Lembrança Eterna de uma Mente sem Brilho


I left my heart in San Francisco
3-Setembro-2007, 6:21
Arquivado em: Estrada

Estou na loja da Apple da Union Square - coração de San Francisco. Que cidade incrivelmente foda essa. Linda, pequenina (7 milhas por 7 milhas) e muito, muito culturalmente diversa. Se achava que NY era diversa, isso aqui é sacanagem…

Já conheci a cidade inteira, caminhando pracas e desenvolvendo bolhas cada vez maiores - agora elas têm até sangue, o que é uma dilíça. Amanhã é dia de Alcatraz e passarei o resto do dia nos parques da cidade, quem sabe voltar pra Berkeley, e curtir na calma meu último dia aqui em terras estranhas.

Mano, meus parabéns pela aprovação na sua defesa de tese no mestrado. Chorei (claro, né?) feito um bobo na rua, e sentei no gramado da Union Square contemplando esse último mês, morrendo de saudade de tudo e de todos por aí.

Dei um oi pro William H. Macy e pro Noodles do Offspring enquanto estive aqui. Coisas de San Francisco, né?

Ontem vi um jogo de beisebol muito maneiro e já assisti a cinco filmes enquanto estive aqui. No cinema daqui você compra um ingresso e pode pular de sessão em sessão sem problemas. Quem dera no Brasil fosse assim tão tranquilo. E faz todo sentido do mundo - pois onde eles realmente faturam é na venda de bebidas e nachos.

Vou-me, queridos leitores e amigos. Amanhã quero ver se passo aqui de novo pra dar um alô. Acho difícil. Aliás, o que e esse novo iMac… pelamordedeus, que coisa mais linda…



Big Sur, Monterrey, Sequoia, Sonoma
1-Setembro-2007, 6:05
Arquivado em: Estrada

Estou na internet mais lerda do universo, aqui em San Francisco. Cheguei ontem e fico aqui até ir embora dia 5. A cidade é linda, linda, linda, e a Golden Gate hoje estava um pouco coberta por fog - algo que acontece durante dois terços do ano, soube. As fotos ficaram embaçadas, fazer o que…

Os últimos dias tem sido corridos. Saí de LA, peguei a Highway One e segui, parando em diversos lugares estonteantes até chegar no Parque Big Sur e caminhar até morrer de cansaço. Pedra Bonita foi um peido comparado ao Big Sur. Segui depois para Carmel e Monterey, numa linda baía a menos de uma hora de carro de San Francisco.

Tinha dias sobrando (lembram o negócio de planejar tudo de sopetão?), então resolvi correr até o Sequoia National Park e, táqueôpariu, que lugar expetacular. Se tem algo que a Califórnia realmente tem de bom são seus parques. Já estou com 800 fotos novas desde Washington.

Árvores milenares, de altura incrível, povoam um dos parques mais expetaculares que poderia querer conhecer. Isso sem contar que, pela segunda vez na viagem, tive a grande honra de ter sido visitado por ursos. Dessa vez ele chegou muito, muito perto e pude tirar fotos sensacionais. A foto acima é da General Grand Tree, a mais famosa do parque, onde um alemão fez questão de tirar a foto logo quando eu estava coçando o nariz. Reparem como sou um ponto branco comparado à majestosa árvore. Incrível.

Ontem passei o dia em Sonoma, vale dos vinhos daqui. Conheci o dono de uma vinícola biologicamente correta e me diverti horrores com ele. A vinícola, da família Berziger, é o que chamam de bio-dinâmica. Tudo o que é produzido aqui é provido por insumos feitos dentro da propriedade - sem influência externa nem qualquer tipo de químico. Isso quer dizer que a vinícola é auto-sustentável. Até a prevenção de pragas é feita em insectórios que ficam entre as plantações. Tais insetos são os predadores naturais das pragas, portanto não há necessidade de agrotóxicos para a saúde das uvas. O sistema todo, e o funcionamento da fazenda como um todo, é fantástico. Comprei uns vinhos deliciosos aqui.

Consegui ainda conhecer a Berkeley, universidade que é, de longe, a mais linda que já vi. De pessoas e local. Impressionante. Alex deve estar sentindo uma falta incrível daqui. Ando tendo umas reações mega animadas. Eu sei. Mas ando realmente embasbacado com tudo que tenho visto nessa viagem.

Volto a escrever mais em breve. A mulher desse cyber tosco tá mandando eu vazar. Pelo menos estou com uma vista deslumbrante da baía. E lá vem o fog. Preciso andar um pouco antes que ele tome conta do Fisherman’s Wharf.



Las Vegas ainda, Hollywood
28-Agosto-2007, 10:46
Arquivado em: Estrada

Sábado foi o dia do jogo do Brasil. Cheguei cedo, vi o jogo dos Eua contra o Canada - quer dizer, o passeio deles - e antes do aquecimento do Brasil consegui inúmeros autógrafos na minha camisa. Nenê e Leandrinho não entraram na quadra até logo antes do jogo, o que era meio esperado. Queria mesmo era um autógrafo do Leandrinho.

O jogo foi um sufoco ridículo, visto que o adversário eram as Ilhas Virgens. Mas acabou que ganhamos. Leandrinho tinha passado perto de mim durante o aquecimento final, e falou que assinaria minha camisa depois. Ao fim do jogo, quando ele fingia não estar escutando as pessoas clamando por ele, gritei: ‘mas tu prometeu!’. Não é que ele virou, apontou pra mim concordando e veio assinar minha camisa?!

Cheguei em LA cansado e não gostei da primeira impressão de Hollywood. Sujo, ermo, estranho. Dormi tranquilo e acordei novo. Fui a Beverly Hills, o morro do Hollywood Sign e sem querer parei na frente da Universal Studios. Passei o dia no parque, me divertindo horrores, e no final do dia andei atrás dos estúdios para tentar ver o show do Craig Ferguson. Soube que tinha de aparecer cedinho pra garantir entrada. Fui dormir num motel do outro lado da rua dos estúdios da CBS.

Hoje descobri que o puto só volta a gravar em setembro. Fui à NBC pelo tour do estúdio e, vejam só, conheci uma menina americana, lindinha, que foi colega do Alex em Tulane e fala um português sensacional. Ela agora é assistente na NBC e me ajudou a entrar no Tonight Show com o Jay Leno! O primeiro da nova temporada, com ingressos (gratuitos) muito, deveras disputados.

Antes do show do Leno começar, fui do outro lado da rodovia na Warner Brothers e fiz o tour gigante deles. Assisti ao show num lugar espetacular e agora sigo ainda hoje a noite pra costa, onde amanhã pretendo pegar a Highway One com calma. Quando chegar perto de Fresno adentro o estado e vou pro Sequoia National Park. Depois passo o resto da viagem andando por São Francisco (incluindo Monterrey e Carmel, que são perto). Ainda quero passar pelo Napa Valley pra ver as vinícolas e tomar um bom vinho.

Falta uma semana, gente. A saudade dói demais.



Las Vegas, Grand Canyon
25-Agosto-2007, 5:38
Arquivado em: Estrada

 

Dois dias fantásticos esses que passei em Las Vegas. Ontem foi o KÀ e o David Copperfield. O Kà é uma experiência teatral do Cirque, e que experiência mais sensacional essa. Inesquecível. As cores, o figurino, a música, o cenário. Impressionante. David Copperfield foi mais engraçado que espantosamente legal. As ilusões alternavam boas com coisas razoáveis. O Fabio Mano é IGUAL ao Copperfield. Reparei nisso ontem, quando estava a poucos metros dele. Sem contar que ele escolheu a mulher que estava ao meu lado pra subir ao palco. Inveja da porra dela.

Hoje fui ao Grand Canyon, onde tirei a melhor foto da viagem (acima). Que lugar extraordinário. Uma beleza incomum, estranha e perfeita. Um calor infernal que era contrastado por algumas leves brisas geladas. Fiquei por vários minutos contemplando a paisagem, caminhando pelas trilhas escondidas (algumas até fechadas e proibidas) desse lugar.

Agora à noite foi a vez do Blue Man Group e do ‘O’, tambem do Cirque. Nunca passei pela experiência que vivi no BMG. Disparado o melhor show da minha vida. Valeu muito a pena ter aguardado com tanta ansiedade por esse momento. Ainda consegui autógrafo de todos e fui agraciado com uma marca azul no rosto. Fodaço pra caráleo. ‘O’ é o lado mais circense do Cirque, como foi o ‘Saltimbanco’ ano passado. Mas ‘O’ é na água, e a ambientação é assutadoramente bela. Assistir ao Cirque me dá um novo parâmetro de interpretação, cenografia e música. Simplesmente mágico.

Amanhã é dia de me ver no jogo do Brasil contra as Ilhas Virgens (vai passar na tevê, então não tem desculpa), torcendo feito um bobo antes de ir pra Los Angeles. Vi que não vai dar tempo de ir pra San Diego, onde só queria mesmo ver o aquário de lá. Oh well. Quero muito poder passar no Sequoia National Park e troco San Diego por ele sem pestanejar.



Yosemite, Death Valley, Las Vegas
23-Agosto-2007, 10:18
Arquivado em: Estrada

Acordei muito cedo e fui caminhar por Yosemite antes de pegar o tour das 11h. Que parque lindo esse. E olha que só 4% dele e ocupado pelos rangers, esse povo daqui com chapéu de canadense - deveras simpáticos, diga-se. Consegui andar muito, caminhar em algumas trilhas e depois do tour segui pra outra área do parque, com direito a banho num dos lugares mais lindos que já vi - um lago ao norte do parque. Segui para o Death Valley pra pegar um pouco do sol antes dele se pôr.

Cheguei lá por volta das 17h30. O calor era absurdo, a ponto de mal conseguir respirar. A gasolina tinha passado do meio cheio, e comecei a me preocupar. Liguei o ar pois não aguentava mais o bafo que vinha de fora do carro. Às 17h45. Cheguei na borda do parque e comecei a série de fotos que viriam. Nunca tinha antes passado num deserto. É uma paisagem deveras melancólica. Arbustos semi-vivos, um mundo laranja, amarelo e ferrugem. E o calor insuportável. Às 18h15.

Passei pelo norte do parque, conseguindo fotos lindas. De dunas de areia a formações rochosas únicas, o lugar é realmente diferente e intrigante. Saltei do carro pra tirar uma foto. Era 18h50. Mal consegui ficar cinco minutos do lado de fora. E ainda tive de reabastecer no meio do parque, com direito a falta de ar e gotas e gotas de suor. Às 19h30.

Prudentemente, não fiquei no parque pra pegar o tour da manhã que me levaria ao ponto mais quente do lugar, a 237 pés abaixo do nível do mar. Me contentei com o Furnace Creek, a 190 pés abaixo, e seu calor estupido. Sei que não aguentaria cinco minutos no tour.

Cheguei agora à noite aqui em Las Vegas. Cidade interessante essa. Não há muito o que fazer a não ser ir pros cassinos. Vou tentar filmar o show das águas do Bellagio, fui ver um filme ontem e dei uma caminhada pela Strip, única rua de verdade daqui, onde estão todos os cassinos. É estranho não conseguir, de forma alguma, me enturmar aqui. Vou no máximo dar um pulo na mesa de poker de alguns cassinos pra levar lembrança pra casa em forma de fichas. Mas o ambiente é escrotérrimo. Muita gente fumando, jogando, se embebedando. Cidade de shows e jogo.

Mas vou ver o Cirque du Soleil duas vezes! ‘Kà’ hoje e ‘O’ amanhã. Isso será fantástico demais. E ainda tem David Copperfield hoje à noite. Amanhã tem vôo pelo Grand Canyon, com direito a almoço na parte oeste do parque e visita à doma de vidro que fica bem em cima do vale. Valeu, Cla, pela dica!! Aliás, fiquei imaginando a Luiza andando que nem galinha sem cabeça pelos cassinos quando passei por eles. Ri sozinho imaginando a cena.

Penn & Teller só no sábado, e já não pretendo estar aqui. Vou tentar pegar um jogo do Brasil de basquete, pro João ter de me pagar 10 reais!



Yosemite
22-Agosto-2007, 5:14
Arquivado em: Estrada

 

Estou em Yosemite, com tempo contado e tour a fazer. Que lugar estupidamente bonito esse. Disputa com a Chapada dos Veadeiros como lugar mais bonito que já conheci. Quando puder mostrar as fotos, ficarão tão espantados quanto eu estou agora. Faz um sol incrível, e a noite foi agradabilissima.

Espero poder chegar no parque de Sequoia antes do sol se pôr, para tirar fotos e depois dormir perto do Death Valley, que fica ao lado de Las Vegas e e onde quero passar a manhã de amanha antes de ir pra cidade dos cassinos. Vida de road trip é assim - planos feitos no dia, baseados em nada mais que pura conjectura temporal. Pode ser que não consiga fazer metade dessas coisas no tempo que estou pensando, e também posso conseguir fazer em metade do tempo. Só sei que estou adorando tudo isso.

Está acabando meu tempo aqui no cyber. Em breve, mais noticias.



Macarrão, Picnic, Arlington
20-Agosto-2007, 7:09
Arquivado em: Estrada

Sexta foi dia de museu aéreo e espacial, ao lado do aeroporto internacional, onde eu e Maniche passamos o dia admirando tudo enquanto todos estavam loucos pra irem ao Outlet da cidade fazer compras. Acabou que eu e Maniche fomos pra casa, porque tinha de preparar o jantar e não queríamos comprar nada - o resto foi às compras. Fiz um macarrão ao sugo (estupendo sucesso) e atum com borda de gergelim e salada de folhas com vinagrete de molho shoyo. Ficou ducarai - de verdade.

Sábado foi dia das cavernas aqui perto e caminhamos pelo topo das montanhas Apalaches, com direito a picnic com uma vista deslumbrante.

Hoje passamos o dia vendo os últimos monumentos e passeando pelo cemitério de Arlington, onde Kennedy está enterrado - junto com tantos outros veteranos de guerra, desde a Guerra Civil até nossos dias de Iraque e Afeganistão.

Amanhã parto para Filadelfia e, com sorte, espero conseguir me filmar subindo as escadas do museu de arte da cidade (como Rocky Balboa, meu ídolo). Quero muito ver tamber o Independence Hall, onde os fundadores desse país redigiram a sua constituição. Terça às 6h viajo pra San Francisco.



Museums, Baseball, King’s Dominion
19-Agosto-2007, 4:59
Arquivado em: Estrada

Desculpa, povo, mas agora, mesmo com internet em casa eum conforto absoluto, não tenho entrado nunca. Estou na casa de amigos aqui em Washington, curtindo uma vida de rei. Terça comeca minha aventura pela costa oeste.

Minha semana aqui foi incrivelmente calma, tranquila e proveitosa. Maniche e Roberta, donos da casa onde estou, me fizeram sentir muito em casa. Maniche é indiano e a Roberta, amiga de infância minha, o conheceu na zorops. Amor à primeira vista que durou até eles se casarem, em 2004, com meus pais de padrinhos. Casamento indiano, com toda pompa do mundo, que deixou meus pais embasbacados tamanha a beleza e riqueza da cerimonia. Hoje dividem uma casa maravilhosa aqui em Arlington, ao lado de Washington, e são, pra mim, a perfeita imagem do que quero ser em breve.

Passei a semana na comapanhia de pessoas sensacionais, que por muito tempo deixei de ter ao meu lado e hoje percebo, cada vez mais, o quanto sempre gostei, e muito, deles. São Paulo, Nova Zelandia e Inglaterra me afastaram deles, e o tempo fez essa distancia parecer ainda maior. Esta mais do que na hora de voltar a tê-los como extensão da minha família. Bom demais poder ter passado esse tempo aqui.

Fui a diversos museus, revi tantos monumentos lindos - essa cidade, planejada por L’Enfant logo depois da independência americana é excepcionalmente bonita e limpa. Lembrava pouco da última vez que vim pra ca, em longínquos 1996, e pude rever toda a beleza e incrível estrutura dessa cidade. A primeira coisa que fiz quando cheguei aqui foi assistir ‘Casablanca’ no parque The Mall, com o Capitólio de fundo de pano para uma noite agradabilíssima e um filme excelente num telão gigantesco no meio do parque.

Terça fomos à um jogo de beisebol, com direito a lugares especiais, providos pela empresa da Roberta. 3-2 para os Phillies, com derrota do time da casa - os Nationals. Mais uma experiência bem americana que aproveitei ao máximo.

Quinta fomos ao King’s Dominion, parque de diversão há algumas horas daqui. Seis horas de adrenalina, gritos e suor - o dia mais quente da semana, de longe. Torcicolo, mal-estar, e um dia cansativo e divertido demais. A foto acima é do pior brinquedo - para o qual a Robert e a Renata se recusaram a ir. E eu, louco, fui de primeira fila.



Mobile, Washington, Arlington
15-Agosto-2007, 2:46
Arquivado em: Estrada

Mobile, cidade do Smolka, não tem nada. Nada. N…a…d…a. Mas tem isso aqui, ó:

Payton é de longe a criança mais sensacional que já vi. Não chora nunca, ri demais, adora brincar. Tá sempre de bem com a vida. Quando primeiro o peguei, ele me olhou estranho - tinha acabado de acordar - e demorou pra se enturmar. Mas em minutos já estava rindo, um riso maravilhoso, e eu me derrentendo completamente.

Para quem importa, Smolka tá super bem, pegou uma promoção mega-super-duper e tá feliz. Isso é o que mais importa.

Foi um domingo de paz e tranquilidade. O que eu precisava nessa correria louca dessa viagem.

Liguei para meu pai. Meu lindo pai. Meu maravilhoso pai. Feliz Dia dos Pais de novo. Te amo mais que tudo nessa vida.

Cheguei cedo na segunda em Nova Orleans, depois de pegar um ônibus as 4h45. Consegui, com jeitinho brasileiro (ou seja, alegando que precisaria encontrar meu oncologista), pegar um vôo mais cedo e chegar em Washington logo depois do almoço. Iria chegar quase de madruga em Washington, então esse vôo mais cedo me fez um bem tremendo. Chris, o soldado, acabou me ligando, mas como peguei o vôo mais cedo fiquei sem vê-lo. Pena. Boa sorte pra ele naquele inferno lá. Tomara que tudo dê certo.

Ah, quando fui comprar o bilhete do ônibus, estava em pé ao lado de um sujeito aparentemente normal falando ao telefone. Não é que me entram quatro policiais, armas em punho, apontadas pra cabeca do sujeito, e calmamente declamam: “put the phone down and come with us, sir”. Mó perrengue. Smolka depois disse que o cara aparentava estar drogado e tinha drogas e uma faca no bolso. Surreal.

Estou em Washington, curtindo uma vida mansa e confortável - me preparando pra correria da costa oeste. A casa da Roberta e do Manish é simplesmente linda - e essa cidade, Arlington, parece tirada do Sim City de tão perfeitinha, planejada e assustadoramente limpa.



Cancelled, Washington, New Orleans
12-Agosto-2007, 4:24
Arquivado em: Estrada

Minha viagem pra Nova Orleans foi no mínimo curiosa. Sexta-feira parti, cedo, pro aeroporto para poder pegar o vôo que primeiro faria conexão em Washington e depois aterrizaria em Nova Orleans. Já de manhã caía o mundo em NY. Fui ensopado até o ponto do ônibus do aeroporto, onde no caminho o presente do Payton quase se desintegrou, e consegui sabe-se lá como pegar o bendito vôo. Vôo esse tranquilo até Washington, onde pouso na boa e fico aguardando a conexão para Nova Orleans - algumas horas depois de aterrizar. Quinze minutos antes do aviso para embarcar, simplesmente cancelam o vôo como quem não quer nada. Confusões à parte, consigo saber que, por causa do tempo horrendo no norte do país, vários vôos não chegaram em Washington e, portanto, foram cancelados. Resumo: não voei, perdi a reserva do hotel em NO, não consegui ver o jogo de futebol americano entre os Saints e os Bills, mas conheci pessoas muito maneiras no terminal. Pessoas em desespero acabam dependendo umas das outras.

Primeiro foi a Sarah, que desesperada pra tentar pegar um vôo ate NO correu pro outro lado do terminal atrás de outra bancada de embarque da US Airways. Ô empresinha complicada essa. Chegam a ter uma mesa de ‘atendimento especial’ no terminal. Só isso já dá medo - e claramente demonstra quantos ‘atendimentos especiais’ eles devem ter de fazer por dia aos seus clientes.

Depois veio a Kirpa, indiana que queria visitar a família e voltar pra casa já no domingo, e percebeu que iria passar somente algumas horas com o seu pessoal por causa do atraso. Ah, ela ainda alugou um carro no aeroporto para dirigir até Baton Rouge, capital da Louisiana, porque não era em NO que estava sua família. Ficou em eterna dúvida sobre o que poderia fazer. Voltar para Nova Iorque, naquele momento, parecia ser uma decisão melhor que ter de passar a noite em Washington e voar para Nova Orleans para ficar somente algumas horas com seus familiares. Mas sua sobrinha tivera acabado de nascer, então ela não teve escolha a não ser ir e pronto.

Finalmente apareceu um americano típico ao meu lado. Cabelo curtíssimo, sem barba, alto e magro. Começamos a bater papo e ele tambem ia para NO. Ia ver a namorada porque tinha recebido notícia complicada. Chris é soldado, faria três anos de serviço dia 18 desse mês e, devido ao seu tempo de serviço militar poder se expirar em três anos, iria sair de lá. Chegou a ser patrulha noturno nas ruas de Bagdá até abril deste ano. Quando comunicou aos seus superiores sua decisão de se desligar das forcas armadas, foi informado que dia 17 viaja de novo pro Iraque pra passar 15 (sim, quinze!) meses lá de novo. Coitado. Muito gente fina, sulista com cultura (existem), espero poder continuar a manter contato com ele e saber, de primeira mão, o que acontece naquela guerra que ele mesmo admite ser errada - mas “defende com orgulho seu pais, mesmo no erro”. Palavras de um típico americano.

Acabei tendo de despachar minha mala, visto que não embrulhei minha pasta de dente e meu perfume antes de embarcar. Povinho neurótico. Murphy é rei e, com esses atrasos, fiquei sem mala. Acabei conseguindo achá-la num outro vôo indo pra NO (duas horas depois do meu) e tudo se ajeitou.

Smolka chegou pra me buscar depois do almoço. Fomos pro cassino jogar poker, onde jogamos bem e, claro, o Smolka ganhou dinheiro - e eu não. Saímos hoje à noite e amanhã vou conhecer o moleque dele. Em breve estarei em Washington e mostrarei as fotos atrasadas. Beijos.