
Minha viagem pra Nova Orleans foi no mínimo curiosa. Sexta-feira parti, cedo, pro aeroporto para poder pegar o vôo que primeiro faria conexão em Washington e depois aterrizaria em Nova Orleans. Já de manhã caía o mundo em NY. Fui ensopado até o ponto do ônibus do aeroporto, onde no caminho o presente do Payton quase se desintegrou, e consegui sabe-se lá como pegar o bendito vôo. Vôo esse tranquilo até Washington, onde pouso na boa e fico aguardando a conexão para Nova Orleans - algumas horas depois de aterrizar. Quinze minutos antes do aviso para embarcar, simplesmente cancelam o vôo como quem não quer nada. Confusões à parte, consigo saber que, por causa do tempo horrendo no norte do país, vários vôos não chegaram em Washington e, portanto, foram cancelados. Resumo: não voei, perdi a reserva do hotel em NO, não consegui ver o jogo de futebol americano entre os Saints e os Bills, mas conheci pessoas muito maneiras no terminal. Pessoas em desespero acabam dependendo umas das outras.
Primeiro foi a Sarah, que desesperada pra tentar pegar um vôo ate NO correu pro outro lado do terminal atrás de outra bancada de embarque da US Airways. Ô empresinha complicada essa. Chegam a ter uma mesa de ‘atendimento especial’ no terminal. Só isso já dá medo - e claramente demonstra quantos ‘atendimentos especiais’ eles devem ter de fazer por dia aos seus clientes.
Depois veio a Kirpa, indiana que queria visitar a família e voltar pra casa já no domingo, e percebeu que iria passar somente algumas horas com o seu pessoal por causa do atraso. Ah, ela ainda alugou um carro no aeroporto para dirigir até Baton Rouge, capital da Louisiana, porque não era em NO que estava sua família. Ficou em eterna dúvida sobre o que poderia fazer. Voltar para Nova Iorque, naquele momento, parecia ser uma decisão melhor que ter de passar a noite em Washington e voar para Nova Orleans para ficar somente algumas horas com seus familiares. Mas sua sobrinha tivera acabado de nascer, então ela não teve escolha a não ser ir e pronto.
Finalmente apareceu um americano típico ao meu lado. Cabelo curtíssimo, sem barba, alto e magro. Começamos a bater papo e ele tambem ia para NO. Ia ver a namorada porque tinha recebido notícia complicada. Chris é soldado, faria três anos de serviço dia 18 desse mês e, devido ao seu tempo de serviço militar poder se expirar em três anos, iria sair de lá. Chegou a ser patrulha noturno nas ruas de Bagdá até abril deste ano. Quando comunicou aos seus superiores sua decisão de se desligar das forcas armadas, foi informado que dia 17 viaja de novo pro Iraque pra passar 15 (sim, quinze!) meses lá de novo. Coitado. Muito gente fina, sulista com cultura (existem), espero poder continuar a manter contato com ele e saber, de primeira mão, o que acontece naquela guerra que ele mesmo admite ser errada - mas “defende com orgulho seu pais, mesmo no erro”. Palavras de um típico americano.
Acabei tendo de despachar minha mala, visto que não embrulhei minha pasta de dente e meu perfume antes de embarcar. Povinho neurótico. Murphy é rei e, com esses atrasos, fiquei sem mala. Acabei conseguindo achá-la num outro vôo indo pra NO (duas horas depois do meu) e tudo se ajeitou.
Smolka chegou pra me buscar depois do almoço. Fomos pro cassino jogar poker, onde jogamos bem e, claro, o Smolka ganhou dinheiro - e eu não. Saímos hoje à noite e amanhã vou conhecer o moleque dele. Em breve estarei em Washington e mostrarei as fotos atrasadas. Beijos.