Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


Instructions
14-abril-2010, 4:07
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Mil Casmurros
29-novembro-2008, 12:26
Filed under: Literaturalidades

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Fiquei fascinado pelo projeto Mil Casmurros de leitura do ‘Dom Casmurro’ feito pela Globo. São mil trechos curtos dessa obra que ainda preciso voltar a ler para realmente gostar, pois só tenho lembranças da chatura que foi lê-la para a aula da Sônia.

O sensacional Idelba lê um trecho. O guei mais lindo do mundo lê o décimo-terceiro sem, pasmem!, crédito! O Rodrigo do Jacaré Banguela outro. Acho que vi o Ina fazer outro. Vi sim… e logo antes da Ana Maria Braga. E do Romário!!

No final, espero ver muitos amigos lendo e curtindo essa idéia tão genial. Já ando vem que tem muita gente legal que leu um trecho. E muita gente desconhecida, o que dá um prazer incrível ver lendo os trechos. De moleques a senhoras, todos participando de um projeto de cultura na internet inovador.

Meu trecho é o 132. Adorei lê-lo. Espero que vocês gostem.

(obs: eu não sei porque, mas não consigo ver se funciona o embed to vídeo… por isso deixei o link acima)



Rendezvous with the end of it all
19-março-2008, 5:34
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Arthur C. Clarke se despede de todos nós, tendo criado o que é, talvez, o maior legado científico-literário da história da humanidade. Sem contar que ele trouxe à tona a idéia de satélites geoestacionários – que revolucionaram a comunicação global e hoje só sabemos da notícia dele tão rapidamente por culpa dele mesmo.

Em 1945, Clarke percebeu que, numa certa órbita ao redor da linha do Equador, a cerca de 36 mil quilômetros de distância, os satélites que ali residiam ficariam o tempo todo sobre o mesmo ponto da superfície da Terra. Seus estudos em física e matemática no King’s College de Londres deram os frutos necessários. Sua experiência com radares na Segunda Guerra deve também ter ajudado. O que torna Clarke ainda mais fascinante foi o simples fato dele me fazer pensar. Pensar, refletir, e me imergir por completo em teoremas físicos, em projetos e programas de astrofísica que nunca teria tido a oportunidade de me aproximar se não fossem as palavras dele, contidas em livros inacreditavelmente interessantes e bem-escritos.

O escritor concluiu que, com apenas três satélites em posições estratégicas na órbita geoestacionária (hoje também chamada por alguns de “órbita de Clarke”), seria possível estabelecer um sistema de telecomunicação que atingisse todos os lugares do mundo. A idéia geral foi aplicada para proporcionar a revolução nas telecomunicações marcada pelas transmissões ao vivo via satélite.

Rendevouz with Rama‘ foi o primeiro livro que li do ACC. Um corpo celeste é descoberto perto de Júpiter e nomeado com o nome da deusa hindu Rama. No século XXII os cientistas esgotaram os deuses gregos e romanos). O asteróide 31/429 é descoberto em 2131 e uma análise de sua trajetória revela que ele se move extremamente rápido e que vem da vicinitude uma estrela que deve ter deixado há 200,000 anos atrás. Sua rotação de quatro minutos e seu tamanho gigantesco também são um problema. Imagens de um satélite revelam seu tamanho cilíndrico de 16km de diâmetro e 50km de comprimento.
Uma equipe é mandada ao encontro da nava (daí o título ‘Rendevouz with Rama’), e conseguem alcançar a nave na órbita de Vênus. Entende-se que a nave passará a menos de vinte mil kilômetros do Sol, para depois nunca mais ser vista. Os mais de vinte tripulantes da equipe de reconhecimento, liderados pelo Comandante Norton, entram em Rama e exploram seu vasto interior. A natureza e o propósito da nave são um enigma indecifrável.

O livro termina com uma chamada a outros dois – apesar de Clarke, no momento de tê-lo escrito, disse que não pensava em sequências. ‘Rendezvous’ ganhou prêmios e transformou o Clarke na referência de literatura de ficção-científica que ele é hoje.

Gentry Lee se juntou ao autor para outros três livros, além de outros dois lançados sem a consultoria de Clarke. Tive o prazer de ler ‘Rama II‘ e ‘The Garden of Rama‘, que agora me olham, na estante, com ares de tristeza e melancolia. ‘Rama Revealed‘, quarto e último livro feito com Clarke, agora me espera, na Amazon, quietinho, e vou comprá-lo ainda hoje para ler o quanto antes. Talvez nunca senti tanta vontade de ler um livro.

Arthur era um gênio. Um cérebro fantástico, capaz de criar mundos e teorias inacreditáveis – e soluções imensuravéis para o bem-estar humano. Um daqueles que pra sempre gravarão seus nomes na história da humanidade. Devo a ele não só a noção de informação irrestrita que tenho, como também devo a ele a felicidade que tive ao entrar em todos os mundos e todas as suas palavras, de ‘2001‘ a ‘The Songs of Distant Earth‘. Leiam ‘The Star‘, talvez a melhor short story dele, de grátis.

Perdi Sir Gygax e Sir Clarke na mesma semana. Meu(s) mundo(s) nunca mais será(ão) o(s) mesmo(s).



Virgínia Berlim
3-março-2008, 2:54
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Há tempos recebi, numa tarde quase noite na Cinelândia, envolto a pessoas queridas e conhecidas, uns livros interessantes. Faltou resenhas dos mesmos. Nas próximas semanas, entregá-las-ei.

Bia é um guei lindo. Talvez o guei mais lindo. Daria meu cu a ele se tivesse um extra. E como esse puto sabe escrever.

Vírginia Berlim é uma mulher comum. Ordinária. Presente na vida de qualquer um de nós. Ela está lá, na tangente, esperando o momento de entrar na sua vida e botá-la completamente ao avesso em instantes.

Todas as vezes que li o livro (foram quatro até agora), me passa a impressão, cada vez mais clara, que a Vírginia é bem mais que uma mulher. Ela é A mulher, a mulher de todos nós, machos os fêmeas. Ela é a mulher que queremos ter. Ou não.

Na cadência incrível desse livro, na prosa excelente já vista em ‘Sexo Anal – Uma Novela Marrom’, resenhado por mim nesse post, Bia consegue nos deixar atônitos, acompanhando, a lá ‘Janela Indiscreta’ mesmo, como bem disse a Lúcia Malla, os acontecimentos em torno do fim de ano de um alguém qualquer. Muito claramente, esse alguém representa nós mesmos. É só procurar que achamos uma faceta nossa, um fósforo esperando ser ignado.

Vírginia Berlim’ é uma história de momento. Uma história de situação. Mas é também um reflexo de angústias, de tédio, de monotonia e de puro êxtase. Consegue ser chata e intoxicantemente interessante.

Lê-la com o cd a tira-colo muda a experiência. Na primeira vez, não quis saber das músicas. Na segunda, fiz questão de ouvir o cd enquanto lia. Na terceira, li de novo sem som. Na quarta, acompanhei a história junto com o livro. Li o livro de acordo com o cd. E a quarta vez foi a melhor. Olha, o cd não tem músicas que posso dizer que adoro, mas ele encaixa sublimemente no decorrer da história – provém o certo na hora certa. Explica sem explicar e ajuda o caminhar daquele de pé cortado, morrendo de calor e entediado – um retrato fiel de todos nós, vivendo no nosso mundinho, do nosso jeitinho, perdidamente desesperados sem demonstrarmos isso.



The Big Wee Hag
13-fevereiro-2008, 3:03
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Há anos curto a série Discworld de livros. Já são quase quarenta e creio eu que somente uns cinco ou seis eu ainda não li. Já tenho em mãos o último, ‘Making Money’, e os esquecidos não ficarão escondidos por muito tempo. Sou fã incondicional e não deixarei de fechar minha coleção.

Tiffany Aching é uma bruxa de 13 anos que começou sua carreira bem cedo, aos 9, quando foi recrutada pela Miss Tick. Esse primeiro livro foi o ‘The Wee Free Men’, de 2003. Ela liderou os pequenos e bravos Nac Mac Feegle para salvar seu irmão pequeno, Wentworth, e Roland, filho de um Barão local, da Rainha dos Elfos. Com isso ela ganhou respeito da Granny Weatherwax, considerada a maior bruxa viva. E morta.

Dois anos depois ela viajou a Lancre para ser formalmente aprendiz da bruxa Miss Level (nenhuma bruxa de verdade casa… a não ser a Nanny Ogg, que é um caso a parte), depois a Miss Pullunder e Miss Treason. Depois da hilária morte anunciada (para ela mesma, a ponto dela ter planejado e feito sua ceia funerária um dia antes de bater as botas), ela ficou por pouco tempo com a já mencionada Nanny Ogg antes de retornar ao Chalk para assumir sua posição como Bruxa do Chalkland.

A arte de se fazer sair do próprio corpo, pegando carona em outras criatura, a fez ser infestada por um ‘enxame’ (entidade de mentes anciãs do começo dos tempos). Esse segunda grande aventura de Tiffany está no livro ‘A Hat Full of Sky’. A infestação em sua mente foi curada quando deu ao enxame o que ele realmente precisava: a habilidade de morrer.

Filha de fazendeiros e criadores de ovelhas, ela é excelente quejeira. Tão boa que um blue cheese, chamado carinhosamente de Horace, tem um certo hábito estranho de comer ratos. E já se tornou parte dos Nac Mac Feegles, que não se importam com aparências. Tendo lido o dicionário por completo, Tiffany também tem uma inata habilidade com línguas – adquirida ao ser infestada pelo enxame e possui agora, em sua cabeça, a mente do extinto mago Sensibility Bustle, que traduz palavras estranhas, explica termos ainda complicados e vira e mexe discute com a mente de Tiffany.

No ‘Wintersmith’, último livro a ser lançado com histórias da Tiffany (há planos, felizmente, para mais um ou dois), ela entra, meio sem querer, mas na verdadeira querendo bastante, na Dança das Estações, e assim consegue atrair as atenções (curiosas e depois amorosas) do Wintersmith, entidade responsável pelo inverno que dança com a Lady Summer na Primavera e no Outono – quando cada um toma controle do tempo. Primeiro irritada e indiferente, Tiffany aos poucos se sente um pouco intrigada e até mesmo lisonjeada pelo interesse, sendo ela agora uma semi-deusa (tendo tomado o lugar da Lady Summer, responsável pelo Verão, na Dança). Coube a Roland, Granny e os Mac Feegle mais uma vez ajudarem a bruxa a se livrar das investidadas do Inverno e salvar o Discworld de uma era do gelo eterna.

Harry Potter é o cacete. Bruxaria de verdade é com a Tiffany Aching. No inconfundível e fantástico humor de Terry Pratchett, os livros tomam vida de uma forma incrível e são um prazer inenarrável de ler.