Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Rio 2016
3-outubro-2009, 1:14
Filed under: Copacabanalidades, Esportividades, Perfil

Meu país. Minha cidade. Vivo falando de vocês. Mal, most of the time. Bem quando quero, quando não consigo conter minha vontade de proclamar meu amor.

Não tinha visto sua vitória ao vivo, minha cidade. Não pude acompanhar. Estava no interior do estado de São Paulo. Depois estava na grange cidade cinza que gosto bastante. E onde me encontro agora, vendo, repetidas vezes, o seu vídeo para o COI.

São momentos especiais, esses. Momentos em que me vejo um cidadão tupiniquim. E sabe por que? Porque amo o fato de sermos assim. Falhos, estranhos, emotivos até pedirmos arrêgo.

Somos o povo que vai, em centenas de milhares, torcer por uma votação em um país escandinavo. Somos um povo que festeja de maneira delirante, e esquecemos os problemas, as árduas porradas da vida, por uma festa e uma reunião em grupo.

Somos um povo feliz. E, agora, somos um povo olímpico. Que orgulho.

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Um ataque
18-abril-2009, 2:42
Filed under: Copacabanalidades

Dormindo. Tranqüilo. Sonhando um sonho lúcido interessante.

Um barulho. Primeiro baixo, gradativamente aumentando. Ensurdecedor.

Me agarro ao sonho, mas não consigo. O barulho é tremendo. Tremem as janelas. Estou sendo atacado.

Um ataque, logo em Copa? Num dia tão límpido? Enquanto durmo? Por que??

O barulho passa. Penso que tudo foi só um sonho. Olho do lado de fora da janela e inúmeras pessoas estão olhando para o chão. Para os céus. Vejo que não estou alucinando.

E o barulho aparece de novo. Primeiro baixo, gradativamente aumentando. Me preparo para o pior. Penso na família, no que ainda quero fazer. Penso nas duas reuniões do dia. Penso nos papers de mestrado que preciso entregar até a semana que vem.

Poucos metros da minha cabeça passa um objeto cinza em alta velocidade. Acabou, penso eu. Viramos Nova Iorque.

O barulho se vai, mas o objeto cinza cravou-se em minha retina. Estou com medo. Pavor. Procuro a explosão. Procuro fogo, gritos, fumaça. Não encontro. Isso dá mais medo ainda.

Estão brincando conosco? Dizendo que podem atacar mas não atingem nada? Maléficos terroristas!

Está passando Osasco x Rio de Janeiron na Globo. No Maracanãzinho. Será que todos serão incinerados? Vai começar Aston Villa x West Ham na ESPN. Tenho inveja de todos eles, seguros e livres do medo. 

Olho para a praia. O céu está lindo. A água, um azul escuro de tirar o fôlego. E neste instante passa de novo, em frente aos meus próprios olhos, dois objetos cinzas em tremenda velocidade. Atacaram a Avenida Atlântica.



Parada Gay do Rio 2008
14-outubro-2008, 1:59
Filed under: Copacabanalidades, Perfil, Politicalidades

Um domingo ensolarado deu graças ao movimento mais legal dos últimos tempos na Praia de Copacabana. A Parada Gay do Rio deste ano teve uma conotação bastante política: a aprovação do projeto de lei PLC122/06, que tramita no Senado, que criminaliza a homofobia. Com direito a discursão inflamados, a Parada teve um começo muito mais interessante que poderia imaginar.

O que eu queria, ao chegar lá na Av. Atlântica, era ganhar uma camisa do programa de apoio à promulgação da lei. Uma camisa branca com um cursor de computador arco-íris. Bonito, simples e to the point.

Vi discursos de alto teor de emoção. Fiquei olhando, admirando a raça e a luta daqueles que são tão descriminados. A conversa da liberdade de expressão ser usada pra agredir e menosprezar aqueles de opção sexual diferente da sua. Um absurdo.

Descobri também novas siglas. LGBT, sendo os óbvios Lésbicas, Gays e Bissexuais e o ‘tê’ de travestis, transsexuais e trissexuais. Trissexuais?? 

Muita gente bem-vestida, de garis sensuais à uma gueixa e mulher-gato. Tudo num espírito de paz que pouco vi nos últimos tempos. Uma horda de gente se divertindo horrores, dançando ao bom som (estupidamente alto) de música eletrônica.

Meu cachorro tava nervoso com tanto barulho. Minha mãe, completamente louca atrás da drag mais bonita e bem produzida pra tirar trocentas fotos. Ficamos no ‘Sobre as Ondas’, bar ao lado da Help! (onde se encontrava um grupo animadíssimo de lésbicas de amando, incentivadas pelo alto contingente masculino ao seu redor), almoçamos alegremente entre as indas e vindas de pessoas incríveis, e foi realmente um domingo de muita alegria.

Ao ver o Sérgio Cabral no trio declamando seu apoio, e se mostrando publicamente como o único governador que apóia com franqueza e clareza a causa LGBT. O Rio tem liberado leis de extrema importância:

 

  • Lei Municipal Nº 2475/1996 – Determina sanções às Práticas Discriminatórias em razão da orientação sexual em estabelecimentos comerciais e órgãos públicos no município do Rio de Janeiro.
  • Lei Estadual Nº 3406/2000 – Determina sanções às Práticas Discriminatórias em razão da orientação sexual em estabelecimentos comerciais e órgãos públicos no estado do Rio de Janeiro.
  • Lei Municipal Nº 3.786/2002 – Estende o direito de pensão a companheiros/as de servidores/as públicos/as homossexuais do município do Rio de Janeiro.
  • Lei Estadual Nº 215/2007 – Estende o direito de pensão a companheiros/as de servidores/as públicos/as homossexuais do estado do Rio de Janeiro

 

E chegamos ao Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006. Aprovado no Congresso Nacional, o PLC alterará a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, caracterizando crime a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Isto quer dizer que todo cidadão ou cidadã que sofrer discriminação por causa de sua orientação sexual e identidade de gênero poderá prestar queixa formal na delegacia. Esta queixa levará à abertura de processo judicial. Caso seja provada a veracidade da acusação, o réu estará sujeito às penas definidas em lei.

Diversas vezes o nome do Crivella foi sugerido, nunca explicitado, nas comemorações pelas vitórias nas urnas nessas eleições para prefeito. Temos na disputa dois candidatos que explicitamente apoiam causas LGBT, em principal o Gabeira, ferrenho defensor e exemplo de cabeça-no-lugar para muitos, eu inclusive. É um vitória importante, que deixa claro o governo secular que devemos ter, sempre afastando qualquer dúvida sobre o papel da religião na política.

Desafiaram o senador evangélico na aprovação da Lei. Veremos no que isso vai dar. Será que Crivella deixará seus preconceitos dogmáticos da igreja da qual é Bispo ou entenderá os anseios do povo (pesquisa recente demonstrou, de acordo com os palestrantes, que 70% da população apóia a Lei e a união entre pessoas do mesmo sexo) e votará a favor da promulgação do Projeto.

A Parada Gay é sinônimo de diversão, de divulgação do pluralismo sexual que temos nesse mundinho tão fantástico em que vivemos. Uma paz e tranqüilidade que caracterizaram um maravilhoso domingo de sol, praia e muita, muita festa. De madrugada ainda se via pessoas voltando, alegres e contentes, de uma manifestação de carinho, amor e aceitação.

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De grátis? Deve ser horrível
21-julho-2008, 3:30
Filed under: Copacabanalidades

E lá vem a internet de grátis aqui pra Orla de Copa. Tava sendo construída desde o final do ano passado, e espero, realmente espero, que eu possa acessá-la a uma esquina de distância. Porque não basta contar meus centavos no final do mês e ainda ter de me preocupar com Net, Vírtua e afins. Ainda nem tenho cortina!

E quero mudar esse piso. Foi uma idéia bacana essa de pintar o piso de tinta especial, branca, pra poder deixar o ambiente mais claro. É que piso de ardósia não combina com apê clean e moderno. Problema maior seria tirar o piso de ardósia e botar outro. Grana que não existe. Quer dizer, garanto que existe, só que na mão de outrem.

Prioridades são mesmo as cortinas e a instalação dos ar-condicionados. Antes que o verão (leia-se Setembro) chegue com toda sua força e me mate de calor. E preciso ver por que caráleos meu laptop não está mais reconhecendo redes wi-fi (qualquer pessoa sapiente, por favor explique que nem no Wireless Zero Configuration dessa joça de Windows XP eu consigo achar resposta).

Um dia tudo se ajeita. Um dia. Só espero ter internet de graça até lá.



Mãrratan
9-maio-2008, 5:24
Filed under: Copacabanalidades

Andando pela 17th St com a 3rd Ave, sentido sudoeste, me deparo com um casal de senhores, lindos, fofos demais. Converso, bato papo, jogo conversa fora. Eles seguem seu caminho e eu o meu. O dia está bonito. Nuvens esparsas dão seu ar de graça em meio à imensidão celeste.

Atravesso e sigo até a 13th St, esquina com a 2nd. Tenho contas a pagar. Uma brisa leve do leste bate em direção ao continente. Sinto o cheiro delicioso de maresia, trazendo consigo história de mares revoltos, de tempestades e icebergs.

Gosto muito da 10th. Liga uma parte da minha à essa nova. Tenho saudades da 10th. Vira e mexe me vejo passando por ela, pra pagar contas (sempre elas), ir na farmácia, comer um crepe, tomar um suco. A esquina da 10th com a 5th Ave é uma das mais perigosas da cidade. Tem um ponto cego pros carros, insanos, que querem ultrapassar o sinal. E tem sempre alguém que ultrapassa o sinal.

Muita gente percorre essas ruas. Gente de todo tipo. Imigrantes, turistas, bairristas, transeuntes passageiros. O núcleo da cidade. Daqui da janela vejo de tudo um pouco. De uma vista deslumbrante a um profusão interminável de antenas e terraços abandonados.

Tenho alguma saudade daquela outra parte. Da parte que deixei pra trás. Especialmente do verde, dos micos que me visitavam, das coisas que ainda permanecem lá. Mas ao mesmo tempo olho pros lados e vejo tudo o que criei, o que planejei e construi e fico bem. Bem demais.

Entre a 11st e a 12st é onde mais ando hoje em dia. Tem cinema, tem bar. O coração desse lugar. Até rimou. Pena que engraçado não ficou.

Adoro isso aqui. Cada vez mais adoro isso aqui. Me sinto livre, leve, solto pra curtir as pessoas, as esquinas, o barulho, a vida dessas ruas e avenidas.

Copacabana é a minha Manhattan.



Meu bairro
1-maio-2008, 1:28
Filed under: Copacabanalidades

Ir morar sozinho muitas vezes nos leva a mudar de bairro. Com isso, precisamos achar fatos, momentos, instantes e situações onde o nosso novo bairro nos encante e nos protega nesse momento de fragilidade que é dar o passo pra sair de casa. Inicio, então, uma série que visa trazer todas as coisinhas, boas e ruins, que encontro nessa nova e fascinante fase da minha vida.

A série se chama Copabanalidades.

Copa é um bairro, principalmente, barulhento. Não que eu me importe, mas meu apartamento ainda não tem ar nem cortina, então a janela está sempre aberta e semi-coberta por jornais da semana passada pra entrar pelo menos o mínimo de luz. Ainda por cima tenho uma obra perto de casa e dentro de casa. Então prontamente às 8h, no máximo, já estou de pé, esperando ansiosamente o começo do Redação Sportv para que eu possa assisitr as notícias de futebol que todo mundo sabe, mas está louco pra saber de novo.

Fico impressionado como é fácil e rápido andar por Copa. Pelo menos pela parde de Copa que mais ando, que se resume mais entre a Miguel Lemos e a Siqueira Campos. São sempre menos de dez minutos pra qualquer lugar, num ambiente sempre movimentado, garantindo pra esse aqui entretenimento garantido. Velhinhas (sempre elas) conversando calmamente no meio da calçada enquanto um rapaz, tadinho, precisa passar com um carrinho entupido de saco de cimento. Gente sempre com pressa, mas sempre sem nenhuma noção de amor próprio, se jogando entre os ônibus e táxis desgovernados da N. Sra. de Copa.

Estou aprendendo, dia após dia, a gostar mais do meu bairro. Já corri na praia a caminho da academia. Ando demais, e isso me remete a lembranças maravilhosas (próximo post).

Copa é um bairro cheio de gente. E normalmente sou reticente no tocante à ‘povo’. Muita gente sempre é sinal de algo pior que se existissem menos pessoas no fatídico local. Mas Copa é um pouco diferente. Ela aceita, abraça tanta gente, tão diferente, e segue em frente, num barulho eterno e gostoso, me acolhendo. Dizendo que não estou sozinho.

Quando escuto buzinas, me sinto bem.