Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Eu quero…
29-junho-2010, 5:27
Filed under: Diatribes, Perfil

…ser grande.

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Twitter vs Blogs
21-janeiro-2010, 9:23
Filed under: Blogroll, Diatribes

Existe vida aos blogs depois do twitter? Será que twittar algumas vezes por dia justifica uma falta de posts pensativos, criativos e diferentes?

O twitter, toda a idéia de twittagem, me confunde. Eu o uso, com celular 3G fica ainda mais fácil e tranqüilo, e talvez seja por isso que mais acesso o site. Tem muita gente falando absolutamente nada – o que diz muito em comum com blogs em geral.

Mas o acesso à informação ‘instantaneamente’, presente no twitter, é que me deixa fixado no programa. Gosto de ter acesso aos links da Rolling Stones, às notícias esportivas do Ilan, Garamba ou paralelos. Gosto de saber como anda a vida do Tony Fernandes, que ia, até ontem, comprar o West Ham, ou do Neil Gaiman – meu autor predileto. Soube que ele vai se casar, e fiquei estranhamente contente.

A vida em 140 caracteres é complicada. Mas ao mesmo tempo ela se torna a comunicação rápida e simplificada. E é incrível ver no twitter que as pessoas, mesmo com restrições de tamanho das mensagens, não são do tipo de usar internetês. Divulgam suas mensagens amplamente, e sucintamente. É gratificante ver que, ao menos no twitter, não tivemos o empobrecimento da língua. Bom, mais do que o normal.

Ainda estou indeciso quanto ao poder do twitter em terminar com blogs. Acho, sim, que o twitter possibilitou pessoas de divulgarem duas idéias, por mais imbecis e pueris, de maneira rápida e pronta – sem precisarem se preocupar em criar posts, desenvolver idéias. Blogs têm a tendência de puxar o dono para algo mais complicado e elaborado. Dificilmente se vê estruturas de blogs sem preocupação com o tamanho dos posts e a proposta neles contida.

Talvez seja isso o maior feito do twitter – transformar idéias rápidas e de curta duração em movimentos de posts individuais. Ninguém se importa se o tweet ficar sem sentido, sem coesão ou se disser pouco. Rapidamente será engolido por outros tweets, e terá feito seu dever de ser algo de valor e necessidade de atenção por poucos instantes.

Eu ainda preciso escrever posts mais ‘complexos’ e pensativos. Sinto muita falta de fazer isso. Talvez por isso precise ainda desse espaço. E esteja criando um novo, de um projeto literário com um amigo.

Long live the blogosphere.



Maitê e a falta de educação tupiniquim
14-outubro-2009, 1:48
Filed under: Diatribes

Maitê, em Basco, quer dizer ‘amável’. Há a lenda que, em tupi, quer dizer ‘coisa feia’ e é usado pelos índios pra afastar maus espíritos. Esse último faz mais sentido. Especialmente se levarmos em conta nossa especial e fantástica atriz-apresentadora.

Acho estranho que um programa exibido em 2007 só tenha trazido essa polêmica agora. Porém, nada tira o fato dessa vergonha ser uma afronta aos nossos patrícios. Sempre tão solícitos, simpáticos e prestativos.

É claro que zombamos de levarem tudo ao pé da letra, mas faz parte do que eles são. Lembro-me de uma vez que perguntei onde ficava o elevador de Fátima e a resposta foi ‘quando seguires por aqui, e chegares à esquina com a rua X, passaste. É logo antes.’

Se não entendemos as referências e brincamos com isso, beleza. Portugueses devem achar graça de não sermos diretos e falarmos tudo ‘errado’ e ‘estranho’. Isso não dá o direito de termos nossa quéridas ‘meninas’ do Saia Justa humilharem o país. Sem contar o fato da Maitê mostrar sua habitual falta de cultura, errando a história de Salazar e sendo a sem-noção de sempre.

Falta espaço nesse país para termos uma posição mais crítica e definitiva sobre essa falta de educação e posição com relação à . Sátiras e críticas políticas construtivas e inteligentes como o CQC são uma coisa. Falta de educação e senso do ridículo é outra completamente diferente. É patético.



Segunda macabra
15-setembro-2009, 12:33
Filed under: Diatribes

E nesta segunda-feira, dia quatorze de setembro do ano de dois mil e nove após o suposto nascimento de Yoshua ben Yussef, tenho um dia daqueles.

Acordei com fortíssimas dores de cabeça. Suava frio. Precisava trabalhar, mas não achava forças para tanto. Mandei emails avisando dos meus atrasos, me entupi de remédios e apaguei. Acordei horas depois, atrasado até mesmo para o meu atraso programado nos emails.

Uma correria só. Eu, febril, no escritório, fazendo mil e uma coisas. Reuniões produtivas onde me encontrava tendo algumas breves alucinações tamanha era minha overdose de remédios e meu calor, mesmo com vento nas costas e uma chuva que fazia o Rio parecer Londres. Bom, quem dera parecesse, mas serve pra descrever a chuvinha com vento e um certo clima frio.

Ao final do dia, vejo o Buffalo perder no último minuto para o New England. Patrick Swayze morreu após perder sua brava batalha contra um câncer pancreático. Federer perdeu para Del Porto e não conseguiu ser o único tenista na história a vencer um Grand Slam por seis vezes seguidas. Elton John foi negado, pela justiça ucraniana, a adotar. O CQC não está engraçado.

Quero dormir. Esse dia precisa acabar.



E um pouco mais de mim morre…
21-agosto-2009, 2:36
Filed under: Diatribes, Música

…pelo fim da concepção musical que entendo por saudável. Está chegando ao fim o meu romantismo, a minha completa dedicação, o meu dever visceral de propagar cultura da maneira que sempre sonhei possível.

Vejo tardiamente os efeitos de uma vida vivida de sonhos. De pueris pensamentos de regojizo através do som, da propagação das ondas da caixa após o tocar de um acorde. A vida pela arte.

Escrota essa última frase.

Não entendo mais direito o mundo. Anda tudo meio turvo. Penso entender as pessoas, mas vejo que estou mais cego do que nunca.

A confiança que tinha está dando lugar à um marasmo emocional. Um deserto sem fim, onde todo e qualquer vislumbre de esperança nada mais é que uma bela miragem. Sinto o peso da ventania contra meu corpo. O afundar dos pés na areia cada vez mais traiçoeira.

Se a luz ao fim do túnel existe, ela hoje é uma infíma faísca. Pode-se dizer que basta uma faísca para o fogo retornar em todo seu esplendor e graça. Pode ser.

Mas assisto, segundo após segundo, o esvair daquele pequeno e reluzente foco de continuidade. A escuridão torna-se minha amiga. E quando vejo isso aqui, penso no fim.

Um fim muito próximo.



Braba nostalgia
18-agosto-2009, 6:59
Filed under: Diatribes, Perfil

É, Cabra, tá braba essa nostalgia.

Tempos idos, quase deixados. Momentos em que aprendi, cresci, viajei, pensei, refleti, mudei. Todo mundo anda se ocupando demais, e deixando de lado um link blogueiro que criamos.

Mas penso também que as coisas mudaram porque, agora, somos não só blogueiros amigos. Somos, de fato, amigos. Amigos de verdade.

E amigos de verdade às vezes esquecem o que primeiro os uniu, mas continuam fortes e seguros dos laços que têm.

Não acreditei na afinidade que tive contigo naquele nosso fatídico encontro no Belmonte. Que a despedida do Alex, que cheguei a pedir permissão pra participar, fosse ser o começo de uma fase nova na minha vida.

Essa amizade só me fez crescer. E me proporcionou conhecer pessoas distintas, que nunca teria conseguido conhecer não fosse o poder da propagação de idéias e pensamentos que os blogs detêm. E por isso sou eternamente grato ao meu extinto ikhaat.blogspot.com.

Não fosse pela idéia juvenil de falar do que odeio (ik haat é ‘eu odeio’ em holandês), eu não teria falado aquilo que falei. E com isso não teria chegado a conhecer todos vocês. E poder falar o que falei, saber o que soube, aprender o que aprendi.

Minha falta de tempo me faz ter menos cuidado com esse espaço. Um espaço que mudei para poder trabalhar melhor minhas idéias e ideais, mas que vira e mexe se torna um lugar onde preciso colocar qualquer coisa para que não perca a noção da existência disso aqui e ainda lembre o quanto esse blog é importante pra mim.

A nostalgia que bate daquele inverno de 2005 é onipresente. Não há como passar pela Cinelândia e não lembrar de assistir ao show que foi ver um libertino prazeirosamente chupando o dedão de uma oompa-loompa. Não há como lembrar a ida de um paulista de supetão para nos agraciar com sua presença.

Ainda sim, minha maior nostalgia é não ter conseguido aprender mais tanto e nem ser tão assustado por novas pessoas incríveis e inesperadas na minha vida. Um momento sublime de abertura pessoal, onde não me contive e me entreguei por inteiro, recebendo em troca muito mais do que tinha a oferecer.

Minha nostalgia vem do tempo em que ainda me sentia mais inocente e romântico com relação ao mundo. Que sabia que qualquer experiência seria proveitosa e maravilhosa. Onde sabia que meus sonhos seriam realizados. Tinha certeza que meus objetivos eram críveis e conquistáveis.

Agora uma dose um pouco grande demais de amargura domina meus dias. A constatação que nem sempre conseguirei ser transparente e receber transparência e cumplicidade de volta dos outros. Que talvez tenha de deixar de lado meu lado romântico para um mais objetivo e, claro, impessoal.

E junte tudo com a minha preocupação com a carreia, o dinheiro, meu profissionalismo e o que bucestas vou fazer daqui a pouco quando tudo for pro ar (provável) ou tudo der certo (improvável) e não conseguir sequer voltar a ser sonhador e ser mais um operário.

Olha que não contei o mestrado, que ainda é uma fonte de imensa alegria, porque a academia é ao menos um pequeno espaço para que eu possa, de alguma forma, explorar um lado mais erudito e sonhador. Tomara que ele continue sendo um escape. Quando a defesa de tese chegar em maio do ano que vem, estou fudido. Ou não.

Vai saber.



Biscoito mole
17-agosto-2009, 4:55
Filed under: Blogroll, Diatribes

Sempre quando era criança, e como ainda sou esse sentimento me persegue, pegava meu café com leite e, no despertar de manhãs, regojizava no deleite de uma bebida quente e biscoito maizena com requeijão. Quando não queria mais requeijão, e sobrara café e biscoito, adorava juntar um ao outro. Acordava mais feliz depois de molhar o biscoito.

Ainda sim, era difícil controlar a questão tempo-frescura do biscoito. Ficava entre a cruz e a espada, decidindo qual momento era o exato para poder me dedicar completamente aos delírios de um biscoito perfeitamente equilibrado entre o café com leite e consistência necessária para sua plena aceitação degustativa. Era uma ciência que até hoje me ilude.

Nunca gostei de biscoito molhado. Especialmente quando ele se desfazia logo que o retirava do café. Me emputecia. Ainda me emputeço.

Fica aquela sensação de impotência incrível. Um medo de repetir seus erros e ainda sim aquela vontade hedionda de tentar de novo e testar os limites do biscoito. Molhar o biscoito é uma arte que ainda não dominei.

Essa sensação de biscoito molhado demais veio à tona agora há pouco. Idelba deu uma “pausa” no blog. Logo num momento interessantíssimo da política nacional, cheio de maracutaias, brigas, escândalos, problemas. O cara era o foco da minha pesquisa políticas superficial que faço na internet. Era por causa dele que fazia questão de me questionar.

Odiei muita coisa do que ele disse. Já concordei discordando. A grande maioria das vezes, vi um acadêmico dar uma aula gratuita enquanto eu, um aluno de pensamentos praticamente antagônicos, me divertia ao discordar. Ou às vezes entender seu ponto e ainda sim achá-lo totalmente errado. Era um escape quase que diário que fazia e que muito me agregava.

E agora o professor doutor foi-se. Não se sabe quando ele volta, mas espero muito que ele volte. Se não mando o Ted atrás dele.