se reflete nas nossas vidas, sejam elas pós-adolescentes ou bem mais adultas. Consegui me relacionar com vários questionamentos – gravidez miraculosa da Charlotte, o compromisso do Big com a Carrie, as dúvidas e a certeza da Miranda com o Steve… até mesmo as dúvidas existenciais da Samantha.

Só sei que saí muito contente do cinema. Acho que sou uma mulher independente e romântica por dentro. E não dá pra dizer que ninguém imaginaria isso.



Promessa é dívida… mas às vezes…
18-junho-2008, 4:25
Filed under: Cinemalidades

Pois então, disse ontem que iria ao cinema de qualquer forma. Consegui encaixar um espaço entre uma reunião e o MBA e me joguei no Espaço Unibanco. Adoro aquele lugar. Tem um sebo onde consigo os mais variados álbuns e livros a preços extremamente módicos. Além de um ambiente lindo, aconchegante e de um sofá de couro que dá vontade de ler novecentos e trinta livros antes de se levantar.

O único filme disponível em tempo hábil era o ‘Fim dos Tempos’, do cultuado M. Night Shalaslalamananalalaanalanlam. Me amarrei no ‘O Sexto Sentido’, gostei pracas do ‘Corpo Fechado’ e também achei batuta ‘A Vila’. ‘Sinais’ foi uma bosta a não ser pela parte no Brasil em que, pasmem!, fala-se português! ‘Dama na Água’ nem foi tão legal assim, mas mostrou, claramente, que ele também não está a afim de fazer só filmes com reviravoltas. Esse ‘Dama’ deveria ter me preparado para seu último trabalho.

A começar por Mark Wahlberg, aquele Marky Mark dos áureos tempos que ele competia com seu irmão Donnie do New Kids on the Block pelo trono de menino do momento. Gente, quem inventou que ele é ator dramático tá de sacanagem com as nossas caras há tempos. Ainda teve a nomeação pro Oscar nos ‘Infiltrados’. Talvez tenha sido seu único grande papel até agora. Quer dizer, não no script, claro, mas na… erm… soberba atuação que ele mostrou no papel do policial bonzinho-e-cheio-de-problemas.

Mark faz uma cara de boçal o filme todo. Todo. Realmente todo. É um banal professor de biologia/química/ciências/foda-se, que tem um relacionamento bunda com uma mulher idiota e sem personalidade (a MAAAAARAVILHOSA Zoey Deaschasasdcagueiprosobrenomedelaashtehdel) – mas com olhos de matar qualquer um do coração. O relação deles vai de morna a estúpida a incompreensivelmente idiota a somente incompreensível no final. Urgh.

Tem uma menininha também. Que não faz nada. Só chora. E tem umas esquisitices como falar sussurando quando está com medo. E acho que um dos traços da pobre garota deve ser não saber atuar nem por mil milhões.

Fora a estupidez e falta de sustância dos personagens, a porra do acontecimento só é bem demonstrado no começo do filme. Realmente, as cenas inicias em Nova Iorque são iradas. Mas nada que ponha medo nem faça você entrar em qualquer tipo de reflexão. Simplesmente acontece algo, o povo corre, alguns morrem, alguns não. Pronto. Êba.

Filme sem pé nem cabeça, que mal começa e já acaba pior do que começou. Não tem meio, não tem desenvolvimento de personagens, não tem enredo decente. Enfim, não tem porra nenhuma. Pelo menos o ‘Dama’ tinha uma intrínseca rede de acontecimentos acontecendo por detrás da sereiazinha lá… a parada do mundo da fantasia atacando o real… premisa bacana, mas que se transformou num filme meio chatinho, arrastado.

E é exatamente isso que acontece no ‘Final dos Tempos’. Não tem tensão EM MOMENTO ALGUM. Você simplesmente assisti, durante duas horas, a algo acontecendo na tela do cinema. E só. Não consegue-se sentir pena dos personagens, medo, angústia, sofrimento, nada. Acredito eu que essa merda de filme era pra ser ao menos tenso. Cheio de suspense e mistério. Mas NADA ACONTECE. NUNCA.

Porra de perda de tempo do caráleo.